22 de fev de 2007

Borboletas com três asas

As coincidências me perseguem. Pelo menos é nisso que acreditam alguns de meus amigos. Pessoalmente, acho que sofro de uma capacidade anormal para observar detalhes que a maioria não percebe. As coincidências estão sempre lá, só falta alguém para enxergá-las.

Por exemplo, aluguei um filme para assistir no domingo: “Efeito Borboleta”. Várias pessoas já tinham dito para eu assistir, então resolvi obedecer. O filme começa enunciando a Teoria do Caos. Segundo essa teoria, o menor detalhe pode determinar grandes acontecimentos. Não lembro da frase de forma exata, mas o exemplo do filme diz que o vôo de uma borboleta pode causar uma tempestade do outro lado do mundo. Ou algo parecido.

Eu já tinha ouvido falar na idéia. Mas meu irmão, que via o filme junto comigo, disse que nunca soubera de tal teoria. Vimos o filme pela manhã e, à tarde, fomos assistir “Jurassic Park”, que estava sendo exibido na TV Globo. E não é que o personagem do filme de dinossauros cita, e explica, a mesma teoria?!

Muita coincidência. Eu já tinha visto Jurassic Park, mas não lembrava disso.

Outra... Como não sou fã de carnaval, passei esses dias lendo um livro: “007 – Cassino Royale”. Quis ler o livro para comparar com o filme que foi lançado no cinema há mais de um mês. Descobri que havia várias diferenças em relação ao filme. Mas, é claro, assim como no filme, o espião James Bond também passa boa parte do tempo jogando cartas, mais precisamente um jogo chamado “bacarat”.

Eu não gosto muito de jogar cartas e, pra falar a verdade, nem sei jogar. Mas achei muito interessante a explicação que o livro traz, sobre como funciona o jogo. O fato é que agora, quando fui iniciar esse texto para o Universo e Afins, descobri, meio que por acaso, que meu carnaval de 2007 não foi muito diferente da mesma época em 2006.

No período de carnaval do ano passado (e isso eu sei porque escrevi neste blog) eu estava na casa de um amigo assistindo TV a cabo. E adivinha o que eu estava assistindo? Um campeonato de pôquer! Portanto, passei os dois últimos carnavais envolvido em jogos de cartas.

Quem vê pensa que sou viciado no jogo.

*****

E continuam acontecendo coisas bizarras na sala 36 do Edifício Dr. Elizeu, onde funciona a modesta redação do site Super OW! Ontem, logo após a chuva que caiu à tarde, eu estava sozinho na sala, publicando mais uma matéria e ouvindo o som da TV, que apresentava a votação das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Houve uma queda de energia, meu computador apagou, a TV desligou e a energia estava de volta um segundo depois. Mas não consegui religar o CPU. Tive receio de que o aparelho tivesse queimado algum circuito.

Entretanto, o que realmente me deixou intrigado foi o comportamento do televisor. Quando a energia voltou ele ligou outra vez, e permaneceu fora do ar, com aquele chiado irritante. Fui reduzir o volume do áudio, mas o botão não funcionava. Tentei mudar de canal, e nada. Tentei mexer na antena, nenhuma mudança. Aí veio o mais assustador...

Apertei a tecla on/off... e o aparelho não desligava! Peguei o controle remoto, tentei a mesma coisa, e nada. Fui desligar da tomada e... Ah, aí sim... Se não desligasse, aí seria algo realmente extraordinário.

Liguei de novo à tomada, e o aparelho continuava com os mesmo sintomas estranhos. Então, deixei desconectado da tomada. Quando Seu Flávio chegou ao escritório, expliquei a ele o comportamento dos aparelhos. O CPU ele conseguiu reativar por meio de uma chave que tinha na parte de trás do equipamento. Tudo bem...

E a TV... ele só ligou na tomada e o televisor funcionou normalmente. Depois do expediente, quando eu saía da sala, fui desligar o televisor. Apertei a tecla, e o aparelho desligou, normalmente.

