17 de fev. de 2006

Gritos no teto, superstições e trotes automáticos

Algo estranho acontece em minha casa. Há alguns anos era a descarga do banheiro que funcionava sozinha. Já estávamos nos preocupando com o fenômeno, mas com o passar do tempo as coisas voltaram ao normal. Mais recentemente, eu fui fechar uma torneira e ela acabou estourando com o cano PVC e tudo mais.
Na cozinha, a torneira da pia despeja água, sozinha, nos momentos mais estranhos. Normalmente quando a família está discutindo algo durante o almoço ou a janta. Mas agora o negócio extrapolou... A caixa d’água resolveu gritar!
Começou no último dia 13. Meu irmão saiu do banho e a casa foi tomada por aquele ruído medonho. Não fosse a inviabilidade lógica, eu diria que tinha alguém acionando uma buzina de caminhão no teto de nossa residência. Quando notei que a mesma coisa acontecia após o banho de minha mãe, e também depois que eu saía de baixo do chuveiro, deduzi que só podia ser o barulho da caixa d’água enchendo.
Só sei que o barulho era bem esquisito, como um grito de almas vindo diretamente do inferno. E o negócio foi pior à noite, quando o silêncio impera. A situação fez com que eu lembrasse do antigo programa da TV Cultura – o “Castelo Rá-Tim-Bum”. Os personagens ouviam um ruído estranho no teto e nas paredes e alguém perguntava: “Que barulho é esse?” E a resposta, apesar de assustadora, tranqüilizava: “É só o Mal, correndo pelos encanamentos do castelo.”
Subi até o teto e abri a caixa d’água. Tudo parecia comum. Havia apenas um pequeno arame da bóia em posição suspeita. Movimentei o arame alguns milímetros e, ao que parece, foi o suficiente para exorcizar os demônios. O barulho parou... até agora.

Minha avó costuma fazer nhoque – uma deliciosa receita da culinária italiana. Curioso observar que, há pouco tempo, ela resolveu seguir uma simpatia que, parece, ouviu no rádio. Segundo a superstição, é necessário colocar uma nota de dinheiro sob o prato, no qual se coloca sete peças de nhoque. A manobra precisa ser feita a cada primeiro dia de mês. Enquanto a pessoa come o nhoque (detalhe... o indivíduo deve ficar em pé enquanto faz isso), é preciso mentalizar um pedido, que tende a se realizar.
Achei que era para atrair dinheiro, mas minha avó disse que ela não deseja dinheiro. Então, não entendo a lógica da tal simpatia. Afinal, pra quê a nota sob o prato? O que sei é que eu não participei dos rituais, mas meu desejo até agora está se realizando. Desejei que tivesse nhoque pro almoço sempre que eu fosse visitar minha avó, e está dando certo. É só mentalizar!

Superstição é uma coisa engraçada. Gosto de tentar adivinhar o raciocínio que fez com que fossem criadas. Por exemplo, dizem que, se uma vassoura for deixada atrás da porta da casa, o morador não recebe visitas.
Talvez tenha surgido assim... Uma senhora foi visitar o sobrinho e, quando abriu a porta para entrar na casa, a vassoura escorregou e caiu em sua cabeça. A mulher ficou tão indignada, que nunca mais foi visitar o cidadão.
Tem outra boa... As crianças estão brincando de pega-pega, e começam a correr em volta da mesa de jantar. Lá vem alguém pra gritar: “Não presta correr em volta da mesa!” Essa tem lógica... Se você corre em torno da mesa, acaba ficando tonto, cai e bate a cabeça. É o que imagino.
Então, algumas parecem ter razão de existir. Eu, por exemplo, se fosse inventar uma superstição, seria assim: “Não presta jantar embaixo de lâmpada acesa.” Claro... As mariposas, mosquitos e pirilampos ficam voando em volta da luz e acabam caindo na comida.

