25 de abr. de 2006

O Evangelho segundo a vizinha

Há cerca de uma semana fui até uma loja com minha mãe, onde ela pretendia comprar algumas toalhas. Comprou seis.
Dias depois, na última quinta-feira, nossa casa foi invadida por um ladrão, que entrou à noite, enquanto dormíamos. Nenhum de nós viu ou ouviu coisa alguma. Felizmente, o malandro não passou da garagem, de onde só conseguiu levar um par de chinelos, um de sapatos, e algumas toalhas que estavam no varal. Dou um prêmio para quem adivinhar quantas toalhas o meliante levou...
Naquela manhã, minha mãe ficou indignada com o nosso cachorro, que foi repreendido por ela, e nem ganhou os afagos habituais. O animal já está velhinho e uma amiga, certa vez, ao ouvir seu latido, sugeriu imediatamente que eu o levasse ao veterinário, porque ele estava rouco. Apesar disso, seu latido ainda é nosso alarme e, por causa de seu silêncio (devia estar dormindo também na ocasião), o ladrão teve maior tranqüilidade.
Desde então minha mãe conseguiu ficar mais paranóica do que eu. Dependendo da situação, ela tranca cada porta por onde passa. E meu pai está se empenhando na instalação de um novo sistema de alarme.

Bem, nesse fim de semana foi feito um churrasco aqui perto de casa. Um pretexto criado especialmente para reunir os colegas de meu tempo de universidade (pouco mais de um ano). Aqui em casa ficaram hospedados meus amigos Glaydson, Márcio e Fernanda. Foi bom relembrar alguns de nossos velhos hábitos, como o de estabelecer discussões sobre temas variados. Não foi durante um almoço no restaurante universitário, mas foi igualmente interessante.
Num desses debates, Glaydson lançou a pergunta: “O que acharam do Evangelho de Judas”? Eu disse que não mudaria muita coisa em minha vida, mas o Márcio fez questão de lembrar que... “se Judas não fosse visto como o traidor de Jesus, os fatos seriam outros, e a própria História seria modificada.”

De fato, é curioso observar que para qualquer breve relato existem diversas versões. E a prova disso veio um dia depois do roubo das toalhas. Minha mãe e meu pai espalharam para os vizinhos a notícia de que um ladrão entrara em nossa casa, e que todos deveriam ficar alertas. E a cada vez que os acontecimentos eram relatados, nosso cachorro era apontado, direta ou indiretamente, como um dos principais culpados pelo sucesso do bandido. Mas foi num desses relatos que surgiu uma nova versão para os fatos.
Minha mãe disse à vizinha que o cão não latiu e, provavelmente, estava dormindo enquanto o ladrão agia. E a vizinha surpreendeu ao informar que, naquela fatídica madrugada, ouviu os latidos roucos de nosso cachorro. Na ocasião, ela acordou e chegou a perguntar ao esposo: “Por que será que o cachorro da vizinha tá latindo?” E a resposta teria sido algo como: “Vai dormir, mulher... esses cachorros latem por qualquer coisa!”
Depois disso, minha mãe percebeu a injustiça que cometeu com o cachorro. Aparentemente ele fez seu trabalho, mas nosso sono era pesado demais para ser interrompido pelos seus latidos roucos.
Agora ele voltou a ser tratado pelo título de “amiguinho”. Realmente, diferentes versões para um mesmo fato podem alterar o resultado final da História. E o Márcio já sugeriu algo para amenizar a rouquidão de meu cachorro:
“Dá umas pastilhas Valda pra ele...”

12 de abr. de 2006

Mas, será mera coincidência?

Tem gente que não acredita em coincidência. São pessoas que acham que o destino está por trás de tudo. Convido essas pessoas, então, a me ajudarem na tarefa de apontar explicações para aquilo que, aparentemente, é obra do acaso. Eu acredito mais em coincidência do que em destino. Mas admito, por experiências próprias, que há coincidências assustadoras.
Por exemplo, o que a novela Malhação tem em comum com o Jornal Nacional? É incrível, mas existe algo que aproxima essas duas diferentes programações. E como eu assisto a um pouco de tudo, posso dizer o que é... Estou falando de duas personagens que, apesar de habitarem diferentes espaços da programação da TV Globo, são muito parecidas.
A novela Malhação traz a personagem “Dona Vilma”, que é a responsável pela lanchonete Gigabyte. Enérgica, está sempre implicando com funcionários, usando seu tom de voz autoritário.
E o telejornal, quando fala de política, traz “Dona Dilma”. Estou falando de Dilma Rousseff, a ministra da Casa Civil. Alguém já notou a semelhança? Os nomes das duas só sofre alteração na primeira letra! Mas, não basta isso. Visualmente, uma é a cara da outra. Óculos, cabelo, e até a voz! Sim, a voz é parecida! Será que Dona Vilma, personagem da ficção, foi inspirada em Dona Dilma? Ou terá sido o contrário?

E por falar em voz... O que os desenhos animados têm em comum com as músicas mais tocadas nas estações de rádio FM? Bem, eu não aprecio muito a canção, mas o fato é que não dá pra ligar o rádio sem ouvir “Glamurosa”.
Pois então, pare e preste atenção na voz do cantor, no momento do refrão: “Glamurosa... rainha do funk...”, ou algo assim. Reparou como a voz é conhecida? É a voz de um personagem de desenho animado que está fazendo enorme sucesso na televisão brasileira: Bob Esponja!
Sim, tudo indica que Bob Esponja e MC Marcinho são a mesma entidade! A voz é muito parecida... Como se não bastasse isso, os desenhos do primeiro personagem são tão sem-sentido quanto as músicas do segundo. Será coincidência? Ou começa a ganhar significado uma frase de autor desconhecido que diz: “Nós controlamos tudo o que você vê e ouve.”?

Estão dizendo que a viagem do astronauta Marcos Pontes não passa de publicidade brasileira. Outros dizem que as experiências que ele fez no espaço (plantando feijões e observando a capacidade de os vaga-lumes acenderem num ambiente sem gravidade) foi bastante útil. Particularmente, acredito que foi uma injeção de idéias na cabeça dos criativos piadistas brasileiros. E eu aproveito uma coincidência para lançar outra Teoria da Conspiração...

Você deve ter notado que a Globo fez a viagem do astronauta parecer o evento do século. O JN deu destaque especial ao acontecimento espacial (sem trocadilhos). Pois então... E não é uma incrível coincidência que Casseta & Planeta voltou a ser exibido justamente nesse momento?
Acho que a emissora deu todo esse destaque à viagem do astronauta, porque Casseta & Planeta precisava ser exibido, mas o pessoal tava meio sem idéias. Então deram a sugestão de transformar Marcos Pontes em notícia. Assim, não faltariam piadas à turma do Casseta.
Acontece que fugiu ao controle, e as piadas atingiram níveis estratosféricos. Se o astronauta ficasse lá em cima por mais tempo, poderiam ter chegado quase à órbita da Estação Espacial. Proliferaram as charges nos impressos e na TV, aumentaram as ironias no rádio, as conversas em praças e bares ganharam novos toques de humor.
Sei que foram 10 milhões de dólares gastos na viagem do astronauta ao espaço. Mas boa parte desse dinheiro serviu para custear, também, o riso dos brasileiros, já acostumados a rir do próprio ridículo. Quando a gente fica muito tempo de mau jeito... amortece.
Vilma ou Dilma?

7 de abr. de 2006

A cada segundo, 70 mil pessoas deixam de ler o Universo e Afins...

Nunca fui muito fã de estatísticas. Poderia simplificar, dizendo que isso ocorre porque matemática não é meu forte. Entretanto, sei que é mais do que isso. A verdade é que nunca acreditei em dados estatísticos, especialmente aqueles que procuram apresentar dados chocantes. Muitas vezes, são informações tristes, desesperadoras ou revoltantes. Mas não consigo me concentrar em nenhuma dessas três características. Quando procuro entender exatamente o que o cálculo diz, ou de que forma foi elaborado, invariavelmente acabo rindo discretamente.
Dado revoltante: ouvi num comercial de TV algo mais ou menos assim... “A cada 15 segundos, uma mulher é vítima de violência praticada pelo próprio marido.” Minha indignação com o fato não durou muito, porque então meu raciocínio lógico tentou adivinhar de que modo tal estatística foi estabelecida.
É óbvio que existem inúmeros casos de violência contra a mulher. Mas todos sabem que pouquíssimos casos de agressão chegam ao conhecimento, por exemplo, da polícia. A mulher raras vezes decide denunciar o esposo. Na maioria das vezes, a informação não passa da casa da vizinha que, meio sem querer, ouviu a briga do casal.
Teria sido uma enquete? “A senhora apanha do marido? Com que freqüência?” Não acredito que tal pergunta tenha sido feita por aí. E se tivesse sido feita, não atingiria dados como esse. Quinze segundos é o tempo, aproximado, que o tal comercial fica no ar. Imagine se isso for verdade! Não sou bom em matemática, já disse. Mas, faça os cálculos...
Uma mulher espancada a cada quinze segundos. Quatro mulheres agredidas por minuto. Duzentas e quarenta mulheres por hora. Cinco mil e setecentas mulheres em 24 horas! Como é que se chega a esses números?

Outro dia eu ouvi um psiquiatra dizendo que 10% da população possui algum tipo de distúrbio psíquico. Acho que ele se referia à população brasileira. Mas dez por cento não é brincadeira! A pacata cidade de Ponta Grossa possui cerca de 300 mil habitantes. Significaria que temos 30 mil pessoas com distúrbios mentais!
Não saia mais de casa, por favor. É pra sua segurança... Sempre achei que tem um pessoal estranho andando pelas ruas. Uns falam sozinhos, outros falam com qualquer um. E outros param em qualquer praça pública e berram para todos os que por ali passam. A porcentagem explicaria muita coisa. O engraçado é que qualquer um pode estar nessa estatística. Não sabemos o nível de distúrbio psíquico que o cálculo leva em consideração. Eu sei que pode incluir, por exemplo, coisas pequenas como medo de altura ou uma leve depressão.
Será que entre esses 10% de desequilibrados não estão alguns dos homens que batem nas esposas? Uhn... Nesse caso até que a estatística dos espancamentos foi modesta. É claro que existe uma possibilidade um tanto curiosa... Entre esses 10% podem estar incluídos os que criam tais estatísticas. E, nesse caso, os cálculos poderiam estar incorretos. E assim, terminamos no paradoxo de sempre. Estatísticas... ou você acredita, ou não. Depende, também, da fé de cada um.

