12 de jun de 2012

Onde está a graça?


Enfim, após vários dias de chuvas, confirmamos hoje que o sol ainda está lá em cima. As casas e edifícios em Ponta Grossa ficaram tão úmidos em seus pisos, paredes e janelas, que me obriguei a fazer uma tirinha sobre o tema.

Apesar do tempo pouco convidativo para sair, na semana passada acabei marcando um encontro que, descobri, eu desejava fazer há muito tempo. Por sugestão do editor-chefe do Jornal da Manhã, Mário Martins, escrevi reportagem sobre aqueles que trabalham com humor na cidade.

A ideia surgiu com a visita da cartunista curitibana Pryscila Vieira, que agora está morando em Ponta Grossa, desde que seu esposo assumiu o posto de delegado do Denarc local. Pryscila é a criadora da personagem Amely, um fenômeno dos cartuns. Uma mulher com aparência de boneca inflável (ou seria o contrário?) que critica a sociedade machista e a mulher vista como objeto.

Em conversa com Pryscila, ela apontou que seria mais pertinente fazer uma reportagem com outras personalidades além dela, e mencionou Benett (chargista ponta-grossense que agora trabalha para a Gazeta do Povo e Folha de S. Paulo) e *Fábio Silvestre (humorista de PG que agora está no programa A Praça É Nossa, do SBT).

De acordo, Mário Martins lembrou que James Robson França, vulgo Sádico, não poderia ficar de fora da matéria. Sádico é chargista do Jornal da Manhã, e tem feito excelentes trabalhos com ilustrações e tiras no jornal.

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O bar, sempre o bar...
O primeiro passo da reportagem foi marcar uma conversa com Sádico. Ofereci duas possibilidades: o café da Panificadora Vila Velha ou o Bar do Seu Rui, ao lado do JM. “O bar. Sempre”, respondeu. Mas, na manhã de quarta-feira, estávamos no bar... tomando café. Precisávamos nos manter lúcidos. Era meio da semana. Mais um dia e teríamos um feriado, aí cada um faria o que bem entendesse.

Foi durante a conversa que Sádico lembrou: eu não podia deixar de mencionar Roque Sponholz, caricaturista e chargista ponta-grossense. Também poderia mencionar Diego Castro, humorista emergente quando se trata de comédia stand up na região.

A sugestão era boa, mas me pareceu improvável... Sádico propunha que eu reunisse a Pryscila, ele, Roque e Diego, e fizesse uma foto de todos juntos para compor a capa do caderno Urbe do JM, onde seria publicada a reportagem. Me despedi prometendo fazer a tentativa de marcar a foto para aquela mesma tarde, embora incrédulo.

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Mais fácil do que parece
Para minha surpresa Roque Sponholz me atendeu no primeiro telefonema, e topou o encontro no Parque Ambiental. Local escolhido em face da identificação imediata com a cidade, já que o Cocozão, monumento polêmico e insubstituível, não mais existe.

Diego Castro também aceitou a ideia na hora, e combinou estar no Parque Ambiental também às 17 horas. Pryscila estaria chegando de uma viagem a Curitiba, mas disse que daria tempo de fazer a foto, com certeza.

À tarde, o tempo que estava apenas em garoa decidiu assumir sua condição chuvosa e as gotas de água se intensificaram, dobrando de tamanho e volume, e me obrigando a transferir o local da foto para alguns metros adiante. O novo local era a Estação Saudade, antiga estação de trem, hoje biblioteca municipal, também localizada no mesmo Parque.

Mas essa mudança precisou ser articulada após as 16h30, e Roque Sponholz já havia deixado sua casa, rumo ao local original do encontro. Fiel a uma tradição antiga, Roque não carregou celular [aparelho que, aliás, não possui]. Teria que encontrá-lo no local onde havíamos combinado por primeiro e levá-lo à Estação. Os demais foram todos avisados.

Às 17 horas em ponto, Roque exibia seu abrangente bigode [marca caricatural que carrega no semblante] perto das árvores de romã do Parque Ambiental. No carro do JM, eu, o fotógrafo Christopher Eudes, o motorista China e Roque Sponholz seguimos até a Estação Saudade, onde Sádico e Diego Castro já conversavam animadamente.

Só faltava Pryscila. Enviei SMS dizendo que a esperávamos, e ela respondeu que estava perdida. Uma breve conversa e a recém-chegada a Ponta Grossa, minutos depois, encontrava o bizarro estacionamento que fica junto à biblioteca e é dominado por flanelinha de aparência estranha e comportamento inescrupuloso (acho que acabo de descrever todos os flanelinhas do mundo).

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Autopromoção? É o jeito...
Christopher fotografava os quatro junto ao prédio, usando o que restava da bateria de sua câmera. Ele tinha começado o expediente no jornal cedo, e teve que fazer o trabalho do outro fotógrafo, Clebert, que precisou viajar a trabalho para Curitiba. Com isso, estava nas últimas energias (ele e a câmera). Foi quando os entrevistados reivindicaram minha presença na foto.

De fato, meu trabalho como cartunista criador do Catraca não podia ser desprezado. Mas... escrever sobre mim mesmo na reportagem? Me incluir na fotografia? De início me pareceu inadequado. Mas, em seguida pensei... Por que não? Ao final, estar ali ao lado dos grandes nomes do humor local, alguns dos quais com destaque nacional e internacional, me serviu de incentivo e massagem positiva ao ego.

A reportagem não ficou ruim. Mas esse foi um daqueles casos em que o “fazer a reportagem” foi mais interessante do que vê-la publicada. E ter sido incluído na foto por eles teve, para mim, elevada importância. Talvez eu como cartunista não tenha o destaque que eles já conquistaram, mas rir ao lado deles foi como respirar mais profundamente. Aí está a graça.

*Obs.: Na mesma edição do caderno Urbe (10/06/2012) foi publicada entrevista com Fábio Silvestre. Ainda consegui para aquela edição uma entrevista com o chargista Benett. Mas, sem tempo e espaço adequados, posterguei a publicação para outra ocasião. É um material que merece o devido destaque, e em breve certamente terá. Por hora, eis os links para o caderno Urbe do último domingo - http://www.jmnews.com.br/noticias/urbe/23,21925,10,06,o-humor-em-ponta-grossa.shtml
http://www.vamoslerjornaldamanha.com.br/mail/jm/flip/Urbe/10-06-12/