Nessa semana saí pra comprar um celular para meu irmão. Queria um modelo que não fosse feio e que não fosse muito caro. Encontrei um tal de Nokia 1110 que era uma belezinha. Uma atualização do meu celular, que é um pouco mais antigo. Mas fiquei indignado ao perceber que o celular de meu irmão é mais moderno e bonito, e custa menos. Eu paguei duzentos reais pelo meu aparelho e o do meu irmão custou cinqüenta reais a menos! Tem até sons em mp3, conversor de medidas e viva-voz... Até sugeri que ele ficasse com o meu antigo. Argumentei que o meu aparelho era mais fácil de manusear, mas ele não quis. E isso não foi nenhuma surpresa...
Há uma promoção que permite que ligações entre celulares de mesma operadora sejam mais baratas. A promoção vale para até três números diferentes de celulares. Para isso, basta cadastrar o número do outro celular. Fui fazer o tal cadastro, mas é algo totalmente automático, feito a partir do próprio aparelho. Uma gravação controlada por computador pediu que eu digitasse o número a ser cadastrado. Eu ainda não tinha digitado o número de meu irmão, quando a gravação disse algo como: “Esse número não pôde ser cadastrado. Digite o segundo número.” Segundo número? Bem... Digitei, e lá veio a gravação outra vez: “O número não pôde ser cadastrado. Digite o terceiro número.” Digitei outra vez, e a gravação disse, pela terceira vez, que eu não tinha conseguido e, pior, que tinha feito minhas três tentativas. Em seguida, desligou na minha cara! Assim, meu direito à promoção foi cancelado. Pareceu até um trote. Mas é a primeira vez que uma gravação computadorizada me passa trote.
O pior é que eu acho que fiz tudo certinho. Às vezes eu fico impressionado com a burrice dos computadores. Uhn... Tomara que esse aqui não perceba que estou falando mal dos componentes de sua raça. Tenho medo de uma vingança no estilo Matrix...

5 de fev. de 2006

Os múltiplos lados da piada

Mas, que calor danado faz nesses dias! E olhe que não sou de ficar reclamando do tempo. Acontece que estou evitando enfrentar o sol vespertino, e não sou o único. Anteontem minha mãe pediu ajuda para lavar a calçada em frente de casa, mas estava tão quente que ela preferiu agendar o trabalho para depois das sete horas.
Foi naquele mesmo dia abafado, só que no período da manhã, que minha mãe resolveu que iria aproveitar a promoção em uma das lojas do centro da cidade. E lá fomos eu, minha mãe e meu irmão comprar alguns pares de tênis. Acontece que, além de a loja anunciar a promoção no rádio, ainda colocaram um arco feito de bexigas em frente ao local. Com isso, cada cidadão que passava em frente perguntava: “Ei, o que tá acontecendo aí dentro?” E alguém respondia: “É promoção.”
Foi assim que descobrimos o lugar já entupido de gente. Encontrei a Paula no meio de todas aquelas pessoas, e ela resumiu a situação: “Parece que a cidade inteira de Ponta Grossa está aqui dentro!”
Sei que voltamos com dois pares de tênis e, à tarde, depois das sete, nos determinamos a lavar a calçada. Mas me indignei facilmente com algo absurdamente banal. Todos os conhecidos passavam por mim e faziam a brincadeira mais velha do mundo. Ou uma das mais velhas... (Acho que foi inventada após o advento da calçada.)
“Quero ver tudo bem limpinho, hein?!” (risinhos)
“Depois também pode lavar a calçada lá de casa, tá bom?!” (mais risinhos)
“Vamos, rapaz, use essa vassoura direito!” (outros risinhos)

Até que não dava mais! Cheguei no meu limite e, em meu íntimo, jurei: “A próxima pessoa que fizer piada, vai levar na cabeça...”
O problema é que a próxima pessoa foi a coitada da minha vizinha, Dona Lúcia, que voltava do centro da cidade e não merecia minha resposta mal-educada: “Você é a quarta pessoa que faz essa piada!”, gritei.
Fui repreendido por minha mãe. Mas já estava feito. Acho que Dona Lúcia era uma dessas pessoas que estava no lugar errado e na hora errada. E, claro... que fez a piada errada. Primeiro pensei no lado bom. “Pelo menos essa vai pensar duas vezes antes de repetir a piada.” Depois começou um grande remorso. E, se eu acreditasse em castigo divino, diria que foi o que aconteceu minutos depois.

Faltava uma parte da calçada para terminar o serviço. Minha mãe não conseguia fechar a torneira e eu fui até lá para (em tese) ajudar. Percebi que a torneira parecia estar estragada. Achei que bastaria uma pancadinha sobre o registro, para resolver o problema. Você, provavelmente, já pode imaginar o que aconteceu após a “pancadinha”.
Pois é, quebrei o cano e foi água pra todo lado. Depois de olhares reprovadores de minha mãe e a descoberta de que eu não seria capaz de consertar o encanamento (o que ficaria para o dia seguinte), senti falta de alguém que dissesse: “Tudo bem, isso acontece...” Ou então alguém que fizesse a piada certa, na hora certa.

Pois é, todos cometem erros, e como diz uma amiga: “Você não precisa ser perfeito.” Uhn... esse texto tá ficando cheio de citações. Então, vou aproveitar para comentar as notícias do telejornal.