4 de abr. de 2006

3 de abr. de 2006

Aranhas que voam e carros que pulam...

Eu ia escrever sobre isso no dia 1º de abril... Mas achei que o tema já era, por si só, difícil de acreditar. Então vou escrever hoje: Eu vi uma aranha voando. Na verdade, vi uma aranha planando, mas nem por isso fiquei menos chocado.
Saí da cozinha aqui de casa e vi que alguma coisa passou voando em minha frente. Parecia um cisco sendo levado pelo vento. Mas então focalizei o objeto voador, que logo deixou de ser não-identificado. Uma aranha? Acompanhei o bichinho durante cerca de três metros, até que o vi pousar num pequeno muro onde estavam alguns vasos de flor. E então, enquanto via o cisco caminhando próximo às folhagens, confirmei... era mesmo uma aranha! Minúscula, e que conseguia juntar suas patas até que formassem uma espécie de asa.
Então, cuidado... as aranhas aprenderam a voar. Às vezes parece que não falta acontecer mais nada. Mas sempre surge coisa nova.

Acho, inclusive, que vou lançar uma comunidade do orkut, sobre coisas que acontecem aqui em Ponta Grossa. Espero que não interpretem isso como uma espécie de exaltação à minha cidade natal. Mas é que nesse ponto do planeta acontecem algumas coisas, e existem determinadas personagens, dignas de registro.
Hoje, por exemplo, vi no telejornal uma notícia que merece destaque...

Uma mulher dirigia seu automóvel tranqüilamente pelo centro da cidade. Parece que foi na principal avenida – a Vicente Machado.
Eis que ela ouviu um estouro vindo, aparentemente, da parte de baixo do carro. Quando percebeu, seu automóvel tinha levantado do asfalto e subido em um Fusca que estava estacionado na lateral da avenida.
Algumas testemunhas, entre elas o infeliz proprietário do Fusca amassado, dizem ter ouvido o estouro. Quando olharam em direção ao barulho, viram o automóvel se equilibrando em apenas duas rodas, vindo em direção ao velho Volkswagen. A imagem era a mais insólita possível. Um automóvel “rampando” no outro.
Por isso eu penso que Ponta Grossa deve ser uma espécie de Smallville do interior do Brasil. Nossos meteoros de criptonita devem ter caído onde hoje ficam as misteriosas Furnas – três grandes crateras conhecidas também como “Caldeirões do Inferno”, que tanto atraem os turistas.

Mas digo isso sabendo que coisas estranhas acontecem em toda a parte. Os jornais estão aí pra mostrar justamente isso. Agora não começou uma onda de celulares explodindo? Pois é... Escutei o comentário no rádio: parece que o problema é que muitas pessoas não saber usar corretamente os torpedos.
É até irônico... daqui a pouco os fabricantes terão que efetuar o recall dos celulares. Tem como evitar trocadilhos?
A FIFA está proibindo a comercialização de frangos na Alemanha, devido ao perigo de contaminação por gripe aviária, durante a Copa do Mundo. A FIFA proibindo frangos? É claro que Joelmir Beting, no Jornal da Band, não deixou passar o trocadilho, também.
E agora ainda mandaram um astronauta brasileiro pro espaço! Ainda não entendi o que ele vai fazer lá... O mais ridículo que ouvi até agora é que ele vai fazer no espaço uma experiência com plantas. A mesma experiência que crianças farão em escolas aqui na Terra. Ora, então, por que ele não foi fazer a experiência na escola, ao invés de torrar 10 milhões de dólares entre a saída e a reentrada na atmosfera terrestre?
Aliás... tenho quase certeza de que essa experiência sobre crescimento de plantas eu também já fiz quando estudava no primário.

E quer saber... acabo de criar a comunidade no orkut. Por favor, não me deixe sozinho nessa... http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=11183014&refresh=1

27 de mar. de 2006

Mentira? Imagine só!

Dias atrás um amigo veio dizer que conheceu minha ex-namorada. Engraçado como eu sempre falava para ele a respeito dela, quando ainda havia o namoro. E ele só foi conhecê-la depois que o namoro tinha chegado ao fim. O comentário dele: “Você sempre falava sobre ela... Mas como eu nunca a tinha visto, pensei que ela não existia. Pensei que ela fosse como um amigo-imaginário...” Fiquei pasmo ao notar que ele falava sério.
Durante muito tempo eu tentei compreender por que, raios, algumas pessoas duvidam de coisas que eu falo. Odeio, por exemplo, quando faço um relato e meu interlocutor pergunta: “Verdade?” Dá vontade de esganar a pessoa. “Mas, você jura?” Eu não juro porcaria nenhuma. Ou você acredita em mim, ou então vá pro inferno! Uhn... é isso o que eu deveria responder...

O fato é que, pensando no comentário de meu amigo sobre minha “namorada imaginária” e olhando para algumas de minhas comunidades no orkut, acho que cheguei a uma explicação.
Uma das minhas comunidades diz: “Eu não sei mentir”. E, de fato, se eu tentar mentir, fatalmente vou me sair pior do que se tivesse dito a verdade. Então, procuro não me arriscar. Outra comunidade anuncia: “Eu já vi Óvnis”. Já notei que essa é a comunidade que mais chama a atenção das pessoas, não sei por que motivo. Mas, pensei, interessante como a comunidade número 1 parece entrar em conflito com a número 2. E, finalmente, reparei em outra comunidade logo abaixo: “Minha imaginação me assusta”.
Certo... Refleti sobre essas três frases e cheguei à conclusão: Apesar de eu não mentir, as pessoas sabem que minha imaginação é fértil. Assim, mesmo sendo completamente sincero, como vão acreditar se eu disser algo como: “Ontem vi outro Óvni.”?

Quando eu era criança, acordava cedo e continuava deitado em minha cama. Ficava olhando para a cortina presa sobre a porta. Havia desenhos de flores na cortina. Mas, naquele estado de semiconsciência, eu via que uma das rosas tinha, em seu desenho, traços que lembravam um dinossauro, e que outras pétalas lembravam um soldado. Quando eu menos esperava, o soldado estava tentando matar o dinossauro e uma espécie de desenho animado surgia, sem que houvesse outro movimento que não fosse o da minha imaginação. Sim, eu vivia praticamente no “Mundo de Bobby”.
De lá pra cá, algumas coisas mudaram... A cortina não é mais a mesma. Agora é sem estampa. Mas existem histórias interessantes nos azulejos do banheiro.
Só sei que imaginar não é o mesmo que mentir. E que, na maioria das vezes, as coisas que imagino revelam mais verdade do que mentira. O engraçado é que, recuperando alguns dados de minha memória, percebo que nunca tive amigo-imaginário. Acho que, apesar do elevado grau imaginativo, sou incapaz de inventar pessoas. A menos, é claro, que eu tenha inventado todo mundo, e ainda esteja olhando para a velha cortina estampada.

20 de mar. de 2006

Pelo bem dos manequins

Há poucos dias escutei num anúncio de rádio uma expressão que há tempos não ouvia: “vitrine-viva”.
Na última (e primeira) vez em que escutei a palavra, eu devia ter uns sete anos de idade. Lembro bem, era noite de vésperas de Natal. Eu caminhava pelo Calçadão da Rua Coronel Cláudio – que talvez ainda nem fosse oficialmente um calçadão – junto com meu pai. De repente vi uma multidão de homens reunidos, todos em frente à vitrine de uma loja.
Fiquei curioso. Com tantas vitrines, por que todos resolveram ficar se empurrando diante da mesma? Perguntei ao meu pai sobre o que acontecia ali. Ele esboçou um sorriso e disse apenas “vamos lá também.” Brigando por espaço, pudemos chegar a ver as duas mulheres que, vestindo apenas peças de lingerie, realizavam movimentos robóticos e, em seguida, permaneciam algum tempo paradas, o rosto muito sério, evitando demonstrar reação às cantadas e assobios dos homens ali reunidos. Na ocasião, lembro bem, meu pai explicou que aquilo era uma vitrine-viva.

Mas as pessoas mudam. Umas crescem, outras envelhecem. As mais sortudas conseguem fazer as duas coisas. E agora, conversando com meu pai a respeito, chegamos à conclusão de que a vitrine não é viva. As manequins é que são. Faz sentido.
De lá pra cá eu nunca mais soube que tivesse existido outra vitrine como aquela. Mas eis que na semana passada uma das lojas da cidade anunciou a sua “reinauguração”. Reinauguração é um termo engraçado, também, nesse caso. Afinal, a loja existe há anos e nunca fechou. Já mudou de endereço, mas isso faz tempo. Então, não entendi por que disseram estar reinaugurando.
O fato é que a loja disse que durante a reinauguração haveria uma porção de atrações. Entre elas, uma vitrine-viva! Lembrei de minha experiência quando era criança e pensei: “Hora de rever a vitrine-viva.”
Mas, pra encurtar a história... foi uma grande decepção. As manequins eram bonitas, mas não usavam lingerie. E eu achava que vitrine-viva obrigatoriamente tinha que ter lingerie. Uhn... quem sabe no Natal?

Vitrines são coisas engraçadas. Eu raramente paro a fim de olhar uma delas. Mas, há algumas semanas, um anúncio em uma vitrine me obrigou a parar. Dizia assim: “Vende-se essa vitrine.” Também já vi uma vitrine que anunciava: “Vendem-se manequins.” Parece bem insólito. Como as livrarias que vendem placas de “Aluga-se”.

