31 de dez de 2008

Previsões? O que não se cumpriu em 2008?

O período de virada de ano é mais uma dessas tradições que tornam nossa existência absolutamente estranha. Além de o povo vestir roupas brancas, fazer muito barulho, pular ondas e comer uvas, ainda existe a crença de que é possível prever como serão os 365 dias que se seguem.

Confesso que de vez em quando dou uma olhada no horóscopo. Mas também confesso que acho muito mais divertido ver o horóscopo do dia anterior, a fim de comprovar em que medida a astrologia tem acertado ao prever meu futuro.

Por essa razão tive a curiosidade de verificar quais foram as previsões para o ano que passou. É justo que se verifique o que se cumpriu e o que, a exemplo de promessas políticas, ficou no esquecimento.

No final de 2007, o Jornal da Manhã publicou diversas previsões, a maioria delas apontadas pela cartomante Cristina Rogalski, e pela clarividente Terezinha Tizon. Vamos ver quais foram as previsões:

...segundo Cristina Rogalski:

- “...dificilmente o atual prefeito Pedro Wograu Filho seja reeleito. Aliás, talvez ele nem se candidate à reeleição, mas indique alguém para ser seu candidato.” (nessa ela errou feio, igual o Ibope, pois também disse que Jocelito era o espiritualmente mais cotado para assumir o cargo.)

- “O curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa não deve ser reativado - pelo menos na gestão do governador Roberto Requião.” (Requião autorizou o curso nesse ano, e já tivemos o primeiro concurso vestibular, com uma porção de gente louca pra segurar o bisturi e desmaiar ao ver sangue)

- “O prefeito vai ter muitas dificuldades de acertar o final do mandato e também vai se deparar com algumas traições de pessoas da sua cúpula” (dependendo do que significa a “sua cúpula”, pode-se dizer que os astros não mentiram nessa. Acusações contra o prefeito não faltaram nesse ano)

- “O Paraná deve voltar ao primeiro lugar em resultados, em volume de produção, em grãos, e isso tudo vai refletir nas nossas vidas” (de fato, foi notícia no JM... A safra 2007/08, encerrada neste mês de dezembro com a colheita das últimas lavouras de trigo na região Centro-Sul do Estado, fechou com um recorde de produção de 32,06 milhões de toneladas de grãos.)

- O setor industrial também deve se beneficiar: duas novas indústrias devem se instalar na cidade. (...) (Na verdade foram mais de duas. Entre as maiores podem ser citadas a Tecnosol Indústria Química Ltda, primeira fábrica de cosméticos da cidade, a fábrica de calçados de segurança, da marca Kadesh, a construção da Contitech, a Lousiana Pacific - que produz painéis OSB e a Planair Indústria Aeroespacial.

Agora vejamos as previsões de Terezinha Tizon:

- A saúde de Ponta Grossa 40% melhor e o deputado estadual Jocelito Canto eleito prefeito. (é difícil quantificar a situação da saúde em PG. Mas Jocelito ficou longe da prefeitura)

- Uma multinacional deve se instalar e trabalhar em parceria com a Cargill. (alguém sabe dessa parceria?)

- Novidade na área de autopeças. (alguém?)

- A cidade perderá empresários em acidentes e por motivos de doenças. Falências também serão decretadas. (nada que eu me lembre de ter visto no jornal..., a não ser a morte do empresário Jorge Demiate, em março)

- Ponta Grossa vai deixar de contar com dois supermercados, uma madeireira e uma empresa de máquina agrícola. (Se alguém lembrar, pode comentar aí... o que lembro é o oposto: dois novos empreendimentos foram anunciados nesse ano, através do Condor Super Center e dos Supemercados Tozetto, que juntos devem gerar 400 empregos diretos. Mas a Planair, de fato, fabrica aeronaves agrícolas)

- A perda de um político local bastante conhecido (Previsão um tanto óbvia, já que políticos bastante conhecidos se vão anualmente. O ex-prefeito de Ponta Grossa, Luiz Gonzaga Pinto, faleceu em fevereiro, aos 87 anos, na Santa Casa de Misericórdia.)