Vi rapidamente no Jornal Nacional... Durante um encontro entre Lula e o governador do Paraná, Roberto Requião, o presidente começou a falar bem da mamona. Mamona, você deve lembrar, é aquela planta que dá umas frutinhas verdes e que a gente brincava de jogar um no outro quando crianças.
Então o presidente Lula estende um pote de vidro cheio de sementes de mamona, e diz para o Requião: “Olha só, mamona... vocês têm muito disso no Paraná?”
Só que o governador não dá atenção nenhuma ao que o presidente diz. Parece que acabou de desligar o cérebro porque, ao invés de responder à pergunta, ele pega duas ou três sementes de mamona e coloca na boca para saborear.
Nisso, o presidente olha bem pra ele e diz, espantado: “É mamona, pô! Sabia que isso aí tem uma toxina... e que não pode comer?!” Agora, imagina que o governador do Paraná teve que cuspir de volta as sementes. E as câmeras filmando... Não tem como conter o riso numa situação dessas.

Enquanto isso, aumentam os protestos dos muçulmanos contra charges publicadas em vários jornais da Europa, retratando o profeta Maomé. Eu ainda não pude ver as tais charges, mas deve ter sido algo não muito engraçado. Ou, que agora perdeu a graça. Como chargista, fico tentando imaginar o que o autor das tais caricaturas está pensando agora. Acho que aí está o perigo de escrever – ou desenhar – algo, acreditando que não há ninguém prestando atenção. É sempre bom ter em mente que pode haver alguém do outro lado.

E ontem eu estava acompanhando na TV as cenas do momento em que libertaram um empresário seqüestrado no mês passado. Difícil acreditar que o Jornal Nacional conseguiu ir até o local do cativeiro com todo o equipamento e com um repórter, registrando o resgate. Foi sucesso total para a polícia e para a equipe de reportagem. Até o empresário deu entrevista ali, na hora! Parecia uma armação tão grande quanto as fotos da Missão Apollo XI.
Mas tive que dar risada. O empresário parecia relativamente tranqüilo. E o repórter conversou com ele, perguntando detalhes que o empresário tentou responder. Depois, o repórter ainda disse pra vítima: “Ei, amanhã é seu aniversário, não é?” E o cara respondeu: “É sim. Vou festejar com a família! E vocês estão todos convidados!” Nisso, o empresário deu uma paradinha, virou e apontou para os seqüestradores que estavam algemados num canto, e disse: “Menos aqueles ali.”
Depois disso todos riram. E eu ri também, porque me fez lembrar o final dos desenhos do Scooby-Doo, quando todos ficam rindo da situação, e os vilões dizem: “E nós teríamos conseguido se não fosse esse bando de crianças intrometidas e esse cachorro.”
E o cachorro responderia: “Scooby-Dooby-Doo…”

Nessa semana, por razões não muito agradáveis, compareci a um cemitério. Lá encontrei dois amigos (ambos vivos) e, como fazia bastante calor, resolvemos procurar por uma sombra.
_Será que a gente pode sentar no cemitério, ou isso é uma espécie de sacrilégio? – perguntou um deles, apontando para um murinho.
_Acho que não há problema. – respondi – Aqui inclusive tem bancos. – dizendo isso, mostrei um banco de concreto.
Daquele ponto ficamos observando durante algum tempo a vista além dos túmulos (e não além-túmulo). Dava pra ver a catedral da cidade e algumas outras igrejas. Mas acho que não dá pra ficar parado por muito tempo dentro de um cemitério. A gente se sente impelido ao movimento, pra não esquecer da nossa condição de vivos. Assim, algum de nós sugeriu uma caminhada entre os túmulos. E a idéia foi imediatamente aceita.
Paramos diante de uma das antigas sepulturas, onde espiamos a fotografia de uma mulher. E meu amigo soltou essa:
_Mas olha que cara de safada!

Caminhamos mais um pouco e meu amigo parou diante de outro túmulo. Começou a rir enquanto lia algumas palavras sobre a lápide e disse:
_Olha só! Essa é boa: “Família Mortary”...
_Ai meu Deus... Vamos voltar pra sombra, porque com você não tem jeito... – reclamei

Na hora fiz papel de sujeito sério. Mas depois, em casa, confesso que ri ao lembrar dos comentários de meu colega. Só não quis rir na frente dos defuntos. Afinal, é sempre bom ter em mente que pode haver alguém do outro lado.