Coisa estranha são esses manequins. Não há padronização nos modelos. Existem manequins sem pernas, existem os sem-braços, sem pernas e sem braços, e até sem cabeça. Outros têm o corpo bem feito e uma cabeça bem pequena, como se o corpo tivesse sido feito por uma empresa e a cabeça por outra.
Li em algum lugar a respeito de maníacos sexuais que atacam manequins. Fico pensando que talvez esse seja o motivo de muitos desses manequins saírem da fábrica propositalmente mutilados. Talvez haja poucos maníacos dispostos a transar com um manequim sem cabeça. Ou talvez por isso alguns manequins tenham uma cara tão feia. Quem sabe por isso a maioria não tem cabelo? Pelo bem dos manequins. Sei lá, é uma teoria.

13 de mar. de 2006

Gripes e computadores que desafiam a lógica

Finalmente meu computador está trabalhando bem. A assistência técnica teve uma pequena participação, é verdade. Mas o problema principal fui eu mesmo que resolvi. Eles eliminaram o vírus e formataram o CPU. No entanto, o aparelho continuava não conectando à internet. Reclamei com a empresa e enviaram um técnico que é praticamente o clone de meu amigo Glaydson. Só muda o nariz. Vestuário, gestos e voz... tudo igual.
Glaydson Cover conseguiu conectar à internet. Mas, apesar de o sistema indicar a velocidade máxima de conexão (estava lá pelos 50.000bps), a realidade era outra. Nem a página inicial aparecia. Lembrando de como o computador funcionava antes de ser formatado, eu disse a ele que meu CPU funcionava mais rápido se conectasse a uma velocidade menor... Lá pelos 30.000bps. Mas ele disse, com muito cuidado para não me ofender, que isso não tinha lógica nenhuma, pois faria a velocidade de conexão diminuir, não aumentar. E foi embora, me deixando diante de um monitor que avisava: “a página não pode ser exibida.”

Consultei outro técnico e o diálogo foi engraçado:

Eu: Como faço para alterar a velocidade da conexão?
Técnico: Depende... é conexão discada?
Eu: É sim.
Téc.: Ah, então nem vai dar pra alterar muito. Normalmente a velocidade não pode ser aumentada.
Eu: Mas, não quero aumentar a velocidade. Quero diminuir.
Téc.: Você quer diminuir??? – cai na gargalhada, olha para os lados demonstrando incredulidade, depois nota minha expressão e fica sério – Por que você quer diminuir?

Resumindo, ele me disse que reduzir de 50 para 30kbps não tinha lógica nenhuma, corroborando a opinião de Glaydson Cover. Eu já estava cogitando a hipótese de comprar um novo computador. Mas ainda duvidava que isso melhoraria a situação com a internet. Sentei novamente diante do aparelho e fiquei fuçando. Até que encontrei um botão que dizia “conectar somente a...” Selecionei a opção 38400bps. Depois reinstalei o discador. E pronto! A internet está funcionando bem, como antigamente.
Gostaria de mostrar isso para os vários técnicos de informática que me disseram que isso era impossível. Mas tenho receio de que eles queiram dissecar meu CPU para descobrir o que ele tem de sobrenatural. Então, vamos manter isso em segredo... ou quase.
Resolvido o problema do vírus em meu computador, outro acaba de invadir minha casa... Peguei uma gripe das brabas! E desconfio que seja um vírus maluco que se propaga pela linha telefônica, mas não danifica computadores, e sim pessoas. Algo ao estilo de algum episódio do seriado de TV Smallville. Imagino que alterações naturais causadas pela exposição à criptonita, fizeram com que um vírus comum de gripe pudesse se converter em eletricidade, e mover-se a longas distâncias graças à invenção de Graham Bell. Só sei que os sintomas da virose começaram depois que conversei ao telefone com um amigo que teve o sistema imunológico atingido. De lá pra cá, até as pessoas com quem converso por e-mail estão ficando gripadas. Se você também adquirir o vírus da gripe enquanto estiver lendo essas palavras, irá confirmar minha teoria.

6 de mar. de 2006

Pausa para pensar na relação

Estive num café e pedi fricassê (deve ser assim que se escreve...) de frango. Veio um pedaço 25% maior do que o pedaço que comi na última vez em que estive no mesmo estabelecimento. Só posso supor que isso aconteceu porque eu estava ali na noite de quinta-feira, quando o movimento de clientes era pequeno. Talvez os funcionários fossem jogar no lixo o restante daquela comida, que já estava pronta, caso ninguém comprasse. Sei lá! Mas acho que vou começar a ir até lá mais vezes quando o movimento estiver baixo, só pra testar essa minha teoria. “A quantidade de fricassê servida é inversamente proporcional à quantidade de pessoas a freqüentar o estabelecimento no final do dia.”
Naquele mesmo café os guardanapos ficam empilhados no interior de um recipiente quadrado de acrílico, com uma espécie de alça que impede que um possível vento sobrenatural (é um ambiente fechado) desloque as folhas de papel. Olhando aquela peça de acrílico eu pensei, pela primeira vez, na existência de um guarda-guardanapo. Algo que não está no dicionário ainda, mas já está há um bom tempo nas mesas das lanchonetes, também na forma metálica mais tradicional. Uhn... talvez seja um “guardanapeiro”... Vai saber!

O fato é que eu estava comendo aquele belo pedaço de fricassê e tomando uma xícara de café, logo depois de ter saído de uma sessão no cinema do shopping. E isso foi dias antes, parece, de meu computador ter travado... Ou terá sido um dia depois? Bem, o fato é que meu computador travou o Internet Explorer. Aparentemente, depois que recebi algum vírus desconhecido via e-mail.
Eu não sei por que alguém se dá ao trabalho de disseminar um vírus que danifica o meu computador. Tudo bem... os computadores do Pentágono até merecem esse tipo de coisa – promovem guerras. Sabotar os equipamentos da NASA, por que não? Estão tentando importunar os coitados dos extraterrestres. Mas o meu computador... que mal ele faz ao mundo? É meu instrumento de trabalho, pôxa! E agora, aqui estou eu, numa lan house, publicando um texto no blog que, em virtude de uma série de problemas, não é atualizado há um bom tempo.

Minha maior distração é ficar atualizando o Universo e Afins e trocando e-mails! Depois do misterioso vírus que fez com que o Internet Explorer travasse, fui obrigado a levar o aparelho até a assistência técnica que, por razões obscuras, só devolveu o computador uma semana depois.
Eis que liguei o aparelho à internet, e ele não tem nem dez por cento da velocidade de conexão que tinha antes! Raios! Está simplesmente impossível ver sequer a correspondência. A conexão cai a toda hora. Impossível, apenas isso.
Sem computador, durante vários dias eu me senti totalmente perdido, como um náufrago. Aliás, é a melhor metáfora para quem costuma navegar na internet. Depois da fase náufrago, passei a sentir os efeitos da crise de abstinência. De repente me surpreendia caminhando de um lado para o outro, no meio da garagem aqui de casa, com as mãos tremendo.
Agora que o computador retornou, sinto como se estivesse hospedando um parente doente em minha casa. Fica aquela sensação de afeto e desejo de melhoras. Por outro lado, a gente não sossega um instante sequer, imaginando que a qualquer momento ele pode ter um colapso e bater as botas.

Para pessoas como eu, que não curtem o Carnaval, a internet acaba se tornando uma ferramenta indispensável. Aliás, no outro dia ouvi no rádio o comentário de um colega jornalista que dizia: “Às vezes penso que não sou brasileiro... Porque eu não gosto de futebol, não gosto de Carnaval, não gosto de Samba!” E acho que me identifico com esse pensamento. De vez em quando me sinto um estrangeiro em minha terra. Embora seja cada vez mais comum encontrar pessoas que não são fanáticas por esses três elementos, componentes daquilo que se convencionou chamar de cultura nacional.

Então, sem computador, acabei passando uma noite de Carnaval assistindo à partida de pôquer pela TV a cabo. Não significa que eu tenha o recurso em minha casa... Apenas dei seqüência a um hábito criado em 2001, e que há tempos não punha em prática: fui à casa de um amigo que possui TV a cabo, e lá fiquei até altas horas da noite, curtindo a programação. Porque assistir TV a cabo é uma arte que consiste em apertar rápidas vezes seguidas o botão do controle remoto, vendo pequenos trechos de tudo e não acompanhando, realmente, nada. E essa regra raras vezes sofre alteração.

Mas, voltando ao tema “internet”... Na ocasião, estive no cinema para assistir ao filme “A pantera cor-de-rosa”. Uma comédia em que Steve Martin interpreta um detetive atrapalhado. E eu estou precisando muito de comédia ultimamente. Mas não ri tanto quanto gostaria. Na verdade, ri quase nada. Não achei o filme tão bom assim. Mas, eu sou da opinião que todo filme, por pior que seja, apresenta coisas interessantes. Porque o sentido de um filme – assim como o sentido de várias outras coisas, talvez de tudo – depende muito de nossas próprias experiências e formas particulares de ver o mundo.
E nesse filme há um diálogo bastante pertinente. A moça olha para o personagem de Steve Martin e pergunta: “Detetive... você mora sozinho?”
E ele responde: “Não. Eu tenho internet.”
Pois é... Algo para se pensar.

17 de fev. de 2006

Gritos no teto, superstições e trotes automáticos

Algo estranho acontece em minha casa. Há alguns anos era a descarga do banheiro que funcionava sozinha. Já estávamos nos preocupando com o fenômeno, mas com o passar do tempo as coisas voltaram ao normal. Mais recentemente, eu fui fechar uma torneira e ela acabou estourando com o cano PVC e tudo mais.
Na cozinha, a torneira da pia despeja água, sozinha, nos momentos mais estranhos. Normalmente quando a família está discutindo algo durante o almoço ou a janta. Mas agora o negócio extrapolou... A caixa d’água resolveu gritar!
Começou no último dia 13. Meu irmão saiu do banho e a casa foi tomada por aquele ruído medonho. Não fosse a inviabilidade lógica, eu diria que tinha alguém acionando uma buzina de caminhão no teto de nossa residência. Quando notei que a mesma coisa acontecia após o banho de minha mãe, e também depois que eu saía de baixo do chuveiro, deduzi que só podia ser o barulho da caixa d’água enchendo.
Só sei que o barulho era bem esquisito, como um grito de almas vindo diretamente do inferno. E o negócio foi pior à noite, quando o silêncio impera. A situação fez com que eu lembrasse do antigo programa da TV Cultura – o “Castelo Rá-Tim-Bum”. Os personagens ouviam um ruído estranho no teto e nas paredes e alguém perguntava: “Que barulho é esse?” E a resposta, apesar de assustadora, tranqüilizava: “É só o Mal, correndo pelos encanamentos do castelo.”
Subi até o teto e abri a caixa d’água. Tudo parecia comum. Havia apenas um pequeno arame da bóia em posição suspeita. Movimentei o arame alguns milímetros e, ao que parece, foi o suficiente para exorcizar os demônios. O barulho parou... até agora.

