1 de fev. de 2009

'Seres não humanos' podem deflagrar guerra nuclear a partir da Coréia do Norte

Quando ainda estava na universidade, assisti a uma banca de qualificação, na qual professores e profissionais de jornalismo davam as orientações necessárias à conclusão do trabalho de pesquisa (TCC) necessário ao término do curso. Um dos orientadores disse a um dos acadêmicos algo como: “Não tente escrever sobre tudo. Você deve focar seu tema de pesquisa, e não tentar escrever sobre o Universo e afins...”

Aquela expressão, “Universo e afins”, me fez pensar em algo vasto e absolutamente interminável. Maior que o próprio Universo. Eu gostaria de poder escrever sobre tudo o que existe. Por isso, quando fui criar um blog pela primeira vez, optei por esse título que tão bem definia meu objetivo.

Universo, nesse caso, tem o significado de vastidão temática, não simplesmente um significado astronômico. Mas nem sempre isso se torna evidente. Nessa semana, por exemplo, um cidadão desconhecido acessou meu endereço no MSN. Aceitei para ver do que se tratava, e começamos o breve diálogo [aqui parcialmente editado para facilitar a compreensão] que segue abaixo:

ubiracir diz:
Diz danilo
Danilo diz:
oi.... ahn... quem é você?
ubiracir diz:
Sou ubmiranda de angra e vc?
Danilo diz:
danilo de pg.
ubiracir diz:
Q é pg?
Danilo diz:
Ponta Grossa.
ubiracir diz:
Okay. como vc me achou?
Danilo diz:
Ei! Você me adicionou. Acho. Não o inverso.
ubiracir diz:
Tudo bem, tenho enviado mensagem qnto a intervenção que nosso planeta precisa ser submetido, e peço as pessoas que a recebem que a repasse. se vc quiser eu lhe envio.
Danilo diz:
intervenção?
ubiracir diz:
Seu sobrenome é Kossoski? esta é a pessoa q add minutos atrás.
Danilo diz:
então acho que sou eu... mas como me encontrou?
ubiracir diz:
Sim intervenção extra cósmica.
ubiracir diz:
atrav do google, ao pesquizar sobre mistérios existentes entre o céu e a Terra.
ubiracir diz:
cheguei a enviar uma mensagem em forma de texto entitulada " Papel da astronomia no alcance da verdadeira paz mundial"
Danilo diz:
não cheguei a ver nada assim, acho.
ubiracir diz:
Voltei ao google e tireii as duvidas.
ubiracir diz:
é vc mesmo, dê uma lida em meu trabalho, ajude-me a refiná-lo e se achares que merece credibildade, espero q vc o repasse conforme peço.
ubiracir diz:
Eu o enviei pelo se hotmail. Se naum o recebeu, posso reevia-lo por outro ID
Danilo diz:
espera aí... vou ver.
Danilo diz:
ok... recebi.
Danilo diz:
mas ainda acho que está me confundindo com outra pessoa.
Danilo diz:
não vejo como meu nome, eventualmente no Google, pode estar relacionado a esse tema.
ubiracir diz:
Com certeza, achei em um Blog entitulado "Universo e afins"
Danilo diz:
ah, sim... o blog é meu mesmo.
Danilo diz:
Mas tem mais afins que Universo.
Danilo diz:
rs
ubiracir diz:
então pq estou enganado?
Danilo diz:
talvez porque tenha lido apenas o título, e não o conteúdo do blog...
Danilo diz:
de qualquer forma...
Danilo diz:
vou ler o material...
Danilo diz:
parece interessante.
ubiracir diz:
E quem disse q eu naum lerei o Blog. Eu os adiciono em meus Favoritos e os leio posteriormente, pois divido meu tempo entre enviar e ler mensagens.
Danilo diz:
sim, sim... só estou dizendo que não tem relação direta com astronomia.
ubiracir diz:
Sim ,parece interessante mas sei q o texto precisa de ser polido.
Danilo diz:
Lerei assim que puder.

ubiracir diz:
Perfeito, mas este assunto traz em seu âmago um desafio aos nossos ilustres astronomos de todo planeta.
ubiracir diz:
Grato pela atenção, com toda certeza visitarei seu Blog, e que os contatos seja mantidos.
Danilo diz:
Ok... valeu.


***

Bem, pra resumir a história, li o texto enviado para meu e-mail, e trata-se de algo que vai parecer maluquice para a maioria. Segundo o texto, escrito em forma de carta ou comunicado, existem treze naves alienígenas (imagens deste post são meramente ilustrativas) estrategicamente posicionadas no espaço, de modo a observar a Terra e aguardar o momento certo para intervir em nossas vidas.

Some a isso a teoria de que “seres não humanos” estariam infiltrados entre militares, a citação de Willian Shakespeare, e uma suposta mensagem a ser enviada por Madre Thereza de Calcutá e Princesa Diana (sim, a própria Lady Di!).

O curioso é observar que se trata de um texto atual que fala de Barack Obama e alerta para um ataque nuclear que partirá da Coréia do Norte contra o Japão antes do próximo mês de abril (!). O bacana é que, se tal fato não acontecer, saberemos que Ubiracir está errado, e podemos esquecer as treze aeronaves.

Afinal, diz o texto...

“...somente a visita de socorro destas 13 Astronaves ao nosso planeta evitará esta há muito programada marcha do Oriente contra o ocidente, e estou certo que ainda existam luzes no fim do túnel para que unidos possamos salvar nosso planeta.”

Abaixo segue o texto na íntegra para os mais curiosos. Em abril, podemos voltar a debater o caso, já que a função do Universo e Afins é tratar dos mais variados temas, inclusive sobre os aliens que podem estar infiltrados entre os militares norte-coreanos. De minha parte, já vi coisas bem estranhas no céu e na Terra, então, não acredito em tudo, mas também não duvido de nada.

***

Jacuecanga, Angra dos Reis (RJ) Brasil, Terça-feira, 27 de janeiro de 2009.
AIA 2009 (Papel da Astronomia no alcance da verdadeira paz Mundial e salvação da Terra).

Esboço das Treze Astronaves rumo a Terra

Introdução:

Prezados Senhores,

Conforme sabemos, há muito que a humanidade busca uma reposta convincente quanto à existência de vida fora da Terra, e também se estaríamos a sós através da imensidão dos Universos.

Porém, é possível que esteja chegando o dia que a humanidade terá a certeza que estamos muito mais acompanhados e vigiados do que possamos imaginar, por que eu consegui desvendar um daqueles incontáveis e inimagináveis mistérios existentes entre os céus e a terra, séculos atrás enfatizados por Willian Shakespeare e, como minha missão aqui na Terra é apresentar a todos vocês um plano de paz que ensinará a todas as Nações o caminho infalível a ser seguido para se alcançar à verdadeira paz mundial e a salvação da Terra, eu me baseei no desvendamento deste mistério estrelar, e decidi batizar este plano de paz como o Mapa das estrelas.

Este plano é um tanto diferente do Mapa do caminho, apresentado anos atrás pelo Bush, por que meu plano visa o alcance da verdadeira paz mundial e salvação do nosso planeta ainda azul pérola, e o plano apresentado pelo Bush buscava alcançar a paz somente para o Oriente Médio, e talvez esta tenha sido a razão que o plano do Bush não funcionou.

No entanto, visto que este AIA 2009 (Ano internacional da Astronomia) será mais aberto à participação do público, estou tentando conseguir o apoio da imprensa mundial para que eu possa participar como um simples pescador do Brazil que pretende revelar ao Mundo um segredo estrelar que indubitavelmente mudará os rumos da humanidade.

Este segredo estrelar se refere à existência de 13 Astronaves de origem extracósmica que desde muito tempo atrás se encontram paradas dentro do quadrante deste universo no qual o nosso sistema solar está localizado, na expectativa de que a humanidade dê o sinal verde para que uma vez unidas possam realizar uma visita de socorro ao nosso Planeta.

Portanto, este assunto está relacionado à missão que preciso cumprir aqui na Terra, e enquanto aguardo pelo necessário apoio da imprensa Mundial para que eu possa provar a todos a existência destas treze Astronaves, aproveito para enviar uma mensagem para os nossos ilustres astrônomos, aos pacificadores, em especial para aqueles a quem foi concedido o Nobel da paz, aos lideres religiosos, principalmente os cristãos de todo o Mundo, e também ao novo presidente deste País (EUA) que até o presente é considerado como a Nação mais poderosa do Mundo.

Assim sendo, aos Astrônomos de hoje, eu gostaria de dizer que alguns Astrônomos do passado se enganaram quando ao identificarem certos objetos, eles os classificaram meramente como simples estrelas, por que na verdade entre estes objetos nós já tínhamos estas 13 Astronaves de origem extracósmica que estão paradas dentro do quadrante do nosso Universo, e naquela época eles as confundiram com estrelas ou corpos celestes devido ao fato de que estas Astronaves estão protegidas por um invólucro feito de matéria cósmica ainda desconhecida pela ciência.

Contudo, embora saiba que nos dias de hoje o campo da Astronomia possa contar com a disponibilidade dos mais sofisticados e dispendiosos mecanismos usados em suas pesquisas estrelares, pretendo convidar pessoas de todas as camadas sociais que possam ser interessadas neste assunto, a testemunharem a locomoção de algumas destas Astronaves mesmo que o olho nu, lembrando que eu entrarei em contato com elas através de um método milenar de sintonização extragaláctica.

A mensagem que envio aos lideres religiosos de todo planeta, principalmente aos cristãos, é simples e consiste em informar a eles que a existência e objetivos destas 13 Astronaves extracósmicas perante o nosso planeta foi anunciada através própria Bíblia sagrada por Jesus Cristo em sua última personificação na Terra.

Quanto aos nossos ilustríssimos pacificadores, em especial aqueles que já receberam o Nobel da Paz, gostaria de informá-los que não há outro caminho a ser seguido pela humanidade para o alcance da verdadeira paz mundial, exceto através do alcance da padronização dimensional de nosso planeta perante o Cosmos.

