Universo e Afins

Um espaço para reflexões despretensiosas, comentários engraçados e observações curiosas a respeito do Universo que nos rodeia e do qual, querendo ou não, fazemos parte.

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Nome: Danilo Kossoski
Local: Ponta Grossa, Paraná, Brazil

2.6.09

Caricatura: jeito de trazer à tona meu mau humor

Ser cartunista também não é fácil. Não sei direito por que gosto de fazer os rabiscos. Simplesmente dá vontade e faço. E há alguns anos eu me esforço para canalizar isso que uns chamam de dom. Tento fazer, digamos, um desenho por semana. É pouco. Mas não é minha profissão. É meu hobby. E não poderia fazer muito mais, mesmo que quisesse... e quero.

Não é sempre que surge tempo para desenhar. E, quando crio esse tempo, é porque uma ideia fica latejando em minha mente, e causa uma ansiedade que só é aliviada depois de converter a imagem mental em imagem real. Uma tirinha ou ilustração que possa ser vista, também, pelas outras pessoas.

Mas tem uma dificuldade que me acompanha desde sempre: para a maioria das pessoas, desenho é desenho. Na mente da imensa maioria da população, se você sabe desenhar razoavelmente bem uma árvore... então saberá desenhar um unicórnio. O que, não necessariamente, é verdade.

Levei muito tempo para perceber isso. Desde minha infância, a pedidos, já tentei fazer coisas absurdas. Me aventurei até pelo desenho arquitetônico. Até que, finalmente, notei que sou péssimo caricaturista, mediano chargista, e só consigo ser razoavelmente bom com cartuns, ou tirinhas. Mas, é impressionante, sempre que uma pessoa (principalmente mulher) vê um desses desenhos, imediatamente quer que eu faça uma caricatura sua.

Mais ou menos como quando tem um fotógrafo em alguma festa, e as pessoas que estão lá nem querem saber para quem ele está trabalhando. Mas pedem para ele fazer uma foto delas.

Já atendi a alguns desses pedidos de caricatura. Incrível, ainda consegui agradar à maioria. Mas não vou mais abusar da sorte, depois da mais recente experiência...

De meu ponto de vista, o diálogo aconteceu mais ou menos assim:

_Faça uma caricatura minha.
_Não é uma boa ideia. Não sou bom caricaturista.
_Ah, mas você já desenhou você mesmo, que eu vi.
[Sim, mas eu vivo comigo mesmo desde que nasci, penso]
_Mas não vai ficar bom. - insisto
_Que nada, você é que é muito exigente sobre o próprio desenho.
_É... pode ser. Mas...
_Prometa que vai fazer uma caricatura minha, assim... quando sobrar um tempo.
[Quando sobrar um tempo... uhn... perfeito...]
_Tá bom. Um dia eu faço.
_Oba.

[passa um mês]

_E aí, quando vai fazer minha caricatura?
_Já disse que não sou bom com caricaturas...
_Mas você disse que ia fazer.
_É... quando tivesse tempo.
_Você não vai fazer, né?
_Ah, uma hora eu tento. Vejo uma foto sua no Orkut e tento fazer o desenho.
_Então tá.

[dois meses depois]

_E minha caricatura...?
_Olha, já que você ta insistindo tanto, eu vou fazer. Mas não vai ficar parecida com você.
_Não faz mal.
_Vai ficar um desenho tosco.
_Tudo bem.

[vários meses depois]

_Olha a tirinha que fiz... diz o que você acha.
[ela não olha para a tirinha]
_E minha caricatura? Faz um ano que estou pedindo...
_Não faz um ano.
_Faz em julho.
_Então, não faz um ano.
_Se você não quer fazer, é só dizer.
[achei que isso estivesse evidente, penso]
_Não, tudo bem... vou fazer.
_Vai nada. Só tá me enrolando.
_Tá bom, vou fazer, só pra você parar de encher meu saco.

Manhã de segunda-feira. Levanto com uma única ideia na cabeça. Fazer a maldita caricatura. Acesso o Orkut da pessoa, escolho uma foto. Tento fazer um desenho parecido, que sei que não ficará parecido. Mas ela uma vez disse que não tinha problema...

Faço a lápis, apago algumas vezes. Finalmente passo a caneta por cima. Apago a borracha. Levo ao scanner. Trato no computador. Escrevo o nome da pessoa embaixo do desenho, para que pelo menos quem veja saiba que é ela. Decido colorir o desenho, para tentar deixar menos tosco.

Quando vou enviar por e-mail, noto que a resolução do traço tá toda ruim... Eu tinha escanneado na configuração errada. Então, repito todo o processo.

No começo da tarde, envio a tal ‘caricatura’ por e-mail. E incluo o link para o perfil do Orkut de um colega meu, que sei que é bom caricaturista. Se ela não gostar do meu desenho, pode entrar em contato com ele, penso.

No final do dia, antes de ir dormir, acesso os e-mails. A referida pessoa respondeu:

***

Nossa... se não falasse que era desenho não acreditaria!
(...)
CARICATURA: é um desenho que retrata uma pessoa real, realizando distorções em sua fisionomia, mas permitindo que ela seja reconhecida. Basicamente, se você vir um desenho e reconhecer, claramente, que é a representação de uma personalidade conhecida, estará diante de uma caricatura.
Conclusão disso tudo: Quem é esse ser da imagem? Porque nem a cor do cabelo lembra a minha pessoa.
P.S.: não tenho como acessar Orkut aqui (...), ou seja, não entendi sua mensagem.

***

A resposta que enviei a esse e-mail não foi das mais agradáveis. Então, ainda recebi uma tréplica.

***

Desculpe pelo seu mau humor... eu estava brincando... mas que realmente não ficou nada a ver isso é verdade...
Não precisa mais fazer... como não precisava ter feito dessa vez... como eu disse... era só dizer que não queria fazer...

***

Foi a primeira vez que alguém pediu desculpas pelo meu mau humor... E acho que foi a última.
Se outra pessoa, portanto, ainda quiser que eu faça uma caricatura. Esqueça.
Não importa o quanto vá insistir... Não sou bom em caricatura.
E se ainda insistir, vou emendar a frase:
Deu pra entender, ou quer que eu desenhe?

18.5.09

Anjos e Demônios

Sou quase um viciado em filmes. A cada semana, preciso ver pelo menos um que seja razoavelmente bem feito, do contrário meu bom humor pode ficar seriamente comprometido. Por isso, nesse domingo, eu tinha programado ir ao cinema à tarde. Mas uma mudança nos planos me fez ir ao Estádio Germano Krüger, assistir ao jogo de futebol.

Quando cheguei, os times já estavam em campo, e as arquibancadas pareciam lotadas. Fiquei perto do alambrado, de onde pelo menos tinha uma boa visão do jogo. O sol estava quente, mas não desconfortável, graças ao frio de inverno, já em outono.

Há muitas coisas que, teoricamente, poderiam incomodar alguém que vai ao estádio com a proposta de assistir à partida de futebol. Por exemplo, os sujeitos que preferem o esporte de cuspir no bandeirinha, xingar os jogadores do time adversário, esparramar fumaça ou papel picado. Até a “ola” pode ser algo chato para quem não quer perder um lance do esporte. Mas essas coisas já não me aborrecem. O Germano, assim como os demais estádios, tem algo de Coliseu.

O que me incomodou foi um sujeito que resolveu ficar em pé na parte mais alta do alambrado. Eu estava num lugar onde a presença dele não podia me afetar, mas percebi que o fato de ele ficar naquele ponto impedia parte da torcida de enxergar o campo. Um dos torcedores gritou de maneira não muito educada, dizendo para ele descer de lá. O rapaz pareceu não ouvir, ou fingiu não escutar.

E aquela situação me fez criar uma antipatia instantânea pelo sujeito no alambrado, sujeito que eu nem conhecia. Sabe quando a gente antipatiza com alguém logo de cara? Pois é... acontece.

O primeiro tempo de jogo não foi cheio de belas jogadas. O segundo tempo teve um gol do meu time, único marcado na partida. Terminou tudo em 1 a 0. E fui embora.

Em casa, publiquei uma notinha com o resultado do jogo no site do jornal. E decidi ir ao cinema ainda. Tinha uma sessão às 21h30. Outra às 20h. Naquele momento eram 19h20. Será que dava tempo de assistir à sessão de 20h?

Peguei o carro, dirigi até o shopping, e encontrei uma fila de cerca de vinte carros que esperavam para entrar no estacionamento. Olhei no relógio: 19h39. “Uhn... até as 19h47 devo ter estacionado o carro. Chego na sala de cinema a tempo de ver os trailers”, pensei.

Engano. A fila de automóveis avançava mais lentamente do que eu supunha. E, estranho... saíam cinco carros do estacionamento, entrava um. Quando, enfim, pude estacionar, olhei no relógio de novo: 20h02.

Já era. Tinha perdido o começo do filme. E não há nada que prejudique mais meu humor do que perder um filme. Ainda fui até o cinema, onde descobri que, mesmo que tivesse chegado na hora, não poderia ter visto a sessão. “Anjos e Demônios”, sala 4, 20h, estava lotado.

Determinado a ver o filme, só podia esperar a sessão de 21h30. Infelizmente, isso significaria pagar mais caro pelo estacionamento, e esperar uma hora e meia sem ter o que fazer. Mas, fiz isso, comprei o ingresso para o mesmo filme, na sala 1.

A livraria já estava fechando, não poderia fuçar os livros e discos lá dentro. Nada me atraía na praça de alimentação. Caminhando um pouco diante das vitrines, mundo pequeno, vejo o mesmo sujeito do alambrado do Germano Krüger. Mantive distância.

Fui nas Lojas Americanas e olhei, sem interesse, os DVDs que estavam à venda. Bateu um sono, sentei no chão e fingi que procurava algum filme em específico nas prateleiras mais baixas.

De repente, já eram 21h. Tive receio de que fosse se formar uma fila gigantesca diante da sala 1. Como eu queria, no mínimo, um bom lugar, resolvi me antecipar. Ao sair das Americanas, descobri que já estavam fechando a loja. Quase fiquei preso lá dentro. Ninguém ia me achar atrás da última prateleira da seção de DVDs.

A fila já tinha se formado e, poucos minutos depois, liberaram a entrada. Escolhi uma boa poltrona. Depois dos trailers (dentre os quais a Era do Gelo 3 fez todos rirem), o filme começou, e esqueceram de apagar as luzes da sala. Aquilo estava me deixando inquieto, mas eu fazia um esforço para me concentrar no filme. Se perdesse um detalhe, poderia não entender o resto da história.

Finalmente lembraram de apagar as luzes. E por mais de duas horas pude me deixar hipnotizar pelas imagens em movimento. Ao meu lado direito se sentou um casal. A mulher tinha um riso agradável, que só era acionado nas horas certas. “Moça inteligente”, pensei, ao notar que ela reconhecia a ironia sutil que os personagens davam a determinados diálogos.