Minha avó costuma fazer nhoque – uma deliciosa receita da culinária italiana. Curioso observar que, há pouco tempo, ela resolveu seguir uma simpatia que, parece, ouviu no rádio. Segundo a superstição, é necessário colocar uma nota de dinheiro sob o prato, no qual se coloca sete peças de nhoque. A manobra precisa ser feita a cada primeiro dia de mês. Enquanto a pessoa come o nhoque (detalhe... o indivíduo deve ficar em pé enquanto faz isso), é preciso mentalizar um pedido, que tende a se realizar.
Achei que era para atrair dinheiro, mas minha avó disse que ela não deseja dinheiro. Então, não entendo a lógica da tal simpatia. Afinal, pra quê a nota sob o prato? O que sei é que eu não participei dos rituais, mas meu desejo até agora está se realizando. Desejei que tivesse nhoque pro almoço sempre que eu fosse visitar minha avó, e está dando certo. É só mentalizar!

Superstição é uma coisa engraçada. Gosto de tentar adivinhar o raciocínio que fez com que fossem criadas. Por exemplo, dizem que, se uma vassoura for deixada atrás da porta da casa, o morador não recebe visitas.
Talvez tenha surgido assim... Uma senhora foi visitar o sobrinho e, quando abriu a porta para entrar na casa, a vassoura escorregou e caiu em sua cabeça. A mulher ficou tão indignada, que nunca mais foi visitar o cidadão.
Tem outra boa... As crianças estão brincando de pega-pega, e começam a correr em volta da mesa de jantar. Lá vem alguém pra gritar: “Não presta correr em volta da mesa!” Essa tem lógica... Se você corre em torno da mesa, acaba ficando tonto, cai e bate a cabeça. É o que imagino.
Então, algumas parecem ter razão de existir. Eu, por exemplo, se fosse inventar uma superstição, seria assim: “Não presta jantar embaixo de lâmpada acesa.” Claro... As mariposas, mosquitos e pirilampos ficam voando em volta da luz e acabam caindo na comida.

Nessa semana saí pra comprar um celular para meu irmão. Queria um modelo que não fosse feio e que não fosse muito caro. Encontrei um tal de Nokia 1110 que era uma belezinha. Uma atualização do meu celular, que é um pouco mais antigo. Mas fiquei indignado ao perceber que o celular de meu irmão é mais moderno e bonito, e custa menos. Eu paguei duzentos reais pelo meu aparelho e o do meu irmão custou cinqüenta reais a menos! Tem até sons em mp3, conversor de medidas e viva-voz... Até sugeri que ele ficasse com o meu antigo. Argumentei que o meu aparelho era mais fácil de manusear, mas ele não quis. E isso não foi nenhuma surpresa...
Há uma promoção que permite que ligações entre celulares de mesma operadora sejam mais baratas. A promoção vale para até três números diferentes de celulares. Para isso, basta cadastrar o número do outro celular. Fui fazer o tal cadastro, mas é algo totalmente automático, feito a partir do próprio aparelho. Uma gravação controlada por computador pediu que eu digitasse o número a ser cadastrado. Eu ainda não tinha digitado o número de meu irmão, quando a gravação disse algo como: “Esse número não pôde ser cadastrado. Digite o segundo número.” Segundo número? Bem... Digitei, e lá veio a gravação outra vez: “O número não pôde ser cadastrado. Digite o terceiro número.” Digitei outra vez, e a gravação disse, pela terceira vez, que eu não tinha conseguido e, pior, que tinha feito minhas três tentativas. Em seguida, desligou na minha cara! Assim, meu direito à promoção foi cancelado. Pareceu até um trote. Mas é a primeira vez que uma gravação computadorizada me passa trote.
O pior é que eu acho que fiz tudo certinho. Às vezes eu fico impressionado com a burrice dos computadores. Uhn... Tomara que esse aqui não perceba que estou falando mal dos componentes de sua raça. Tenho medo de uma vingança no estilo Matrix...

5 de fev. de 2006

Os múltiplos lados da piada

Mas, que calor danado faz nesses dias! E olhe que não sou de ficar reclamando do tempo. Acontece que estou evitando enfrentar o sol vespertino, e não sou o único. Anteontem minha mãe pediu ajuda para lavar a calçada em frente de casa, mas estava tão quente que ela preferiu agendar o trabalho para depois das sete horas.
Foi naquele mesmo dia abafado, só que no período da manhã, que minha mãe resolveu que iria aproveitar a promoção em uma das lojas do centro da cidade. E lá fomos eu, minha mãe e meu irmão comprar alguns pares de tênis. Acontece que, além de a loja anunciar a promoção no rádio, ainda colocaram um arco feito de bexigas em frente ao local. Com isso, cada cidadão que passava em frente perguntava: “Ei, o que tá acontecendo aí dentro?” E alguém respondia: “É promoção.”
Foi assim que descobrimos o lugar já entupido de gente. Encontrei a Paula no meio de todas aquelas pessoas, e ela resumiu a situação: “Parece que a cidade inteira de Ponta Grossa está aqui dentro!”
Sei que voltamos com dois pares de tênis e, à tarde, depois das sete, nos determinamos a lavar a calçada. Mas me indignei facilmente com algo absurdamente banal. Todos os conhecidos passavam por mim e faziam a brincadeira mais velha do mundo. Ou uma das mais velhas... (Acho que foi inventada após o advento da calçada.)
“Quero ver tudo bem limpinho, hein?!” (risinhos)
“Depois também pode lavar a calçada lá de casa, tá bom?!” (mais risinhos)
“Vamos, rapaz, use essa vassoura direito!” (outros risinhos)

Até que não dava mais! Cheguei no meu limite e, em meu íntimo, jurei: “A próxima pessoa que fizer piada, vai levar na cabeça...”
O problema é que a próxima pessoa foi a coitada da minha vizinha, Dona Lúcia, que voltava do centro da cidade e não merecia minha resposta mal-educada: “Você é a quarta pessoa que faz essa piada!”, gritei.
Fui repreendido por minha mãe. Mas já estava feito. Acho que Dona Lúcia era uma dessas pessoas que estava no lugar errado e na hora errada. E, claro... que fez a piada errada. Primeiro pensei no lado bom. “Pelo menos essa vai pensar duas vezes antes de repetir a piada.” Depois começou um grande remorso. E, se eu acreditasse em castigo divino, diria que foi o que aconteceu minutos depois.

Faltava uma parte da calçada para terminar o serviço. Minha mãe não conseguia fechar a torneira e eu fui até lá para (em tese) ajudar. Percebi que a torneira parecia estar estragada. Achei que bastaria uma pancadinha sobre o registro, para resolver o problema. Você, provavelmente, já pode imaginar o que aconteceu após a “pancadinha”.
Pois é, quebrei o cano e foi água pra todo lado. Depois de olhares reprovadores de minha mãe e a descoberta de que eu não seria capaz de consertar o encanamento (o que ficaria para o dia seguinte), senti falta de alguém que dissesse: “Tudo bem, isso acontece...” Ou então alguém que fizesse a piada certa, na hora certa.

Pois é, todos cometem erros, e como diz uma amiga: “Você não precisa ser perfeito.” Uhn... esse texto tá ficando cheio de citações. Então, vou aproveitar para comentar as notícias do telejornal.

Vi rapidamente no Jornal Nacional... Durante um encontro entre Lula e o governador do Paraná, Roberto Requião, o presidente começou a falar bem da mamona. Mamona, você deve lembrar, é aquela planta que dá umas frutinhas verdes e que a gente brincava de jogar um no outro quando crianças.
Então o presidente Lula estende um pote de vidro cheio de sementes de mamona, e diz para o Requião: “Olha só, mamona... vocês têm muito disso no Paraná?”
Só que o governador não dá atenção nenhuma ao que o presidente diz. Parece que acabou de desligar o cérebro porque, ao invés de responder à pergunta, ele pega duas ou três sementes de mamona e coloca na boca para saborear.
Nisso, o presidente olha bem pra ele e diz, espantado: “É mamona, pô! Sabia que isso aí tem uma toxina... e que não pode comer?!” Agora, imagina que o governador do Paraná teve que cuspir de volta as sementes. E as câmeras filmando... Não tem como conter o riso numa situação dessas.

Enquanto isso, aumentam os protestos dos muçulmanos contra charges publicadas em vários jornais da Europa, retratando o profeta Maomé. Eu ainda não pude ver as tais charges, mas deve ter sido algo não muito engraçado. Ou, que agora perdeu a graça. Como chargista, fico tentando imaginar o que o autor das tais caricaturas está pensando agora. Acho que aí está o perigo de escrever – ou desenhar – algo, acreditando que não há ninguém prestando atenção. É sempre bom ter em mente que pode haver alguém do outro lado.