E em outras palavras, eu quero dizer que o nosso planeta só se livrará destas ameaças de completa destruição e a humanidade só conhecerá a verdadeira Paz Mundial somente quando a Terra estiver dimensionalmente padronizada perante o Cosmos.

Contudo, esta tarefa referente à padronização dimensional da Terra perante o Cosmos, está ligada a um acontecimento cósmico que depende da realização de uma campanha mundial de preparação e conscientização de todas as Nações, quanto à existência e objetivos científicos destas 13 Astronaves perante nosso planeta.

E ao presidente Barack Hussein Obama, eu preciso avisá-lo que antes do próximo mês de Abril o Mundo conhecerá e enfrentará a mais séria e verdadeira ameaça a Paz Mundial e segurança do Planeta. Esta ameaça não se erguerá do Oriente Médio, do Iraque, Iran, Índia, Paquistão ou do Afeganistão, mas sim da Coréia do Norte e poderá ser considerada como o pontapé inicial para a há muito programada e esperada marcha do Oriente contra o Ocidente.

Para melhor entendimento eu o convido a se lembrar que durante a Era Bush, o programa nuclear da Coréia do Norte foi parcialmente fechado, mas o que talvez o Bush não sabia é o fato que a tentativa da Coréia do Norte em continuar seu programa nuclear foi apenas uma maneira de se desviar a atenção do Mundo, pois na verdade há muito que eles já possuem arsenal de armas nucleares que foi fornecido de forma oculta por seus aliados.

Portanto, uma das principais estratégias a ser usada no dia "D" programado para a marcha do Oriente contra o Ocidente será atacar o Japão, e se este ataque tornar realidade, indubitavelmente abrirá precedentes para que nosso planeta mergulhe em um conflito nuclear, lembrando que aqueles mísseis lançados anos atrás contra o Japão foram apenas para testar a pontaria, o alcance e a reação do Mundo.

Desta forma, gostaria de lhe informar que o perigo e a determinação deste ataque Nuclear contra o Japão são ocultos, e há muito vêem sendo programados por Seres não humanos que estão infiltrados entre os militares tanto da Coréia do Norte quanto de seus aliados.

Entretanto, Sr. Presidente estou convidando o povo Norte Americano como um todo a testemunhar este meu esforço em cumprir minha missão que consiste em preparar nosso planeta para esta visita extracósmica de socorro ao nosso planeta, e gostaria de contar com seu apoio para que este assunto seja levado ao conhecimento dos demais lideres Mundiais, do povo Norte Americano como um todo, e em especial aos nossos ilustres cientistas e Astrônomos da NASA.

Por outro lado, é meu dever lhe aconselhar que evite tomar providencias precipitadas contra a Coréia do Norte à medida que as ameaças se agravarem, pois somente a visita de socorro destas 13 Astronaves ao nosso planeta evitará esta há muito programada marcha do Oriente contra o ocidente, e estou certo que ainda existam luzes no fim do túnel para que unidos possamos salvar nosso planeta.

Em suma, este assunto está relacionado à missão que tenho que cumprir aqui na Terra, entretanto gostaria de informar a todas as Nações que na verdade, a visita destas 13 Astronaves ao nosso planeta significará o pontapé inicial para o processo de padronização dimensional de nosso sistema solar como um todo perante o Cosmos, e este processo só será realizado após a realização de uma campanha mundial de preparação e esclarecimento da humanidade, lembrando que o apoio e a participação dos Astrônomos será de fundamental importância para que esta missão que na verdade pertence a todos nós seja coroada de todo êxito.

Com relação ao mecanismo que possuo para comprovar a existência destas 13 Astronaves, eu diria que será comprovada através da revelação de uma simples e transcendental mensagem póstuma de Madre Thereza de Calcutá e da princesa Diana Spencer que precisará ser divulgada pelos quatro cantos da Terra através da imprensa mundial.

Por outro lado, aproveito a oportunidade para informar a todos aqueles a quem este assunto possa interessar, que a principio não há quaisquer seguimento seja cientifico, filosófico, religioso, etc; na vanguarda desta minha missão, as informações que tenho a respeito dos mistérios dos universos há milênios estão gravadas nos arquivos de minha alma, e se alguém gostaria de conhecer uma outra maneira infalível de se provar a existência e anuncio a respeito da visita destas 13 Astronaves a Terra, basta pesquisar a Bíblia, pois este acontecimento cósmico programado para acontecer nestes dias de hoje, foi anunciado pelo próprio Jesus Cristo durante sua última visita carnal a Terra há aproximadamente 2000 anos atrás.

Doravante o que resta é dizer a todos que esta missão é baseada nos mistérios existentes entre os Céus e a Terra enfatizados alguns séculos atrás por Willian Shakespeare e também no principio das proteções como um todo, e o elo forte para que esta missão possa ser bem sucedida está no apoio da imprensa mundial, portanto se você gostaria de fazer sua parte pelo alcance da verdadeira paz mundial e salvação de nosso planeta, apenas repasse este assunto à imprensa.

Grato pela atenção concedida.
Nome: Ubiracir Batista Miranda
Prof: Fisherman
Angra dos Reis (RJ) Brasil.

23 de jan. de 2009

Portabilidade numérica: haverá limitações?

Além da reforma ortográfica, tem outra coisa me incomodando nesses dias. A tal da portabilidade numérica.

Não é estranho que, de uma hora para a outra, finalmente aconteça algo de bom para os que utilizam o sistema de telefonia? Operadoras sendo obrigadas a transferir o número para a empresa concorrente? Qual é o segredo? Onde está o Mister M quando a gente precisa dele?

O fato é que no último dia 19 a tal da portabilidade chegou nas regiões com DDD 42, o que inclui esta cidade chamada Ponta Grossa, no interior do Paraná. E eu não poderia ficar de fora, ainda que indiretamente, dessa mudança.

Aqui vai um pequeno histórico de como a telefonia móvel passou a fazer parte de minha vida. Em 2005, muito relutante, pois não queria ser rastreado a todo momento, comprei um celular da TIM. Nunca tive problema algum com o aparelho, até porque seu sistema era dos mais simples. Um Nokia 1108, que fazia e recebia chamadas, tinha uma lanterna na ponta e dois joguinhos bem toscos.

Agora que os aparelhos adquiriram diferentes utilidades (tocar música, tirar fotos, gravar vídeos e áudio, ler e-mail, fazer café...), já estava na hora de comprar um novo. Foi o que fiz.

Depois de muita pesquisa, encontrei o modelo desejado, e descobri algo curioso que deve servir como dica para quem deseja comprar novo celular. Se você comprar o telefone numa loja de operadora o aparelho possivelmente vai custar mais caro do que em uma loja de eletroeletrônicos (com hífen, sem hífen, sei lá...). E isso é estranho. Mesmo assim, numa loja encontrei o aparelho por um valor. Do outro lado da rua, o mesmo aparelho custava cerca de cinqüenta reais a menos, e já vinha desbloqueado. Então, vale a pena andar um pouco.

Enfim. Adquirido o novo celular, fiquei com o antigo sem utilidade. E como agora é possível trocar de operadora, meu pai teve a idéia de transferir o número dele para o meu aparelho. E aqui começa a complicação...

O celular de meu pai é da VIVO. O meu é da TIM. E ele queria transferir o número dele para a CLARO, usando meu celular da TIM. O meu celular ainda estava bloqueado. Permitia apenas o uso de chip da TIM. Então, fui informado de que precisaria levar até uma loja dessa operadora e solicitar o desbloqueio. A manobra seria rápida e gratuita, bastando levar, para isso, o comprovante da compra do aparelho.

Depois de muita procura, incrível, encontrei a nota fiscal impressa em 2005 e, na tarde de quarta-feira, fui até a loja. Diante de um monitor, a funcionária da TIM digitou alguns números em um computador, gerando um código que desbloquearia meu aparelho antigo, e permitiria que ele fizesse parte das vantagens da portabilidade numérica. Em seguida, perguntou:

- Você já tentou desbloquear este aparelho?
- Não. – respondi.
- Já levou até a assistência técnica alguma vez?
- Não.

Conclusão: ela não conseguiu desbloquear meu aparelho. Disse que já tinha digitado o tal código, e não havia mais o que fazer. A última sugestão, recebida então de uma outra funcionária da mesma operadora, era que eu levasse o aparelho à assistência técnica, só que aí a manobra teria um custo, pois o aparelho não estava mais na garantia.

Ou seja, durante quase quatro anos o celular não deu problema algum. Mas na hora de desbloquear e mudar para outra operadora, ele misteriosamente apresentou um defeito que impossibilitou sua mudança.

Naquela tarde quente e abafada, ainda fiz uma última tentativa. Fui até uma loja da assistência técnica autorizada. Mas fiquei ali apenas o tempo necessário para pegar um copo de água gelada no bebedouro. Havia cerca de quinze pessoas esperando atendimento, e mais nenhum lugar para se sentar. Eu tinha pressa, e fui embora.

Somente depois comecei a me perguntar, levando em conta a superlotação da assistência técnica, justo na época em que inicia a portabilidade numérica: será que eu era o único a enfrentar tal problema? É cada vez mais difícil, para mim, acreditar em coincidências.

Quando comprei meu aparelho antigo, o termo “desbloqueio” ainda nem era aplicado a celulares. Fico me perguntando se as operadoras, realmente, tiveram a idéia de permitir o futuro desbloqueio de celulares mais antigos. Até onde vão as possibilidades da portabilidade numérica? Todas as operadoras realizam o desbloqueio? Certo, já tem muitas perguntas nesse texto. Deixemos algumas para um próximo.