27 de jan. de 2006

Lotação: 36 passageiros sentados, 42 voando pela janela

Incrível... Mas é possível se indignar já durante o café da manhã. Enquanto comia uma fatia de pão, comecei a ler (a leitura é meu vício) a embalagem de maionese que estava sobre a mesa à minha frente. Dizia o texto dentro de um quadrado amarelo:

“A Maionese Arisco mudou. Seu novo sabor, gostoso e envolvente, vai deixar tudo ainda melhor. E sua nova embalagem, vai virar um porta-tudo com a sua cara!”

Que texto horrível! Parece que quem escreveu isso não tinha noção nenhuma da realidade! Afinal, o que vem a ser um “sabor envolvente”? Mas... “um porta-tudo com a sua cara!” Por favor... tente ler isso em voz alta. E o que eles esperam? Que a gente goste tanto da embalagem, a ponto de transformar em porta-lápis e colocar sobre a escrivaninha?
Mas não parou aí. Na mesma embalagem existe a foto de uma fatia de pão exageradamente coberta por maionese. E a legenda é “Incremente o seu pão”.

Incremente seu pão! Tenta visualizar... Você está na cozinha passando maionese em seu pãozinho. Alguém entra e pergunta: “Ei, o que você está fazendo?” E você responde: “Estou incrementando meu pão.” Será que a palavra tem alguma relação com creme... cremosidade... então acharam que seria uma boa idéia usar o verbo “incrementar”. Uhn... pode ser.
E ainda finalizam dizendo: “Nova Maionese Arisco! Gostosa por dentro e por fora!” Realmente, eles gostaram da embalagem e viajaram na maionese.

*****

No outro dia eu estava assistindo a uma reportagem na televisão, onde um policial rodoviário falava sobre a obrigatoriedade do uso de cinto de segurança nos ônibus que trafegam em rodovias. Ele dizia que todos os passageiros devem usar o cinto.
Fiquei me perguntando por que não é obrigatório o uso de cinto de segurança nos ônibus que trafegam no interior da cidade. É engraçado... apenas o motorista e o cobrador têm cinto (e normalmente não usam).
Mas, na verdade, dá pra entender a ausência do cinto. O ônibus transporta passageiros sentados e passageiros em pé. Provavelmente os bancos não possuem cinto porque seria estúpido dar mais segurança a quem está sentado. Quer dizer, o pessoal que se senta coloca o cinto e o resto é arremessado pelas janelas quando acontece uma colisão!
O engraçado é que uns ficam em pé e outros ficam sentados, mas todos pagam a mesma coisa ao cobrador. Acho isso muito estranho. Quem fica em pé deveria pagar menos.
Por outro lado, no passado não muito distante tínhamos os bondes e, literalmente, era necessário pegar o bonde andando. E hoje há preocupação em deixar trilhos de trem próximos a lugares povoados, porque alguém pode ser atropelado. Sim, é estranho.

*****

Às vezes escuto no rádio as ocorrências policiais da cidade. Roubos, assassinatos, golpes, discussões etc. De uns tempos pra cá, reparei, deixaram de divulgar os nomes das pessoas envolvidas nos crimes. E isso acontece tanto para o criminoso como, também, para a vítima. Em lugar de dizer que José da Silva teve o aparelho de DVD roubado, o anúncio chega assim: “J.S., 23 anos, chegou em sua casa e se deparou com a porta arrombada...” Ou seja, ficamos sabendo apenas as iniciais das pessoas envolvidas.
Isso faz com que seja possível encontrar situações como, por exemplo:

“R.G., 32 anos, foi detido porque não portava a carteira de identidade.”

“T.N.T., 54 anos, é suspeito de provocar incêndio.”

“L.S.D., 19 anos, foi preso sob suspeita de tráfico de drogas.”

“W.C., 24 anos, preso por atentado ao pudor.”

26 de jan. de 2006

A força da carranca

Quando encontro o Ben Hur costumam surgir algumas situações que parecem convidar à reflexão. Ontem, enquanto estávamos num café no centro da cidade, surgiu à porta um menino, que disse:
_Tio, tem dez centavos?

Fomos unânimes em dizer que não tínhamos dez centavos. O que, embora estivesse perto da verdade, não era completamente correto. O menino tentou outra coisa:
_Então me dá uma coxinha?