“Anjos e Demônios” me pareceu excelente filme. Quem não viu a história anterior – O Código Da Vinci – pode compreender esse mais recente sem problemas. Embora quem já viu o primeiro possa criar mentalmente uma história para o personagem principal, o professor Robert Langdom, interpretado por Tom Hanks.

Como a história gira em torno de temas atuais ou recentes (como a antimatéria e a eleição papal), isso dá uma sensação de proximidade com a trama, diferente do que acontece com muitos filmes cuja história não tem elementos tão atuais, como são aqueles com aliens, espíritos e robôs. Os jornais, atualmente, ainda falam de cientistas determinados a criarem em laboratório uma simulação do que foi o Big Bang, e a história do filme passa perto disso. E pelo conflito entre religião e ciência.

Quando saí da sala, as luzes do shopping já estavam quase todas apagadas (essas eles lembram de apagar antes que a gente deixe o lugar). Uma multidão caminhava em direção às saídas e, quando percebi que boa parte das pessoas ia pagar o estacionamento, acelerei o passo. Não estava a fim de enfrentar mais uma fila extremamente demorada, agora para sair.

Cheguei à fila ao mesmo tempo em que chegava... o sujeito do alambrado. Cara mais chato... Alguns amigos dele chegaram em seguida e começaram a conversar. Ele disse que tinha ido ao jogo, e que a partida tinha terminado em 2 a 0 para o Operário. O outro corrigiu: “Foi 1 a 0, cara. Eu nem fui no jogo e sei mais que você!”

Tive, então, certeza de que ele não tinha se pendurado no alambrado para ver melhor o jogo. Ficou lá porque é um desses caras que gostam de aparecer. Porque não se importa com quem está ao redor. Esses tipos que ligam o rádio no volume alto, achando que são generosos ao dividir sua música com os demais. Você reconhece facilmente essas figuras caminhando nas ruas. São aqueles que não dão lugar na calçada. Aqueles a quem você pede um favor e eles estipulam um valor. Esses tipos estão por toda a parte.

Por isso é tão importante quando a gente encontra o oposto. Uma pessoa que se importa com os outros da mesma maneira como se importa consigo mesma. É raro, e quando acontece, é fácil perdê-la. O mundo é pequeno quando encontramos tipos detestáveis. E imenso quando encontramos quem realmente importa.

Preciso achar um meio de tornar o mundo maior.

13.5.09

Catraca chega à centésima tirinha em PG

Nesta quarta-feira, 13, Catraca chega à sua centésima tirinha em Ponta Grossa.
Não há nada de muito especial com o 100. Mas não dá pra negar que o surgimento desse número redondo na cronologia do personagem mexe um pouco com este sujeito metido a fazer rabiscos nas horas vagas.

Nessas quase cem semanas, aprendi a conhecer melhor a cidade, a partir da maneira curiosa com que Catraca olha ao seu redor. E ri mais com as situações que ele viveu, do que com aquelas em que planejei colocá-lo. [e não se engane... não é a mesma coisa]

A personalidade dele foi se ajustando à vida em Ponta Grossa. Fez amigos. Conseguiu um emprego. Conheceu algumas situações impossíveis, e outras extremamente comuns. Ganhou um mascote. Registrou o que aconteceu e o que poderia ter acontecido, e foi aos poucos se tornando quase ponta-grossense.

Às vezes sou confundido com ele na rua. Embora eu não veja tanta semelhança, isso prova que ele já é mais conhecido que eu... pois nunca vi ninguém confundí-lo comigo. A comparação me faz sorrir, por perceber que as tirinhas são lidas, e por saber que Catraca se torna quase real. O risco é que eu esteja me tornando quase cartum.

Sem mais pensamentos filosóficos, seguimos rabiscando outro papel, e abrindo mais um pacote de folhas sulfite, rumo à centésima-primeira tirinha.

Abraços aos leitores.

Danilo

*Tirinha nova em www.ule.com.br/danilo

8.5.09

Esqueci do Ctrl+B... e agora?

Tenho o hábito de guardar cada texto que escrevo. Fica tudo salvo no Word, para só então vir para este blog ou para onde quer que esteja destinado. Alguns textos nunca saíram do Word porque, depois de terminados, notei que diziam muito a meu respeito, e eu não sou tão interessante assim. E se sou, melhor não demonstrar num blog... sob o risco (confirmei dias desses) de não ter sobre o que falar mais tarde, a não ser sobre aquilo que já escrevi, e que meu interlocutor, provavelmente, já leu.

Mas, o texto que antecedeu esse, e que fala das estranhas previsões do horóscopo... eu esqueci de salvar no Word. Escrevi diretamente no blog. Será possível? Procurei em meu arquivo do computador e não encontrei. Como pude deixar de fazer algo que, para mim, é tão comum?

Salvar o texto em meu computador é como ligar a luz ao entrar no quarto escuro. É instintivo. Alguma coisa está mudando. Será que algum neurônio meu acaba de entrar em curto-circuito? Ou uma nova informação fez com que outras antigas se perdessem? E, pra finalizar... por que há mais interrogações que reticências nesse texto?

Alguma coisa está mudando. Para melhor ou para pior? Há quem diga que toda mudança é boa. Eu discordo. As mudanças devem ter um propósito ou, no mínimo, um sentido que não sejam elas mesmas.

E se for pra eu esquecer essa lógica, que seja por um motivo, também.

7.5.09

Horóscopo do dia

O horóscopo de hoje está atípico. Meu signo, Peixes, vem com o seguinte alerta: "Certamente você enfrentará algum problema com a televisão, a máquina de lavar ou mesmo seu computador. Seja cuidadoso e cauteloso com aparelhos dentro de sua casa."

Com o computador eu sempre tenho problemas. Com a TV é mais raro. Mas o que me assustou foi a máquina de lavar. Tomar cuidado com a máquina de lavar? Depois notei que outros signos, neste dia, apresentam previsões semelhantes.

Touro: Caso trabalhe com comunicação, alguns mal entendidos são esperados. Procure deixar claras as suas intenções e palavras. Pode enfrentar também problemas com a internet.

Gêmeos: Alguns problemas na comunicação, seja ela feita através das palavras, da escrita, pela internet, e-mails ou mesmo telefones podem ser enfrentados a partir de hoje. Deve tomar cuidado com mensagens e qualquer tipo de comunicação se extraviar. Cheque por muitas vezes todo e qualquer tipo de mensagem importante.

Capricórnio: A partir desta semana você pode esperar por empecilhos e atrasos em alguns de seus projetos e negócios. Procure se preparar para resolver pequenos problemas de comunicação como e-mails que extraviam, telefonemas que não se completam, viagens mal sucedidas e todo e qualquer pequeno obstáculo que impedem o dia a dia de funcionar livremente.

Eu, que sou totalmente leigo no assunto, fico tentanto imaginar como alguém consegue detectar que as pessoas de um determinado signo enfrentarão problemas com e-mails extraviados...

Enfim... é a internet aparecendo até na astrologia, cujos conselhos eu não coloco como prioridade, mas também não ignoro.

1.5.09

Facas Ginsu? O negócio agora é o Adamantium

São 22h 21min e tem um maluco que parece estar testando uma moto velha na rua em frente de casa. Por que será que o sujeito escolhe esse horário para passear com a moto mais barulhenta do mundo? Quando escuto, imagino o cara correndo com uma motosserra na mão. A imagem é bizarra, mas o ruído parece ser de algo assim.

De qualquer forma, só tenho contato com esse tipo de situação porque hoje é feriado. Um feriado que sempre me pareceu mais estranho que os demais. Este dia deveria ser chamado Dia da Folga, e não Dia do Trabalho. Sei que é óbvio, mas é justamente por isso que me incomoda. Entretanto, eu já fui mais contrário aos feriados, especialmente nos tempos de escola, e depois ainda na universidade. Só que, agora que passei a trabalhar num ritmo mais... estressante, percebi o valor de um dia de folga e já não critico tanto a existência deles.

Aproveitei essa tarde para ouvir no rádio o primeiro tempo da partida entre Operário e Maringá. Mas saí de casa após o intervalo, quando o jogo ainda estava em zero a zero. Enquanto caminhava até o ponto de ônibus, ouvi a comemoração no Estádio Germano Krüger, que fica perto de casa. “Um a zero para o Fantasma”, pensei.

Quando cheguei no ponto, vi um sujeito vibrando dentro de um automóvel que passava. Numa fração de segundos, deduzi: “ele está ouvindo o jogo pelo rádio do carro, e acaba de sair o segundo gol do Operário”. Logo em seguida, chegou aos meus ouvidos a vibração da torcida mais uma vez.

Agora vejo que o resultado final foi de 3 a 2 para o Operário. Parece ter sido um bom jogo. Dei uma olhada no mais recente site de esportes de Ponta Grossa – o Net EsporteClube. Aliás, a cidade estava precisando. Recomendo que o pessoal conheça o site, que possui atualização local constante.

Mas, como eu dizia... saí de casa para satisfazer essa minha necessidade de ir ao cinema. Fui ver o tal do filme do Wolverine. Eu nem sou muito fã de X-Men, mas gostei do trailer, e as adaptações de quadrinhos estão sendo muito boas ultimamente. Então, fui lá. E achei bacana.

Tem efeitos especiais interessantes e uma carga emocional forte, apesar de previsível. A velha luta entre o bem e o mal, o desentendimento (um pouco mais que isso) entre irmãos e, como sempre, a namorada do herói é vítima dos vilões. A história é uma mistura de Superman, Rambo, Curioso Caso de Benjamin Button e tantos outros... mas, como eu disse, é uma fórmula que funciona.

As facas Ginsu já eram... O negócio agora são as facas de Adamantium.

E foi indo ver o filme no cinema do shopping, que eu mais uma vez reforcei minha teoria: Acho que, quando eu era muito pequeno, implantaram uma espécie de microfone em minha garganta, que capta tudo o que eu falo e envia para uma central, onde uma equipe analisa as informações e busca um forma de ganhar dinheiro com o que eu digo. Uma espécie de Show de Truman, mas só com áudio, que é muito mais plausível, claro.

Foi só eu começar a brincar com o tal jogo Guitar Hero, e comentar com meu irmão, que o shopping colocou uma máquina com o game. Pra quem não conhece, é um jogo nos moldes daquele em que a pessoa pratica dança, a partir de símbolos coloridos na tela. A diferença é que, ao invés de dançar, você toca uma guitarra com botões específicos. Mas hoje eu vi um cara detonando no jogo. Ele não errou nenhum comando, e me fez ver que eu não sou nada no Guitar Hero... ou “Guitarrero”, como eu chamo.

De qualquer forma, vale a diversão também... Eis um link interessante pra quem quer conhecer o jogo. Uma versão simplificada em flash, e que pode ser jogada com o teclado de seu computador, mesmo.

http://www.gamesx.com.br/jogos/guitar_hero/guitar_hero.asp

Cuidado que o negócio é meio viciante... eu nem sou muito chegado em rock metal, mas comecei a apreciar mais o estilo musical. Minha favorita é Free Bird – de um aglomerado de consoantes que segue a seguinte ordem: Lynyrd Skynyrd.