22 de jan. de 2009

Mistérios da reforma ortográfica

Por que razão um grupo de pessoas se reúne para mudar o nosso modo de escrever, sendo que isso não terá nenhuma utilidade prática? Até agora os argumentos em favor da mudança ortográfica da língua portuguesa, que já acontece, não me convenceram.

O mais próximo de uma explicação diz que a mudança facilitará o intercâmbio cultural, pois livros escritos em Portugal terão maior aceitação no Brasil, por exemplo, e vice-e-versa. Mas, tomando por base um dos exemplos mais citados em cursinho pré-vestibular, uma “fila” continuará sendo uma “bicha” em Portugal. O que significa dizer que o intercâmbio continuará dependendo de uma adequação de editores.

Os critérios para as alterações são misteriosos. Afinal, o trema tinha um objetivo claro: demonstrar em que momentos a letra “U” deveria ser pronunciada. Da mesma forma, o acento diferencial tinha um objetivo: diferenciar a pronúncia de duas palavras grafadas quase de forma idêntica. Agora, as dificuldades começam a aparecer...

Tive que ler por três vezes uma frase escrita pela ombudsman do Jornal da Manhã, nesse domingo, até captar seu sentido. “Compreendo o leitor e o apoio.” O apoio de quem? Eu me perguntava. É que não é apoio. É apóio. É conjugação verbal, não substantivo. Só que a ombudsman já começou a usar a nova ortografia, que determina a retirada da acentuação que diferenciava uma palavra da outra.

A história nos mostra que, ao longo do tempo, a evolução da língua não partiu tanto das normas dos livros, e sim de seu uso prático no cotidiano. Sendo assim, estou aqui me perguntando qual é a conseqüência (ops, consequência) da reforma ortográfica.

Seria muito bonito se a própria população rejeitasse essas mudanças. Se o trema continuasse aí indefinidamente, assim como o acento diferencial. E o hífen permanecesse inalterado. Entretanto, como lembrou um professor numa reportagem que vi outro dia: a maior parte da população já escreve errado, então não vai haver grande mudança nesse sentido. As pessoas, então, nem saberiam protestar, porque para isso deveriam conhecer a escrita correta.

Acredito que por trás dessa mudança bizarra deve ter uma motivação que escapa a nossa visão limitada. Do ponto de vista da conspiração, alguma razão política, talvez. Por outro lado, pode ter sido apenas o resultado de uma aposta sem sentido feita entre governantes numa noite de muita bebedeira...

De qualquer forma, levando em conta que é o cotidiano que determina a evolução real da língua portuguesa, arrisco fazer aqui uma previsão... Em vinte ou trinta anos haverá pessoas dizendo “linguiça", assim, como a partir de agora se escreve. E não vão dizer mais “Eu apóio essa idéia”. Vão dizer “Eu apoio essa ideia.”

Ou seja, a escrita correta fará com que passemos a falar errado. E isso se tornará tão comum, que o Aurélio trará como corretas ambas as pronúncias. Exagero meu? Pode ser que sim. Pode ser que não.

*perdoem eventuais erros de ortografia nesse texto... ainda estou aprendendo.

4 de jan. de 2009

O final bizarro da corrida de São Silvestre

A tradicional corrida de São Silvestre, realizada todos os anos em São Paulo, no dia 31 de dezembro, parece não estar passando por bons momentos. A coordenação está economizando de todos os lados. Para se ter uma idéia basta observar a faixa de linha de chegada usada nessa última edição do evento.

Um homem e uma mulher mantinham a faixa erguida, esperando o momento em que os primeiros atletas chegassem ao final do percurso. Mas, como dessa vez a faixa era muito pequena (ah, o corte de gastos...), cobria apenas um terço do espaço por onde o corredor poderia passar.

O fato é que a pequena faixa, que devia receber os atletas, foi responsável por uma das cenas mais bizarras já vistas na televisão em uma prova desse tipo. Imagine você... O atleta chega exausto, mal consegue parar, pois já não sente as próprias pernas. O coitado é só reflexo, nem pensa direito... Aí ele chega e vê uma pequena faixa segurada por duas pessoas, e um caminho livre enorme do lado esquerdo. Por onde ele vai passar?

Assim, a dupla que segurava a faixa na linha de chegada viu, um a um, os atletas rejeitarem a honraria. Isso incluiu o campeão na categoria masculina, o queniano (pra variar) James Kwambai.

É bom lembrar que a faixa tem outra função além de receber os atletas. A faixa também é responsável por exibir a logomarca das empresas patrocinadoras da corrida. O tamanho reduzido da faixa pode ser, então, resultado do baixo número de patrocinadores. Sendo assim, sugestão para a próxima edição da corrida de São Silvestre: abolir o uso da faixa. Ou alguém tem outra sugestão?

*Fui informado que o vencedor só é considerado oficialmente vencedor quando (e se) ele passa pela faixa no momento da chegada. Será isso mesmo? Imagine a discussão que isso teria gerado...

31 de dez. de 2008

Previsões? O que não se cumpriu em 2008?

O período de virada de ano é mais uma dessas tradições que tornam nossa existência absolutamente estranha. Além de o povo vestir roupas brancas, fazer muito barulho, pular ondas e comer uvas, ainda existe a crença de que é possível prever como serão os 365 dias que se seguem.

Confesso que de vez em quando dou uma olhada no horóscopo. Mas também confesso que acho muito mais divertido ver o horóscopo do dia anterior, a fim de comprovar em que medida a astrologia tem acertado ao prever meu futuro.

Por essa razão tive a curiosidade de verificar quais foram as previsões para o ano que passou. É justo que se verifique o que se cumpriu e o que, a exemplo de promessas políticas, ficou no esquecimento.

No final de 2007, o Jornal da Manhã publicou diversas previsões, a maioria delas apontadas pela cartomante Cristina Rogalski, e pela clarividente Terezinha Tizon. Vamos ver quais foram as previsões:

...segundo Cristina Rogalski:

- “...dificilmente o atual prefeito Pedro Wograu Filho seja reeleito. Aliás, talvez ele nem se candidate à reeleição, mas indique alguém para ser seu candidato.” (nessa ela errou feio, igual o Ibope, pois também disse que Jocelito era o espiritualmente mais cotado para assumir o cargo.)

- “O curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa não deve ser reativado - pelo menos na gestão do governador Roberto Requião.” (Requião autorizou o curso nesse ano, e já tivemos o primeiro concurso vestibular, com uma porção de gente louca pra segurar o bisturi e desmaiar ao ver sangue)

- “O prefeito vai ter muitas dificuldades de acertar o final do mandato e também vai se deparar com algumas traições de pessoas da sua cúpula” (dependendo do que significa a “sua cúpula”, pode-se dizer que os astros não mentiram nessa. Acusações contra o prefeito não faltaram nesse ano)

- “O Paraná deve voltar ao primeiro lugar em resultados, em volume de produção, em grãos, e isso tudo vai refletir nas nossas vidas” (de fato, foi notícia no JM... A safra 2007/08, encerrada neste mês de dezembro com a colheita das últimas lavouras de trigo na região Centro-Sul do Estado, fechou com um recorde de produção de 32,06 milhões de toneladas de grãos.)

- O setor industrial também deve se beneficiar: duas novas indústrias devem se instalar na cidade. (...) (Na verdade foram mais de duas. Entre as maiores podem ser citadas a Tecnosol Indústria Química Ltda, primeira fábrica de cosméticos da cidade, a fábrica de calçados de segurança, da marca Kadesh, a construção da Contitech, a Lousiana Pacific - que produz painéis OSB e a Planair Indústria Aeroespacial.

Agora vejamos as previsões de Terezinha Tizon:

- A saúde de Ponta Grossa 40% melhor e o deputado estadual Jocelito Canto eleito prefeito. (é difícil quantificar a situação da saúde em PG. Mas Jocelito ficou longe da prefeitura)

- Uma multinacional deve se instalar e trabalhar em parceria com a Cargill. (alguém sabe dessa parceria?)

- Novidade na área de autopeças. (alguém?)

- A cidade perderá empresários em acidentes e por motivos de doenças. Falências também serão decretadas. (nada que eu me lembre de ter visto no jornal..., a não ser a morte do empresário Jorge Demiate, em março)

- Ponta Grossa vai deixar de contar com dois supermercados, uma madeireira e uma empresa de máquina agrícola. (Se alguém lembrar, pode comentar aí... o que lembro é o oposto: dois novos empreendimentos foram anunciados nesse ano, através do Condor Super Center e dos Supemercados Tozetto, que juntos devem gerar 400 empregos diretos. Mas a Planair, de fato, fabrica aeronaves agrícolas)

- A perda de um político local bastante conhecido (Previsão um tanto óbvia, já que políticos bastante conhecidos se vão anualmente. O ex-prefeito de Ponta Grossa, Luiz Gonzaga Pinto, faleceu em fevereiro, aos 87 anos, na Santa Casa de Misericórdia.)

- Papa Bento XVI está doente e não deve viver por muito tempo. O novo pontífice, garante ela, será um brasileiro: “nascido gaúcho e ordenado padre no Paraná.” (premonição bastante detalhista, mas o Papa Bento ainda não dá mostras de precisar de substituto)

- “Também perderemos jogadores em campo. Atores bem conhecidos, artistas de novela, também perderemos” (essa não vale... acontece todo ano)

- Sobre o Operário, a previsão até que foi certeira: “Como é o apelido dele mesmo? Fantasma... Pois o Operário sempre foi e sempre ficará fantasma”, disse a clarividente. (talvez esteja na hora de mudar o apelido do time)

****

Fazendo um balanço geral, digamos que as previsões não foram lá tão precisas. Resultado semelhante poderia ser obtido jogando uma moeda para o alto. De qualquer forma, há quem acredite e se oriente a partir das previsões. Sendo assim, é bom lembrar que o Jornal da Manhã trouxe mais algumas. Clique aqui e confira as previsões para 2009. (é necessário estar cadastrado no site)

*E clique aqui para conferir, na íntegra, as previsões para o ano que passou.