Piorou, né? Ninguém ia dar coxinha nenhuma. Nós, inclusive a funcionária, dissemos que não tinha coxinha também. E outra vez não estávamos mentindo. Depois de uma certa hesitação, o menino resolveu ir embora.
Apesar de ser trágica, tivemos que rir da situação. De fato, não havia coxinha. Eu tinha comido a última. O café estava na hora de fechar, de modo que a funcionária, impaciente, já havia guardado todos os salgados, desligado a máquina de café expresso, e olhava pra gente com o objetivo de nos convencer a ir embora.
_Caramba... a gente nega dez centavos e eles vão subindo os valores. Se não tem dez centavos a gente tem que dar uma coxinha? Não deveria ser o contrário? – comentei, pensando num leilão.
_ O garoto pediu dez centavos. Mas não queria dizer que ele queria dez centavos. – disse Ben Hur – “Dez centavos” era apenas simbólico. Ele quis perguntar se não tínhamos nada para dar pra ele. Dez centavos... Uma coxinha...

Acontece que era a primeira vez que entrávamos naquele estabelecimento. Ali, descobrimos que o preço do cafezinho não era o mais barato da cidade. Soubemos, também, que o sabor do café não estava dos melhores. E descobrimos, estupefatos, que o café médio é tamanho pequeno, e o café grande é tamanho médio.
Talvez por isso (como forma de vingança), ou porque não tivéssemos nenhuma pressa, fizemos questão de permanecer no local até o último minuto. Ben Hur, inclusive, perguntou à funcionária:
_Você deve estar apenas esperando que a gente vá embora, para poder fechar o café, certo? A que horas você fecha?
Ela olhou para o relógio de parede, que marcava 18h45, e respondeu:
_Fecho às dez para as sete.
E Ben Hur conseguiu tirar um sorriso do rosto ainda carrancudo, quando comentou:
_Ah, então ainda temos cinco minutos.
_Tudo bem, se você limpar o chão... – ela disse, rindo.
E eu completei:
_Se você abater dois reais de nossa conta, a gente limpa o chão.

Logo depois, saíamos do café. E eu comentei com Ben Hur:
_Reparou? Ela estava toda séria. Você conseguiu arrancar um sorriso daquele rosto.
_Pois é... Nem lembro mais qual foi a senha. Acho que foi quando falamos da coxinha.
_Não... foi quando ela falou de limpar o chão.
_Ah, é...
_Mas é tão melhor quando alguém atende a gente com um sorriso, não é?
_Uhn... sei lá. Ficar sério é mais cômodo. O sorriso acaba desarmando a pessoa. Se a pessoa já chega sorrindo em algum lugar, o pessoal acha que pode sacanear com ela. O sorriso acaba demonstrando fraqueza. É por isso que costumo ficar sério.

Desde então, fiquei pensando nessas palavras. E no quão ingrata pode ser a vida para aqueles que, simplesmente, não querem ser antipáticos. Talvez por isso não seja possível cumprimentar uma pessoa no ponto de ônibus, sem que se sinta um certo grau de estranhamento. Talvez por isso boa parte da população mundial permaneça com a face imóvel como rocha. Uma tática de defesa. Uma precaução. Se o sorriso é sinal de fraqueza, então sabemos que a humanidade se torna mais forte a cada dia.

20 de jan. de 2006

Escuridão no cinema ou... ovelhas no cinema?