*Acho que exagerei nos hiperlinks... não precisa clicar em todos.

24.4.09

O almoço no Mercado Municipal

Esses dias lembrei de quando estive no Mercado Municipal. Já deve fazer uns dois anos, não sei ao certo. Fui até lá com o amigo Ben-Hur, sob o pretexto de tirar algumas fotos e conhecer um ambiente de que eu ouvia falar, via através da janela do ônibus, mas onde nunca havia entrado.

E não é para menos. Do lado de fora, o que se vê são paredes desbotadas, e uma estrutura no topo que faz lembrar uma penitenciária. Algum ponto de onde os guardas podem vigiar o banho de sol dos detentos. Na verdade aquela é uma espécie de clarabóia [nome engraçado] através da qual a luz do sol é que entra no Mercadão. Mas a gente só percebe isso depois que está lá dentro.

Não sei como está agora, mas quando estive lá, a primeira coisa que encontrei foi uma lanchonete, do lado esquerdo, parecendo dar boas vindas aos visitantes. Só que bastava caminhar mais para ver que aquele era um dos poucos estabelecimento que ainda resistiam ali.

Havia corredores muito escuros, de lâmpadas queimadas ou de completa ausência delas. Diversas “lojas” de portas fechadas denunciavam o abandono do “Mercadão Fantasma”, que só não parecia totalmente abandonado porque, de cada canto, era possível ouvir o ruído estridente de uma daquelas facas elétricas que cortam carne no açougue. Sim, lá tinha um açougue, diziam. Também soube de uma empresa de produtos de limpeza, e um sapateiro, se não me engano.

Duas coisas me chamaram a atenção naquele dia: primeiro, a arquitetura do lugar. O chão feito de pedras vermelhas brilhantes, as paredes, e até a aparência mal cuidada do prédio, me fizeram comparar o Mercado Municipal com a rodoviária de PG. Naquela ocasião, ainda tínhamos a velha rodoviária, que começava a ser demolida para dar lugar à atual. Fiquei me perguntando se o Mercado tinha sido projetado pelas mesmas pessoas que ergueram a antiga rodoviária. Mas foi só uma suposição, baseada na sensação do momento.

Em segundo lugar, fiquei surpreso ao ver o abandono do lugar. Com tanto espaço, por que o prédio não recebeu manutenção, e por que comerciantes e autoridades perderam o interesse no local? Observando as rampas que davam acesso à parte superior do prédio, tentei imaginar como seria o movimento de pessoas subindo e descendo, no auge de funcionamento do Mercadão, lá pelos anos 1970.

Naquele dia, eu e Ben-Hur almoçamos na lanchonete que havia na entrada. A comida era boa, simples e barata. Mas, por falar em barata... era a aparência do Mercadão que nos fazia suspeitar da higiene com que a refeição era preparada, muito embora tenhamos sido bem atendidos, e o almoço ainda dava direito a um cafezinho na saída.

No começo desta semana eu lia um texto do colega Rafael Schoenherr, a respeito do Mercado Municipal, e lembrei dessa visita. Recuperei o som da serra cortando osso no açougue, a escuridão dos corredores, o sabor daquele almoço regado a gasosa. E, novamente, me perguntei sobre por que o Mercadão ficou no abandono.

Quando estive lá, também fiquei surpreso com o cenário que pode ser encontrado no centro do prédio. A luz do sol entra pela clarabóia, e ilumina apenas um ponto, exatamente onde fica um altar, no qual permanece a imagem de uma santa. Único espaço realmente iluminado, e (me pareceu) mais bem cuidado.

Entretanto, a santa, sozinha, não pode evitar que o lugar continue vazio e escuro. E enquanto os mortais nada fazem para manter vivo o Mercadão, ele permanece sendo um ambiente estranho e hostil, bem no centro da cidade. As palavras Mercado Municipal parecem ser sempre pronunciadas em sussurro, mais ou menos da maneira como os bandidos falam das docas nos filmes policiais.

Mas o almoço de lá me pareceu bom... será que a lanchonete ainda está lá?

3.4.09

Seres não humanos ainda querem guerra nuclear a partir da Coreia do Norte

No dia 1º de fevereiro o blog Universo e Afins publicou uma denúncia um tanto quanto difícil de acreditar. “Seres não humanos pretendem deflagrar guerra nuclear a partir da Coréia do Norte”.

Segundo um texto enviado para meu e-mail na ocasião, “seres não humanos” estariam infiltrados entre militares norte-coreanos, com o objetivo de iniciar um ataque nuclear contra o Japão antes que começasse o mês de abril.

O início desse ataque nuclear seria iminente, portanto, e somente treze naves alienígenas estrategicamente posicionadas no espaço poderiam evitar o pior.

Bem, conforme prometido, o Universo e Afins retoma o assunto neste mês de abril. E existe uma boa e uma má notícia: a boa notícia é que já passamos de 1º de abril, e o tal ataque nuclear não aconteceu. A má notícia é que... nesse mês de março estivemos muito perto de ver a concretização da tal profecia.

Foram várias manchetes publicadas nos jornais do mundo todo. Eis apenas algumas das notícias, essas retiradas do site de jornalismo da Rede Globo:
06/03/2009
Coreia do Norte ameaça aviões da Coreia do Sul
Duas maiores companhias aéreas da Coreia do Sul decidiram desviar mais de 200 voos nas próximas duas semanas. Eles passavam por cima do espaço aéreo da Coreia do Norte. O governo da Coreia do Norte lançou uma ameaça contra milhares de pessoas que cruzarem o país a bordo de aviões da Coreia do Sul.
A ameaça fez duas maiores companhias aéreas da Coreia do Sul decidirem: vão desviar mais de 200 voos nas próximas duas semanas. Eles passavam por cima do espaço aéreo da Coreia do Norte, o caminho mais curto entre vários países da Ásia. Mas o aviso, embora indireto, foi claro: a Coreia do Norte disse que não poderia garantir a segurança desses aviões.
Em outras palavras, poderia derrubá-los. O motivo, segundo as autoridades norte-coreanas, são os exercícios militares que anualmente o vizinho do sul realiza na região com os Estados Unidos.
O porta-voz do Ministério Sul- Coreano encarregado da reunificação das duas Coreias protestou. "Ameaças militares a aviões de passageiros violam as leis internacionais e são desumanas ", disse o porta-voz. A suspeita é de que a Coreia do Norte esteja limpando o espaço aéreo. O país anunciou na semana passada que lançaria uma satélite. Mas acredita-se na Ásia que na verdade seria um teste de um míssil de longo alcance.
Os americanos estão monitorando as ações dos norte-coreanos a partir das bases que mantém no Japão. Em Tóquio, os representantes do Japão e dos Estados Unidos encarregados de tratar com a Coreia do Norte fizeram uma reunião. Stephen Bosworth fez um alerta: "Esperamos que a Coreia do Norte evite provocações ao lançar um míssil. Se não, vamos decidir o que fazer. Vamos responder de um jeito apropriado".

***
09/03/09
Coreia do Norte ameaça vizinhos com guerra

O governo da Coreia do Norte voltou a fazer ameaças nesta segunda-feira. A Coreia do Norte determinou que todos os soldados do país, 1,2 milhão, estejam prontos para combate. Na TV estatal, um porta-voz disse: “Derrubar o satélite que queremos lançar tem um significado preciso: guerra”. A ditadura comunista comandada por King Jong Il pretende, supostamente, lançar, no fim deste mês, um satélite de comunicações.
Para os vizinhos, o país quer, na verdade, testar um míssil de longo alcance, chamado Taepong 2, capaz de alcançar os Estados Unidos, atingido o Havaí e o Alaska. Em 1998, o país testou um Taepong 1, com metade do alcance.
Uma parte passou por cima do Japão e foi parar no Oceano Pacífico. O que fez americanos e japoneses começarem a construir um escudo anti-mísseis, que já funciona em duas bases dos Estados Unidos no Japão. Caso o satélite ou míssil seja derrubado, os norte-coreanos prometeram atacar três alvos: a Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão.
O ministro da Defesa sul-coreano classificou a ameaça como apenas um discurso. Mas afirmou que o país está pronto para lidar com qualquer possibilidade. Já o Japão teria deixado navios anti-mísseis de prontidão, segundo uma agência de notícias de Tóquio.

***
12/03/09
Coreia do Norte notifica a ONU que planeja lançar satélite em abril

O governo da Coreia do Norte notificou a Organização das Nações Unidas que planeja lançar um satélite de comunicações entre os dias 4 e 8 de abril.O aviso, segundo a Agência Oficial Norte-Coreana, foi feito para garantir a segurança de navios e aviões.O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, afirmou que se ao país insistir no lançamento do satélite, botará em risco a paz e a segurança da região.

***

Como o assunto não foi concluído, e o tema ainda faz parte dos noticiários, vamos esperar e torcer para que as naves ajudem, ou o noticiário só esteja trazendo informações sobre uma desagradável coincidência.

13.3.09

Watchmen: o filme e a HQ

Poucas coisas me atraem mais do que o cinema. É verdade que a pipoca é caríssima, o atendimento nos guichês é péssimo. As crianças ficam gritando durante a sessão. E os adultos não desligam o celular, e atendem no meio do filme, dizendo “não posso falar agora, estou no cinema...”, e seguem falando por pelo menos um minuto.

Apesar de tudo isso, ainda é possivel ficar satisfeito quando a gente termina de assistir a um filme, com a certeza de ter visto o lançamento de uma excelente produção.

E, felizmente, ainda existem excelentes produções. Ultimamente a sétima arte tem buscado inspiração nos quadrinhos, e alguns resultados têm sido muito bons. Foi assim com o Batman em seus últimos dois filmes. E agora o filme Watchmen consegue, novamente, a façanha de realizar uma brilhante adaptação.

Quando soube que Watchmen estava para chegar aos cinemas, e que era a baseado em uma HQ (ou graphic novel), perguntei a mim mesmo: Watchmen? Eu nunca tinha ouvido falar. Ainda bem que sempre é tempo para uma atualização.

Uma rápida busca na internet ofereceu razoável gama de informações. Entre elas encontrei um site [que parece estar com problemas técnicos agora] de onde foi possível fazer download dos 12 capítulos da História em Quadrinhos Watchmen. E a leitura do primeiro capítulo me fez perceber o óbvio... eu precisava ler todos.

Watchmen é uma HQ fascinante, repleta de detalhes nos traços e no enredo. Ao aliar a ficção com fatos e personagens históricos, a trama convence o leitor, quase como se a leitura fosse demonstrar o futuro do próprio espectador. Mas não é fácil descrever as sensações que a HQ desperta. Basta dizer que a leitura da história até o capítulo 10 me fez desejar ver o filme, mais do que já desejei ver qualquer outra adaptação para o cinema.

