16 de jul de 2013

Dilma visita Ponta Grossa

A cidade de Ponta Grossa amanheceu com neblina e, até onde pude ver, sem a geada que o serviço meteorológico ameaçava existir nos telhados. Mas nem a geada, nem a neblina, são o assunto do momento na cidade. Nesta terça-feira não se fala de outra coisa, senão da vinda da presidente da República, Dilma Rousseff, que deve chegar de helicóptero ao município, nas próximas horas.

A presidente vem até aqui, juntamente com uma porção de ministros, para realizar a entrega oficial de 1.438 casas populares inscritas no projeto Minha Casa Minha Vida e, também, para entregar 42 máquinas retroescavadeiras aos municípios do Paraná. Garantia de habitação e de deslocamento pelas estradas vicinais do Estado.

Essa solenidade causa grande alvoroço em Ponta Grossa. Especialmente no meio político, empresarial e das comunicações. Ontem pela manhã, saí de casa para levar a Pri ao trabalho e já alertei minha esposa de que o expediente de segunda-feira na redação, muito provavelmente, iria até mais tarde, em razão da vinda da Dilma. Ela não entendeu... Por que eu ficaria no trabalho até mais tarde, se a Dilma só viria à cidade no dia seguinte? Bom, eu também não sabia direito. Mas, intuitivamente, eu sabia.

E, na tarde de ontem, o Jornal decidiu fazer duas páginas só sobre a vinda da presidente. O que ela vinha fazer? Qual trajeto ela faria? A que horas chegava? Até que horas ficava? Quantas casas seriam entregues? Que ministros estariam junto com ela? O que as entidades representativas da cidade achavam de tudo isso? Quem foram os presidentes que já vieram à cidade? Temos fotos de quando eles vieram?

Juntamente com os amigos Daniel Petroski e Fernando Rogala, passei a tarde tentando responder a essas e outras perguntas, o que me fez ficar, pelo menos, três horas a mais na redação. Mas, o que eu realmente queria responder, eu não podia.

Desde ontem me pergunto, afinal, o que importa para a Dilma Rousseff vir a Ponta Grossa? E o que ela sabe a respeito da cidade? De certa maneira... esse foi o mote da tirinha que esbocei, ontem, em um pedaço de papel.

O que eu quero dizer é... o que se passa na mente da autoridade máxima de um país com o tamanho do Brasil? Imagino que tornar-se presidente deve ser algo fantástico, e deve haver quem até goste disso. Mas Dilma tem dado mostras de que não parece ser uma dessas pessoas. E ainda tem agido de forma estranha, ao menos para quem a observa somente a partir de noticiários. Recentemente demonstrou tolerância, e até compaixão, com manifestantes que quebraram patrimônio público no País todo. Manifestantes misturados a baderneiros [ou vice-e-versa]. Disse que aquilo era democracia, determinou redução de mais impostos. Governos estaduais e municipais recuaram em reajustes de tarifas e até reduziram preço dos transportes públicos, em favor do que as massas pediam.

Poucos dias depois, caminhoneiros se manifestavam em rodovias de todos o País. Não quebraram nada, só pediam mais segurança e preços mais baixos nas tarifas de pedágio. E a presidente só faltou xingar os profissionais. Pouco depois, ocorreu a Marcha dos Prefeitos. Governantes de vários municípios foram a Brasília pedir mais verba e Dilma foi vaiada por muitos deles, quando disse que não havia mágica para governar.

Então, baderna acabou sendo elogiada como democracia. Enquanto que melhores condições de trabalho e a reivindicação formal de mais recursos pelos prefeitos foram criticadas pela presidente.

Dilma chega a Ponta Grossa logo após esses acontecimentos. Com a popularidade mais baixa do que nunca. E com uma porção de críticas ao modo de governar o País. É bom que se diga que os protestos não levaram em consideração avanços conquistados nos últimos anos, primeiro com o Plano Real, depois com o Governo Lula, que deu estabilidade internacional ao Brasil. Enquanto crises pipocaram em diversos países, o Brasil se manteve firme. E, mesmo agora, os problema são bastante pontuais: a saúde pública está em colapso e a corrupção em todas as esferas políticas estão extremamente visíveis.

O Minha Casa Minha Vida é a menina dos olhos do Governo Federal. Nem o tal Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) conseguiu avançar da forma que se esperava. Por isso, a vinda da presidente tem um motivo claro... enaltecer o único programa federal cujos resultados são visíveis, especialmente em Ponta Grossa, onde, proporcionalmente, o número de casa entregues foi um dos recordes nacionais.