Por isso é que eu não duvido de mais nada. Já vi maçaneta dando choque, televisor que não desligava, água virando cachaça e descarga de banheiro funcionando sozinha. Que tipo de borboleta pode ser responsável por esse tipo de coisa?

13 de fev de 2007

Do alambique ou do Ribeirão?

Parem as prensas!
Não sei se algum jornalista já gritou isso de verdade, ou se é apenas coisa de Hollywood. Afinal, Sherlock Holmes também nunca disse “elementar, meu caro Watson”. A expressão só existe em filmes e desenhos animados.

No meu caso, ordenar que parem as prensas está ainda mais complicado. Trabalhando num site de notícias, no início do século XXI, nem há prensa. Na verdade, até mesmo os furos de reportagem de antigamente estão difíceis de serem descobertos, ficando difícil achar um pretexto para o grito.

Mas uma coisa continua igual... “Parem as prensas” continua sendo uma frase genuinamente jornalística, mesmo que os filmes tenham sido os responsáveis por isso. E sendo assim, me sinto no direito de berrar essa exclamação quando coisas absolutamente anormais acontecem diante dos meus olhos ou, no caso, de meu olfato e paladar.

Sim, porque ontem algo estranho aconteceu. Não renderia furo de reportagem, a menos que fosse no antigo Programa do Ratinho (não no novo “Jornal da Massa”, apresentado no SBT por um tal de Carlos Massa). Se fosse num desses programas sensacionalistas, o Padre Quevedo seria chamado para dizer que “Esto nô ecxiste!”

Na ausência do desmistificador do paranormal, a coisa toda permanece obscura. O fato é que ontem, ao chegar na redação, depois de alguns minutos de conversa com o Rodolfo, programador do site, ele veio com o comentário:
_Nossa... e esses dias, que eu fui tomar um gole d’água ali e senti gosto de cachaça!

Ralph estava na sala também. Nós dois olhamos para o filtro de água, com sua aparência azul-inocente, e soltamos uma boa gargalhada.

O filtro de água é novidade para mim. Na semana passada eu não conseguia tirar água dali. Comecei a pensar que era exigido algum tipo de técnica especial, como para ordenhar vacas. Na ocasião, Seu Flávio deu risada: “Mas vocês jornalistas, tá louco viu... Só sabem escrever, mesmo! Tem que dar uma sacudida no filtro. A água foi trocada há pouco tempo, deve ter entrado ar, ou algo assim”.

E, realmente, bastou uma sacudida e a água voltou a escorrer para o copo de plástico. Aos poucos comecei a perceber que o filtro de água, assim como um computador, um carro ou um grampeador, possui suas esquisitices e particularidades. Mas nada comparado ao que aconteceu no início da tarde de ontem.

Depois do almoço, eu e Ralph voltamos à redação. E resolvi tomar um pouco d’água. Mas só depois do primeiro gole é que eu senti que algo estava errado. Porque na escola a gente aprende que a água é insípida, incolor e inodora. E aquela ali só estava incolor. Cheiro e sabor estavam muito mais próximos da aguardente. Sim, cachaça!

De imediato pensei em algum tipo de sabotagem. Alguém devia ter misturado cachaça à água mineral. Mas parecia não haver como. Colocar aquele filtro já é complicado, porque alguém se daria ao trabalho de fazer isso? E com que objetivo?

Depois pensei que algum produto na água poderia tê-la feito fermentar durante estes sete dias. Mas, que produto? Estamos falando de água... engarrafada.

Sendo assim, o mistério permanece, ao menos por enquanto. Como a água pôde virar cachaça? Milagre? O fato é que cheiro e sabor parecem ficar mais fortes a cada momento. Fica registrado apenas o comentário de Ralph: “Esperar mais alguns dias, daí a gente vai dar uma festinha...”