Como estava meio aborrecido nessa semana, aproveitei para fazer algo que não gosto. Fui sozinho ao cinema e optei por assistir a um filme de terror (ou seria suspense? Agora não sei ao certo... talvez ambos). Inclusive me entupi de pipoca. Caramba... parecia que aquela pipoca não acabava nunca.
Mas, como era mesmo o nome do filme... Ah, era “Escuridão”. Interessante que o título original era algo como “Sheeps”. Ovelhas! Eu não sabia o que era pior... se o título em português, mais genérico possível para um filme do gênero; ou o título original, que parecia nada ter a ver com o filme. Mas, quando vi uma porção de carneiros possuídos pelo demônio se atirarem do alto de um penhasco, não tive dúvidas, deveriam ter mantido o título original.
Curioso que, há alguns meses, eu lembro, isso foi notícia na internet. (http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/mundo/2040501-2041000/2040903/2040903_1.xml). Uma porção de ovelhas tinha se atirado do alto de um penhasco. Agora fico tentando adivinhar se o filme se baseou na realidade, a realidade se baseou no filme, ou foi apenas mais uma entre milhares de coincidências de nosso cotidiano.
Só sei que filme de suspense é algo que me deixa indignado. Durante o filme todo eu devo ter me assustado umas duas ou três vezes, apenas porque surgia, repentinamente, um barulho mais alto do que todo o resto do áudio. Parece que é esse o objetivo do filme... assustar não tanto pelo desenvolvimento da história, mas principalmente por meio de ruídos inesperados. É isso: o fator surpresa. (Descobri a pólvora...)
Quando fui ao cinema assistir “Sinais”, lembro que me senti um completo idiota na única vez em que realmente me assustei durante toda a sessão. Era quando o telão, repentinamente, mostrava a cabeça de um cachorro que latia ferozmente. Pôxa... o filme é sobre alienígenas que invadem a Terra para dizimar a população humana. E eu me assustei com o cachorro do Mel Gibson! – sem trocadilhos...
O que mais me irrita nesses filmes é que os personagens costumam fazer exatamente o contrário do que qualquer pessoa racional faria. Por exemplo, a personagem principal do filme Escuridão (que não era uma ovelha) é uma mulher muito histérica. O tipo que espanca uma criancinha só porque pensa que a menina está possuída pelo demônio. Tudo bem que a mulher tava certa, mas mesmo assim...
Vou descrever aqui uma cena que quase me fez rir. A mulher está na cozinha fervendo água numa chaleira. Ela pega a chaleira, quando escuta um barulho no sótão da casa. Aí o que ela faz? Você teria várias opções... Minhas preferidas são: Poderia ignorar o barulho e continuar preparando seu chá. Ou então, sabendo que o sótão é escuro e a casa é estranha, poderia chamar mais alguém para ir investigar a origem do ruído. Mas, ao invés disso, a mulher vai até o sótão, sozinha, carregando a chaleira com água fervente.
Pensei: “Pronto! Já era... vai se assustar e jogar toda aquela água fervendo em cima de si mesma...” Ela abre a porta do sótão, entra, não há nada em meio àquela escuridão. Então alguém surge atrás dela. A mulher se assusta – os espectadores também – Grita! Mas... era só o velho jardineiro. O faz-tudo da casa. Amigo da família! Então ela se acalma e volta para a cozinha com o jardineiro. E a chaleira? Ah, pois é... parece que o roteirista esqueceu a chaleira lá no sótão. Deve estar lá até agora, porque não aparece de novo durante todo o filme.
Mas gosto das explicações que algumas dessas histórias costumam criar... Do tipo: Segundo uma antiga lenda galesa, é possível trocar um vivo por um morto e, assim, trazer de volta do inferno alguém que já se foi. Interessante...
Entretanto, o que mais me assustou foram os trinta segundos que antecederam o filme que fui assistir. Cara... exibiram um trailer de outro filme de terror. O título era genérico também... Algo como “Espíritos”. O filme talvez nem seja tão bom. Mas o trailer me fez ficar arrepiado.
Mostra várias fotos, uma após a outra, tiradas em uma porção de lugares e datas diferentes. Essas fotos têm uma porção de pessoas retratadas em momentos simples como aniversários e formaturas. Depois, as mesmas fotos são mostradas com detalhes, e você percebe que tem uma porção de rostos e braços que estavam ali e você não tinha notado antes. “São os espíritos... Há! Há! Há! Há!”
Dito assim, parece idiota. E talvez seja. Mas é um trailer muito bom. Quanto ao filme que assisti... Até que foi divertido. Se encontrasse um amigo na saída do cinema, poderia até ensaiar alguma piada sem graça.

13 de jan. de 2006

Sobre ônibus, ladrões de porcos, fábulas e primas

Sexta-feira, 13! Mas não se alarme. É um dia como outro qualquer. Até terremoto a gente já teve por aqui, e não foi em dia envolvido em superstição. Não sei por que o espanto com o fato de um pequeno tremor de terra ter acontecido por estas bandas. As pessoas que testemunharam o terremoto, disseram que “parecia que tinha um grande caminhão passando na rua”. Dizem que o tremor de terra não pode ser previsto. Mas aqui em casa, eu sei, acontece em média a cada trinta minutos. É que o ônibus passa e faz tudo chacoalhar por aqui. Se eu tivesse percebido o tal tremor, talvez meu comentário fosse: “Olha só... o ônibus está adiantado!”

Eu tenho um amigo que, em certa ocasião, não lembro em qual contexto, disse que chorou quando assistiu ao filme “Babe, o porquinho”. Tudo bem, eu também me emocionei vendo “Fuga das galinhas”. Mas fico pensando o que ele achou dos cientistas de Taiwan, que acabam de criar o porco fosforescente.
Pois é, lá está ele... um porco verde que brilha no escuro. Dizem os especialistas que a finalidade desse experimento é “monitorar e rastrear alterações nos tecidos durante seu desenvolvimento físico.” Mas, que é estranho, não há dúvida. Quer dizer, há alguns anos lembro de terem anunciado um rato que carregava uma orelha humana nas costas. Agora injetaram proteína de água-viva num porco, para que ele brilhe no escuro!
Bacana o comentário que ouvi no rádio: “Isso vai facilitar bastante para os ladrões de porcos, né?”

