4 de jul de 2010

Os dilemas que envolvem pastéis

Não é fácil encontrar tempo para algo que não seja o trabalho, no meio da semana. Outro dia um amigo perguntou a que horas eu saía do trabalho. “Entre 18h30 e 22h30”, eu respondi. “Um horário bem... flexível”, ele respondeu.

Mas a semana que passou foi atípica, graças a Deus. E em plena quinta-feira eu tive a oportunidade de sair perto de oito horas o que, acredite, é uma conquista. Aproveitei para ir com a Pri fazer um lanche em algum desses lugares nos quais a gente normalmente não vai.

A “Água Doce Cachaçaria” é um ambiente interessante. Não estava lotado como o Botequim da Rua XV, nem estava totalmente vazio como a Confraria do Chopp. O som ambiente era eclético, mas tocava Skank, num volume não muito alto, quando chegamos. Eu já tinha estado naquele lugar uma ou duas vezes antes. E nunca fui para beber cachaça, embora seja essa a sugestão da decoração, repleta de garrafas nas prateleiras que circundam o espaço.

Um cardápio trazia diversos coquetéis, sucos, aperitivos e bebidas. Depois de uma breve verificação, optamos por uns pasteizinhos de carne de sol, apesar de nossa dúvida quanto ao significado disso. A Pri quis um suco e eu resolvi pedir um daqueles coquetéis. Escolhi um que me chamou a atenção pelo título: “Suor de virgem”.

O garçom se aproximou.
- A gente vai querer esses pasteizinhos de carne de sol. – disse a Pri. E, enquanto o garçom anotava o pedido, fez a pergunta – Mas... do que é feito o recheio?

Incrédulo, o garçom respondeu:
- De carne.

- Sim, mas carne de quê? – insistiu a Pri

- De sol. – ele respondeu.

Raciocinando assim como eu, a Pri ficou indignada ao pensar que não é possível arrancar um pedaço do sol para rechear pastéis, e insistiu, de novo.

- Sim, mas é carne de quê? De gado?

Só que a essa altura ela já estava ficando brava com o garçom, e a letra “d” soou com uma letra “t”, de modo que o que o garçom entendeu que ela sugeria que eles vendiam carne de gato no estabelecimento.

- Não. – disse o garçom – É de boi.

Para beber, ela pediu um suco de morango e laranja, mas o garçom não se satisfez com a precisão na resposta, e exigiu o número correspondente ao pedido no cardápio. Depois de pequena verificação, a Pri disse o número. E foi minha vez de fazer o pedido, dessa vez eu já estava treinado:

- Vou querer o 936.

- Pode ler para mim?

[fiadamãe, pensei...]

***

O pastelzinho estava bom. Mas ainda acho que ficam melhores os feitos em casa. Num outro dia, determinados a fritar alguns pastéis, fomos até o açougue comprar a carne moída. Tínhamos comprado massa para vinte pastéis, mas não tínhamos ideia de quanto de carne seria preciso para fazer o recheio. O açougueiro veio:

- Pois não?

Decidi jogar para o açougueiro o questionamento:

- Quanto de carne moída você acha que é preciso para rechear vinte pastéis?
Ele pensou um pouco, e respondeu:

- Um quilo.

- Então me dá metade.

Esses açougueiros espertinhos vivem tentando ludibriar a gente... Meio quilo foi mais que suficiente.