Isso motivou grande receio, também. Quando a expectativa é muito grande, a tendência à decepção é proporcional. Mas então assisti ao trailer no Youtube, li algumas matérias a respeito, e estava convencido de que o filme seria uma experiência única. Felizmente, não me enganei.

O filme Watchmen consegue reproduzir cenas idênticas às encontradas na HQ. Os personagens são, a maioria, muito parecidos com os encontrados nas páginas de quadrinhos. E até a voz deles, se considerarmos os recursos empregados no uso de balões na HQ, estão de acordo com o esperado.

A primeira metade do filme pode provocar arrepios àqueles que, como eu, acabaram de ler a HQ feita na década de 1980. É como experimentar uma seqüência de déjà vus, apesar de saber que eles virão.

A magia de qualquer boa história em quadrinhos está no fato de, entre um quadro e outro, o leitor criar mentalmente o movimento dos personagens. Já me aconteceu de ler um gibi do Pato Donald, por exemplo, e depois não lembrar se a história era de uma HQ ou de um desenho animado, tal é o processo que nosso cérebro é capaz de desenvolver.

Mas foi a primeira vez que experimentei isso diante de um filme. Lembrando agora das cenas, não sei distinguir quais vi no filme e quais li nos quadrinhos. Os atores foram escolhidos a dedo, com feições que remetem aos personagens originais. O mesmo acontece com os trajes dos heróis mascarados, os diálogos, as expressões faciais, e os cenários. O quarto, o porão, a banca de revistas, a escadaria, a calçada, a porta... Tudo no filme parece seguir a HQ. Até mesmo a transição entre um capítulo e outro pode ser reconhecido no filme, apesar de não estar evidente para alguém que não leu a HQ.

Claro, como disse, essa é a primeira parte de um filme de 166 minutos. Na seqüência, o roteiro toma algumas liberdades que criam um princípio de desconforto no espectador atento.

O personagem Roschach é ameaçado por um sujeito com uma serra elétrica, quando no original ele é ameaçado por um cara segurando um maçarico. É o sinal que demonstra que uma guinada está para acontecer no filme. Uma das personagens diz “confie em mim”. Pelo amor de Deus! Deveria haver uma legislação que proibisse o uso de um clichê como esses.

Entretanto, as comparações divergentes terminaram minutos depois, porque eu havia tomado o cuidado de ler apenas 10 dos 12 capítulos da HQ. Desse modo, fui ao cinema ainda sem a certeza de qual seria o final.

Se o desfecho me pareceu deprimente, por um lado; por outro, refletindo sobre a história toda, reconheci que fazia todo o sentido, e deixei a sala de cinema satisfeito. Me perguntava se o final da HQ seria mesmo aquele e, no dia seguinte, matei minha curiosidade, lendo os dois capítulos que faltavam.

O final do filme tem uma variação, sim, mas não compromete o aspecto geral da obra. A mensagem de esperança, de que a verdade nunca morre totalmente, está presente em ambas as produções. E o destino dos personagens principais também não muda.

Um aspecto negativo do filme talvez seja a impossibilidade de trazer as analogias e metáforas presentes na HQ. Mesmo sendo um filme considerado de longa duração, não traz nenhum item adicional aos quadrinhos. Faz alterações, mas não soma novidades. E a maioria das mudanças é meio que sem propósito, a não ser a explicação final, que pareceu ter o objetivo de simplificar um trecho de maior complexidade da HQ.

Mas, de maneira geral, é preciso reconhecer o mérito da produção, que na maior parte do tempo é fiel à histórica série dos quadrinhos, e que serve como celebração a uma obra inteligente como é a HQ Watchmen – cujos créditos vão para Alan Moore (argumento) e Dave Gibbons (arte).

Ainda dá tempo de assistir no cinema. Mas, se for possível, a leitura prévia da HQ é altamente recomendada ao espectador, que terá a chance de reconhecer no filme algumas “informações bônus” que só podem ser notadas pelos leitores. Além de facilitar a compreensão do início da história.

26.2.09

‘Cocozão’ deixa Ponta Grossa e entra pra história

O dia de meu aniversário, 20 de fevereiro, é normalmente um dia em que pouca coisa acontece. Ou, pelo menos, a gente fica sabendo de pouca coisa. Quis o destino que eu nascesse justamente na época de carnaval, quando todos os telejornais dedicam 90% de suas notícias à tradicional festa que, supostamente, todos os brasileiros apreciam.

Sendo assim, estou acostumado a passar esses dias sem que nenhum acontecimento novo marque o noticiário. Se fosse exibido o telejornal de quatro anos atrás, eu não iria perceber nenhuma diferença, salvo, quem sabe, a mudança no cabelo da Fátima Bernardes.

É claro, digo isso de uma perspectiva jornalística nacional. Mas o último dia 20 foi diferente do ponto de vista local. Pois foi o dia em que iniciaram a retirada do “cocozão” de Uvaranas. Para aqueles que não estão a par do assunto, aqui vai uma breve explicação a respeito do que me lembro...

Durante a gestão do então prefeito de Ponta Grossa, Péricles de Holleben Mello (2001-2004), foi decidido erguer um monumento em uma das rotas de entrada da cidade, mais especificamente em meio a uma rotatória, em frente ao campus da Universidade Estadual de Ponta Grossa, no bairro de Uvaranas.

Foi então que surgiu aquele que, muito provavelmente, tenha se tornado o monumento mais polêmico que a cidade já teve. Talvez se a figura tivesse sido erguida em outro bairro qualquer, o resultado não teria sido esse. Mas foi erguido diante de um campus universitário, espaço de debates e... muito humor.

Não demorou nada para que todos vissem no monumento a representação perfeita de fezes gigantescas espetadas em uma haste metálica. E em poucos dias o apelido tinha se estabelecido. O “cocozão” já era um termo reconhecido pela população. E se alguém viesse falar em “Monumento Campos Gerais”, a pergunta seguinte poderia ser... “Ahn?”

Houve declarações que tentaram, em vão, explicar o significado original da obra que, oficialmente, teve o custo de R$ 80 mil. Tive contato com duas explicações um pouco divergentes. Uma delas dizia que a intenção era simbolizar uma araucária, árvore que representa essa região. Outra dizia ser uma referência aos arenitos do Parque Estadual de Vila Velha, onde as rochas assumem naturalmente diferentes formas.

Na seqüência, surgiu a desculpa de que o monumento não tinha sido terminado de acordo com o projeto inicial, que previa jatos de água que jorravam em direção ao... arenito. E este, por sua vez, ficaria se movimentando em diversas direções. Confesso que tentei imaginar isso, e achei que ficaria mais estranho ainda. Iria parecer um cocozão flutuando em um gêiser.

Mas as críticas não foram suficientes para abalar o cocozão. O prefeito concluiu seu mandato. O novo prefeito, Pedro Wosgrau Filho, assumiu a cadeira, e o monumento ficou. Diante disso, as piadas se proliferaram sem pressa, ganhando a internet e, conseqüentemente, o mundo. Sites exibiram a foto do monumento, sendo definido como “Statue of a giant piece of shit”.

E assim se passaram pelo menos cinco anos (não sei precisar a data). Tempo em que nada aconteceu ao monumento, além do surgimento de um vespeiro que, caprichosamente se instalou ali.

Até que, no meio da semana passada, ouvi o boato de que o governador do Paraná, Roberto Requião, havia determinado ao prefeito reeleito Pedro Wosgrau Filho a retirada do cocozão. Finalmente, na sexta-feira, 20, o boato se mostrou real, embora as declarações oficiais não tenham feito referência ao governador. O cocozão começava a ser removido a pedido do ex-prefeito Péricles de Holleben Mello.

A retirada do monumento foi algo tão insólito quanto seu surgimento. Primeiro foi preciso remover o vespeiro. A operação acabou resultando em um princípio de incêndio no cocozão, controlado com a ajuda do corpo de bombeiros. A retirada prosseguiu, segundo os jornais, no sábado.

Por que demorou tanto, ou, por que somente agora resolveram remover um monumento tão controverso? Essa é a pergunta da vez. O fato é que o jornal de sábado teve algo mais que carnaval em suas páginas. A retirada do cocozão, mais do que fato bizarro, é algo histórico, assim como foi histórica sua existência.

O monumento foi, e permanecerá sendo, um símbolo. Não de uma araucária ou de um arenito. Mas sim de um sistema municipal de governo que se arrasta há muitos anos até agora: de empregar dinheiro público de maneira inconseqüente, e sem consultar a opinião dos maiores interessados – a população.

Vem sendo assim com qualquer obra nova ou decisão mais importante. E, infelizmente, não há nenhum indicativo de que vá mudar nos próximos quatro anos. O monumento foi, e mesmo tendo sido retirado, será motivo de piada e indignação.

Como fica patente nas tiras em quadrinhos que publiquei nos últimos anos sobre o assunto (veja www.ule.com.br/danilo - tiras nº15, nº72 e nº89), posso dizer, sem arrependimento, que colaborei um pouco para que o aspecto ridículo do “Monumento Campos Gerais” se disseminasse. E isso não foi para prejudicar a imagem da cidade (e não acredito que isso tenha ocorrido), mas sim para apontar a falta de bom senso dos governantes diante de decisões que envolvem toda a comunidade de Ponta Grossa.

As pessoas não têm culpa do apelido atribuído ao monumento. A interpretação foi, na verdade, óbvia. Querer jogar a responsabilidade nas costas daqueles que tiveram que, simplesmente, aceitar o surgimento da figura bizarra em Uvaranas, é algo inaceitável.
*******
Deixo, portanto, uma sugestão sobre o aproveitamento daquele espaço, já que a prefeitura ainda não sabe bem o que fazer no lugar do cocozão...Se a intenção era simbolizar uma araucária, façamos o óbvio: plantemos lá uma araucária. Isso exige um pouco mais do que uma fotomontagem tosca no Photoshop. Mas, acredito que não daria margem a outras interpretações. Uma araucária é uma araucária.

1.2.09

'Seres não humanos' podem deflagrar guerra nuclear a partir da Coréia do Norte

Quando ainda estava na universidade, assisti a uma banca de qualificação, na qual professores e profissionais de jornalismo davam as orientações necessárias à conclusão do trabalho de pesquisa (TCC) necessário ao término do curso. Um dos orientadores disse a um dos acadêmicos algo como: “Não tente escrever sobre tudo. Você deve focar seu tema de pesquisa, e não tentar escrever sobre o Universo e afins...”

Aquela expressão, “Universo e afins”, me fez pensar em algo vasto e absolutamente interminável. Maior que o próprio Universo. Eu gostaria de poder escrever sobre tudo o que existe. Por isso, quando fui criar um blog pela primeira vez, optei por esse título que tão bem definia meu objetivo.

