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13 de jul. de 2011

Liechtenstein é logo ali... em Piraí

De vez em quando, é inevitável, situações inexplicáveis acontecem. Há poucos minutos, minha mãe tirou a fatura da conta telefônica da gaveta, e veio até mim, dizendo: “Danilo, dê uma olhada aqui nessa conta telefônica. Acho que veio errado. Aqui diz que fizemos uma ligação internacional...”

Fui verificar, e me deparei com a seguinte informação na fatura: uma ligação foi feita no dia 22 de junho, às 8h49. Teve duração de 25 segundos e, pasme... foi uma ligação para Liechtenstein!!

Liechtenstein! Eu nem sei se escrevi direto o nome aqui, nem tampouco tinha ideia de onde, exatamente, ficava esse lugar. O Google me veio com a seguinte informação:

Liechtenstein, oficialmente Principado de Liechtenstein, é um minúsculo principado, um microestado, localizado no centro da Europa, encravado nos Alpes, entre a Áustria, a leste, e a Suíça a oeste. Pouco mais de 34 mil habitantes moram no principado de apenas 160 km².

Fiquei de cara com o erro da companhia telefônica. Foram apenas R$ 1,91 a mais na conta, mas eu já estava pensando de que forma iria proceder com a reclamação. Foi quando notei que o número discado não era tão estranho assim. Na verdade, ele tinha sido discado novamente dois dias depois, em 24 de junho. Era o número (42) 3237-3402, que se referia a uma pousada em Piraí do Sul, aqui mesmo, nos Campos Gerais, interior no Paraná, e não nos Alpes suíços.

Acontece que no mês passado eu havia ligado para esse número para reservar uma hospedagem onde eu e a Pri pudéssemos passar o final de semana. Puxando pela memória, recordei de como tudo aconteceu.

***

Era manhã do dia 22 de junho. Alguns dias antes, eu e minha namorada tínhamos decidido viajar até Piraí do Sul, e passar um dia lá, aonde já tínhamos ido passear no ano anterior. A Pousada Serra de Pirahy é um excelente lugar estabelecido em meio a campos, riachos, cachoeiras, belas formações rochosas e um paredão de pedra que faz eco igual nos desenhos animados. Para completar, a pousada tem comida caseira, excelentes instalações e uma família muito simpática e acolhedora que administra tudo. Emerson, por exemplo, é um sujeito muito atencioso, inteligente, conversador, e realiza passeios guiados pelos campos, até as pinturas rupestres indígenas e às misteriosas marcas circulares gravadas em rochas há centenas ou, talvez, milhares de anos.

Ocorre que, na manhã do dia 22, precisamente às 8h49, eu tinha visto na internet o número de contato com a pousada, e apanhei o telefone para agendar nossa presença lá no fim de semana. O telefone chamou algumas vezes até que um senhor com uma voz estranha atendesse do outro lado, e me dissesse algo parecido com um “alô”.

“Alô”, eu disse. “Gostaria de falar com o Emerson. Ele está?”

Em seguida, o cidadão falou uma frase que, para mim, foi totalmente indecifrável. Notei apenas que ele falava com um sotaque que me lembrava o alemão.

“Me desculpe, acho que foi engano”, eu disse. E desliguei o telefone, em uma conversa que deve ter durado 25 segundos.

Olhei novamente para o papel onde tinha anotado o telefone (42) 3237-3402. Será que eu tinha discado errado? Podia ser. Ou, talvez, o Emerson estivesse com turistas em casa, e um deles atendeu o telefone ao ver que ninguém mais o faria. Na dúvida, liguei de novo em seguida, mas o número dava como ocupado. Naquela manhã, desisti.

Então, esqueci completamente o episódio. Somente dois dias depois é que encontrei tempo para tentar novamente o mesmo número. Liguei e, do outro lado, quem me atendeu foi a irmã do Emerson. Agendei nossa presença lá para o dia seguinte, à tarde. E assim fizemos. Foi um ótimo fim de semana, que só não foi melhor devido à chuva, que nos impediu de caminhar pelos campos.

Agora, quase um mês depois, eu olho para essa conta telefônica e relembro a história. Recordo a voz do sujeito com sotaque estranho, e reconheço: não sei como, mas, de fato... Eu fiz uma ligação para Liechtenstein... Através de um simples DDD.