*****

...Depois de terminada esta crônica, estava me preparando para publicá-la, quando Seu Flávio entrou na sala, e aproveitei para falar a ele a respeito do fenômeno da transmutação da água em cachaça:

_Seu Flávio, já viu o que aconteceu com a água?
Ele olhou em direção ao filtro:
_Não vi nada. O que aconteceu?
_Tá com um gosto meio estranho... – falei
_Ah, é...? Ah, sim, claro... Deve ser porque eu lavei o filtro com álcool na semana passada, antes de trocar o garrafão.
_Lavou com álcool?
_Foi. A água deve ter pego o gosto e o cheiro.
_Mas, então porque o gosto demorou tanto pra chegar à água? Na semana passada a água ainda estava boa.
_Ah, bom... aí já é outro mistério...


7 de fev de 2007

Me recuso a respirar menos

Essa história de aquecimento global já está enchendo... e não estou me referindo ao aumento do nível dos oceanos. Todos os dias os jornais bombardeando informações catastróficas sobre ilhas que vão desaparecer, animais que vão entrar em extinção, calor abrasador e geleiras derretendo.

Dizendo assim, parece que não ligo a mínima, e que nem acredito em tais previsões. Mas minha indignação tem outra razão. Não tenho nem dinheiro pra ficar gastando com desodorante aerossol, então nem posso liberar muito CFC. Não tenho o suficiente para comprar um automóvel movido a energia solar ou biodiesel e, se tivesse a grana, seria uma complicação encontrar tal veículo. Não é qualquer concessionária que exibe esses carros nas vitrines. E a maior parte do gás carbônico que jogo na atmosfera vem de minha respiração.

Aí vem o noticiário e fica dizendo que a culpa é minha, que eu – o homem – libero muito gás carbônico, que fico fazendo queimadas na floresta, que não respeito o meio ambiente e blá blá blá...

Raios... Essas informações deviam sair do relatório e ir direto para o legislativo de cada país. Deveria obrigar os fabricantes a reduzir a poluição liberada pelos automóveis, tornando as fontes de energia alternativa uma alternativa, de verdade. Porque até agora são uma alternativa inalcançável.

Minha cidade só possui ônibus que liberam fumaça preta altamente poluidora. De que adianta saber quais são os combustíveis menos prejudiciais?

O noticiário, nesse sentido, só está servindo para espalhar o terror na mente de pessoas mais simples. Minha vizinha, há poucos dias, revelou sua preocupação com a segurança da filha. “Ela vai morar em Blumenau, e eu vi no jornal que a cidade vai ser inundada com o aumento do nível do mar”, disse.

E quanto tempo vai durar essa insistência no tema? Um mês? Dois meses, no máximo. Depois os jornais param de falar a respeito. Os presidentes que nunca fizeram muito sobre o meio ambiente, vão continuar fazendo pouco. Não é agora que vão mudar de atitude. Num tempo em que guerras são provocadas por causa de petróleo, quem vai se preocupar com a emissão de poluentes pela queima de derivados desse produto?

Quando eu estava na escola fiquei feliz ao saber que o petróleo era uma fonte de energia não-renovável. Significava que logo acabaria, e todos estariam obrigados a usar carros movidos a água (tenho certeza que já ouvi falar sobre isso, não é ficção). Mas, admitindo o acerto do relatório das catástrofes, o planeta vai acabar antes do petróleo.

Não é conformismo... só estou numa situação que pouco pode melhorar na preservação ambiental. O terreno de minha casa tem mais árvores que a maioria da vizinhança. Nosso carro fica a maior parte do tempo na garagem, porque combustível também não é barato. O escritório onde trabalho nem tem ar-condicionado.

Enquanto isso, mesmo com a instalação de lixeiras novas no centro da cidade, muitas pessoas preferem jogar o lixo nas ruas. Sobre isso, que é bem mais simples, não se fala, nem se faz muita coisa. Raios...