Universo, nesse caso, tem o significado de vastidão temática, não simplesmente um significado astronômico. Mas nem sempre isso se torna evidente. Nessa semana, por exemplo, um cidadão desconhecido acessou meu endereço no MSN. Aceitei para ver do que se tratava, e começamos o breve diálogo [aqui parcialmente editado para facilitar a compreensão] que segue abaixo:

ubiracir diz:
Diz danilo
Danilo diz:
oi.... ahn... quem é você?
ubiracir diz:
Sou ubmiranda de angra e vc?
Danilo diz:
danilo de pg.
ubiracir diz:
Q é pg?
Danilo diz:
Ponta Grossa.
ubiracir diz:
Okay. como vc me achou?
Danilo diz:
Ei! Você me adicionou. Acho. Não o inverso.
ubiracir diz:
Tudo bem, tenho enviado mensagem qnto a intervenção que nosso planeta precisa ser submetido, e peço as pessoas que a recebem que a repasse. se vc quiser eu lhe envio.
Danilo diz:
intervenção?
ubiracir diz:
Seu sobrenome é Kossoski? esta é a pessoa q add minutos atrás.
Danilo diz:
então acho que sou eu... mas como me encontrou?
ubiracir diz:
Sim intervenção extra cósmica.
ubiracir diz:
atrav do google, ao pesquizar sobre mistérios existentes entre o céu e a Terra.
ubiracir diz:
cheguei a enviar uma mensagem em forma de texto entitulada " Papel da astronomia no alcance da verdadeira paz mundial"
Danilo diz:
não cheguei a ver nada assim, acho.
ubiracir diz:
Voltei ao google e tireii as duvidas.
ubiracir diz:
é vc mesmo, dê uma lida em meu trabalho, ajude-me a refiná-lo e se achares que merece credibildade, espero q vc o repasse conforme peço.
ubiracir diz:
Eu o enviei pelo se hotmail. Se naum o recebeu, posso reevia-lo por outro ID
Danilo diz:
espera aí... vou ver.
Danilo diz:
ok... recebi.
Danilo diz:
mas ainda acho que está me confundindo com outra pessoa.
Danilo diz:
não vejo como meu nome, eventualmente no Google, pode estar relacionado a esse tema.
ubiracir diz:
Com certeza, achei em um Blog entitulado "Universo e afins"
Danilo diz:
ah, sim... o blog é meu mesmo.
Danilo diz:
Mas tem mais afins que Universo.
Danilo diz:
rs
ubiracir diz:
então pq estou enganado?
Danilo diz:
talvez porque tenha lido apenas o título, e não o conteúdo do blog...
Danilo diz:
de qualquer forma...
Danilo diz:
vou ler o material...
Danilo diz:
parece interessante.
ubiracir diz:
E quem disse q eu naum lerei o Blog. Eu os adiciono em meus Favoritos e os leio posteriormente, pois divido meu tempo entre enviar e ler mensagens.
Danilo diz:
sim, sim... só estou dizendo que não tem relação direta com astronomia.
ubiracir diz:
Sim ,parece interessante mas sei q o texto precisa de ser polido.
Danilo diz:
Lerei assim que puder.

ubiracir diz:
Perfeito, mas este assunto traz em seu âmago um desafio aos nossos ilustres astronomos de todo planeta.
ubiracir diz:
Grato pela atenção, com toda certeza visitarei seu Blog, e que os contatos seja mantidos.
Danilo diz:
Ok... valeu.


***

Bem, pra resumir a história, li o texto enviado para meu e-mail, e trata-se de algo que vai parecer maluquice para a maioria. Segundo o texto, escrito em forma de carta ou comunicado, existem treze naves alienígenas (imagens deste post são meramente ilustrativas) estrategicamente posicionadas no espaço, de modo a observar a Terra e aguardar o momento certo para intervir em nossas vidas.

Some a isso a teoria de que “seres não humanos” estariam infiltrados entre militares, a citação de Willian Shakespeare, e uma suposta mensagem a ser enviada por Madre Thereza de Calcutá e Princesa Diana (sim, a própria Lady Di!).

O curioso é observar que se trata de um texto atual que fala de Barack Obama e alerta para um ataque nuclear que partirá da Coréia do Norte contra o Japão antes do próximo mês de abril (!). O bacana é que, se tal fato não acontecer, saberemos que Ubiracir está errado, e podemos esquecer as treze aeronaves.

Afinal, diz o texto...

“...somente a visita de socorro destas 13 Astronaves ao nosso planeta evitará esta há muito programada marcha do Oriente contra o ocidente, e estou certo que ainda existam luzes no fim do túnel para que unidos possamos salvar nosso planeta.”

Abaixo segue o texto na íntegra para os mais curiosos. Em abril, podemos voltar a debater o caso, já que a função do Universo e Afins é tratar dos mais variados temas, inclusive sobre os aliens que podem estar infiltrados entre os militares norte-coreanos. De minha parte, já vi coisas bem estranhas no céu e na Terra, então, não acredito em tudo, mas também não duvido de nada.

***

Jacuecanga, Angra dos Reis (RJ) Brasil, Terça-feira, 27 de janeiro de 2009.
AIA 2009 (Papel da Astronomia no alcance da verdadeira paz Mundial e salvação da Terra).

Esboço das Treze Astronaves rumo a Terra

Introdução:

Prezados Senhores,

Conforme sabemos, há muito que a humanidade busca uma reposta convincente quanto à existência de vida fora da Terra, e também se estaríamos a sós através da imensidão dos Universos.

Porém, é possível que esteja chegando o dia que a humanidade terá a certeza que estamos muito mais acompanhados e vigiados do que possamos imaginar, por que eu consegui desvendar um daqueles incontáveis e inimagináveis mistérios existentes entre os céus e a terra, séculos atrás enfatizados por Willian Shakespeare e, como minha missão aqui na Terra é apresentar a todos vocês um plano de paz que ensinará a todas as Nações o caminho infalível a ser seguido para se alcançar à verdadeira paz mundial e a salvação da Terra, eu me baseei no desvendamento deste mistério estrelar, e decidi batizar este plano de paz como o Mapa das estrelas.

Este plano é um tanto diferente do Mapa do caminho, apresentado anos atrás pelo Bush, por que meu plano visa o alcance da verdadeira paz mundial e salvação do nosso planeta ainda azul pérola, e o plano apresentado pelo Bush buscava alcançar a paz somente para o Oriente Médio, e talvez esta tenha sido a razão que o plano do Bush não funcionou.

No entanto, visto que este AIA 2009 (Ano internacional da Astronomia) será mais aberto à participação do público, estou tentando conseguir o apoio da imprensa mundial para que eu possa participar como um simples pescador do Brazil que pretende revelar ao Mundo um segredo estrelar que indubitavelmente mudará os rumos da humanidade.

Este segredo estrelar se refere à existência de 13 Astronaves de origem extracósmica que desde muito tempo atrás se encontram paradas dentro do quadrante deste universo no qual o nosso sistema solar está localizado, na expectativa de que a humanidade dê o sinal verde para que uma vez unidas possam realizar uma visita de socorro ao nosso Planeta.

Portanto, este assunto está relacionado à missão que preciso cumprir aqui na Terra, e enquanto aguardo pelo necessário apoio da imprensa Mundial para que eu possa provar a todos a existência destas treze Astronaves, aproveito para enviar uma mensagem para os nossos ilustres astrônomos, aos pacificadores, em especial para aqueles a quem foi concedido o Nobel da paz, aos lideres religiosos, principalmente os cristãos de todo o Mundo, e também ao novo presidente deste País (EUA) que até o presente é considerado como a Nação mais poderosa do Mundo.

Assim sendo, aos Astrônomos de hoje, eu gostaria de dizer que alguns Astrônomos do passado se enganaram quando ao identificarem certos objetos, eles os classificaram meramente como simples estrelas, por que na verdade entre estes objetos nós já tínhamos estas 13 Astronaves de origem extracósmica que estão paradas dentro do quadrante do nosso Universo, e naquela época eles as confundiram com estrelas ou corpos celestes devido ao fato de que estas Astronaves estão protegidas por um invólucro feito de matéria cósmica ainda desconhecida pela ciência.

Contudo, embora saiba que nos dias de hoje o campo da Astronomia possa contar com a disponibilidade dos mais sofisticados e dispendiosos mecanismos usados em suas pesquisas estrelares, pretendo convidar pessoas de todas as camadas sociais que possam ser interessadas neste assunto, a testemunharem a locomoção de algumas destas Astronaves mesmo que o olho nu, lembrando que eu entrarei em contato com elas através de um método milenar de sintonização extragaláctica.

A mensagem que envio aos lideres religiosos de todo planeta, principalmente aos cristãos, é simples e consiste em informar a eles que a existência e objetivos destas 13 Astronaves extracósmicas perante o nosso planeta foi anunciada através própria Bíblia sagrada por Jesus Cristo em sua última personificação na Terra.

Quanto aos nossos ilustríssimos pacificadores, em especial aqueles que já receberam o Nobel da Paz, gostaria de informá-los que não há outro caminho a ser seguido pela humanidade para o alcance da verdadeira paz mundial, exceto através do alcance da padronização dimensional de nosso planeta perante o Cosmos.

E em outras palavras, eu quero dizer que o nosso planeta só se livrará destas ameaças de completa destruição e a humanidade só conhecerá a verdadeira Paz Mundial somente quando a Terra estiver dimensionalmente padronizada perante o Cosmos.

Contudo, esta tarefa referente à padronização dimensional da Terra perante o Cosmos, está ligada a um acontecimento cósmico que depende da realização de uma campanha mundial de preparação e conscientização de todas as Nações, quanto à existência e objetivos científicos destas 13 Astronaves perante nosso planeta.

E ao presidente Barack Hussein Obama, eu preciso avisá-lo que antes do próximo mês de Abril o Mundo conhecerá e enfrentará a mais séria e verdadeira ameaça a Paz Mundial e segurança do Planeta. Esta ameaça não se erguerá do Oriente Médio, do Iraque, Iran, Índia, Paquistão ou do Afeganistão, mas sim da Coréia do Norte e poderá ser considerada como o pontapé inicial para a há muito programada e esperada marcha do Oriente contra o Ocidente.

Para melhor entendimento eu o convido a se lembrar que durante a Era Bush, o programa nuclear da Coréia do Norte foi parcialmente fechado, mas o que talvez o Bush não sabia é o fato que a tentativa da Coréia do Norte em continuar seu programa nuclear foi apenas uma maneira de se desviar a atenção do Mundo, pois na verdade há muito que eles já possuem arsenal de armas nucleares que foi fornecido de forma oculta por seus aliados.

Portanto, uma das principais estratégias a ser usada no dia "D" programado para a marcha do Oriente contra o Ocidente será atacar o Japão, e se este ataque tornar realidade, indubitavelmente abrirá precedentes para que nosso planeta mergulhe em um conflito nuclear, lembrando que aqueles mísseis lançados anos atrás contra o Japão foram apenas para testar a pontaria, o alcance e a reação do Mundo.

Desta forma, gostaria de lhe informar que o perigo e a determinação deste ataque Nuclear contra o Japão são ocultos, e há muito vêem sendo programados por Seres não humanos que estão infiltrados entre os militares tanto da Coréia do Norte quanto de seus aliados.

