15 de ago de 2012

'Catraca' em livros, presentes e vadiagem


Dois livros com meus desenhos devem ser lançados ainda este ano. O primeiro deles é um projeto antigo... bem antigo. Tão antigo, que já virou até piada. Projeto nascido nos idos de 2008, trata-se da obra ‘Traços de PG’, que irá reunir algumas das principais tiras do personagem Catraca, e também charges do amigo James Robson França (Sádico). Nesta semana, o item que faltava para enviar o livro à gráfica chegou até meu e-mail. Agora é só tornar realidade, o projeto que já tem quatro anos de espera.

Também neste semestre deve ser lançada a coletânea com histórias em quadrinhos do Concurso Nacional de Histórias em Quadrinhos ‘Ireno José Guimarães’, no qual conquistei premiação em categoria local. A HQ ‘Catraca: entrando numa roubada’, também com o personagem Catraca, será distribuída a escolas e bibliotecas

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Dia desses fui surpreendido com um presente inusitado. A artista plástica Lenita Stark levou até o jornal um de seus quadros, e me ofereceu. Eu havia feito uma matéria com ela semanas antes, por ocasião de uma exposição que realizou no Shopping Palladium. Uma grande gentileza da parte dela. A obra “Pescador” mostra um homem que deixa as ondas do mar tocarem seus pés. Transmite uma sensação muito boa de calma e paz, fazendo com que eu e a Pri nos lembremos de nossos passeios pelo litoral. Ela também gostou muito da obra, e foi a motivação ideal para que furássemos a parede da sala, que ficou mais agradável com o quadro.

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Às vezes, em jornalismo, nós repórteres recebemos alguns presentes bem interessantes, como foi o caso do quadro. Em outras, é motivo de piada. Minha colega da editoria de Economia ainda recorda a vez em que, após reportagem sobre agricultura, recebeu um ou dois pacotes de feijão na redação.

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Há repórteres que tiram bastante proveito dessa situação e, dependendo da editoria e dos contatos, há várias vantagens, realmente. É possível entrar em festas e eventos gratuitamente, fazer uso de serviços e produtos de graça. Há repórteres que têm a cara de pau de fazer pedido durante a entrevista. Sempre achei isso antiético e procuro evitar, tirando algumas vezes em que amigos insistiram para obter ingressos para eventos culturais. Quando esses itens são oferecidos como cortesia, não recuso e, se não farei uso, dou um jeito de passar adiante. De certa forma, não deixa de ser também mais uma forma de divulgação.

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Minha mãe esteve dia desses no centro da cidade. Ficou surpresa e decepcionada. Além das obras da prefeitura, aliadas a obras de particulares, que tornaram as ruas intransitáveis para pedestres e automóveis, assusta o número de pedintes.

Eu tinha notado isso já há alguns meses. Mas acabei acostumando. Só que passei a observar mais atentamente e, é verdade... é algo perceptível. Quando deixei a redação ontem no final da tarde, encontrei o caricaturista Jotaga em frente ao bar Rei das Batidas. Ele fumava um cigarro e conversava com outro sujeito. Enquanto eu ainda me aproximava, um mendigo chegou até ele e pediu algo. Jotaga, prontamente, deu um cigarro ao pedinte, que foi embora em seguida.

Cumprimentei Jotaga, que me contou que em breve pretende dar aulas de desenho. Inclusive me convidou para ser seu aluno, opinando, de maneira cuidadosa, que meu traço ainda pode melhorar muito. Enquanto ele dizia isso, surgiu outro elemento miserável e pediu moedas para tomar uma pinga. E emendou: “Tô sendo honesto”.

Pensei com meus botões: “Eu também, podia estar roubando, matando, mentindo... ao invés disso sou jornalista”. Jotaga respondeu que era artista e não tinha dinheiro. Ofereceu o que podia: mais dois cigarros.
O fato é que a vadiagem está à solta na cidade. E vejo tudo isso com certa inveja. Os que vivem das esmolas são justamente aqueles que não sabem o que fazer com ela. Tenho para mim que, se esses mendigos guardassem parte das moedas que arrecadam (excluindo os cigarros), ao invés de torrar tudo em drogas e cachaça, viveriam mais confortavelmente do que muitos que trabalham para viver.