23 de jan de 2009

Portabilidade numérica: haverá limitações?

Além da reforma ortográfica, tem outra coisa me incomodando nesses dias. A tal da portabilidade numérica.

Não é estranho que, de uma hora para a outra, finalmente aconteça algo de bom para os que utilizam o sistema de telefonia? Operadoras sendo obrigadas a transferir o número para a empresa concorrente? Qual é o segredo? Onde está o Mister M quando a gente precisa dele?

O fato é que no último dia 19 a tal da portabilidade chegou nas regiões com DDD 42, o que inclui esta cidade chamada Ponta Grossa, no interior do Paraná. E eu não poderia ficar de fora, ainda que indiretamente, dessa mudança.

Aqui vai um pequeno histórico de como a telefonia móvel passou a fazer parte de minha vida. Em 2005, muito relutante, pois não queria ser rastreado a todo momento, comprei um celular da TIM. Nunca tive problema algum com o aparelho, até porque seu sistema era dos mais simples. Um Nokia 1108, que fazia e recebia chamadas, tinha uma lanterna na ponta e dois joguinhos bem toscos.

Agora que os aparelhos adquiriram diferentes utilidades (tocar música, tirar fotos, gravar vídeos e áudio, ler e-mail, fazer café...), já estava na hora de comprar um novo. Foi o que fiz.

Depois de muita pesquisa, encontrei o modelo desejado, e descobri algo curioso que deve servir como dica para quem deseja comprar novo celular. Se você comprar o telefone numa loja de operadora o aparelho possivelmente vai custar mais caro do que em uma loja de eletroeletrônicos (com hífen, sem hífen, sei lá...). E isso é estranho. Mesmo assim, numa loja encontrei o aparelho por um valor. Do outro lado da rua, o mesmo aparelho custava cerca de cinqüenta reais a menos, e já vinha desbloqueado. Então, vale a pena andar um pouco.

Enfim. Adquirido o novo celular, fiquei com o antigo sem utilidade. E como agora é possível trocar de operadora, meu pai teve a idéia de transferir o número dele para o meu aparelho. E aqui começa a complicação...

O celular de meu pai é da VIVO. O meu é da TIM. E ele queria transferir o número dele para a CLARO, usando meu celular da TIM. O meu celular ainda estava bloqueado. Permitia apenas o uso de chip da TIM. Então, fui informado de que precisaria levar até uma loja dessa operadora e solicitar o desbloqueio. A manobra seria rápida e gratuita, bastando levar, para isso, o comprovante da compra do aparelho.

Depois de muita procura, incrível, encontrei a nota fiscal impressa em 2005 e, na tarde de quarta-feira, fui até a loja. Diante de um monitor, a funcionária da TIM digitou alguns números em um computador, gerando um código que desbloquearia meu aparelho antigo, e permitiria que ele fizesse parte das vantagens da portabilidade numérica. Em seguida, perguntou:

- Você já tentou desbloquear este aparelho?
- Não. – respondi.
- Já levou até a assistência técnica alguma vez?
- Não.

Conclusão: ela não conseguiu desbloquear meu aparelho. Disse que já tinha digitado o tal código, e não havia mais o que fazer. A última sugestão, recebida então de uma outra funcionária da mesma operadora, era que eu levasse o aparelho à assistência técnica, só que aí a manobra teria um custo, pois o aparelho não estava mais na garantia.

Ou seja, durante quase quatro anos o celular não deu problema algum. Mas na hora de desbloquear e mudar para outra operadora, ele misteriosamente apresentou um defeito que impossibilitou sua mudança.

Naquela tarde quente e abafada, ainda fiz uma última tentativa. Fui até uma loja da assistência técnica autorizada. Mas fiquei ali apenas o tempo necessário para pegar um copo de água gelada no bebedouro. Havia cerca de quinze pessoas esperando atendimento, e mais nenhum lugar para se sentar. Eu tinha pressa, e fui embora.

Somente depois comecei a me perguntar, levando em conta a superlotação da assistência técnica, justo na época em que inicia a portabilidade numérica: será que eu era o único a enfrentar tal problema? É cada vez mais difícil, para mim, acreditar em coincidências.

Quando comprei meu aparelho antigo, o termo “desbloqueio” ainda nem era aplicado a celulares. Fico me perguntando se as operadoras, realmente, tiveram a idéia de permitir o futuro desbloqueio de celulares mais antigos. Até onde vão as possibilidades da portabilidade numérica? Todas as operadoras realizam o desbloqueio? Certo, já tem muitas perguntas nesse texto. Deixemos algumas para um próximo.

22 de jan de 2009

Mistérios da reforma ortográfica

Por que razão um grupo de pessoas se reúne para mudar o nosso modo de escrever, sendo que isso não terá nenhuma utilidade prática? Até agora os argumentos em favor da mudança ortográfica da língua portuguesa, que já acontece, não me convenceram.