Entretanto, Sr. Presidente estou convidando o povo Norte Americano como um todo a testemunhar este meu esforço em cumprir minha missão que consiste em preparar nosso planeta para esta visita extracósmica de socorro ao nosso planeta, e gostaria de contar com seu apoio para que este assunto seja levado ao conhecimento dos demais lideres Mundiais, do povo Norte Americano como um todo, e em especial aos nossos ilustres cientistas e Astrônomos da NASA.

Por outro lado, é meu dever lhe aconselhar que evite tomar providencias precipitadas contra a Coréia do Norte à medida que as ameaças se agravarem, pois somente a visita de socorro destas 13 Astronaves ao nosso planeta evitará esta há muito programada marcha do Oriente contra o ocidente, e estou certo que ainda existam luzes no fim do túnel para que unidos possamos salvar nosso planeta.

Em suma, este assunto está relacionado à missão que tenho que cumprir aqui na Terra, entretanto gostaria de informar a todas as Nações que na verdade, a visita destas 13 Astronaves ao nosso planeta significará o pontapé inicial para o processo de padronização dimensional de nosso sistema solar como um todo perante o Cosmos, e este processo só será realizado após a realização de uma campanha mundial de preparação e esclarecimento da humanidade, lembrando que o apoio e a participação dos Astrônomos será de fundamental importância para que esta missão que na verdade pertence a todos nós seja coroada de todo êxito.

Com relação ao mecanismo que possuo para comprovar a existência destas 13 Astronaves, eu diria que será comprovada através da revelação de uma simples e transcendental mensagem póstuma de Madre Thereza de Calcutá e da princesa Diana Spencer que precisará ser divulgada pelos quatro cantos da Terra através da imprensa mundial.

Por outro lado, aproveito a oportunidade para informar a todos aqueles a quem este assunto possa interessar, que a principio não há quaisquer seguimento seja cientifico, filosófico, religioso, etc; na vanguarda desta minha missão, as informações que tenho a respeito dos mistérios dos universos há milênios estão gravadas nos arquivos de minha alma, e se alguém gostaria de conhecer uma outra maneira infalível de se provar a existência e anuncio a respeito da visita destas 13 Astronaves a Terra, basta pesquisar a Bíblia, pois este acontecimento cósmico programado para acontecer nestes dias de hoje, foi anunciado pelo próprio Jesus Cristo durante sua última visita carnal a Terra há aproximadamente 2000 anos atrás.

Doravante o que resta é dizer a todos que esta missão é baseada nos mistérios existentes entre os Céus e a Terra enfatizados alguns séculos atrás por Willian Shakespeare e também no principio das proteções como um todo, e o elo forte para que esta missão possa ser bem sucedida está no apoio da imprensa mundial, portanto se você gostaria de fazer sua parte pelo alcance da verdadeira paz mundial e salvação de nosso planeta, apenas repasse este assunto à imprensa.

Grato pela atenção concedida.
Nome: Ubiracir Batista Miranda
Prof: Fisherman
Angra dos Reis (RJ) Brasil.

23.1.09

Portabilidade numérica: haverá limitações?

Além da reforma ortográfica, tem outra coisa me incomodando nesses dias. A tal da portabilidade numérica.

Não é estranho que, de uma hora para a outra, finalmente aconteça algo de bom para os que utilizam o sistema de telefonia? Operadoras sendo obrigadas a transferir o número para a empresa concorrente? Qual é o segredo? Onde está o Mister M quando a gente precisa dele?

O fato é que no último dia 19 a tal da portabilidade chegou nas regiões com DDD 42, o que inclui esta cidade chamada Ponta Grossa, no interior do Paraná. E eu não poderia ficar de fora, ainda que indiretamente, dessa mudança.

Aqui vai um pequeno histórico de como a telefonia móvel passou a fazer parte de minha vida. Em 2005, muito relutante, pois não queria ser rastreado a todo momento, comprei um celular da TIM. Nunca tive problema algum com o aparelho, até porque seu sistema era dos mais simples. Um Nokia 1108, que fazia e recebia chamadas, tinha uma lanterna na ponta e dois joguinhos bem toscos.

Agora que os aparelhos adquiriram diferentes utilidades (tocar música, tirar fotos, gravar vídeos e áudio, ler e-mail, fazer café...), já estava na hora de comprar um novo. Foi o que fiz.

Depois de muita pesquisa, encontrei o modelo desejado, e descobri algo curioso que deve servir como dica para quem deseja comprar novo celular. Se você comprar o telefone numa loja de operadora o aparelho possivelmente vai custar mais caro do que em uma loja de eletroeletrônicos (com hífen, sem hífen, sei lá...). E isso é estranho. Mesmo assim, numa loja encontrei o aparelho por um valor. Do outro lado da rua, o mesmo aparelho custava cerca de cinqüenta reais a menos, e já vinha desbloqueado. Então, vale a pena andar um pouco.

Enfim. Adquirido o novo celular, fiquei com o antigo sem utilidade. E como agora é possível trocar de operadora, meu pai teve a idéia de transferir o número dele para o meu aparelho. E aqui começa a complicação...

O celular de meu pai é da VIVO. O meu é da TIM. E ele queria transferir o número dele para a CLARO, usando meu celular da TIM. O meu celular ainda estava bloqueado. Permitia apenas o uso de chip da TIM. Então, fui informado de que precisaria levar até uma loja dessa operadora e solicitar o desbloqueio. A manobra seria rápida e gratuita, bastando levar, para isso, o comprovante da compra do aparelho.

Depois de muita procura, incrível, encontrei a nota fiscal impressa em 2005 e, na tarde de quarta-feira, fui até a loja. Diante de um monitor, a funcionária da TIM digitou alguns números em um computador, gerando um código que desbloquearia meu aparelho antigo, e permitiria que ele fizesse parte das vantagens da portabilidade numérica. Em seguida, perguntou:

- Você já tentou desbloquear este aparelho?
- Não. – respondi.
- Já levou até a assistência técnica alguma vez?
- Não.

Conclusão: ela não conseguiu desbloquear meu aparelho. Disse que já tinha digitado o tal código, e não havia mais o que fazer. A última sugestão, recebida então de uma outra funcionária da mesma operadora, era que eu levasse o aparelho à assistência técnica, só que aí a manobra teria um custo, pois o aparelho não estava mais na garantia.

Ou seja, durante quase quatro anos o celular não deu problema algum. Mas na hora de desbloquear e mudar para outra operadora, ele misteriosamente apresentou um defeito que impossibilitou sua mudança.

Naquela tarde quente e abafada, ainda fiz uma última tentativa. Fui até uma loja da assistência técnica autorizada. Mas fiquei ali apenas o tempo necessário para pegar um copo de água gelada no bebedouro. Havia cerca de quinze pessoas esperando atendimento, e mais nenhum lugar para se sentar. Eu tinha pressa, e fui embora.

Somente depois comecei a me perguntar, levando em conta a superlotação da assistência técnica, justo na época em que inicia a portabilidade numérica: será que eu era o único a enfrentar tal problema? É cada vez mais difícil, para mim, acreditar em coincidências.

Quando comprei meu aparelho antigo, o termo “desbloqueio” ainda nem era aplicado a celulares. Fico me perguntando se as operadoras, realmente, tiveram a idéia de permitir o futuro desbloqueio de celulares mais antigos. Até onde vão as possibilidades da portabilidade numérica? Todas as operadoras realizam o desbloqueio? Certo, já tem muitas perguntas nesse texto. Deixemos algumas para um próximo.

22.1.09

Mistérios da reforma ortográfica

Por que razão um grupo de pessoas se reúne para mudar o nosso modo de escrever, sendo que isso não terá nenhuma utilidade prática? Até agora os argumentos em favor da mudança ortográfica da língua portuguesa, que já acontece, não me convenceram.

O mais próximo de uma explicação diz que a mudança facilitará o intercâmbio cultural, pois livros escritos em Portugal terão maior aceitação no Brasil, por exemplo, e vice-e-versa. Mas, tomando por base um dos exemplos mais citados em cursinho pré-vestibular, uma “fila” continuará sendo uma “bicha” em Portugal. O que significa dizer que o intercâmbio continuará dependendo de uma adequação de editores.

Os critérios para as alterações são misteriosos. Afinal, o trema tinha um objetivo claro: demonstrar em que momentos a letra “U” deveria ser pronunciada. Da mesma forma, o acento diferencial tinha um objetivo: diferenciar a pronúncia de duas palavras grafadas quase de forma idêntica. Agora, as dificuldades começam a aparecer...

Tive que ler por três vezes uma frase escrita pela ombudsman do Jornal da Manhã, nesse domingo, até captar seu sentido. “Compreendo o leitor e o apoio.” O apoio de quem? Eu me perguntava. É que não é apoio. É apóio. É conjugação verbal, não substantivo. Só que a ombudsman já começou a usar a nova ortografia, que determina a retirada da acentuação que diferenciava uma palavra da outra.

A história nos mostra que, ao longo do tempo, a evolução da língua não partiu tanto das normas dos livros, e sim de seu uso prático no cotidiano. Sendo assim, estou aqui me perguntando qual é a conseqüência (ops, consequência) da reforma ortográfica.

Seria muito bonito se a própria população rejeitasse essas mudanças. Se o trema continuasse aí indefinidamente, assim como o acento diferencial. E o hífen permanecesse inalterado. Entretanto, como lembrou um professor numa reportagem que vi outro dia: a maior parte da população já escreve errado, então não vai haver grande mudança nesse sentido. As pessoas, então, nem saberiam protestar, porque para isso deveriam conhecer a escrita correta.

Acredito que por trás dessa mudança bizarra deve ter uma motivação que escapa a nossa visão limitada. Do ponto de vista da conspiração, alguma razão política, talvez. Por outro lado, pode ter sido apenas o resultado de uma aposta sem sentido feita entre governantes numa noite de muita bebedeira...

De qualquer forma, levando em conta que é o cotidiano que determina a evolução real da língua portuguesa, arrisco fazer aqui uma previsão... Em vinte ou trinta anos haverá pessoas dizendo “linguiça", assim, como a partir de agora se escreve. E não vão dizer mais “Eu apóio essa idéia”. Vão dizer “Eu apoio essa ideia.”

Ou seja, a escrita correta fará com que passemos a falar errado. E isso se tornará tão comum, que o Aurélio trará como corretas ambas as pronúncias. Exagero meu? Pode ser que sim. Pode ser que não.

*perdoem eventuais erros de ortografia nesse texto... ainda estou aprendendo.

4.1.09

O final bizarro da corrida de São Silvestre

A tradicional corrida de São Silvestre, realizada todos os anos em São Paulo, no dia 31 de dezembro, parece não estar passando por bons momentos. A coordenação está economizando de todos os lados. Para se ter uma idéia basta observar a faixa de linha de chegada usada nessa última edição do evento.