E ontem eu estava acompanhando na TV as cenas do momento em que libertaram um empresário seqüestrado no mês passado. Difícil acreditar que o Jornal Nacional conseguiu ir até o local do cativeiro com todo o equipamento e com um repórter, registrando o resgate. Foi sucesso total para a polícia e para a equipe de reportagem. Até o empresário deu entrevista ali, na hora! Parecia uma armação tão grande quanto as fotos da Missão Apollo XI.
Mas tive que dar risada. O empresário parecia relativamente tranqüilo. E o repórter conversou com ele, perguntando detalhes que o empresário tentou responder. Depois, o repórter ainda disse pra vítima: “Ei, amanhã é seu aniversário, não é?” E o cara respondeu: “É sim. Vou festejar com a família! E vocês estão todos convidados!” Nisso, o empresário deu uma paradinha, virou e apontou para os seqüestradores que estavam algemados num canto, e disse: “Menos aqueles ali.”
Depois disso todos riram. E eu ri também, porque me fez lembrar o final dos desenhos do Scooby-Doo, quando todos ficam rindo da situação, e os vilões dizem: “E nós teríamos conseguido se não fosse esse bando de crianças intrometidas e esse cachorro.”
E o cachorro responderia: “Scooby-Dooby-Doo…”

Nessa semana, por razões não muito agradáveis, compareci a um cemitério. Lá encontrei dois amigos (ambos vivos) e, como fazia bastante calor, resolvemos procurar por uma sombra.
_Será que a gente pode sentar no cemitério, ou isso é uma espécie de sacrilégio? – perguntou um deles, apontando para um murinho.
_Acho que não há problema. – respondi – Aqui inclusive tem bancos. – dizendo isso, mostrei um banco de concreto.
Daquele ponto ficamos observando durante algum tempo a vista além dos túmulos (e não além-túmulo). Dava pra ver a catedral da cidade e algumas outras igrejas. Mas acho que não dá pra ficar parado por muito tempo dentro de um cemitério. A gente se sente impelido ao movimento, pra não esquecer da nossa condição de vivos. Assim, algum de nós sugeriu uma caminhada entre os túmulos. E a idéia foi imediatamente aceita.
Paramos diante de uma das antigas sepulturas, onde espiamos a fotografia de uma mulher. E meu amigo soltou essa:
_Mas olha que cara de safada!

Caminhamos mais um pouco e meu amigo parou diante de outro túmulo. Começou a rir enquanto lia algumas palavras sobre a lápide e disse:
_Olha só! Essa é boa: “Família Mortary”...
_Ai meu Deus... Vamos voltar pra sombra, porque com você não tem jeito... – reclamei

Na hora fiz papel de sujeito sério. Mas depois, em casa, confesso que ri ao lembrar dos comentários de meu colega. Só não quis rir na frente dos defuntos. Afinal, é sempre bom ter em mente que pode haver alguém do outro lado.

27 de jan. de 2006

Lotação: 36 passageiros sentados, 42 voando pela janela

Incrível... Mas é possível se indignar já durante o café da manhã. Enquanto comia uma fatia de pão, comecei a ler (a leitura é meu vício) a embalagem de maionese que estava sobre a mesa à minha frente. Dizia o texto dentro de um quadrado amarelo:

“A Maionese Arisco mudou. Seu novo sabor, gostoso e envolvente, vai deixar tudo ainda melhor. E sua nova embalagem, vai virar um porta-tudo com a sua cara!”

Que texto horrível! Parece que quem escreveu isso não tinha noção nenhuma da realidade! Afinal, o que vem a ser um “sabor envolvente”? Mas... “um porta-tudo com a sua cara!” Por favor... tente ler isso em voz alta. E o que eles esperam? Que a gente goste tanto da embalagem, a ponto de transformar em porta-lápis e colocar sobre a escrivaninha?
Mas não parou aí. Na mesma embalagem existe a foto de uma fatia de pão exageradamente coberta por maionese. E a legenda é “Incremente o seu pão”.

Incremente seu pão! Tenta visualizar... Você está na cozinha passando maionese em seu pãozinho. Alguém entra e pergunta: “Ei, o que você está fazendo?” E você responde: “Estou incrementando meu pão.” Será que a palavra tem alguma relação com creme... cremosidade... então acharam que seria uma boa idéia usar o verbo “incrementar”. Uhn... pode ser.
E ainda finalizam dizendo: “Nova Maionese Arisco! Gostosa por dentro e por fora!” Realmente, eles gostaram da embalagem e viajaram na maionese.

*****

No outro dia eu estava assistindo a uma reportagem na televisão, onde um policial rodoviário falava sobre a obrigatoriedade do uso de cinto de segurança nos ônibus que trafegam em rodovias. Ele dizia que todos os passageiros devem usar o cinto.
Fiquei me perguntando por que não é obrigatório o uso de cinto de segurança nos ônibus que trafegam no interior da cidade. É engraçado... apenas o motorista e o cobrador têm cinto (e normalmente não usam).
Mas, na verdade, dá pra entender a ausência do cinto. O ônibus transporta passageiros sentados e passageiros em pé. Provavelmente os bancos não possuem cinto porque seria estúpido dar mais segurança a quem está sentado. Quer dizer, o pessoal que se senta coloca o cinto e o resto é arremessado pelas janelas quando acontece uma colisão!
O engraçado é que uns ficam em pé e outros ficam sentados, mas todos pagam a mesma coisa ao cobrador. Acho isso muito estranho. Quem fica em pé deveria pagar menos.
Por outro lado, no passado não muito distante tínhamos os bondes e, literalmente, era necessário pegar o bonde andando. E hoje há preocupação em deixar trilhos de trem próximos a lugares povoados, porque alguém pode ser atropelado. Sim, é estranho.

*****

Às vezes escuto no rádio as ocorrências policiais da cidade. Roubos, assassinatos, golpes, discussões etc. De uns tempos pra cá, reparei, deixaram de divulgar os nomes das pessoas envolvidas nos crimes. E isso acontece tanto para o criminoso como, também, para a vítima. Em lugar de dizer que José da Silva teve o aparelho de DVD roubado, o anúncio chega assim: “J.S., 23 anos, chegou em sua casa e se deparou com a porta arrombada...” Ou seja, ficamos sabendo apenas as iniciais das pessoas envolvidas.
Isso faz com que seja possível encontrar situações como, por exemplo:

“R.G., 32 anos, foi detido porque não portava a carteira de identidade.”

“T.N.T., 54 anos, é suspeito de provocar incêndio.”

“L.S.D., 19 anos, foi preso sob suspeita de tráfico de drogas.”

“W.C., 24 anos, preso por atentado ao pudor.”

26 de jan. de 2006

A força da carranca

Quando encontro o Ben Hur costumam surgir algumas situações que parecem convidar à reflexão. Ontem, enquanto estávamos num café no centro da cidade, surgiu à porta um menino, que disse:
_Tio, tem dez centavos?

Fomos unânimes em dizer que não tínhamos dez centavos. O que, embora estivesse perto da verdade, não era completamente correto. O menino tentou outra coisa:
_Então me dá uma coxinha?

Piorou, né? Ninguém ia dar coxinha nenhuma. Nós, inclusive a funcionária, dissemos que não tinha coxinha também. E outra vez não estávamos mentindo. Depois de uma certa hesitação, o menino resolveu ir embora.
Apesar de ser trágica, tivemos que rir da situação. De fato, não havia coxinha. Eu tinha comido a última. O café estava na hora de fechar, de modo que a funcionária, impaciente, já havia guardado todos os salgados, desligado a máquina de café expresso, e olhava pra gente com o objetivo de nos convencer a ir embora.
_Caramba... a gente nega dez centavos e eles vão subindo os valores. Se não tem dez centavos a gente tem que dar uma coxinha? Não deveria ser o contrário? – comentei, pensando num leilão.
_ O garoto pediu dez centavos. Mas não queria dizer que ele queria dez centavos. – disse Ben Hur – “Dez centavos” era apenas simbólico. Ele quis perguntar se não tínhamos nada para dar pra ele. Dez centavos... Uma coxinha...

Acontece que era a primeira vez que entrávamos naquele estabelecimento. Ali, descobrimos que o preço do cafezinho não era o mais barato da cidade. Soubemos, também, que o sabor do café não estava dos melhores. E descobrimos, estupefatos, que o café médio é tamanho pequeno, e o café grande é tamanho médio.
Talvez por isso (como forma de vingança), ou porque não tivéssemos nenhuma pressa, fizemos questão de permanecer no local até o último minuto. Ben Hur, inclusive, perguntou à funcionária:
_Você deve estar apenas esperando que a gente vá embora, para poder fechar o café, certo? A que horas você fecha?
Ela olhou para o relógio de parede, que marcava 18h45, e respondeu:
_Fecho às dez para as sete.
E Ben Hur conseguiu tirar um sorriso do rosto ainda carrancudo, quando comentou:
_Ah, então ainda temos cinco minutos.
_Tudo bem, se você limpar o chão... – ela disse, rindo.
E eu completei:
_Se você abater dois reais de nossa conta, a gente limpa o chão.

Logo depois, saíamos do café. E eu comentei com Ben Hur:
_Reparou? Ela estava toda séria. Você conseguiu arrancar um sorriso daquele rosto.
_Pois é... Nem lembro mais qual foi a senha. Acho que foi quando falamos da coxinha.
_Não... foi quando ela falou de limpar o chão.
_Ah, é...
_Mas é tão melhor quando alguém atende a gente com um sorriso, não é?
_Uhn... sei lá. Ficar sério é mais cômodo. O sorriso acaba desarmando a pessoa. Se a pessoa já chega sorrindo em algum lugar, o pessoal acha que pode sacanear com ela. O sorriso acaba demonstrando fraqueza. É por isso que costumo ficar sério.

Desde então, fiquei pensando nessas palavras. E no quão ingrata pode ser a vida para aqueles que, simplesmente, não querem ser antipáticos. Talvez por isso não seja possível cumprimentar uma pessoa no ponto de ônibus, sem que se sinta um certo grau de estranhamento. Talvez por isso boa parte da população mundial permaneça com a face imóvel como rocha. Uma tática de defesa. Uma precaução. Se o sorriso é sinal de fraqueza, então sabemos que a humanidade se torna mais forte a cada dia.

20 de jan. de 2006

Escuridão no cinema ou... ovelhas no cinema?