O mais próximo de uma explicação diz que a mudança facilitará o intercâmbio cultural, pois livros escritos em Portugal terão maior aceitação no Brasil, por exemplo, e vice-e-versa. Mas, tomando por base um dos exemplos mais citados em cursinho pré-vestibular, uma “fila” continuará sendo uma “bicha” em Portugal. O que significa dizer que o intercâmbio continuará dependendo de uma adequação de editores.

Os critérios para as alterações são misteriosos. Afinal, o trema tinha um objetivo claro: demonstrar em que momentos a letra “U” deveria ser pronunciada. Da mesma forma, o acento diferencial tinha um objetivo: diferenciar a pronúncia de duas palavras grafadas quase de forma idêntica. Agora, as dificuldades começam a aparecer...

Tive que ler por três vezes uma frase escrita pela ombudsman do Jornal da Manhã, nesse domingo, até captar seu sentido. “Compreendo o leitor e o apoio.” O apoio de quem? Eu me perguntava. É que não é apoio. É apóio. É conjugação verbal, não substantivo. Só que a ombudsman já começou a usar a nova ortografia, que determina a retirada da acentuação que diferenciava uma palavra da outra.

A história nos mostra que, ao longo do tempo, a evolução da língua não partiu tanto das normas dos livros, e sim de seu uso prático no cotidiano. Sendo assim, estou aqui me perguntando qual é a conseqüência (ops, consequência) da reforma ortográfica.

Seria muito bonito se a própria população rejeitasse essas mudanças. Se o trema continuasse aí indefinidamente, assim como o acento diferencial. E o hífen permanecesse inalterado. Entretanto, como lembrou um professor numa reportagem que vi outro dia: a maior parte da população já escreve errado, então não vai haver grande mudança nesse sentido. As pessoas, então, nem saberiam protestar, porque para isso deveriam conhecer a escrita correta.

Acredito que por trás dessa mudança bizarra deve ter uma motivação que escapa a nossa visão limitada. Do ponto de vista da conspiração, alguma razão política, talvez. Por outro lado, pode ter sido apenas o resultado de uma aposta sem sentido feita entre governantes numa noite de muita bebedeira...

De qualquer forma, levando em conta que é o cotidiano que determina a evolução real da língua portuguesa, arrisco fazer aqui uma previsão... Em vinte ou trinta anos haverá pessoas dizendo “linguiça", assim, como a partir de agora se escreve. E não vão dizer mais “Eu apóio essa idéia”. Vão dizer “Eu apoio essa ideia.”

Ou seja, a escrita correta fará com que passemos a falar errado. E isso se tornará tão comum, que o Aurélio trará como corretas ambas as pronúncias. Exagero meu? Pode ser que sim. Pode ser que não.

*perdoem eventuais erros de ortografia nesse texto... ainda estou aprendendo.

4 de jan de 2009

O final bizarro da corrida de São Silvestre

A tradicional corrida de São Silvestre, realizada todos os anos em São Paulo, no dia 31 de dezembro, parece não estar passando por bons momentos. A coordenação está economizando de todos os lados. Para se ter uma idéia basta observar a faixa de linha de chegada usada nessa última edição do evento.

Um homem e uma mulher mantinham a faixa erguida, esperando o momento em que os primeiros atletas chegassem ao final do percurso. Mas, como dessa vez a faixa era muito pequena (ah, o corte de gastos...), cobria apenas um terço do espaço por onde o corredor poderia passar.

O fato é que a pequena faixa, que devia receber os atletas, foi responsável por uma das cenas mais bizarras já vistas na televisão em uma prova desse tipo. Imagine você... O atleta chega exausto, mal consegue parar, pois já não sente as próprias pernas. O coitado é só reflexo, nem pensa direito... Aí ele chega e vê uma pequena faixa segurada por duas pessoas, e um caminho livre enorme do lado esquerdo. Por onde ele vai passar?

Assim, a dupla que segurava a faixa na linha de chegada viu, um a um, os atletas rejeitarem a honraria. Isso incluiu o campeão na categoria masculina, o queniano (pra variar) James Kwambai.

É bom lembrar que a faixa tem outra função além de receber os atletas. A faixa também é responsável por exibir a logomarca das empresas patrocinadoras da corrida. O tamanho reduzido da faixa pode ser, então, resultado do baixo número de patrocinadores. Sendo assim, sugestão para a próxima edição da corrida de São Silvestre: abolir o uso da faixa. Ou alguém tem outra sugestão?

*Fui informado que o vencedor só é considerado oficialmente vencedor quando (e se) ele passa pela faixa no momento da chegada. Será isso mesmo? Imagine a discussão que isso teria gerado...