No entanto, numa análise fora da política, mesmo essa entrega recorde de casas está longe de cumprir tudo o que se espera. De acordo com a Companhia Nacional de Habitação (Prolar) de Ponta Grossa, 17 mil famílias ainda aguardam uma casa própria na cidade. Significaria distribuir senhas para 100 pessoas por dia, até outubro, nas palavras do presidente da Entidade, Dino Schrutt. O Governo Federal pretender entregar 3 milhões de residências, e já passou das 2 milhões. Se chegarem à meta no final do ano que vem, conforme o previsto, ainda assim estará longe de acabar com o déficit de moradias.

O que quero dizer é que, ao que parece, o antecessor da presidente Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva, conseguiu iniciar programas, e seu desenvolvimento. Mas cabe à Dilma sua finalização, e as dificuldades dessa empreitada estão visíveis em seu rosto habilmente remodelado nas últimas eleições. Dilma demonstra preocupação, irritabilidade, e não parece motivada. Em suas aparições na TV, o que se vê é uma presidente que cumpre obrigação. E, em qualquer função, é preciso que exista mais que isso. É preciso vontade, entusiasmo, e até prazer.

Em parte, acredito que isso ocorra devido à sucessão dos acontecimentos inesperados... os protestos pelo País. Eles desequilibraram o Governo Federal, que até então só precisava se preocupar em dar respostas evasivas para os problemas e enaltecer conquistas. Agora, mesmo tendo a Copa do Mundo no Brasil, não é possível comemorar. É como fazer aniversário no mesmo dia em que um parente próximo fica muito doente.

Por outro lado, creio que até a extensão territorial do País prejudica. Dilma está chegando em Ponta Grossa. O que isso significa para ela, além de uma chance de destacar um Programa Federal? Do que ela sabe? Sabe de um aeroporto que não tem sequer rádio para comunicação? Viu um monumento em forma de quibe [para ser politicamente correto] na internet? Assistiu no noticiário a um banheiro transparente ou a uma [ex]colega de partido sequestrar-se a si mesma? Viu um vídeo no Youtube onde aparecia Vila Velha? Leu as tirinhas do Catraca alguma vez? Conhece o passado da cidade ligado às ferrovias, a velha Estação Saudade e a locomotiva do Parque Ambiental que estão sendo deterioradas pelo tempo e pelos vândalos? Caminhou pelas calçadas irregulares e tropicou em uma pedra solta de petit-pavé no centro da cidade?

Enfim, são só reflexões lançadas aqui... No final das contas, o que quero dizer é... a presidente está aqui hoje, após 22 anos sem que um presidente pisasse nessas terras. Qual importância isso tem, além da política? Acredito que nenhuma. Prova disso é que tive que passar metade da tarde de ontem procurando informações sobre a vinda de Getúlio Vargas, Ernesto Geisel e Fernando Collor de Mello à cidade, em épocas remotas.

Amanhã, tudo isso será passado e, se demorar 22 anos para que outro presidente venha à cidade, é provável que seja igualmente difícil saber como foi esse dia. Com um pouco de sorte, o Google [se ainda existir no futuro] levará a este texto. E o pesquisador descobrirá que nesta terça-feira, dia 16 de julho de 2013, Ponta Grossa amanheceu com neblina.

1 de jul de 2013

Um gato. Será?

Minha amada Priscila está pensando em ter um gato... há quatro anos. É o tempo que ela levou para me convencer da ideia. Afinal de contas, minha família nunca foi muito fã de gatos. A preferência é por cães. A única vez em que lembro de ter criado gatos foi quando uma ninhada surgiu dentro da churrasqueira, e a "responsável" pela prole desapareceu. Os que sobreviveram aos nossos cuidados (leite de vaca oferecido em conta-gotas) foram levados para uma indústria onde meu pai trabalhava, e e colocados para caçar ratos.

Enfim, pela primeira vez estou pensando em permitir um gato nessa casa. Mas teria que ser um desses gatos felpudos que não colocariam as patas na rua. Aqui é condomínio, e a vizinha de parede tem uma calopsita. Ainda não falamos com ela e os demais vizinhos, para saber o que acham da ideia de um felino. Eu disse para a Pri que, por mim, tudo bem. Desde que o bicho não fique no telhado miando às três da madrugada.

Talvez eu tenha sido influenciado pelos vídeos do gato Maru, que não parece atrapalhar a vida de ninguém. Ou, quem sabe, a obra de animação de Simon Tofield, "Simon's Cat" tenha feito com que os gatos aparentem, aos meus olhos, menos aborrecimento. E, talvez, também sirva de inspiração para minhas tiras. Vamos ver se os condôminos concordam com essa perspectiva. A calopsita não vota.