Por falar em rato... Foi notícia nos Estados Unidos na semana passada... Um senhor, um tal de Luciano Mares, fazia limpeza em sua casa e encontrou um rato. Pegou o bichinho e pensou: “E agora, o que faço com você?” Acontece que ele havia juntado alguns ciscos no quintal de casa e tinha colocado fogo. Não satisfeito em expulsar o rato, o cidadão pegou o roedor e o atirou no monte em chamas. O que aconteceu?
Bem, a manchete que encontrei foi: Em “vingança”, rato põe fogo em casa nos EUA. O rato saiu pegando fogo e correu de volta para dentro da casa do homem. Lá se foi toda a mobília. Parece coisa de filme de Sessão da Tarde! Puxa, alguém tinha que transformar isso numa fábula. Podia virar até ditado popular. Algo como “É preciso matar o rato antes de atirá-lo ao fogo.” Uhn... tá, ficou estranho, e os ambientalistas não iriam gostar.

E na semana passada eu comentava sobre Teorias da Conspiração. Cheguei a publicar aqui algumas das minhas teorias locais. Bem, não sei se foi por acaso, mas o fato é que eu, pela primeira vez, não consegui mandar e-mail avisando sobre a atualização do blog. Parece que meu e-mail numérico, tradicionalmente usado para fazer a divulgação, não funciona! Por causa disso, apenas algumas pessoas receberam o tal “newsletter”. Raios! Vamos ver se hoje funciona...

Eu tenho uma prima que é uma figura. Imagine que ontem eu estava lendo um livro quando tocou o telefone. Atendi. Era ela. Qual foi a primeira coisa que ela me perguntou: “Danilo? Onde você tá?” “Como assim? Tô em casa! Você telefonou pra cá, lembra?”
São situações como essa que me fazem sorrir, mesmo em dias ruins.

5 de jan. de 2006

Impressões de um teórico da conspiração

Estive no sebo na tarde de ontem e encontrei uma revista ótima, pelo menos para mim. É uma edição lançada pela revista Superinteressante em outubro de 2004 e trata exclusivamente das chamadas “Teorias de Conspiração”. No ano passado uma edição parecida estava nas bancas, mas não pude comprar porque o próprio preço parecia uma conspiração.
Desta vez encontrei esse exemplar de “O livro negro das conspirações”, com preço mais acessível, e estou me divertindo com a leitura: O homem nunca pisou na Lua. A Aids foi criada em laboratório. Tancredo Neves foi envenenado. E, o que achei mais interessante, “O código de barras é coisa do Satã”. Essa é nova para mim.
Os textos apresentam os principais argumentos dos teóricos da conspiração para essas suposições. Mas interessantes mesmo são os comentários bem humorados que os repórteres e entrevistados fazem a respeito dos temas discutidos.
Um dos depoimentos sobre o terrível código de barras eu sinto obrigação de transcrever aqui:

“Um dos meus passatempos quando criança era ir ao supermercado com minha avó, a saudosa Dona Alcinda. Ela adorava quebrar o pau com uma fiscal, Dona Neves, que vivia com o marcador de preços na mão. ‘Larga esse revolvinho, que um dia quem vai tomar tiro é você’, dizia minha avó. Um belo dia, ela teve uma surpresa: ‘Trocaram as etiquetas de preço por uns riscos na embalagem!’. Como ela iria ver os preços dos produtos? O que aconteceria à abominável Dona Neves? Dias depois, soubemos que Dona Neves foi morta com 18 tiros (três vezes seis, ou 666...). Foi a prova de que o código de barras é mesmo o alfabeto do demônio.”
Eduardo Vieira, editor da Info Corporate, nunca mais comprou em supermercados.

Há! Essa foi ótima! Mas, mesmo considerando as criativas piadas colocadas estrategicamente em meio a temas que sempre foram e sempre serão polêmicos, não há como ler a revista e não ficar um pouco mais paranóico do que já sou. Eu, como estou sempre desconfiando de tudo e, ainda por cima, tenho um agravante de ordem psicológica chamado “imaginação fértil”, acabo sendo ainda mais afetado. Então, vou aproveitar para lançar algumas de minhas teorias da conspiração locais.