19 de dez. de 2008

Mecê dos qualé?

Dia desses estive na livraria Livros & Companhia, que fica em frente ao Colégio Instituto de Educação, onde estudei até concluir o ensino médio – no meu tempo se chamava Educação Geral. Na livraria eu procurava alguns títulos em específico, mas, parei também para conversar com o proprietário da loja, José Nilson.

O gaúcho é um sujeito meio careca, com óculos de aros grandes e arredondados, bigode espesso e uma inseparável cuia de chimarrão. (Na foto ele está sem a cuia, mas é uma situação atípica). Não é por acaso que duas cadeiras confortáveis ficam diante de sua mesa, à disposição de quem entra na loja. Ele está sempre disposto a conversar e confere significado especial à palavra “companhia” escrita na placa diante da livraria. Tem ótima memória. Já fazia meses que não trocávamos uma palavra, mas ele parecia lembrar de tudo o que já tínhamos conversado. Eu, no entanto, confundia tudo. Achei até que a loja tivera um daqueles sensores de presença que apitam sempre que o cliente entra. José me lembrou que nunca teve isso, porque acha que incomoda, e porque acredita numa relação mínima de confiança entre o vendedor e o cliente.

José comentou que no próximo ano, lá pelo mês de março ou abril (ele foi preciso na data, mas não tenho a memória prodigiosa que ele tem) deve deixar a cidade, e transportar consigo a livraria. Disse que o motivo não é simplesmente financeiro. Está acostumado a não ficar parado em um lugar. “O mundo é tão grande... porque ficar em um lugar só. Há pessoas que nascem em um lugar e passam a vida inteira nesse lugar”, comentou, sem compreender. Afirmou que é importante se deslocar, para conhecer outras culturas e formas de pensar e agir, e assimilar isso tudo.

Ficamos dialogando um pouco, até que chegou outro cidadão, chamado Rogério. Não o conhecia, mas parece ter muitas histórias para contar. Comentou sobre uma viagem que fez a Portugal, narrou rapidamente situações em outras cidades. E, considerando que ele, assim como José Nilson, não é de Ponta Grossa, começaram os dois a divagar sobre a natureza do ponta-grossense. Seu comportamento fechado, principalmente.

José dizia que os vizinhos não se falam, e que é difícil até mesmo cumprimentar alguém. Disse que, depois que chegou na cidade, ele próprio começou a mudar seus hábitos, parando de puxar papo com todos, como costumava fazer antes. Lembrei a ele que esse era o lado ruim de se deslocar de uma cidade para a outra. Hábitos não tão valorosos também são assimilados, junto com os que nos fazem crescer culturalmente.

Expliquei que, tendo nascido e crescido aqui, é muito mais difícil para mim notar essas coisas – os comportamentos tão criticados nos ponta-grossenses. Até porque meu relacionamento com os vizinhos não é tão ruim assim. Mas quem vem de fora costuma fazer esses mesmos comentários – de que as pessoas são muito fechadas, evitam cumprimentar.

Rogério completou, dizendo que o que mais lhe chamou a atenção ao chegar em PG foi o fato de as pessoas quererem saber a que família ele pertencia. Havia uma necessidade de relacioná-lo a outros que fossem da cidade, de famílias cujo nome fosse conhecido.

“Mecê dos qualé?”, perguntei, em tom de brincadeira, lembrando o modo simples com que muitos realmente procuram saber a família a quem alguém pertence, como se fosse obrigação apresentar os antecedentes de boa conduta, para dar seguimento a uma conversa.

O diálogo seguiu por outros caminhos, até que Rogério comentou ter uma chácara na região de Guaragi, que fica a cerca de 27 quilômetros do centro de Ponta Grossa.

“Tenho parentes no Guaragi”, comentei.
“Ah, é? – ele perguntou – “Quem são seus parentes? Qual o sobrenome?”

Foi aí que achei graça, e tornei a brincar: “Mecê dos qualé?



SERVIÇO:

Livros & Companhia
endereço: R: Dr Joaquim de Paula Xavier 585
telefone: (42) 3027 2227
site: http://www.livrosecompanhia.com.br

24 de nov. de 2008

Afinal, o que é original?

Quando ainda estudava na universidade, naquele tempo em que a gente começa a ler de tudo um pouco, especialmente planejando um futuro projeto de Trabalho de Conclusão de Curso, percebi, indignado, o quão difícil é ter uma idéia original.

A humanidade adquiriu tanto conhecimento ao longo dos últimos anos, que tudo parece já ter sido inventado ou pensado. E agora atingimos uma fase em que, mesmo quando temos uma idéia nova, descobrimos que já foi inventada. As pessoas pensam de forma semelhante (está aí a disputa entre Santos Dumont e Irmãos Wright para confirmar o que digo), e agora existe outro fator que contribui para isso: a internet.

No sábado, estava aqui lembrando do Chocolate Surpresa, que fez sucesso na década de 1980, vindo a desaparecer somente no final dos anos 1990, se não me engano. O chocolate, provavelmente você lembre, fazia sucesso porque trazia figurinhas colecionáveis, sobre temas diversos. E aí residia grande parte de sua aceitação no mercado. O brinde fazia com que as crianças, e até mesmo alguns adultos, buscassem o chocolate. O sabor era muito bom, mas deve ter sido a barra de chocolate mais fina da história, sendo que boa parte do preço se justificava apenas pelo brinde.

Conversando dia desses, comentei: por que será que o Chocolate Surpresa deixou de ser fabricado? Era tão divertido juntas as figuras, e o chocolate ao leite era saboroso, como do chocolate Kinder Ovo.

Foi aí que tive um estalo: óbvio... o Kinder Ovo surgiu, e logo depois o Chocolate Surpresa desapareceu. Entre um chocolate que oferecia uma figurinha, e outro que oferecia um brinquedo, qual seria o preferido? O Kinder Ovo condenou o Chocolate Surpresa à extinção. Na época o Kinder Ovo ainda custava um real. Era uma concorrência desleal.

Parecia uma grande revelação. Mas a internet está aí pra me desmentir. A wikipedia já relaciona o Chocolate Surpresa ao Kinder Ovo. Não diz que um condenou o outro ao desaparecimento, mas me parece evidente, tanto que outros blogs fazem a mesma relação.

O google torna ainda mais fácil derrubar idéias pretensamente originais. Um colega, no outro dia, sugeriu fazer ilustração de uma folha de maconha em sua camiseta, e incluir o texto “ERVALIFE”, numa paródia aos produtos Erbalife.

Estava todo animado, planejando como desenhar a folha de maconha, até eu dizer a ele que, muito provavelmente, alguém já havia pensando nisso antes. Sugeri uma visita ao Google e, tadããã! Sua idéia já estava lá, e até mesmo as camisetas com a tal inscrição e desenho, em diversos modelos, e prontas para comercialização. Não perguntei a meu colega, mas acho que desistiu da idéia de fazer a tal camiseta... me sinto até um pouco culpado.

No fim de semana, reparei que meu irmão colocou em seu perfil do Orkut a seguinte frase:

Não sou nada / Nunca serei nada / Não posso querer ser nada / À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo

Perguntei a ele porque tinha colocado aquela frase em seu perfil, e ele disse que era um trecho do poema “Tabacaria”, de Fernando Pessoa. Acontece que existem milhões de poemas no mundo, e outros zilhões de trechos de poemas. E já vi o mesmo trecho em dezenas de perfis no Orkut. Por que isso acontece, pra mim continua sendo um mistério. A não ser pelo seguinte: as pessoas têm pensamentos em comum. E está aí a disputa entre Santos Dumont e Irmãos Wright para confirmar o que digo.

17 de nov. de 2008

Agências bancárias: o cliente tem sempre razão?

Sou cliente de um banco que adota o seguinte sistema: se minha senha é 1983, o caixa-eletrônico me vem com a seguinte informação:

1=0
2=1
3=2
4=3
5=4
6=5
7=6
8=7
9=8
0=9

Ou seja, para fazer um saque, ao invés de digitar a minha senha 1983, eu terei que fazer uma mudança absurda, e digitar 0872. (acho que é isso...) Aí você vem dizer: "é para sua segurança". Ah, claro. O problema é que estou retirando o dinheiro de um caixa eletrônico que pode ser visto da rua, porque todos os bancos tiveram a brilhante idéia de instalar "vitrines" diante dos caixas eletrônicos. O assaltante fica do lado de fora escolhendo suas vítimas, como uma criança escolhe um doce.

Suponho que a idéia da gerência é a seguinte: se acontecer um assalto dentro do banco, qualquer pessoa vê desde a rua, e chama a polícia. Se acontecer assalto a um cliente que acabou de sair de nosso banco, o problema não é nosso. Não podemos ser responsabilizados pelo que acontece fora da agência. Sim... os caras são maus.

Bancos são ótimos motivos para irritação. Já reclamei diversas vezes das malditas portas eletrônicas. Não dá pra entender como coisas que não funcionam direito continuam sendo usadas. Toda a vez que entro na agência da Caixa Econômica, preciso tirar da mala minha agenda. Porque as espirais metálicas disparam o sistema e me impedem de entrar. E o curioso é que cada agência, de cada banco, possui um sistema diferente.

Em alguns eu só preciso tirar do bolso o celular. Em outros preciso tirar o celular e a chave. Em outros o celular, a chave, a agenda e o Halls. Essa vale a pena lembrar... O segurança do banco Itaú me explicou que a embalagem metálica do Halls pode disparar a porta. Pode? Segundo ele, sim.

Voltando à questão das "vitrines"... Com esse sistema de encher de janelas de vidro na frente da agência, os caixas eletrônicos ficam de frente para a entrada, de tal maneira que o cliente fica de costas enquanto opera a máquina. O problema é que as máquinas funcionam com monitores comuns, que refletem a luz que vem do lado de fora da agência. Ou seja, fica muito mais difícil ver o que aparece na tela, se o reflexo da rua incide sobre o monitor.