11 de out. de 2010

Viagem a Rio Azul - parte 2

Conhecendo a produção de amoras

Para fazer uso da internet wireless aqui da pousada, precisei de ajuda. Inicialmente, acreditei que poderia fazer isso sozinho, peguei o telefone e liguei para o Marcos. “É bem simples...”, ele disse. Mas a rede não foi detectada, e precisei levar o netbook até o sujeito para que ele configurasse. Enquanto caminhava pela trilha de pedrinhas que conduzia à casa do cidadão, notei que a rede tinha, enfim, sido detectada. Mas aí o Marcos já estava vindo ao encontro, então aproveitei para pedir a ele um “T” emprestado.


Foi assim que pude recarregar a bateria do computador...

Bom, isso foi ontem. Hoje, o plano era irmos até a tal fábrica de framboesas que existe na cidade. Ao pedir informação ao Marcos sobre como chegar lá, o início da resposta foi “É bem simples”. Aí vi que podia ser um pouco mais complicado. Mas, segundo ele explicou, não ficava longe. Bastava seguir o asfalto até o trevo na saída do município, e então seguir por outros seis quilômetros por uma estrada de cascalho.

Íamos entrar no carro, quando notei que um passarinho saía voando rapidamente, da frente do espelho lateral do Palio. No dia anterior, havíamos percebido que o pardal gostava de ficar se olhando no espelho, e parecia acreditar estar vendo outro animal da mesma espécie. Ontem dissemos “que bonitinho...” Hoje dissemos “que cagada!” O bichinho riscou o espelho, parte da lataria e ainda cagou em toda a parte superior do retrovisor!

Deixando o pardal para lá, seguimos rumo ao caminho indicado por Marcos. Chegamos ao trevo e pegamos a primeira estrada de cascalho que encontramos pela frente. A Pri ficou com medo depois que vimos que a estrada levava apenas a um pequeno barracão, com uma fornalha acesa.

Voltamos, e somente então encontramos outra estrada de cascalho. Um casal que empurrava carrinho com bebê nos informou... era realmente aquele o caminho para a indústria Framora. Cerca de seis quilômetros depois, em uma estrada com alguns buracos, chegamos a um local onde uma placa, à direita, anunciava: “FRAMORA”.

Entrando com o carro, vimos que um senhor estava na varanda da casa, e imaginamos que deveria ser o proprietário. Guilherme Gurski é descendente de poloneses, e natural de Rio Azul. A sua fazenda, no lugar onde está hoje, ele possui há cerca de 30 anos. Há cerca de 15, depois de levar um prejuízo de cerca de R$ 200 mil com a plantação de batatas, decidiu investir em outra coisa. Optou pelas frutas vermelhas: framboesas, amoras e morangos.

O início, ele conta, foi difícil. Mas depois de cerca de dois anos pegou o jeito do novo trabalho, mesmo com muita gente dizendo que não daria certo. “Aqui em Rio Azul a grande maioria das pessoas planta fumo. Mas eu já disse que é um erro, porque vai chegar um momento em que vai ser proibido. E aí os agricultores precisam estar preparados, tendo uma cultura diferente para o sustento”, comenta.

De fato, Guilherme é um homem à frente de sua época. Enquanto todos diziam que as amoras não dariam retorno, ele arriscou e obteve êxito. Em cerca de um hectare, ele produz aproximadamente 12 toneladas de amoras por ano. Ainda tenta formar uma cooperativa. Com 200 toneladas seria possível exportar a produção. Por ora, serve para gerar renda para a família, e para pagar cerca de quatro funcionários contratados por ele na época da colheita.

Parte das amoras é vendida in natura. Mas muito do que é colhido, Guilherme industrializa em sua propriedade. No lugar onde ele chama de “fabriqueta”, ele nos mostra os equipamentos que adquiriu através de financiamento. São máquinas de fazer sucos e câmaras frias. Numa delas, boa parte da produção de 2009 continua armazenada, entre itens industrializados e amoras em caixas.

“Comecei guardando todas as amoras em freezers. Eram oito freezers e ainda faltava lugar”, explica Guilherme, que não viu saída senão trabalhar com os derivados das frutas. Numa sala ele guarda, em prateleiras, geleias, vinhos e licores das frutas que produz. Tudo cuidadosamente envasado, etiquetado, e já com os preços à mostra, para os visitantes que vêm conhecer sua propriedade e o trabalho com amoras.

No entanto, ele reclama da falta de apoio para o trabalho. A burocracia para manter a propriedade e a produção é muito grande. A venda das amoras se complica para alguns mercados, porque, apesar de ser produto totalmente orgânico, a obtenção do selo que atesta isso também exige burocracia. Ele já buscou apoio também em Curitiba. Verba para isso existe, já que o governo incentiva ao produtor a procura por culturas alternativas ao fumo. Mas, por razões puramente políticas, segundo ele, esse incentivo financeiro não chega.