Como estava meio aborrecido nessa semana, aproveitei para fazer algo que não gosto. Fui sozinho ao cinema e optei por assistir a um filme de terror (ou seria suspense? Agora não sei ao certo... talvez ambos). Inclusive me entupi de pipoca. Caramba... parecia que aquela pipoca não acabava nunca.
Mas, como era mesmo o nome do filme... Ah, era “Escuridão”. Interessante que o título original era algo como “Sheeps”. Ovelhas! Eu não sabia o que era pior... se o título em português, mais genérico possível para um filme do gênero; ou o título original, que parecia nada ter a ver com o filme. Mas, quando vi uma porção de carneiros possuídos pelo demônio se atirarem do alto de um penhasco, não tive dúvidas, deveriam ter mantido o título original.
Curioso que, há alguns meses, eu lembro, isso foi notícia na internet. (http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/mundo/2040501-2041000/2040903/2040903_1.xml). Uma porção de ovelhas tinha se atirado do alto de um penhasco. Agora fico tentando adivinhar se o filme se baseou na realidade, a realidade se baseou no filme, ou foi apenas mais uma entre milhares de coincidências de nosso cotidiano.
Só sei que filme de suspense é algo que me deixa indignado. Durante o filme todo eu devo ter me assustado umas duas ou três vezes, apenas porque surgia, repentinamente, um barulho mais alto do que todo o resto do áudio. Parece que é esse o objetivo do filme... assustar não tanto pelo desenvolvimento da história, mas principalmente por meio de ruídos inesperados. É isso: o fator surpresa. (Descobri a pólvora...)
Quando fui ao cinema assistir “Sinais”, lembro que me senti um completo idiota na única vez em que realmente me assustei durante toda a sessão. Era quando o telão, repentinamente, mostrava a cabeça de um cachorro que latia ferozmente. Pôxa... o filme é sobre alienígenas que invadem a Terra para dizimar a população humana. E eu me assustei com o cachorro do Mel Gibson! – sem trocadilhos...
O que mais me irrita nesses filmes é que os personagens costumam fazer exatamente o contrário do que qualquer pessoa racional faria. Por exemplo, a personagem principal do filme Escuridão (que não era uma ovelha) é uma mulher muito histérica. O tipo que espanca uma criancinha só porque pensa que a menina está possuída pelo demônio. Tudo bem que a mulher tava certa, mas mesmo assim...
Vou descrever aqui uma cena que quase me fez rir. A mulher está na cozinha fervendo água numa chaleira. Ela pega a chaleira, quando escuta um barulho no sótão da casa. Aí o que ela faz? Você teria várias opções... Minhas preferidas são: Poderia ignorar o barulho e continuar preparando seu chá. Ou então, sabendo que o sótão é escuro e a casa é estranha, poderia chamar mais alguém para ir investigar a origem do ruído. Mas, ao invés disso, a mulher vai até o sótão, sozinha, carregando a chaleira com água fervente.
Pensei: “Pronto! Já era... vai se assustar e jogar toda aquela água fervendo em cima de si mesma...” Ela abre a porta do sótão, entra, não há nada em meio àquela escuridão. Então alguém surge atrás dela. A mulher se assusta – os espectadores também – Grita! Mas... era só o velho jardineiro. O faz-tudo da casa. Amigo da família! Então ela se acalma e volta para a cozinha com o jardineiro. E a chaleira? Ah, pois é... parece que o roteirista esqueceu a chaleira lá no sótão. Deve estar lá até agora, porque não aparece de novo durante todo o filme.
Mas gosto das explicações que algumas dessas histórias costumam criar... Do tipo: Segundo uma antiga lenda galesa, é possível trocar um vivo por um morto e, assim, trazer de volta do inferno alguém que já se foi. Interessante...
Entretanto, o que mais me assustou foram os trinta segundos que antecederam o filme que fui assistir. Cara... exibiram um trailer de outro filme de terror. O título era genérico também... Algo como “Espíritos”. O filme talvez nem seja tão bom. Mas o trailer me fez ficar arrepiado.
Mostra várias fotos, uma após a outra, tiradas em uma porção de lugares e datas diferentes. Essas fotos têm uma porção de pessoas retratadas em momentos simples como aniversários e formaturas. Depois, as mesmas fotos são mostradas com detalhes, e você percebe que tem uma porção de rostos e braços que estavam ali e você não tinha notado antes. “São os espíritos... Há! Há! Há! Há!”
Dito assim, parece idiota. E talvez seja. Mas é um trailer muito bom. Quanto ao filme que assisti... Até que foi divertido. Se encontrasse um amigo na saída do cinema, poderia até ensaiar alguma piada sem graça.

13 de jan. de 2006

Sobre ônibus, ladrões de porcos, fábulas e primas

Sexta-feira, 13! Mas não se alarme. É um dia como outro qualquer. Até terremoto a gente já teve por aqui, e não foi em dia envolvido em superstição. Não sei por que o espanto com o fato de um pequeno tremor de terra ter acontecido por estas bandas. As pessoas que testemunharam o terremoto, disseram que “parecia que tinha um grande caminhão passando na rua”. Dizem que o tremor de terra não pode ser previsto. Mas aqui em casa, eu sei, acontece em média a cada trinta minutos. É que o ônibus passa e faz tudo chacoalhar por aqui. Se eu tivesse percebido o tal tremor, talvez meu comentário fosse: “Olha só... o ônibus está adiantado!”

Eu tenho um amigo que, em certa ocasião, não lembro em qual contexto, disse que chorou quando assistiu ao filme “Babe, o porquinho”. Tudo bem, eu também me emocionei vendo “Fuga das galinhas”. Mas fico pensando o que ele achou dos cientistas de Taiwan, que acabam de criar o porco fosforescente.
Pois é, lá está ele... um porco verde que brilha no escuro. Dizem os especialistas que a finalidade desse experimento é “monitorar e rastrear alterações nos tecidos durante seu desenvolvimento físico.” Mas, que é estranho, não há dúvida. Quer dizer, há alguns anos lembro de terem anunciado um rato que carregava uma orelha humana nas costas. Agora injetaram proteína de água-viva num porco, para que ele brilhe no escuro!
Bacana o comentário que ouvi no rádio: “Isso vai facilitar bastante para os ladrões de porcos, né?”

Por falar em rato... Foi notícia nos Estados Unidos na semana passada... Um senhor, um tal de Luciano Mares, fazia limpeza em sua casa e encontrou um rato. Pegou o bichinho e pensou: “E agora, o que faço com você?” Acontece que ele havia juntado alguns ciscos no quintal de casa e tinha colocado fogo. Não satisfeito em expulsar o rato, o cidadão pegou o roedor e o atirou no monte em chamas. O que aconteceu?
Bem, a manchete que encontrei foi: Em “vingança”, rato põe fogo em casa nos EUA. O rato saiu pegando fogo e correu de volta para dentro da casa do homem. Lá se foi toda a mobília. Parece coisa de filme de Sessão da Tarde! Puxa, alguém tinha que transformar isso numa fábula. Podia virar até ditado popular. Algo como “É preciso matar o rato antes de atirá-lo ao fogo.” Uhn... tá, ficou estranho, e os ambientalistas não iriam gostar.

E na semana passada eu comentava sobre Teorias da Conspiração. Cheguei a publicar aqui algumas das minhas teorias locais. Bem, não sei se foi por acaso, mas o fato é que eu, pela primeira vez, não consegui mandar e-mail avisando sobre a atualização do blog. Parece que meu e-mail numérico, tradicionalmente usado para fazer a divulgação, não funciona! Por causa disso, apenas algumas pessoas receberam o tal “newsletter”. Raios! Vamos ver se hoje funciona...

Eu tenho uma prima que é uma figura. Imagine que ontem eu estava lendo um livro quando tocou o telefone. Atendi. Era ela. Qual foi a primeira coisa que ela me perguntou: “Danilo? Onde você tá?” “Como assim? Tô em casa! Você telefonou pra cá, lembra?”
São situações como essa que me fazem sorrir, mesmo em dias ruins.

5 de jan. de 2006

Impressões de um teórico da conspiração

Estive no sebo na tarde de ontem e encontrei uma revista ótima, pelo menos para mim. É uma edição lançada pela revista Superinteressante em outubro de 2004 e trata exclusivamente das chamadas “Teorias de Conspiração”. No ano passado uma edição parecida estava nas bancas, mas não pude comprar porque o próprio preço parecia uma conspiração.
Desta vez encontrei esse exemplar de “O livro negro das conspirações”, com preço mais acessível, e estou me divertindo com a leitura: O homem nunca pisou na Lua. A Aids foi criada em laboratório. Tancredo Neves foi envenenado. E, o que achei mais interessante, “O código de barras é coisa do Satã”. Essa é nova para mim.
Os textos apresentam os principais argumentos dos teóricos da conspiração para essas suposições. Mas interessantes mesmo são os comentários bem humorados que os repórteres e entrevistados fazem a respeito dos temas discutidos.
Um dos depoimentos sobre o terrível código de barras eu sinto obrigação de transcrever aqui:

“Um dos meus passatempos quando criança era ir ao supermercado com minha avó, a saudosa Dona Alcinda. Ela adorava quebrar o pau com uma fiscal, Dona Neves, que vivia com o marcador de preços na mão. ‘Larga esse revolvinho, que um dia quem vai tomar tiro é você’, dizia minha avó. Um belo dia, ela teve uma surpresa: ‘Trocaram as etiquetas de preço por uns riscos na embalagem!’. Como ela iria ver os preços dos produtos? O que aconteceria à abominável Dona Neves? Dias depois, soubemos que Dona Neves foi morta com 18 tiros (três vezes seis, ou 666...). Foi a prova de que o código de barras é mesmo o alfabeto do demônio.”
Eduardo Vieira, editor da Info Corporate, nunca mais comprou em supermercados.

Há! Essa foi ótima! Mas, mesmo considerando as criativas piadas colocadas estrategicamente em meio a temas que sempre foram e sempre serão polêmicos, não há como ler a revista e não ficar um pouco mais paranóico do que já sou. Eu, como estou sempre desconfiando de tudo e, ainda por cima, tenho um agravante de ordem psicológica chamado “imaginação fértil”, acabo sendo ainda mais afetado. Então, vou aproveitar para lançar algumas de minhas teorias da conspiração locais.