E por que esses e outros problemas semelhantes persistem? Provavelmente, não há interesse em corrigir tais dificuldades. No banco Mercantil, se seu cartão é bloqueado por um erro de digitação, você precisa esperar, obrigatoriamente, 24 horas para que ele seja automaticamente desbloqueado. Se você precisa muito do dinheiro, não pode simplesmente entrar na agência e solicitar a um funcionário o desbloqueio. Acho que é por isso que colocam escrito, em letras brancas num fundo vermelho, do lado de fora da agência: BANCO 24 HORAS.

Pra não esquecermos o tempo de espera.

10 de nov. de 2008

Um Hussein na Casa Branca

Sempre que uma partida de futebol está quase terminando, e um dos times está prestes a vencer, fico imaginando que o resultado daquele jogo pode mudar a qualquer momento. Enquanto muitos comemoram ou praguejam nos minutos finais, eu permaneço em silêncio observando tudo. E, não raro, o jogo vira. Foi assim com uma partida de futebol há poucos dias. Foi assim quando todos achavam que Felipe Massa era o campeão mundial da Fórmula 1, antes que Hamilton passasse a linha de chegada.

Enquanto a maioria se preocupa, ainda que inconscientemente, com probabilidades, minha preocupação é com as possibilidades. Porque, hipoteticamente, a mesma seqüência numérica pode ser sorteadas duas vezes seguidas pela loteria. E as chances de que isso aconteça são as mesmas de qualquer outro número ser sorteado.

Assim, um dos meus lemas é “qualquer coisa pode acontecer”. E comento isso porque na semana passada, algo que muitos diziam ser impossível, aconteceu. Me refiro à vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

O assunto já foi bastante debatido, mas só agora encontro tempo e disposição para lembrar aqui, diante do monitor, que o cinema já tinha colocado um presidente negro governando os Estados Unidos algumas vezes. De cara, me lembro de duas situações: no filme “Impacto Profundo”, em que meteoros ameaçam destruir a Terra e o presidente luta para encontrar meios de salvá-la, e “Deixados Para Trás”, esse último menos conhecido, por dramatizar o fim do mundo baseado nos relatos da Bíblia.

Mas os exemplos são muitos outros. Lembrei desses dois porque passam a imagem de um presidente sério, e comprometido com o futuro não apenas dos Estados Unidos, como do mundo inteiro.

O curioso é que, quando assisti a um filme desses, lembro de ter ouvido um comentário de alguém que disse: “Isso é que é ficção científica... afinal, quando é que um presidente negro vai governar os Estados Unidos?”

Acho que a frase ilustra bem o modo como todos viam essa possibilidade. Eu próprio me vi surpreso com a vitória de Obama. Imagine o resto do mundo. Se ele será melhor ou pior que George Bush, já não é possível afirmar. Mas o fato de um sujeito chamado Barack Hussein Obama Jr. subir ao poder nos Estados Unidos já é impressionante o suficiente.

Desde que isso não coincida com o fim do mundo ou a queda de meteoritos gigantescos em nosso planeta, tá valendo. Agora é aguardar para ver... qualquer coisa pode acontecer.

3 de nov. de 2008

Conversas bombásticas

“Eu sei fazer 32 diferentes tipos de bombas”.

Ao ouvir a frase, estalei os olhos e virei para meu amigo, perguntando:
- Porque contou isso?
- O quê?
- Por que fez o cálculo do número de bombas que sabe fabricar? – tornei a perguntar.
- Ah... sei lá.

Fazia tempos que não via Jacson. A última grande conversa que tivemos foi ainda em 2000, quando fazíamos cursinho pré-vestibular. Na época, eu repartia o cabelo, e ele tinha cabelo curto. Agora eu desisti do pente, e ele virou praticamente o Primo Itt – da família Adams. Na época ele detestava química. Hoje, ironicamente, é professor dessa disciplina. E foi tratando de química que entramos no assunto das bombas.

Encontrei Jacson por acaso, no último sábado, no shopping. Um daqueles acasos bizarros: a escada rolante enguiçou, e ele teve que usar a escada comum. Me encontrou no andar superior observando as pessoas que subiam a escada rolante parada. “Vamos ali na praça de alimentação, que vou encontrar uns amigos”, convidou.

Seus amigos eram irmãos gêmeos, de óculos com lentes grossas, um que devorava lanche do Bob’s, outro que atacava o lanche do Biba’s. E foi um deles que tocou no assunto de radioatividade, sabendo dos conhecimentos científicos de Jacson. Foi assim que o diálogo passou pelos radioativos urânio e césio 137, o explosivo sódio metálico, a corrosiva Coca-Cola e, finalmente, a declaração de meu amigo, dando conta de que ele é capaz de fazer 32 diferentes tipos de bombas.

O que me chamou a atenção foi sua indiferença ao trazer aquela informação à tona. Apesar de saber que não é intenção de meu amigo explodir a cidade, fiquei me perguntando por que ele havia feito aquela conta.

E lembrei que, há cerca de duas semanas, outro amigo meu, dessa vez especialista em informática, tinha dito que é teoricamente muito fácil burlar o sistema das urnas eletrônicas. Bastaria desviar os equipamentos durante alguns instantes, entre o trajeto que faz do local de votação ao ponto em que é feita a contagem de votos. Assim seria possível identificar, por exemplo, quem votou em cada candidato.

Descobertas fascinantes podem ser feitas ao conversar com especialistas. Algumas podem assustar. E pensar que muita gente teme os profissionais menos especialistas da face da Terra – os jornalistas.

Mudando de assunto... acabo de ver um trailer no Uol de um filme que promete ser muito bom. Operação Valquíria. Sugiro ao leitor que dê uma olhada.

23 de out. de 2008

Eu não sou um maldito spam!

De tempos em tempos surge no noticiário um daqueles casos de pessoas que não morreram, mas precisam provar isso para a previdência social. Embora a pessoa esteja ali, dando entrevista para o repórter, o sistema acusa que ela não existe mais.

O primeiro episódio do seriado “O Sistema” (que foi mais um seriado da Rede Globo que não teve o sucesso que poderia ter alcançado) trazia uma situação parecida. O personagem principal , interpretado por Selton Mello, tratava mal uma atendente de telemarketing (Graziella Moretto) e, em represália, ela fazia com que todo o sistema apagasse a existência do cidadão, que deixava de ter CPF, RG, conta no banco. Enfim, se não constava no sistema, era porque não existia.

A idéia do primeiro episódio foi muito boa, e o roteiro bem explorado. Os seguintes foram gradualmente piorando, até que a história não fizesse sentido algum, e as piadas não tivessem nenhuma graça.

Lembrei do episódio porque, assim como o personagem principal de O Sistema, costumo enfrentar situação semelhante em diversos sites da internet, incluindo o Orkut, e o próprio site no qual estou publicando este texto.

No outro dia, para enviar uma simples mensagem, surgiu aquela maldita tela com letras e números indecifráveis, que devem ser digitados para que você prove que é uma pessoa, e que sua mensagem não é um maldito spam.

Cara... o cidadão que inventou isso deve ser o mesmo desgraçado que inventou o sachê de catchup, que dizem ser mais higiênico, mas que me obriga a usar os dentes para rasgar a embalagem, além de gerar mais poluição (não sei se reciclam aquelas embalagens com restos de catchup).

Voltando ao sistema... Digitei as letras e números que me apareciam, e que eu tentava, com o máximo da concentração humana, decifrar. Mas o sistema informava que eu tinha digitado errado, e oferecia novo conjunto de algarismos. Assim aconteceu de novo, e de novo, e só na quarta tentativa consegui enviar minha mensagem.

Pra que serve isso mesmo? Pra que eu prove que não sou um “spam”, ou para que eu desconfie de minha capacidade mental? Eu sei que fiz logon no site. O sistema não é capaz de notar? Deve ter alguma conspiração por trás disso. No dia em que eu descobrir o que é, vai ter mais gente querendo me matar.

21 de out. de 2008

Alerta: engolir chiclete ficou mais fácil

Em meu tempo de escola tive uma professora de português que tinha verdadeiro ódio ao ver alguém mascando chiclete. Chegou a trazer aos alunos a informação de que o chiclete era feito a partir de osso de boi, julgando que os adolescentes realmente se importavam com os ingredientes daquilo que colocavam na boca.

Nunca soube se era verdade a história dos ossos. Pra mim importava menos ainda. Nunca fui muito fã de chiclete. Recordo ainda que, certa vez, essa professora trouxe um texto de Clarice Lispector, no qual a autora narrava o idêntico asco que sentiu ao experimentar o tal doce pela primeira vez. O conto descrevia o chiclete como uma bala que não se acabava nunca. Mais ou menos como os doces inventados pelo Willie Wonka, na Fantástica Fábrica de Chocolates. Mas o chiclete terminava por ficar sem sabor, e semelhante a uma borracha. Assim o descrevia o tal conto, se me lembro bem.

Se Clarice Lispector experimentasse os novos chicletes, talvez trouxesse algumas informações adicionais ainda mais desanimadoras. Pois olhe que acabo de provar um produto de nome bizarro: “Novo Chiclets Kiwi Super”. A embalagem acrescenta: “com mais tempo de sabor”.

Pois eu rogo aos meus 57 leitores e meio: não comprem essa bela porcaria! O sabor inicial até que não é ruim... mas o estranho é o que vem depois. Passado algum tempo (não sei precisar quanto, pois suponho que depende da velocidade de mastigação e temperatura bucal), eis que o chiclete, além de perder o sabor, se dissolve.

Veja bem, você fica mastigando e espera que ela vire uma borracha como todas as outras, mas isso não acontece. Em lugar disso, o chiclete se dissolve em sua boca, e você nem sequer encontra tempo ou lugar para cuspir o líquido pegajoso e sem gosto.

