10 de fev de 2016

Velhinhas sequestradoras

Na segunda-feira, saí com minha esposa Priscila e nossa filha Melissa. A pequena, então com apenas um mês e dezessete dias, estava bem nervosinha e chorando bastante, talvez por causa do calor que fazia naquele dia. Quando a colocamos no carro, ela logo se acalmou... Dizem que o movimento e som do veículo lembram bastante o ambiente do útero, o que traz bastante calma a crianças pequenas.

Portanto, foi com tranquilidade que chegamos ao estacionamento do Shopping Antartica, pegamos o elevador, e descemos até o primeiro piso do edifício. O elevador abriu suas portas diante de uma cafeteria que eu não sabia que havia sido instalada ali [nossos passeios diminuíram bastante durante a gestação da Pri e, mais recentemente, com o nascimento da Mel].

Passamos ao lado das mesas de madeira onde algumas poucas pessoas lanchavam e saímos no saguão, entre as Lojas Americanas e o setor de moda masculina da C&A. Em meu colo, a pequena Melissa dormia tranquilamente, aparentemente sem se incomodar com a profusão de sons e cheiros totalmente inéditos que emanavam do Centro da cidade.

Ainda não tínhamos deixado o saguão do prédio, quando ouvi uma senhora já bem velhinha dizer algo como "Ah, meu Deus! Que pequenininha, que gracinha!" Tentei ignorar o comentário e acelerei o passo, mas então senti a mão da mulher em meu ombro, dizendo "deixa eu ver ela!". Eu nem tinha visto o rosto da mulher, mas reagi instantaneamente e respondi, sem pensar: "Não, não, não!", enquanto acelerava o passo, em tom de brincadeira. Só depois virei para encarar a velhinha que falou, de modo recriminatório, mas ainda sorrindo: "Malvado..."

Imediatamente compreendi que era uma dessas senhoras que não podem ver uma criança recém chegada ao mundo, e precisam olhar o bebê bem de perto, por uma razão que me escapa. Esse tipo de situação é quase sempre vista com simpatia ou indulgência, mas pode assustar um pouco. Ela arregalou os olhos diante da Melissa, que ainda dormia profundamente. Disse as coisas que todo mundo diz para minha filha (que ela é linda, perfeita, puxou aos pais etc) e, então, soltou essa confissão:

- Eu nunca tenho vontade de roubar nada na minha vida. Mas, criancinha pequena eu tenho vontade de roubar!

E aí quem arregalou os olhos fui eu! Como assim?! A mulher diz que quer roubar minha filha! Sorrisos amarelos surgiram, a senhora finalizou o encontro com um "Deus abençoe", e nós encerramos com um "amém" pronunciado simultaneamente por mim e minha esposa. A senhora seguiu seu rumo, nós seguimos o nosso. Tudo voltou ao normal.

Mas tenho apertado a Mel mais forte contra o peito, depois desse encontro bizarro, misto de benção sincera com ameaça de sequestro.

#SaiNazaré