- Papa Bento XVI está doente e não deve viver por muito tempo. O novo pontífice, garante ela, será um brasileiro: “nascido gaúcho e ordenado padre no Paraná.” (premonição bastante detalhista, mas o Papa Bento ainda não dá mostras de precisar de substituto)

- “Também perderemos jogadores em campo. Atores bem conhecidos, artistas de novela, também perderemos” (essa não vale... acontece todo ano)

- Sobre o Operário, a previsão até que foi certeira: “Como é o apelido dele mesmo? Fantasma... Pois o Operário sempre foi e sempre ficará fantasma”, disse a clarividente. (talvez esteja na hora de mudar o apelido do time)

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Fazendo um balanço geral, digamos que as previsões não foram lá tão precisas. Resultado semelhante poderia ser obtido jogando uma moeda para o alto. De qualquer forma, há quem acredite e se oriente a partir das previsões. Sendo assim, é bom lembrar que o Jornal da Manhã trouxe mais algumas. Clique aqui e confira as previsões para 2009. (é necessário estar cadastrado no site)

*E clique aqui para conferir, na íntegra, as previsões para o ano que passou.

19 de dez de 2008

Mecê dos qualé?

Dia desses estive na livraria Livros & Companhia, que fica em frente ao Colégio Instituto de Educação, onde estudei até concluir o ensino médio – no meu tempo se chamava Educação Geral. Na livraria eu procurava alguns títulos em específico, mas, parei também para conversar com o proprietário da loja, José Nilson.

O gaúcho é um sujeito meio careca, com óculos de aros grandes e arredondados, bigode espesso e uma inseparável cuia de chimarrão. (Na foto ele está sem a cuia, mas é uma situação atípica). Não é por acaso que duas cadeiras confortáveis ficam diante de sua mesa, à disposição de quem entra na loja. Ele está sempre disposto a conversar e confere significado especial à palavra “companhia” escrita na placa diante da livraria. Tem ótima memória. Já fazia meses que não trocávamos uma palavra, mas ele parecia lembrar de tudo o que já tínhamos conversado. Eu, no entanto, confundia tudo. Achei até que a loja tivera um daqueles sensores de presença que apitam sempre que o cliente entra. José me lembrou que nunca teve isso, porque acha que incomoda, e porque acredita numa relação mínima de confiança entre o vendedor e o cliente.

José comentou que no próximo ano, lá pelo mês de março ou abril (ele foi preciso na data, mas não tenho a memória prodigiosa que ele tem) deve deixar a cidade, e transportar consigo a livraria. Disse que o motivo não é simplesmente financeiro. Está acostumado a não ficar parado em um lugar. “O mundo é tão grande... porque ficar em um lugar só. Há pessoas que nascem em um lugar e passam a vida inteira nesse lugar”, comentou, sem compreender. Afirmou que é importante se deslocar, para conhecer outras culturas e formas de pensar e agir, e assimilar isso tudo.

Ficamos dialogando um pouco, até que chegou outro cidadão, chamado Rogério. Não o conhecia, mas parece ter muitas histórias para contar. Comentou sobre uma viagem que fez a Portugal, narrou rapidamente situações em outras cidades. E, considerando que ele, assim como José Nilson, não é de Ponta Grossa, começaram os dois a divagar sobre a natureza do ponta-grossense. Seu comportamento fechado, principalmente.

José dizia que os vizinhos não se falam, e que é difícil até mesmo cumprimentar alguém. Disse que, depois que chegou na cidade, ele próprio começou a mudar seus hábitos, parando de puxar papo com todos, como costumava fazer antes. Lembrei a ele que esse era o lado ruim de se deslocar de uma cidade para a outra. Hábitos não tão valorosos também são assimilados, junto com os que nos fazem crescer culturalmente.

Expliquei que, tendo nascido e crescido aqui, é muito mais difícil para mim notar essas coisas – os comportamentos tão criticados nos ponta-grossenses. Até porque meu relacionamento com os vizinhos não é tão ruim assim. Mas quem vem de fora costuma fazer esses mesmos comentários – de que as pessoas são muito fechadas, evitam cumprimentar.

Rogério completou, dizendo que o que mais lhe chamou a atenção ao chegar em PG foi o fato de as pessoas quererem saber a que família ele pertencia. Havia uma necessidade de relacioná-lo a outros que fossem da cidade, de famílias cujo nome fosse conhecido.

“Mecê dos qualé?”, perguntei, em tom de brincadeira, lembrando o modo simples com que muitos realmente procuram saber a família a quem alguém pertence, como se fosse obrigação apresentar os antecedentes de boa conduta, para dar seguimento a uma conversa.

O diálogo seguiu por outros caminhos, até que Rogério comentou ter uma chácara na região de Guaragi, que fica a cerca de 27 quilômetros do centro de Ponta Grossa.

“Tenho parentes no Guaragi”, comentei.
“Ah, é? – ele perguntou – “Quem são seus parentes? Qual o sobrenome?”

Foi aí que achei graça, e tornei a brincar: “Mecê dos qualé?



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