Quando o cidadão percebe, já engoliu o negócio. Fica o alerta. Já que não temos mais Ploc, nem Ping Pong, sugiro aos leitores que recomendem aqui as marcas de chiclete que julgam realmente boas. Vamos tornar este um blog de utilidade pública.

13 de out. de 2008

Isolamento mais que acústico

Eu estava sentado em um banco circular, diante do balcão da lanchonete Lagalu, quando ela entrou. Uma menina loira, que devia ter entre 17 e 21 anos. Carregava uma bolsa com logomarca de cursinho pré-vestibular. Era bonita, usava roupas discretas, e tinha aquele olhar de mulheres que conhecem a própria beleza, reconhecido pelo fato de não olharem diretamente nos olhos de quase ninguém.

Eu estava na metade de meu salgado, e a xícara de café também estava cheia, ou vazia, pela metade. Pensava em puxar conversa, quando ela abriu a bolsa e tirou dali um par de fones de ouvido. Ligou ao celular, e começou a ouvir as músicas preferidas. Terminei meu lanche, paguei a conta, e fui embora enquanto ela investia em um X-salada, perdida em sons que não eram os que a cercavam.

Há muito tempo se comenta que a tecnologia da internet ou do telefone, que foram criadas para aproximar as pessoas, terminam por distanciá-las. Sou um fã da tecnologia, mas é preciso admitir... com o surgimento dos celulares com rádio ou mp3, isso se tornou mais evidente. Ponta Grossa mantém a fama de ter habitantes “fechados”, que evitam conversar ou cumprimentar. Mas antes bastava que uma das duas pessoas no ponto de ônibus iniciasse a conversa. Só se esperava uma iniciativa.

Agora as coisas mudaram de figura. Os fones de ouvido são um convite à solidão e, se por um lado é ótimo percorrer a cidade com trilha sonora própria, por outro se esquece e ignora o som ambiente, que, de certo modo, é um dos itens que diferencia a vida real de uma produção cinematográfica qualquer.

Muitas vezes é bom fugir do ruído de carros na Avenida Vicente Machado, da campanha política igualmente barulhenta, do som da máquina de café expresso. Mas a fuga não deve ser regra sempre. De óculos escuros e fones de ouvido, seguimos formando uma sociedade de quase autistas, imersos no próprio mundo, sem necessidade de relacionarem-se uns com os outros. Razão pela qual é cada vez mais comum dizer “bom dia”, e receber como resposta um “o que é que tem de bom?”. Ou ver um par de fones de ouvido surgirem de dentro da bolsa, erguendo uma barreira invisível muito maior do que a distância real entre duas pessoas.

28 de set. de 2008

O dia depois da “Semana da Árvore”

Não sei exatamente em que dia tudo começou... Talvez no dia 16 de setembro, logo depois do aniversário da cidade. Ou talvez na última segunda-feira, 22. O fato é que era perto do meio-dia quando um caminhão do Corpo de Bombeiros parou na rua que fica perto de minha casa. Da varanda pude ver o movimento de pessoas que se aglomeravam no local, e fui até lá para ver do que se tratava. Descobri que uma árvore não muito pequena havia caído, quase derrubando o muro de um morador da vizinhança.

Os bombeiros estavam lá para cortar os galhos, liberando o local para o trabalho da companhia de energia elétrica, uma vez que a queda da árvore tinha atingido um poste, deixando os moradores sem eletricidade.

Uma vizinha se queixava com o bombeiro, dizendo que isso já era previsto, e que por diversas vezes pretenderam cortar a árvore, mas ninguém tomava providências. Foi então que apontou para uma outra árvore ainda maior, que se erguia ao lado, e disse que aquela também deveria ser cortada antes que caísse em uma casa.

Era uma nogueira, e uma pequena discussão se formou entre os próprios bombeiros.
-É... parece que já está morta, veja como está seca. – disse um.
-Está seca por causa das pragas presas ao tronco. Só precisa de uma limpeza. – falou o segundo.
-Tinha mesmo que derrubar, antes que caia. – replicou o primeiro.
-O Ibama nunca vai liberar a derrubada desta árvore. – tornou o segundo – aquela outra sim poderia ser derrubada – disse, agora apontando para um eucalipto.
-Mas o eucalipto é árvore nativa.
-Nativa da Austrália...

Aquela discussão só me fez perceber o desconhecimento e falta de concordância entre os que estavam ali. O fato é que a tal nogueira estava lá há muito tempo. Alguns moradores mais antigos falavam em oitenta anos. Mas só estavam cortando a árvore que tinha caído, e não a nogueira. Isso me fez voltar para casa aliviado, porque se cortassem a nogueira... meu pai ficaria possesso.

Não sei como explicar, mas ele nutria verdadeira paixão por aquela nogueira. Algumas vezes já tinha ido ficar debaixo da árvore para apanhar alguns de seus frutos que tinham caído no chão. Sempre defendeu a nogueira, de modo insistente e até irritante. Quem o ouvisse falando daquela árvore iria pensar que fazia parte do Greenpeace ou alguma outra instituição semelhante. Mas aquele comportamento estava quase que totalmente restrito à nogueira, que ele chamava de “castanheira”.

Por isso eu sabia que no dia em que alguém resolvesse cortar aquela grande árvore, o comportamento de meu pai seria preocupante. Por que digo isso? Porque enquanto escrevo estas palavras, ouço ao fundo o som da moto-serra que derrubou, nesta manhã e início de tarde de domingo (28 de setembro de 2008), a enorme nogueira. Desde as 9h ouço este maldito barulho. Ruído que sempre odiei e sempre irei odiar. Também não sou nenhum ativista, mas gostaria muito que um princípio básico funcionasse: derrube uma árvore e plante duas. Infelizmente é algo que parece longe da realidade.

A manhã de hoje foi extremamente tensa. Quando meu pai notou o que acontecia, ficou completamente desnorteado. Primeiro quis ligar para o Grupo Fauna. Eu o lembrei que o Grupo Fauna se propunha a proteger animais, não plantas. Depois conseguiu um 0800 do Ibama, para o qual ligou, e recebeu a resposta de que estavam a caminho. Nada aconteceu e, até a hora do almoço, meu pai já tinha telefonado para o tal 0800 uma dezena de vezes.
-O senhor já não ligou para cá hoje?
-Liguei. E vocês já mandaram a viatura?

Durante o almoço, lembrando do número de ligações que tinha feito, sem obter resposta satisfatória, meu pai comentou: “Se tiverem que fazer uma guerra contra o Brasil, terão que escolher um domingo. Dia em que ninguém faz nada”.

No início da tarde, meu pai perdeu o controle, mais ainda, e gritou para o vizinho, avisando que tinha chamado a polícia. E chamou a polícia. A viatura chegou, e meu pai pôs o chapéu de palha e foi até junto da árvore, ou o que restava dela. A polícia ouviu uma discussão entre vizinhos. Mas havia dois detalhes que complicavam a história: meu pai tinha bebido algumas cervejas, e o sujeito que estava cortando a árvore era policial.

Assim fiquei sabendo, pois não fui participar de um briga que, certamente (desculpem o termo) seria infrutífera. Vi quando meu pai voltou e disse “fui derrotado, de novo”. Tive pena. De meu pai, da árvore, da situação como um todo.

Acho que não vai sobrar muito da árvore e, neste e nos próximos anos, é provável que as crianças não encontrem mais nozes nesta parte da cidade. E haverá menos sombra para deixar o carro. Ali, naquele mesmo lugar, existe um córrego de águas poluídas, porque pessoas resolveram construir casas ao redor e, não bastando isso, jogaram e jogam seus dejetos onde antes se praticava a pesca. Não é invenção minha, encontrei um velhinho no ponto de ônibus que me contou isso e, refletindo sobre a derrubada cada dia maior das árvores nesta região, concluiu: “é o progresso”. E se mostrou favorável à derrubada de todas, para minha incrédula surpresa.

Quem vier pela Rua Padre Nóbrega, na região da Vila Estrela, e estiver com algum tempo sobrando, desça a Rua A. “A”, de “árvore”, e encontrará, lá embaixo, parte do que já foi uma árvore enorme. Não poderão arrancar tudo, porque as raízes certamente já foram muito longe. Então haverá algo do que se lembrar. Uns lembrarão do perigo de uma grande árvore caindo sobre o telhado de casa. Outros, no entanto, lembrarão do sabor de seus frutos. Eu lembrarei que tudo isso aconteceu no dia imediatamente após o que se convencionou denominar “Semana da Árvore”.

*Esclarecimento: a árvore até agora não foi derrubada. Talvez só fique sem galho nenhum.

25 de ago. de 2008

A ‘força mental’ nas Olimpíadas

Enfim, terminaram as Olimpíadas. Foi o assunto do momento, e confesso que vou sentir falta dos comentários que ouvia todos os dias, sobre essa ou aquela competição. Acabei não acompanhando os jogos como poderia. Optei por dormir durante a madrugada, para tentar manter os olhos bem abertos durante o dia. Mas teve gente que se empolgou e acompanhou os jogos pra valer.

Quase todas as informações que obtive sobre as competições chegaram até mim por meio de conversa com amigos, notícias rápidas na internet ou no jornal, e flashes na TV, no momento em que eu passava diante do aparelho.

Foi assim que descobri que existe um alienígena entre nós, que atende pelo nome de Michael Phelps. Também soube que desenvolveram um maiô para natação que melhora a velocidade dos atletas (mas que Michael Phelps – Chuck Norris da natação – não precisa). E foi desse modo que soube do sumiço da vara da brasileira que faria um grande salto (sabotagem?).

As únicas competições que acompanhei, pra valer, foram as partidas de futebol masculino entre Brasil e Argentina (parabéns para a Argentina) e futebol feminino entre Brasil e Estados Unidos (bem mais animador para nós, apesar do resultado não ser o esperado). E foi numa dessas partidas, assistindo pela TV Globo, que percebi qual seria, para mim, a principal marca das Olimpíadas 2008: o narrador Galvão Bueno repetindo, à exaustão, a expressão “força mental”.