Por exemplo, há alguns anos o pessoal da empresa de saneamento básico procedeu a uma troca nos registros de consumo de água aqui na cidade de Ponta Grossa. A princípio, algumas pessoas tentaram se opor. Mas não havia razão para isso. Os funcionários diziam que era um procedimento de rotina, que de tempos em tempos era preciso trocar o equipamento, do contrário o funcionamento correto poderia ser prejudicado. Bem, acontece que depois que os registros foram trocados o consumo de água aumentou pra caramba e, também, a conta a pagar. Uma reclamação qualquer e a explicação do funcionário estava na ponta da língua: “É que, com o tempo, o registro tinha acumulado sujeira, o que impedia o cálculo exato do consumo de água.” Uhn... sei... Pra mim, eles trocam o equipamento periodicamente e fazem com que, propositalmente, os preços aumentem. E nós, pobres consumidores, somos obrigados a pagar por isso.

Outra... Sabe aquelas guardinhas que ficam multando os motoristas que estacionam seus automóveis em local proibido ou, simplesmente, não colocam o cartão de estacionamento? Às vezes, a gente estaciona e não vê nenhuma delas... Mas vem o pensamento: “Ah, é só por dois minutos... eu só vou colocar a carta no correio e já volto.” Mas, é quase certo, quando você volta a multa já está sendo aplicada. Lá está ela, uma guardinha, parada, o olhar fixo apenas no papel que tem nas mãos e na placa do seu carro. E então você tenta argumentar, mas ela olha em volta como se não estivesse vendo você.
Minha teoria é que elas não são humanas. Talvez sejam como o Agente Smith, no filme Matrix. Elas assumem o corpo de qualquer pessoa que estiver passando por perto do seu carro logo depois que você estaciona e atravessa a rua. Por isso surgem sem que ninguém perceba. E por falar em não perceber... Afinal, pra onde essas guardinhas vão quando chove? Já reparei que a maioria delas simplesmente some durante a chuva.

E por último... Parece que foi no ano passado... Foi instalada aqui no centro da cidade uma nova torre de transmissão de TV que, em tese, serviria para melhorar o sinal da Rede Globo nos televisores da cidade. Acontece que, para isso, seria necessário que a antena receptora também fosse trocada. Foram feitos anúncios em outdoors, no rádio, na própria televisão. E até mesmo um folheto foi distribuído aos ponta-grossenses, explicando que seria necessária a compra de uma antena VHF, em lugar da antiga UHF, para que o sinal fosse captado de forma adequada.
Assim, milhares foram às lojas de antenas da cidade para comprar a tal VHF que, não acredito que seja coincidência, estava em desconto. O sinal da Globo melhorou um pouco. Mas a mudança de antenas coincidiu (ou não) com a piora na imagem das demais emissoras. Não vou lançar nenhuma teoria aqui. Vou apenas apresentar os fatos: a venda de antenas aumentou como nunca e a imagem da TV continua péssima. O número de técnicos contratados para instalar as antenas nas residências também aumentou. Só sei que foi muito lucrativo para vendedores e instaladores de antenas. E que, muitas vezes, assisto à Globo porque os outros canais estão cheios de chuviscos.

Mas, se alguém tiver uma informação menos especulativa sobre essas coisas, seria bom colaborar como Universo e Afins. Que foi? Tem uma tia que trabalha como guardinha e ela não é como o Agente Smith? Tem um irmão que instala registros de água e te contou toda a verdade? Você é instalador de antenas e garante que não há conspiração nenhuma nessa história... e mais, ainda vai até minha casa arrumar a imagem da TV, sem cobrar nada por isso? Beleza!!

- Desconfie com moderação. -

28 de dez. de 2005

O sorvetone e o ovo de Colombo

Nessa época de Natal, dizem, as pessoas ficam mais boazinhas umas com as outras. Isso eu não consegui notar. E não acredito muito que alguém espere a noite de Natal para se tornar alguém diferente. Mas é bom receber um cartão ou um telefonema, um abraço ou um sorriso. E a data acaba oferecendo um bom pretexto para essas coisas.
Várias vezes me revoltei pensando: “Mas que droga... fixaram datas em nosso calendário, apenas para que compremos mais!” E em meu íntimo fico achando como é tolo esse hábito de esperar um presente das mãos de uma pessoa que nos é especial. Mesmo pensando assim, acabo me rendendo à tradição e entrego um pacote aqui, outro ali, envio um cartão. Depois, levando em consideração a correria do cotidiano, raciocino: “Se não fosse nessa data, será que eu faria isso?”
É curioso pensar sobre como precisamos de data específica para fazer coisas simples como enviar um cartão... Assim, esses números vermelhos em nosso calendário acabam surgindo diante de mim como vilões e mocinhos, simultaneamente.

Os telejornais acabam restringindo demais os temas abordados nesses dias. Fico com a sensação de que mais de metade do noticiário trata do movimento nas rodovias do país e do crescimento nas vendas de presentes de Natal. Um dia após o Natal, as notícias são sobre a troca de presentes nas mesmas lojas.
Mas no programa Fantástico do último domingo, um homem disse estar pesquisando para descobrir quantos irmãos Jesus teve, e em que circunstâncias. Surgiu a hipótese de que José teve um outro casamento, anterior ao casamento com Maria. Fico pensando que não será nada fácil concluir tal pesquisa. Eu nem sei direito qual foi a profissão de meu bisavô! E agora aquele cidadão quer traçar uma árvore genealógica de cerca de dois mil anos.

Aqui em casa eu comi muito panetone nesses dias. Acho que não estava acostumado a comer tantas frutas cristalizadas... Tem gente que não come as frutas. Pega o panetone e começa a destrinchar, deixando um montinho de frutas de lado. Ainda bem que, quando a família é grande, também existe quem que não gosta da massa, prefere apenas as frutinhas. E aí não sobra nada...
Nesse Natal descobri chocotone de chocolate branco. Rapaz, é muito bom... Uma boa alternativa para quem não gosta de frutinhas. O que não me convenceu muito foi uma receita de panetone de sorvete – o “sorvetone”, que eu vi na televisão.
Fiquei esperando para ver como seria isso. Então, uma mulher mostrou o procedimento normal para fazer um panetone. E eu fiquei ali me perguntando: e o sorvete? Nisso, a mulher abriu a geladeira e tirou de lá um pote de sorvete. Depois cortou a parte superior do panetone e “cavou” o interior, deixando o panetone oco. Jogou o sorvete lá dentro e devolveu a parte superior, que serviu como tampa. “Depois, é só guardar no refrigerador...”, ela disse.

Achei ridículo... Só porque jogaram sorvete dentro do panetone, o negócio virou sorvetone! Mas fez com que eu lembrasse de uma aula de história que tive na escola – minha professora era muito boa em contar histórias. Dizem que Colombo duvidou que alguém, além dele, conseguiria colocar um ovo em pé. Os homens mais inteligentes aceitaram a aposta. Passaram várias horas tentando equilibrar o ovo. Mas o ovo, é claro, sempre rolava e, de vez em quando, chegava a cair no chão. Finalmente desistiram e perguntaram a Colombo: “E então? Como é?”
Colombo pegou o ovo e bateu de leve na parte de baixo, amassando um pouco uma parte da casca. Em seguida colocou sobre a mesa, com a parte levemente quebrada para baixo. E o ovo ficou em pé. Os outros, vendo aquilo, disseram: “Ora, mas, se fosse assim, nós também faríamos.” E Colombo deu um sorrisinho e respondeu: “Mas não fizeram.”

Por falar em panetones... Na segunda-feira encontrei na internet a seguinte manchete: “Bolo mundialmente conhecido por se parecer com a Madre Teresa de Calcutá é roubado no Natal”.
Aconteceu nos Estados Unidos. Diz o texto que, em 1996, um homem ia comer um bolo de canela quando, pouco antes de dar uma mordida, reconheceu ali o rosto de Madre Teresa. E pronto! O bolo se tornou famoso. Apareceu em programas de TV, inclusive. Por último, estava exposto na vitrine de uma loja e foi roubado, ao que tudo indica, na noite de Natal.
O proprietário da loja acha que o ladrão é “alguém irritado com o fato de a loja deixar o bolo da freira em exibição, preservado com goma-laca.” Esse ladrão teria como único objetivo destruir o bolo. Mas eu acho que é mais do que isso. A chave do mistério tem que estar na data. Por que alguém roubaria o tal bolo, justo na noite de Natal? Talvez alguém tenha se surpreendido com um inusitado presente nesse final de ano.

21 de dez. de 2005

As lojas de eletrodomésticos e seus fantásticos andróides

Eu não queria falar de publicidade de novo... Mas o enfoque agora é outro. Recebi no portão de casa um folheto de loja de eletrodomésticos. Não costumo ficar muito tempo olhando esses papéis. Acontece que dessa vez me concentrei um pouco mais na tarefa e descobri, rindo, que isso pode ser bem divertido.
É que encontrei várias informações a respeito dos produtos à venda, e uma porção desses dados eu, simplesmente, não consigo entender. Por exemplo, estou olhando aqui um televisor de 32 polegadas. Custa a bagatela de R$3.339,00. O aparelho possui “HDTV Ready / Progressive Scan; Pip / Double Window; Super woofer / Virtual dolby surround e… o mais impressionante de tudo… Controle remoto sem bateria”!
Não entendi praticamente nada do que esse televisor pode oferecer. Mas o que mais me surpreende é o controle remoto sem bateria. Não entendo se o controle funciona sem baterias, ou se essa informação equivale ao já antigo e desgastado “pilhas não inclusas”.

Encontro aqui, ainda, um aparelho de DVD, marca Panasonic. Uma das vantagens desse aparelho é que ele é “Ultra slim estilizado”. Pelo que entendi, significa que ele é fininho. Sabe, não ocupa muito espaço na estante. Só não entendo o que há de diferente entre o Ultra slim estilizado da Panasonic e o “DVD super slim” da LG.

Vejo também um Mini System que possui Game Link – USB; outro que tem Conexão Gameport e Bass reflex de 3 vias; outro ainda que oferece Dynamic Bass Boost. Nesses aí eu fiquei completamente perdido. “Game Link”? Eu nem sabia que dava pra jogar video-game no Mini System... quanto mais conectado à internet!

Na outra página encontro os aparelhos de fax. Um deles funciona com papel térmico. Outro trabalha com papel plano. Mas, eu achei que papel plano era o básico em qualquer aparelho de fax... Quanto ao papel térmico. Não faço idéia...