Quando ele diz isso, não se refere apenas à produção e venda de amoras, mas também ao turismo rural. Depois que seu trabalho ganhou destaque em algumas reportagens na televisão, até mesmo pessoas de outros estados, como do Rio de Janeiro, estiveram em sua fabriqueta. Mas as estradas para chegar ali são ruins, não há sinalização nem propaganda, salvo a parceria com a Pousada Villa Vitória, que nos indicou a visita ao local.

Enquanto isso, a produção de fumo continua em alta na região. Até o momento que, de uma hora para a outra, o plantio de fumo não for mais permitido. “Aí todos vão correndo ter que aprender a plantar outra coisa. Esse é o momento de buscar uma alternativa”, ensina Guilherme Gurski que, além de dar o pontapé inicial no plantio de algo diferente na região (apenas mais um agricultor trabalha com amoras nos arredores), também tem consciência ambiental.

Toda a área onde, no passado, ele desmatou para o plantio de feijão, batata e milho, hoje ele está reflorestando. “Estou quase saldando minha dívida com a natureza”, ele diz, mostrando uma nova mata que se ergue atrás de sua casa, onde antes só havia campo.

Deixando de lado o aspecto mais mercadológico da produção de amoras, Guilherme Gurski vive bem em sua terra. A casa é confortável, e a hospitalidade dos donos (ele e sua esposa, Maria, nos receberam muito bem com um delicioso suco de frutas vermelhas com laranja) é inquestionável. Eles têm vocação para se relacionar com as pessoas.

Mas já passava de 11 horas, e o assunto estava rareando, de modo que compramos dois litros de licor e um pote de geleia, e partimos de volta para a pousada, onde almoçaríamos em seguida.

***


Almoçamos na pousada. Macarrão ao molho branco. Apenas mais um casal no restaurante. Nada do Dedé... talvez ele não tenha vindo para cá. Fomos, enfim, até a tal pedreira. Não fica muito longe também. A entrada não é cobrada. É um lugar até bem cuidado. Talvez porque não tenha tanto público, ou porque estivemos no local em plena tarde de segunda-feira. Caminhamos por uma trilha. Nenhum bicho à vista, a não ser os malditos mosquitinhos “porva”, que insistem em me atacar. Mas não é possível chegar junto da cachoeira. Não há grandes espaços com areia, apenas pedras. A água não é tão cristalina. Fica mais num tom verde, embora não pareça poluída.

A lanchonete do local estava fechada. Ficamos ali por algum tempo, até os ataques de insetos se intensificarem contra a minha pessoa. Depois demos olhada em uma gruta na qual havia uma imagem de Nossa Senhora e algumas velas acesas.

Retornamos à civilização, onde compramos gêneros alimentícios antes de retornar à pousada. Não pude formar uma opinião sobre as pessoas daqui. Marcos e Guilherme são pessoas voltadas para o turismo. Em algumas lojas onde estivemos, as funcionárias me pareceram atenciosas com a clientela. Um bêbado andava pela rua ameaçando assaltar duas mulheres, que faziam piada dele. A principal rua do centro não é muito movimentada. Vi agências do Sicredi, Banco do Brasil e Itaú. Um bom supermercado. Uma carroça. Alguns ciclistas. Parece ser lugar tranquilo. Bom para passar alguns dias, mas não consigo me imaginar vivendo assim. Preciso de barulho, poluição, agito... correria. E cinema... “Tropa de Elite 2” está em cartaz.

Amanhã devemos voltar a Ponta Grossa, e talvez tenhamos tempo de ver o filme. Mas, primeiro, veremos se conseguimos permissão para visitar a tal Igreja do Michelangelo de Rio Azul. Veremos...

6 de out. de 2009

Breve passeio até a “Cachoeira da Mariquinha”

Fez um dia agradável, mais uma vez, nesse domingo. E ali estava um bom motivo para não ficar em casa. Eu e minha namorada resolvemos conhecer um dos principais pontos turísticos da região: a “Cachoeira da Mariquinha”.

Tanque de combustível abastecido, protetor solar no porta-luvas e [ahá!] repelente de mosquito. Lá fomos nós, rumo ao desconhecido. Conhecíamos a direção, mas não a distância. Fica bem adiante da entrada para o Buraco do Padre, onde estivemos há algumas semanas. Um mundo além de Uvaranas, indo rumo a Itaiacoca, passando uma localidade de nome “Passo do Pupo”.