Não sei de onde ele tirou o termo. Talvez seja alguma expressão usada em Pequim. Mas, se for assim, com certeza não é banalizada e desprovida de significado como aconteceu na TV brasileira, onde o Galvão disse a besteira incansavelmente, nas poucas vezes em que pude ouvir TV. Numa noite da semana passada, enquanto estava trabalhando, fiquei ouvindo a narração do sujeito. E devo ter ouvido ele dizer “força mental” pelo menos dez vezes, em dois minutos. Mais ou menos assim:

“Nossas atletas merecem essa vitória. Sabem por quê? Por que elas têm uma coisa que costumo chamar de ‘força mental’! É preciso ter força mental para vencer. Não é possível conquistar nenhuma medalha sem força mental...” e blá, blá, blá...

Aí ele vira para a comentarista e pergunta: “Você não concorda?” Ela gagueja um pouco, se esforçando para dar uma resposta tão vazia quanto a pergunta e os comentários de Galvão Bueno: “Ãhn... er... eu acho que todo atleta precisa de um preparo... muito preparo antes da competição...” e por aí vai.

Se tem uma coisa que não vou sentir falta, portanto, é ouvir o Galvão falando em FORÇA MENTAL... Olha só, já estou ficando repetitivo igual a ele. Isso pega!

Outro dia eu estava vendo um jogo de futebol na casa de um amigo, e assistíamos na Band. Alguém chegou e disse: “Ah, muda na Globo, pra gente dar risada do Galvão Bueno!”. E mudamos. Acho que o sujeito assumiu um lugar na TV que não é o de narrador esportivo, mas sim de atração humorística. Realmente, sob esse ponto de vista é correto afirmar: sem Galvão Bueno, o futebol não tem a mesma graça. O ridículo, muitas vezes, dá mais ibope que a qualidade. E sempre haverá alguém erguendo a plaquinha “Galvão, filma eu”, pra comprovar a teoria. Isso é força mental?

27 de jul. de 2008

Bem no fundo do copo de Coca-Cola

Quando finalmente deixei o trabalho, no sábado, já estava escuro. Caminhei em direção ao terminal central de ônibus, pela Avenida Vicente Machado, pisando na areia deixada pelos operários que fazem obras de revitalização, mas que para isso precisam quebrar todas as calçadas.

Quando passava em frente a uma lanchonete, pensei em como fazia tempos que não entrava naquele lugar. E que naquele momento não tinha pretexto algum para tornar a entrar ali. Foi quando vi dois sujeitos tirando de um caminhão caixotes cheios de verduras, ou batatas (estava escuro). Eles conversavam algo sobre um amigo chamado “Eziquiel”, e faziam piada.

Ao ouvir o nome, lembrei de meu amigo Eziquiel, único que conheço com esse nome. Por um segundo pensei que poderiam estar falando dele. “Bobagem, o Universo não é tão pequeno”, refleti, no exato momento em que vi o próprio Eziquiel dobrando a esquina, vindo em minha direção.

Ele ainda não tinha me visto, provavelmente por causa da touca preta que me fazia parecer um assaltante de banco, bem ao lado da Caixa Econômica, e que me deu inspiração para imitar um assaltante. Claro que não sei como se faz isso, então simplesmente imitei um batedor de carteiras, colidindo contra o ombro do colega. Foi o suficiente para que Eziquiel arregalasse os olhos, quase me entregando o celular. Depois eu ficaria com pena de tê-lo assustado. Mas não naquela hora, enquanto esperava que ele me reconhecesse com o gorro preto.

Eziquiel estava indo fazer um lanche, justo naquela lanchonete, e decidi não desperdiçar mais uma bizarra coincidência. Assim, pedi um X-Salada. Tomávamos uma Coca-Cola e conversávamos, quando ouvimos alguém chamando o Eziquiel. Ele olhou para o lado, e viu que o sujeito não falava com ele, e sim com um menino de aproximadamente cinco anos. Incrível... era o terceiro Eziquiel em menos de cinco minutos.

A TV exibia um comercial em que aparecia o Rolando Boldrin segurando um violão. A visão inspirou (ou deprimiu) Eziquiel: “Eu queria ser esse cara”, ele disse. O comentário me fez reparar nas unhas compridas da mão que segurava o copo de Coca-Cola. Evidência da prática musical que ele vinha adquirindo nas aulas iniciadas há poucos meses. “Se eu não puder ser ele, chegando perto do Almir Sater está bom”, completou.

“Eu gostaria de ser o Superman, já que entramos nesse papo”, comentei.
Ele riu: “Acho o Superman muito solitário”, disse, como quem dá um conselho.
“Mas se eu fosse o Superman, não seria solitário”, argumentei.
“Ah... então você não queria ser o Superman. Você queria ter os poderes dele!”, disse.
“E você... Queria ser o Almir Sater, ou queria ter os poderes dele?”

Um curto silêncio de reflexão, um olhar para o fundo do copo de Coca-Cola, e a conclusão:
“É... acho que, bem no fundo, quando a gente diz que quer ser alguém... só quer mesmo poder fazer o que aquela pessoa faz”, concluiu Eziquiel, mais ou menos com essas palavras.

Olhei ao redor. As paredes da lanchonete tinham velhos tijolos à vista. Um banner desbotado mostrava a foto de um prato com arroz, carne e batata-frita. O teto tinha uma porção de bandeirinhas de festa junina (ou julina). Esses e outros elementos me fizeram lembrar da última vez que tinha estado ali, e concluir... Que lugarzinho mais feio.

27 de jun. de 2008

Tenho um Galak nas mãos e não vou hesitar em usá-lo!

Tem algumas tecnologias que eu, honestamente, não consigo compreender. Ontem fui ao banco pagar uma conta e tive uma enorme dificuldade apenas para entrar na agência. Era uma daquelas portas giratórias com sistema de detecção de metais.

Depois que a porta travou, tive que recuar até ficar atrás de uma faixa amarela pintada no chão. O guarda orientou a tirar objetos de metal dos bolsos, revólveres e marcapassos, e depositar naquele espaço que existe na porta giratória, semelhante a uma dessas pequenas bacias com água benta que a gente encontra na entrada das igrejas.

Tive que recuar mais algumas vezes, pois a porta continuava travando. Foi então que o guarda me surpreendeu. Disse para eu tirar balas dos bolsos. Não, ele não estava se referindo a munição, ele se referia a balas mesmo, drops, e especificou: Halls!

Bem, aí me lembrei que estava com minha câmera digital na cinta, que era o que estava me impedindo de entrar. Mas eu já estava tirando até moeda dos bolsos. Uma vez dentro da agência, fui conversar com o guarda, e ele disse que alguns doces são envolvidos em embalagens de alumínio, o que faz disparar a máquina, e travar a porta giratória.

Isso sim é o máximo do ridículo. Estamos vivendo o século XXI, momento em que todos achavam que haveria carros flutuando, e ainda não conseguimos desenvolver uma máquina capaz de diferenciar uma metralhadora de uma barra de chocolate! Não posso acreditar em tal coisa. A máquina não consegue saber qual é a quantidade mínima de metal para se fabricar uma arma de fogo, e qual a quantidade mínima de doces que uma pessoa normalmente carrega nos bolsos?

As máquinas podem até ser “burras”, mas quem desenvolve essas máquinas não! Deve ter um jeito de impedir esse tipo de situação. Sou a favor de portas com detector de armas. Mas não com detector de metais. Droga... não posso nem estar contaminado por chumbo, nem entrar no banco com mais de três moedas? Deve ter uma conspiração por trás disso e, quando eu descobrir o que é... vai ter muita gente querendo me matar, eu acho.

5 de fev. de 2008

A mulher de meias cinzentas

O ônibus segue seu trajeto diário do bairro até o terminal do centro da cidade. De segunda a sexta-feira, entre as 7h30 e 8h, eu estou no mesmo ônibus – o 807, se não me engano. E, assim como a maior parte dos passageiros, também estou indo para o trabalho.

A maioria deles evita conversar, e pretende permanecer imóvel, em uma espécie de semi-consciência, até chegar ao ponto em que desce do ônibus. É claro que existe uma loira esguia, de nariz pontudo, que passa a maior parte do tempo retirando cabelos que caíram em sua roupa. Ainda assim, o restante se refugia apenas em pensamentos, a atenção presa à música do MP3 player ou à paisagem que se move do lado de fora.

Mas então, na metade do caminho, algo ocorre para mudar isso. Depois de uma ladeira em descida e uma curva à esquerda, o ônibus pára diante de outro ponto de ônibus, e um pequeno alvoroço se forma no interior do coletivo. Tal movimento não é tão evidente assim. Apenas um olhar treinado, ou já habituado à essas “viagens” diárias, pode perceber. Uma ou duas senhoras levantam do lado direito do ônibus e sentam-se do lado esquerdo. Os olhos de outras pessoas voltam-se em direção à porta da frente, aguardando a entrada de mais um passageiro. E é quase possível ouvir o pensamento de alguns dos que permanecem sentados, fingindo indiferença.

Uma frase escapa da boca de uma das senhoras menos satisfeitas: “Lá vem a sarna!” E a frase coincide com a entrada da passageira a quem a indignação, os olhares, pensamentos e troca de lugares é dirigida.

Ela está sempre com o cabelo preso, usa óculos de aros grossos, tem movimentos irregulares, e equilíbrio pouco coordenado. A boca quase não se move e, quando se move, não mostra dentes. Costuma vestir uma blusa, e uma saia que vai até as canelas, deixando à mostra suas meias cinzentas, e pés inchados metidos em sapatos sem salto. Sua entrada no ônibus demora mais do que a maioria. E sua passagem pela roleta é sempre mais complicada.