Um homem e uma mulher mantinham a faixa erguida, esperando o momento em que os primeiros atletas chegassem ao final do percurso. Mas, como dessa vez a faixa era muito pequena (ah, o corte de gastos...), cobria apenas um terço do espaço por onde o corredor poderia passar.

O fato é que a pequena faixa, que devia receber os atletas, foi responsável por uma das cenas mais bizarras já vistas na televisão em uma prova desse tipo. Imagine você... O atleta chega exausto, mal consegue parar, pois já não sente as próprias pernas. O coitado é só reflexo, nem pensa direito... Aí ele chega e vê uma pequena faixa segurada por duas pessoas, e um caminho livre enorme do lado esquerdo. Por onde ele vai passar?

Assim, a dupla que segurava a faixa na linha de chegada viu, um a um, os atletas rejeitarem a honraria. Isso incluiu o campeão na categoria masculina, o queniano (pra variar) James Kwambai.

É bom lembrar que a faixa tem outra função além de receber os atletas. A faixa também é responsável por exibir a logomarca das empresas patrocinadoras da corrida. O tamanho reduzido da faixa pode ser, então, resultado do baixo número de patrocinadores. Sendo assim, sugestão para a próxima edição da corrida de São Silvestre: abolir o uso da faixa. Ou alguém tem outra sugestão?

*Fui informado que o vencedor só é considerado oficialmente vencedor quando (e se) ele passa pela faixa no momento da chegada. Será isso mesmo? Imagine a discussão que isso teria gerado...

31.12.08

Previsões? O que não se cumpriu em 2008?

O período de virada de ano é mais uma dessas tradições que tornam nossa existência absolutamente estranha. Além de o povo vestir roupas brancas, fazer muito barulho, pular ondas e comer uvas, ainda existe a crença de que é possível prever como serão os 365 dias que se seguem.

Confesso que de vez em quando dou uma olhada no horóscopo. Mas também confesso que acho muito mais divertido ver o horóscopo do dia anterior, a fim de comprovar em que medida a astrologia tem acertado ao prever meu futuro.

Por essa razão tive a curiosidade de verificar quais foram as previsões para o ano que passou. É justo que se verifique o que se cumpriu e o que, a exemplo de promessas políticas, ficou no esquecimento.

No final de 2007, o Jornal da Manhã publicou diversas previsões, a maioria delas apontadas pela cartomante Cristina Rogalski, e pela clarividente Terezinha Tizon. Vamos ver quais foram as previsões:

...segundo Cristina Rogalski:

- “...dificilmente o atual prefeito Pedro Wograu Filho seja reeleito. Aliás, talvez ele nem se candidate à reeleição, mas indique alguém para ser seu candidato.” (nessa ela errou feio, igual o Ibope, pois também disse que Jocelito era o espiritualmente mais cotado para assumir o cargo.)

- “O curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa não deve ser reativado - pelo menos na gestão do governador Roberto Requião.” (Requião autorizou o curso nesse ano, e já tivemos o primeiro concurso vestibular, com uma porção de gente louca pra segurar o bisturi e desmaiar ao ver sangue)

- “O prefeito vai ter muitas dificuldades de acertar o final do mandato e também vai se deparar com algumas traições de pessoas da sua cúpula” (dependendo do que significa a “sua cúpula”, pode-se dizer que os astros não mentiram nessa. Acusações contra o prefeito não faltaram nesse ano)

- “O Paraná deve voltar ao primeiro lugar em resultados, em volume de produção, em grãos, e isso tudo vai refletir nas nossas vidas” (de fato, foi notícia no JM... A safra 2007/08, encerrada neste mês de dezembro com a colheita das últimas lavouras de trigo na região Centro-Sul do Estado, fechou com um recorde de produção de 32,06 milhões de toneladas de grãos.)

- O setor industrial também deve se beneficiar: duas novas indústrias devem se instalar na cidade. (...) (Na verdade foram mais de duas. Entre as maiores podem ser citadas a Tecnosol Indústria Química Ltda, primeira fábrica de cosméticos da cidade, a fábrica de calçados de segurança, da marca Kadesh, a construção da Contitech, a Lousiana Pacific - que produz painéis OSB e a Planair Indústria Aeroespacial.

Agora vejamos as previsões de Terezinha Tizon:

- A saúde de Ponta Grossa 40% melhor e o deputado estadual Jocelito Canto eleito prefeito. (é difícil quantificar a situação da saúde em PG. Mas Jocelito ficou longe da prefeitura)

- Uma multinacional deve se instalar e trabalhar em parceria com a Cargill. (alguém sabe dessa parceria?)

- Novidade na área de autopeças. (alguém?)

- A cidade perderá empresários em acidentes e por motivos de doenças. Falências também serão decretadas. (nada que eu me lembre de ter visto no jornal..., a não ser a morte do empresário Jorge Demiate, em março)

- Ponta Grossa vai deixar de contar com dois supermercados, uma madeireira e uma empresa de máquina agrícola. (Se alguém lembrar, pode comentar aí... o que lembro é o oposto: dois novos empreendimentos foram anunciados nesse ano, através do Condor Super Center e dos Supemercados Tozetto, que juntos devem gerar 400 empregos diretos. Mas a Planair, de fato, fabrica aeronaves agrícolas)

- A perda de um político local bastante conhecido (Previsão um tanto óbvia, já que políticos bastante conhecidos se vão anualmente. O ex-prefeito de Ponta Grossa, Luiz Gonzaga Pinto, faleceu em fevereiro, aos 87 anos, na Santa Casa de Misericórdia.)

- Papa Bento XVI está doente e não deve viver por muito tempo. O novo pontífice, garante ela, será um brasileiro: “nascido gaúcho e ordenado padre no Paraná.” (premonição bastante detalhista, mas o Papa Bento ainda não dá mostras de precisar de substituto)

- “Também perderemos jogadores em campo. Atores bem conhecidos, artistas de novela, também perderemos” (essa não vale... acontece todo ano)

- Sobre o Operário, a previsão até que foi certeira: “Como é o apelido dele mesmo? Fantasma... Pois o Operário sempre foi e sempre ficará fantasma”, disse a clarividente. (talvez esteja na hora de mudar o apelido do time)

****

Fazendo um balanço geral, digamos que as previsões não foram lá tão precisas. Resultado semelhante poderia ser obtido jogando uma moeda para o alto. De qualquer forma, há quem acredite e se oriente a partir das previsões. Sendo assim, é bom lembrar que o Jornal da Manhã trouxe mais algumas. Clique aqui e confira as previsões para 2009. (é necessário estar cadastrado no site)

*E clique aqui para conferir, na íntegra, as previsões para o ano que passou.

19.12.08

Mecê dos qualé?

Dia desses estive na livraria Livros & Companhia, que fica em frente ao Colégio Instituto de Educação, onde estudei até concluir o ensino médio – no meu tempo se chamava Educação Geral. Na livraria eu procurava alguns títulos em específico, mas, parei também para conversar com o proprietário da loja, José Nilson.

O gaúcho é um sujeito meio careca, com óculos de aros grandes e arredondados, bigode espesso e uma inseparável cuia de chimarrão. (Na foto ele está sem a cuia, mas é uma situação atípica). Não é por acaso que duas cadeiras confortáveis ficam diante de sua mesa, à disposição de quem entra na loja. Ele está sempre disposto a conversar e confere significado especial à palavra “companhia” escrita na placa diante da livraria. Tem ótima memória. Já fazia meses que não trocávamos uma palavra, mas ele parecia lembrar de tudo o que já tínhamos conversado. Eu, no entanto, confundia tudo. Achei até que a loja tivera um daqueles sensores de presença que apitam sempre que o cliente entra. José me lembrou que nunca teve isso, porque acha que incomoda, e porque acredita numa relação mínima de confiança entre o vendedor e o cliente.

José comentou que no próximo ano, lá pelo mês de março ou abril (ele foi preciso na data, mas não tenho a memória prodigiosa que ele tem) deve deixar a cidade, e transportar consigo a livraria. Disse que o motivo não é simplesmente financeiro. Está acostumado a não ficar parado em um lugar. “O mundo é tão grande... porque ficar em um lugar só. Há pessoas que nascem em um lugar e passam a vida inteira nesse lugar”, comentou, sem compreender. Afirmou que é importante se deslocar, para conhecer outras culturas e formas de pensar e agir, e assimilar isso tudo.

Ficamos dialogando um pouco, até que chegou outro cidadão, chamado Rogério. Não o conhecia, mas parece ter muitas histórias para contar. Comentou sobre uma viagem que fez a Portugal, narrou rapidamente situações em outras cidades. E, considerando que ele, assim como José Nilson, não é de Ponta Grossa, começaram os dois a divagar sobre a natureza do ponta-grossense. Seu comportamento fechado, principalmente.

José dizia que os vizinhos não se falam, e que é difícil até mesmo cumprimentar alguém. Disse que, depois que chegou na cidade, ele próprio começou a mudar seus hábitos, parando de puxar papo com todos, como costumava fazer antes. Lembrei a ele que esse era o lado ruim de se deslocar de uma cidade para a outra. Hábitos não tão valorosos também são assimilados, junto com os que nos fazem crescer culturalmente.

Expliquei que, tendo nascido e crescido aqui, é muito mais difícil para mim notar essas coisas – os comportamentos tão criticados nos ponta-grossenses. Até porque meu relacionamento com os vizinhos não é tão ruim assim. Mas quem vem de fora costuma fazer esses mesmos comentários – de que as pessoas são muito fechadas, evitam cumprimentar.

Rogério completou, dizendo que o que mais lhe chamou a atenção ao chegar em PG foi o fato de as pessoas quererem saber a que família ele pertencia. Havia uma necessidade de relacioná-lo a outros que fossem da cidade, de famílias cujo nome fosse conhecido.

“Mecê dos qualé?”, perguntei, em tom de brincadeira, lembrando o modo simples com que muitos realmente procuram saber a família a quem alguém pertence, como se fosse obrigação apresentar os antecedentes de boa conduta, para dar seguimento a uma conversa.

O diálogo seguiu por outros caminhos, até que Rogério comentou ter uma chácara na região de Guaragi, que fica a cerca de 27 quilômetros do centro de Ponta Grossa.

“Tenho parentes no Guaragi”, comentei.
“Ah, é? – ele perguntou – “Quem são seus parentes? Qual o sobrenome?”

Foi aí que achei graça, e tornei a brincar: “Mecê dos qualé?



SERVIÇO:

Livros & Companhia
endereço: R: Dr Joaquim de Paula Xavier 585
telefone: (42) 3027 2227
site: http://www.livrosecompanhia.com.br

24.11.08

Afinal, o que é original?

Quando ainda estudava na universidade, naquele tempo em que a gente começa a ler de tudo um pouco, especialmente planejando um futuro projeto de Trabalho de Conclusão de Curso, percebi, indignado, o quão difícil é ter uma idéia original.