Fica para o leste.

Infelizmente, esse sujeito aqui esqueceu de observar o hodômetro, e por isso desconhece a quilometragem do ponto de origem até o destino. O fato é que não é possível dirigir muito rápido até lá. Na rodovia vai tranquilo, mas quando a gente pega a estrada de terra, surgem três verdades em nossa mente:

1 – Precisamos voltar antes de anoitecer, e torcer para que não chova, ou ficaremos encalhados aqui e teremos que sair em busca de um jipe ou trator.

2 – Com todas essas pedras, certeza que vai aparecer mais um risco na lataria do carro.

3 – Já que tamo, agora vamo! [ou, “se não aguenta, por que veio?”]

O rally até o local é animado. Mas é naquele estilo que importa mais chegar aos pontos pré-determinados no mapa, do que chegar antes de todo mundo. Não tínhamos mapa, e isso prejudicava um pouco. Especialmente quando encontramos o primeiro portão fechado, e nos perguntamos: será que é por aqui?

Desci para abrir o portão, que a Pri achou estar com cadeado, e felizmente não estava. Havia mais um pessoal vindo de carro logo atrás de nós, e perguntei ao motorista se ele já tinha vindo antes até a cachoeira. Foi ele quem me confirmou que estávamos no caminho certo.

Abri o portão, e passamos. O sujeito que vinha atrás parou o carro e fechou o portão. Algumas inscrições feitas a tinta no próprio portão deixam claro que é preciso manter os portões fechados.
Pouco tempo depois, novo portão. E um aviso: “A entrada custa R$ 4,00 por pessoa”. Mas nenhum ser humano para cobrar os oito reais. Passamos, e seguimos por uma estrada que parecia piorar a cada instante. Um solo às vezes arenoso, outras vezes barrento e liso, e na maior parte do trajeto poeirento.

Enfim, quase uma hora depois de nossa “largada”, chegamos ao local. Uma torneira para lavar as mãos e dois banheiros [ou “casinhas”, como preferir] para aliviar a bexiga... não necessariamente nessa ordem.

O carro ficou estacionado junto de outros (uns dez) que já estavam por lá. E seguimos pela trilha que iniciava logo ao lado. Antes de seguir o caminho a pé, é preciso atravessar as águas rasas e geladas do riacho que separa “estacionamento” e trilha. Isso dá uma ideia da temperatura das águas da cachoeira.

Recomendo ir com um tênis velho que você possa molhar e sujar à vontade. Fomos usando chinelos havainas e, depois de passar pelo riacho, os chinelos ficaram lisos, prejudicando a caminhada entre as rochas da trilha.

Há formações rochosas em volta, onde os visitantes gostam de tirar fotos. A trilha é de cerca de 800 metros, com altos e baixos. Ao final se ouve o som da cachoeira, onde já estão os outros turistas. Uns entram na água de roupa e tudo, outros levam roupa de banho, e os mais perdidos entram de cueca mesmo.

Demos uma olhada em volta, fazendo o reconhecimento, e fomos entrando na água gelada. Há pontos muito fundos, por isso é preciso caminhar devagar, e observar com cautela a profundidade. Contornando a cachoeira pelos locais mais rasos, e subindo devagar nas rochas muito lisas, é possível chegar até a queda d’água. Depois disso, ficamos com frio e nos preparamos para ir embora. Tínhamos ido mais para conhecer o lugar, do que ficar muito tempo por lá. Enfim...

Há uma pequena faixa de areia em torno do lago que se forma com as águas da cachoeira. A sugestão é ir no começo da tarde e fazer um lanche por ali [tomando o cuidado de não deixar lixo para trás], para somente mais tarde entrar na água.

Há quem prefira acampar. Acho que é possível, embora existam placas contraditórias, umas proibindo o acampamento, e outras cobrando pelo acampamento.

Aliás, na saída apareceu um pessoal para nos cobrar os quatro reais por pessoa. Mas suspeito que eram alguns turistas espertinhos que se fingiram de donos do lugar e levaram meus oito mangos... Acontece.

Fica a dica: Cachoeira da Mariquinha. Seguindo pela Avenida Carlos Cavalcanti toda vida, até pegar a rodovia. Segue em frente até ver uma entrada de chão de terra à direita. Tem uma placa nessa entrada, mas ela está meio escondida pela vegetação, então reduza a velocidade sempre que vir uma entrada à direita. E dirija devagar... curta o rally. Evitando dias de chuva.