Difícil definir sua idade, pois poderia ter entre 20 e 40 anos. Difícil ser mais preciso. Talvez ninguém saiba seu nome, mas poucos são os que já não conhecem seu comportamento. Eu a vi pela primeira vez há alguns meses, quando entrou desse mesmo jeito no ônibus e sentou ao lado de uma jovem morena. A julgar pelos cabelos ainda úmidos da jovem, ela devia ter acabado de tomar banho e, provavelmente, tinha passado um desses produtos para deixar os cabelos enrolados.

Acontece que a senhora de meias cinzentas sentou-se ao lado da moça, na lateral direita do ônibus, e começou a dizer, com sua voz alta, lenta e um pouco fanhosa: “Que cabelo bonito você tem”. Enquanto repetia várias vezes essas palavras, passava a mão no cabelo da moça. Como o trajeto até o centro leva alguns minutos, e a senhora ficou “empaçocando” o cabelo da moça o tempo inteiro, dá pra calcular como ficou o penteado da coitada.

Aquela situação me fez achar tudo engraçado. Até que percebi que a tal mulher pegava sempre o mesmo ônibus, e agia sempre assim, trazendo algum tipo de incômodo aos demais, falando alto, ou dizendo coisas com pouco sentido. Em resumo, não demorou para que seus hábitos fossem reconhecidos, e ela fosse considerada louca. E, aquilo que me pareceu engraçado em um momento, hoje é uma das coisas mais tristes que presencio diariamente.

Ela entra no ônibus sob os olhares de reprovação. As pessoas já sabem que ela costuma sentar-se do lado direito do ônibus e, ao vê-la, levantam-se para ficar do lado esquerdo. E a mulher de meias cinzentas atravessa a roleta e senta-se, aparentemente, ignorando tudo isso. Certa vez, ficou ao lado de outra moça, e pude ouvir a voz fanhosa dizer algo que me fez ter medo: “Quando não gosto de uma pessoa, eu deixo careca e banguela”. Aquilo podia ser uma ameaça, ou não ter significado algum.

Por outro lado, já notei ao menos um indicativo de boa educação em seus modos. Ela sempre sobe no ônibus, num ponto que fica em uma rua inclinada, que faz com que o ônibus permaneça desnivelado. Um dia, passou a roleta e, sem equilíbrio, praticamente caiu sobre mim, que normalmente fico em pé. “Desculpe, moço”, ela disse.

Quase todos os dias ela sobe no ônibus para despertar, já pela manhã, os mais variados sentimentos, em um mundo particular formado por assentos e passageiros, motorista e trocador: preconceito, pena, medo, repulsa, compaixão, surpresa, riso. E o que me incomoda sou eu mesmo, pois nunca sei exatamente qual desses sentimentos é o que prevalece em mim. Um dos meus maiores defeitos é acreditar, com freqüência, que estou sempre na posição de observador, esquecendo que faço parte do Universo que observo.

Cada um desses sentimentos eu já experimentei, apenas vendo ela entrar e sair do ônibus. E a única certeza que tenho, todos os dias, notando o comportamento dos demais passageiros, é que nenhum de nós pode se dizer melhor do que ela. E que não são todos que pedem desculpas, quando tropeçam nos pés do vizinho.

19 de jan. de 2008

Um mal entendido vale um desconto

No intervalo do almoço aproveitei para ir à relojoaria. Há algumas semanas a pulseira de meu relógio estava arrebentando, e eu temia perdê-lo enquanto caminhava pelas ruas da cidade. Logo, precisava comprar uma pulseira nova. Mas algo muito estranho aconteceu.

Tirei o relógio e coloquei sobre o balcão da relojoaria, dizendo à funcionária: “Vim trocar a pulseira”. Ela apanhou o relógio e observou atentamente a pulseira. Seu olhar estava concentrado no ponto em que a pulseira se rasgava. Fiquei sem entender sua reação. Ela estava demorando muito naquela análise. Então me perguntou: “Há quanto tempo você colocou esta pulseira?”

Não entendi a relevância da pergunta, mas respondi: “Não sei... mas faz meses”. Ela se deslocou para o lado, onde seu pai (dono da loja) conversava com outro cliente. Mostrou o relógio a ele e disse: “Olha... ele quer trocar a pulseira”. E ele perguntou: “Há quanto tempo ele colocou essa pulseira?” E ela respondeu: “Há dois meses”. O homem olhou para mim e perguntou: “Você comprou essa pulseira aqui?” “Sim”, respondi.

E eu não estava compreendendo onde estava a complicação. Era só colocar outra pulseira. Aí ele disse. “Então vou te dar um desconto. Você pagou dez reais nessa pulseira, pode levar uma nova por cinco reais”. E eu, muito surpreso, disse “Claro... afinal, só rasgou metade”.

Fiquei realmente impressionado. Era a primeira vez que um comerciante me oferecia um desconto sem que eu pedisse. Comecei a tentar formular teorias para aquele fenômeno. Enquanto a funcionária fazia a operação nos fundos da loja, suspeitei que aquela pulseira antiga fazia parte de um lote defeituoso, e que por isso o vendedor achou que eu merecia um desconto.

Foi outra moça quem veio me entregar o relógio com a nova pulseira. Agradeci, paguei os cinco reais, e fui embora. Quando cheguei no trabalho, relatei toda a situação a meu colega Ismael. Descrevi o fato como sobrenatural. Não é todo dia que alguém oferece o desconto de 50% quando você está disposto a pagar o valor integral. Afinal, fazia vários meses que eu usava aquela pulseira.

Mas Ismael parece ter solucionado o mistério. “Sabe o que foi isso? Foi o poder da palavra”, ele disse. “Você disse que queria ‘trocar’ a pulseira. Não disse que queria ‘comprar’ uma nova pulseira”. E, pensando desse modo, acho que foi o que realmente aconteceu. A funcionária achou que eu estava reivindicando uma nova pulseira, de graça.

Se tem uma coisa que me deixa realmente indignado, é quando sou mal compreendido. Ainda estou pensando em ir até lá pagar os outros cinco reais, e desfazer o engano. Mas, todos, inclusive eu mesmo, me achariam um idiota. Vamos apenas buscar maior clareza com as palavras, numa próxima oportunidade.

Obs.: No final das contas, o dono da loja me concedeu apenas metade do que eu reivindiquei.

30 de set. de 2007

A tranqüila semana de PG

A primavera chegou, e com ela vieram... os ventos congelantes. Ponta Grossa voltou a ficar mais cinzenta e fria nesta semana repleta de pequenas histórias confusas, tristes, engraçadas ou simplesmente curiosas. Os fatos foram notas de rodapé, trechos de parágrafos ou mesmo linhas, perdidas entre as páginas do jornal. Por que não reunir tudo isso em um único texto curto?

A nova rodoviária de Ponta Grossa, por exemplo, voltou a ser comentário no jornal. O governo do Estado anunciou a entrega das obras para o fim de novembro. Notícia boa, que partiu do secretário do Desenvolvimento Urbano, Forte Netto. Chama a atenção, no entanto, uma parte específica da fala do secretário: “O estilo arquitetônico [da nova rodoviária] segue as tendências do brutalismo de Le Corbusier, deixando à mostra todos os materiais da construção, como o concreto bruto, a estrutura metálica, os vidros e as pedras do piso”. Pode até ser verdade. Mas, pra quem não entende nada de arquitetura, parece mais piada.

Também parece piada uma ocorrência policial registrada na quinta-feira. Numa das ruas do Núcleo Santa Paula, uma menina conversava com o namorado, quando apareceu um sujeito que exigiu que ela entregasse o celular. O rapaz aparentemente nem estava armado, mas gritou que, se ela não entregasse o aparelho, ele “iria ficar muito louco”. A menina não quis saber o que aquela ameaça significava, e entregou logo o telefone. Com o celular nas mãos, o sujeito se embrenhou num matagal e desapareceu.

Mais dramática foi uma prisão efetuada no início da semana. Tudo começou na sexta-feira retrasada, quando um rapaz, de nome Rone, deixava o Presídio Hildebrando de Souza, graças a um alvará de soltura. Não ficou nem uma semana livre. Foi preso outra vez na última quarta-feira, depois de furtar um cobertor e um edredom para se proteger do frio. Ele alegou que só tinha pego emprestado, e que devolveria em seguida. Mas, não teve jeito. Voltou pro xadrez, autuado por furto, ainda que motivado pelo frio.

A semana também foi marcada por alguns recordes. Ou quase. O jovem atleta Felipe Leal, de 16 anos, ganhou destaque na pista de atletismo do Campus de Uvaranas da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Por um centésimo de segundo ele teria ultrapassado o recorde mundial nos 100 metros rasos. Sua marca de 9s75 causou euforia. Ele quase tinha chegado ao recorde mundial do atleta jamaicano Asafa Powell.

Depois que já tinham tirado até fotos da marca histórica registrada no cronômetro, os árbitros disseram ter se equivocado, e corrigiram para 10s10. O técnico do rapaz considerou o resultado ótimo, mas continuou achando que tinha algo errado na marcação da arbitragem. “É um tempo excepcional, mas impossível”, lamentou. O novo tempo ainda ficou entre os melhores registrados no país.

Outro número que pareceu recorde foi atingido no sábado. Ponta Grossa realizou, em apenas um mês, quatro desfiles na Avenida Vicente Machado. O primeiro foi no dia 7 de setembro (Independência do Brasil), depois foi no dia 15 (aniversário da cidade), em seguida mais um desfile que trancou a avenida em plena tarde de terça-feira, dia 25 (com a abertura do Festival de Arte da Rede Estudantil – o Fera). E, ontem, dia 29, novo desfile com a abertura do Festival Regional de Teatro.

A semana teria sido tranqüila, se não fosse pela PM prendendo Rone, um atleta ponta-grossense quase atingindo recorde mundial, um ladrão muito louco, e a Vicente Machado sendo interditada pela quarta vez em setembro. Coisas de Ponta Grossa.