A humanidade adquiriu tanto conhecimento ao longo dos últimos anos, que tudo parece já ter sido inventado ou pensado. E agora atingimos uma fase em que, mesmo quando temos uma idéia nova, descobrimos que já foi inventada. As pessoas pensam de forma semelhante (está aí a disputa entre Santos Dumont e Irmãos Wright para confirmar o que digo), e agora existe outro fator que contribui para isso: a internet.

No sábado, estava aqui lembrando do Chocolate Surpresa, que fez sucesso na década de 1980, vindo a desaparecer somente no final dos anos 1990, se não me engano. O chocolate, provavelmente você lembre, fazia sucesso porque trazia figurinhas colecionáveis, sobre temas diversos. E aí residia grande parte de sua aceitação no mercado. O brinde fazia com que as crianças, e até mesmo alguns adultos, buscassem o chocolate. O sabor era muito bom, mas deve ter sido a barra de chocolate mais fina da história, sendo que boa parte do preço se justificava apenas pelo brinde.

Conversando dia desses, comentei: por que será que o Chocolate Surpresa deixou de ser fabricado? Era tão divertido juntas as figuras, e o chocolate ao leite era saboroso, como do chocolate Kinder Ovo.

Foi aí que tive um estalo: óbvio... o Kinder Ovo surgiu, e logo depois o Chocolate Surpresa desapareceu. Entre um chocolate que oferecia uma figurinha, e outro que oferecia um brinquedo, qual seria o preferido? O Kinder Ovo condenou o Chocolate Surpresa à extinção. Na época o Kinder Ovo ainda custava um real. Era uma concorrência desleal.

Parecia uma grande revelação. Mas a internet está aí pra me desmentir. A wikipedia já relaciona o Chocolate Surpresa ao Kinder Ovo. Não diz que um condenou o outro ao desaparecimento, mas me parece evidente, tanto que outros blogs fazem a mesma relação.

O google torna ainda mais fácil derrubar idéias pretensamente originais. Um colega, no outro dia, sugeriu fazer ilustração de uma folha de maconha em sua camiseta, e incluir o texto “ERVALIFE”, numa paródia aos produtos Erbalife.

Estava todo animado, planejando como desenhar a folha de maconha, até eu dizer a ele que, muito provavelmente, alguém já havia pensando nisso antes. Sugeri uma visita ao Google e, tadããã! Sua idéia já estava lá, e até mesmo as camisetas com a tal inscrição e desenho, em diversos modelos, e prontas para comercialização. Não perguntei a meu colega, mas acho que desistiu da idéia de fazer a tal camiseta... me sinto até um pouco culpado.

No fim de semana, reparei que meu irmão colocou em seu perfil do Orkut a seguinte frase:

Não sou nada / Nunca serei nada / Não posso querer ser nada / À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo

Perguntei a ele porque tinha colocado aquela frase em seu perfil, e ele disse que era um trecho do poema “Tabacaria”, de Fernando Pessoa. Acontece que existem milhões de poemas no mundo, e outros zilhões de trechos de poemas. E já vi o mesmo trecho em dezenas de perfis no Orkut. Por que isso acontece, pra mim continua sendo um mistério. A não ser pelo seguinte: as pessoas têm pensamentos em comum. E está aí a disputa entre Santos Dumont e Irmãos Wright para confirmar o que digo.

17.11.08

Agências bancárias: o cliente tem sempre razão?

Sou cliente de um banco que adota o seguinte sistema: se minha senha é 1983, o caixa-eletrônico me vem com a seguinte informação:

1=0
2=1
3=2
4=3
5=4
6=5
7=6
8=7
9=8
0=9

Ou seja, para fazer um saque, ao invés de digitar a minha senha 1983, eu terei que fazer uma mudança absurda, e digitar 0872. (acho que é isso...) Aí você vem dizer: "é para sua segurança". Ah, claro. O problema é que estou retirando o dinheiro de um caixa eletrônico que pode ser visto da rua, porque todos os bancos tiveram a brilhante idéia de instalar "vitrines" diante dos caixas eletrônicos. O assaltante fica do lado de fora escolhendo suas vítimas, como uma criança escolhe um doce.

Suponho que a idéia da gerência é a seguinte: se acontecer um assalto dentro do banco, qualquer pessoa vê desde a rua, e chama a polícia. Se acontecer assalto a um cliente que acabou de sair de nosso banco, o problema não é nosso. Não podemos ser responsabilizados pelo que acontece fora da agência. Sim... os caras são maus.

Bancos são ótimos motivos para irritação. Já reclamei diversas vezes das malditas portas eletrônicas. Não dá pra entender como coisas que não funcionam direito continuam sendo usadas. Toda a vez que entro na agência da Caixa Econômica, preciso tirar da mala minha agenda. Porque as espirais metálicas disparam o sistema e me impedem de entrar. E o curioso é que cada agência, de cada banco, possui um sistema diferente.

Em alguns eu só preciso tirar do bolso o celular. Em outros preciso tirar o celular e a chave. Em outros o celular, a chave, a agenda e o Halls. Essa vale a pena lembrar... O segurança do banco Itaú me explicou que a embalagem metálica do Halls pode disparar a porta. Pode? Segundo ele, sim.

Voltando à questão das "vitrines"... Com esse sistema de encher de janelas de vidro na frente da agência, os caixas eletrônicos ficam de frente para a entrada, de tal maneira que o cliente fica de costas enquanto opera a máquina. O problema é que as máquinas funcionam com monitores comuns, que refletem a luz que vem do lado de fora da agência. Ou seja, fica muito mais difícil ver o que aparece na tela, se o reflexo da rua incide sobre o monitor.

E por que esses e outros problemas semelhantes persistem? Provavelmente, não há interesse em corrigir tais dificuldades. No banco Mercantil, se seu cartão é bloqueado por um erro de digitação, você precisa esperar, obrigatoriamente, 24 horas para que ele seja automaticamente desbloqueado. Se você precisa muito do dinheiro, não pode simplesmente entrar na agência e solicitar a um funcionário o desbloqueio. Acho que é por isso que colocam escrito, em letras brancas num fundo vermelho, do lado de fora da agência: BANCO 24 HORAS.

Pra não esquecermos o tempo de espera.

10.11.08

Um Hussein na Casa Branca

Sempre que uma partida de futebol está quase terminando, e um dos times está prestes a vencer, fico imaginando que o resultado daquele jogo pode mudar a qualquer momento. Enquanto muitos comemoram ou praguejam nos minutos finais, eu permaneço em silêncio observando tudo. E, não raro, o jogo vira. Foi assim com uma partida de futebol há poucos dias. Foi assim quando todos achavam que Felipe Massa era o campeão mundial da Fórmula 1, antes que Hamilton passasse a linha de chegada.

Enquanto a maioria se preocupa, ainda que inconscientemente, com probabilidades, minha preocupação é com as possibilidades. Porque, hipoteticamente, a mesma seqüência numérica pode ser sorteadas duas vezes seguidas pela loteria. E as chances de que isso aconteça são as mesmas de qualquer outro número ser sorteado.

Assim, um dos meus lemas é “qualquer coisa pode acontecer”. E comento isso porque na semana passada, algo que muitos diziam ser impossível, aconteceu. Me refiro à vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

O assunto já foi bastante debatido, mas só agora encontro tempo e disposição para lembrar aqui, diante do monitor, que o cinema já tinha colocado um presidente negro governando os Estados Unidos algumas vezes. De cara, me lembro de duas situações: no filme “Impacto Profundo”, em que meteoros ameaçam destruir a Terra e o presidente luta para encontrar meios de salvá-la, e “Deixados Para Trás”, esse último menos conhecido, por dramatizar o fim do mundo baseado nos relatos da Bíblia.

Mas os exemplos são muitos outros. Lembrei desses dois porque passam a imagem de um presidente sério, e comprometido com o futuro não apenas dos Estados Unidos, como do mundo inteiro.

O curioso é que, quando assisti a um filme desses, lembro de ter ouvido um comentário de alguém que disse: “Isso é que é ficção científica... afinal, quando é que um presidente negro vai governar os Estados Unidos?”

Acho que a frase ilustra bem o modo como todos viam essa possibilidade. Eu próprio me vi surpreso com a vitória de Obama. Imagine o resto do mundo. Se ele será melhor ou pior que George Bush, já não é possível afirmar. Mas o fato de um sujeito chamado Barack Hussein Obama Jr. subir ao poder nos Estados Unidos já é impressionante o suficiente.

Desde que isso não coincida com o fim do mundo ou a queda de meteoritos gigantescos em nosso planeta, tá valendo. Agora é aguardar para ver... qualquer coisa pode acontecer.

3.11.08

Conversas bombásticas

“Eu sei fazer 32 diferentes tipos de bombas”.

Ao ouvir a frase, estalei os olhos e virei para meu amigo, perguntando:
- Porque contou isso?
- O quê?
- Por que fez o cálculo do número de bombas que sabe fabricar? – tornei a perguntar.
- Ah... sei lá.

Fazia tempos que não via Jacson. A última grande conversa que tivemos foi ainda em 2000, quando fazíamos cursinho pré-vestibular. Na época, eu repartia o cabelo, e ele tinha cabelo curto. Agora eu desisti do pente, e ele virou praticamente o Primo Itt – da família Adams. Na época ele detestava química. Hoje, ironicamente, é professor dessa disciplina. E foi tratando de química que entramos no assunto das bombas.

Encontrei Jacson por acaso, no último sábado, no shopping. Um daqueles acasos bizarros: a escada rolante enguiçou, e ele teve que usar a escada comum. Me encontrou no andar superior observando as pessoas que subiam a escada rolante parada. “Vamos ali na praça de alimentação, que vou encontrar uns amigos”, convidou.

Seus amigos eram irmãos gêmeos, de óculos com lentes grossas, um que devorava lanche do Bob’s, outro que atacava o lanche do Biba’s. E foi um deles que tocou no assunto de radioatividade, sabendo dos conhecimentos científicos de Jacson. Foi assim que o diálogo passou pelos radioativos urânio e césio 137, o explosivo sódio metálico, a corrosiva Coca-Cola e, finalmente, a declaração de meu amigo, dando conta de que ele é capaz de fazer 32 diferentes tipos de bombas.

O que me chamou a atenção foi sua indiferença ao trazer aquela informação à tona. Apesar de saber que não é intenção de meu amigo explodir a cidade, fiquei me perguntando por que ele havia feito aquela conta.

E lembrei que, há cerca de duas semanas, outro amigo meu, dessa vez especialista em informática, tinha dito que é teoricamente muito fácil burlar o sistema das urnas eletrônicas. Bastaria desviar os equipamentos durante alguns instantes, entre o trajeto que faz do local de votação ao ponto em que é feita a contagem de votos. Assim seria possível identificar, por exemplo, quem votou em cada candidato.

Descobertas fascinantes podem ser feitas ao conversar com especialistas. Algumas podem assustar. E pensar que muita gente teme os profissionais menos especialistas da face da Terra – os jornalistas.

Mudando de assunto... acabo de ver um trailer no Uol de um filme que promete ser muito bom. Operação Valquíria. Sugiro ao leitor que dê uma olhada.