É possível comprar um liquidificador e levar de brinde um mini mixer! Além disso, o fogão possui mesa sobreposta com grades individuais. Mas nenhum eletrodoméstico é capaz de superar os refrigeradores, no que se refere a complicação.
Um dos refrigeradores possui “degelo seco”. Por que não? Se existe gelo seco... Mas, o que afinal significa, “portas reversíveis”? E, deixa eu entender... “pés rodízio”, significa que o refrigerador tem rodinhas embaixo, certo?

Mas eu tiraria mesmo o chapéu para um aparelho com nome de robô da série Star Wars. Estou falando do incrível... Refrigerador Brastemp XRX 48D. Custa R$4.499,00. Mas possui: Congelamento rápido; Prateleira trifase no freezer; Ar frio direcionável e... Controle eletrônico externo com Sexto Sentido!!
Cara, esse refrigerador tem mais sentidos do que eu! Deve ser um refrigerador que consegue ver gente morta... Ei, agora estou lembrando, no filme “O Sexto Sentido” o ambiente fica mais frio sempre que um fantasma surge. O XRX 48D deve fazer algo parecido.
Já não sei o que eu preciso estudar para entender esses folhetos de venda de eletrodomésticos... Faço um curso de informática, ou de paranormalidade?

19 de dez. de 2005

"Isso é a cabeça de um homem!"

Depois que li o livro “A volta dos que não foram”, parei de duvidar da existência de uma porção de coisas. Mas, apesar disso, ainda estou surpreso com o anúncio que o SBT está fazendo há algumas semanas. Vão exibir o filme “Titanic 2”!
Fiquei curioso. Lembro de quando o filme Titanic foi lançado nos cinemas. Mas jamais gostei muito da história. Soube que o final era triste e acabei nunca assistindo à produção. Pois é, quando tenho a chance de escolher, prefiro finais felizes. Mas não lembro de nenhum anúncio de Titanic 2. É a primeira vez que isso é cogitado pelo meu cérebro.
Tem um site muito bom sobre filmes: www.adorocinema.com. Dei uma olhada e não encontrei nenhuma referência a Titanic 2. Assim, só me resta esperar para saber do que se trata. Estão perguntando por aí... Será que afundam o navio de novo?

E por falar em filmes e livros... Estive na biblioteca pública na semana passada e emprestei o livro “Os três anéis”. Ao contrário do que possa parecer, nada tem a ver com a trilogia “O Senhor dos Anéis”.
“Os três anéis” é uma história de mistério e suspense que fala a respeito de terroristas que ameaçam espalhar um gás letal na Inglaterra. O autor é um tal de J. S. Fletcher, sobre quem eu ainda não tinha ouvido falar. Livro antigo, páginas amareladas, provavelmente uma edição anterior à década de 1970.
É interessante como pequenas coisas chamam nossa atenção nos textos. Às vezes é um parágrafo ou uma frase, que pode nem ter tanta relação com o restante da obra. O que achei mais curioso é que esse livro fala de um método peculiar de identificação de assassinos. De acordo com esse método de investigação, ao morrer, uma pessoa deixa gravada na retina a última imagem captada pelos olhos.

No filme “As loucas aventuras de James West” (que tem como protagonista Will Smith e já foi exibido pela TV aberta mais de cinco vezes, provavelmente), um cientista transforma a cabeça decepada de um cadáver em retroprojetor. É uma cena mórbida e engraçada. Enquanto Will fica gritando algo como: “Isso é a cabeça de um homem!”, o cientista liga uma lâmpada, fazendo com que dos olhos do defunto seja projetada a última coisa que ele viu, em um telão na parede. Assim é descoberto, ou quase, o assassino.
Até ler o livro de Fletcher, eu achava isso ridículo. Mas agora fico tentando imaginar se o método existe de fato. Não sei até que ponto seria eficiente como na ficção... Estou pesquisando.

Percebi que estou muito sedentário... Por isso, decidi andar de bicicleta durante alguns minutos por dia. Deve fazer uns 20 dias que comecei com os exercícios. E acho que faz 19 dias que parei com eles. Bem, pelo menos eu comecei.
Mas não é má vontade! É que eu preciso das condições ideais para isso. Não pode ter muito sol, nem estar chovendo, nem fazer muito frio. E o clima não tá ajudando... Ok, talvez eu esteja procurando, inconscientemente, por desculpas que me impeçam de pedalar.
Só que hoje eu já tinha decidido que logo após as nove horas da manhã eu iria andar de bicicleta. Estava decidido. Mas ontem meu pai perdeu as chaves do paiol onde eu guardo a bicicleta. Agora resta esperar. A chave vai aparecer...

Há alguns dias o telejornal trouxe uma boa... A notícia era sobre um jacaré que tinha escapado, acho que de um zoológico, e passou a ocupar um lago da cidade. Na tentativa de capturar o jacaré, soltaram alguns pintinhos (o prato principal do jacaré no zoológico) na margem do lago. Depois ficaram esperando que o jacaré viesse buscar os pintinhos, para então prendê-lo e levar o bicho de volta.
Mas pelo jeito o animal não é nada tonto. Continuou nadando. Tonto mesmo foi um dos pintinhos, que resolveu nadar um pouco, e foi parar direto na boca do jacaré. A matéria terminava sem que conseguissem prender o jacaré. Melhor foi o comentário do apresentador do telejornal:
“Nessa história de pegar o jacaré, quem pagou o pato foi o pintinho...”

13 de dez. de 2005

"Quem é Gino Passione?"

Ano passado eu costumava apostar, com meus amigos, quem seria capaz de cruzar o Calçadão da Rua Cel. Cláudio sem pegar panfleto publicitário. De vez em quando um de nós conseguia a proeza de sair da Praça Barão do Rio Branco e chegar até o terminal central de ônibus com as mãos vazias. Mas esse tipo de coisa está se tornando cada vez mais difícil.
Se antes já era complicado caminhar pelo centro, agora, ao que parece, as coisas pioraram. De algum modo, a mania de distribuição de folhetos se multiplicou de um jeito assustador, à medida que o número de lixeiras diminuía. E o pior é que eu não acredito na eficácia desse sistema publicitário. Os anúncios são sempre os mesmos, e continuam a forrar o chão no centro da cidade.

Compro ouro; vejo seu futuro; arrumo seus dentes; empresto dinheiro. As variações são mínimas. E nenhum desses anúncios tem, para mim, qualquer serventia. Não tenho ouro para vender; não acredito muito em astrologia; quando preciso de dentista não sigo o conselho de um panfleto com erros gramaticais; e evito emprestar dinheiro porque, bem, porque prefiro ficar na miséria a ficar na miséria e endividado. Eventualmente uso o verso do papel para fazer alguma anotação.
Ainda assim os folhetos são distribuídos e eu, como uma porção de outras pessoas, sou obrigado a andar em ziguezague para escapar dos papéis constantemente estendidos em minha direção. Num impulso, acabo pegando um ou outro anúncio. Só então, depois de ler as palavras “compro ouro”, percebo que mais uma vez me deixei levar pelo gesto mecânico.
Gostaria de saber se esse método publicitário realmente funciona. Decerto tem alguma serventia, do contrário os papeizinhos já teriam sido extintos. Afinal, não posso me basear apenas na própria experiência, porque sou, talvez, uma pessoa que reage de forma diversa à publicidade.

Por exemplo, nesse ano eu precisei comprar uma mala. Estive em várias lojas, mas em nenhum momento lembrei de uma loja especializada na venda de bolsas, malas, carteiras e similares. Essa loja fica no Calçadão e, sempre que passo em frente, uma menina que anda rapidamente de um lado para o outro (e fala na mesma velocidade) me entrega um panfleto e convida a entrar para comprar uma mala. Se ela soubesse que acabei comprando a mala numa loja da Avenida Vicente Machado, talvez começasse a caminhar mais lentamente.

Saindo um pouco do Calçadão... Quando gosto muito do estilo de um comercial na TV, fico tão empolgado com a criatividade empregada no anúncio, que simplesmente esqueço qual é o produto anunciado. Ou lembro do produto, mas não lembro da marca.
Então, normalmente, a regra é a seguinte... Existem dois tipos de anúncio que não conseguem me convencer: os muito insistentes e os muito criativos. Talvez eu seja atingido basicamente por comerciais exibidos poucas vezes ou que não considero muito bons. Sim, eu sou estranho.

Veja o comercial de Traquinas... odeio aquele comercial em que as crianças comem o produto e no lugar da cabeça delas surge um biscoito gigante. Mas eu lembro do comercial e lembro do produto. Só que não gosto de Traquinas... então, não adianta muito.
Aquele comercial do passarinho que pega ônibus. Aquele é muito bom. Trilha sonora, imagens, tudo perfeito. E a frase final é algo como... “pra que viajar de outro jeito, se você pode voar?” É ótima. Mas foi um amigo quem me disse que o comercial é da empresa GOL de transporte aéreo. Se alguém me perguntasse eu confundiria com a TAM.
Tem uma propaganda de loja de colchão em que os funcionários aparecem colocando as mãos junto ao rosto como se convidassem o telespectador a dormir. Eu fico com sono... só isso.
Existe um comercial que, às vezes, funciona comigo. É aquele que mostra discos da Som Livre. Mas, como o CD original é extremamente caro, compro no camelódromo. Então, não sei se dá pra considerar isso como um sucesso publicitário. Se não fossem os camelôs, eu simplesmente não comprava.
De resto, acho que nunca comprei chocolate “Batom” por influência de alguma hipnose publicitária. Nunca aceitei ofertas de produto ou serviço feitas por telefone. E vários spams são apagados semanalmente de minha caixa de e-mails. Pensando bem, acho que eu poderia ser uma dessas “pessoas-cobaias” utilizadas em experiência de teste de eficiência de propaganda. Sim, eu devia me candidatar a esse tipo de coisa.

Acabo de lembrar do comercial do chocolate “Mania” e sinto vontade de comprar. Pena que o chocolate parou de ser fabricado há alguns anos. Isso é triste.