Por exemplo, há alguns anos o pessoal da empresa de saneamento básico procedeu a uma troca nos registros de consumo de água aqui na cidade de Ponta Grossa. A princípio, algumas pessoas tentaram se opor. Mas não havia razão para isso. Os funcionários diziam que era um procedimento de rotina, que de tempos em tempos era preciso trocar o equipamento, do contrário o funcionamento correto poderia ser prejudicado. Bem, acontece que depois que os registros foram trocados o consumo de água aumentou pra caramba e, também, a conta a pagar. Uma reclamação qualquer e a explicação do funcionário estava na ponta da língua: “É que, com o tempo, o registro tinha acumulado sujeira, o que impedia o cálculo exato do consumo de água.” Uhn... sei... Pra mim, eles trocam o equipamento periodicamente e fazem com que, propositalmente, os preços aumentem. E nós, pobres consumidores, somos obrigados a pagar por isso.

Outra... Sabe aquelas guardinhas que ficam multando os motoristas que estacionam seus automóveis em local proibido ou, simplesmente, não colocam o cartão de estacionamento? Às vezes, a gente estaciona e não vê nenhuma delas... Mas vem o pensamento: “Ah, é só por dois minutos... eu só vou colocar a carta no correio e já volto.” Mas, é quase certo, quando você volta a multa já está sendo aplicada. Lá está ela, uma guardinha, parada, o olhar fixo apenas no papel que tem nas mãos e na placa do seu carro. E então você tenta argumentar, mas ela olha em volta como se não estivesse vendo você.
Minha teoria é que elas não são humanas. Talvez sejam como o Agente Smith, no filme Matrix. Elas assumem o corpo de qualquer pessoa que estiver passando por perto do seu carro logo depois que você estaciona e atravessa a rua. Por isso surgem sem que ninguém perceba. E por falar em não perceber... Afinal, pra onde essas guardinhas vão quando chove? Já reparei que a maioria delas simplesmente some durante a chuva.

E por último... Parece que foi no ano passado... Foi instalada aqui no centro da cidade uma nova torre de transmissão de TV que, em tese, serviria para melhorar o sinal da Rede Globo nos televisores da cidade. Acontece que, para isso, seria necessário que a antena receptora também fosse trocada. Foram feitos anúncios em outdoors, no rádio, na própria televisão. E até mesmo um folheto foi distribuído aos ponta-grossenses, explicando que seria necessária a compra de uma antena VHF, em lugar da antiga UHF, para que o sinal fosse captado de forma adequada.
Assim, milhares foram às lojas de antenas da cidade para comprar a tal VHF que, não acredito que seja coincidência, estava em desconto. O sinal da Globo melhorou um pouco. Mas a mudança de antenas coincidiu (ou não) com a piora na imagem das demais emissoras. Não vou lançar nenhuma teoria aqui. Vou apenas apresentar os fatos: a venda de antenas aumentou como nunca e a imagem da TV continua péssima. O número de técnicos contratados para instalar as antenas nas residências também aumentou. Só sei que foi muito lucrativo para vendedores e instaladores de antenas. E que, muitas vezes, assisto à Globo porque os outros canais estão cheios de chuviscos.

Mas, se alguém tiver uma informação menos especulativa sobre essas coisas, seria bom colaborar como Universo e Afins. Que foi? Tem uma tia que trabalha como guardinha e ela não é como o Agente Smith? Tem um irmão que instala registros de água e te contou toda a verdade? Você é instalador de antenas e garante que não há conspiração nenhuma nessa história... e mais, ainda vai até minha casa arrumar a imagem da TV, sem cobrar nada por isso? Beleza!!

- Desconfie com moderação. -

28 de dez. de 2005

O sorvetone e o ovo de Colombo

Nessa época de Natal, dizem, as pessoas ficam mais boazinhas umas com as outras. Isso eu não consegui notar. E não acredito muito que alguém espere a noite de Natal para se tornar alguém diferente. Mas é bom receber um cartão ou um telefonema, um abraço ou um sorriso. E a data acaba oferecendo um bom pretexto para essas coisas.
Várias vezes me revoltei pensando: “Mas que droga... fixaram datas em nosso calendário, apenas para que compremos mais!” E em meu íntimo fico achando como é tolo esse hábito de esperar um presente das mãos de uma pessoa que nos é especial. Mesmo pensando assim, acabo me rendendo à tradição e entrego um pacote aqui, outro ali, envio um cartão. Depois, levando em consideração a correria do cotidiano, raciocino: “Se não fosse nessa data, será que eu faria isso?”
É curioso pensar sobre como precisamos de data específica para fazer coisas simples como enviar um cartão... Assim, esses números vermelhos em nosso calendário acabam surgindo diante de mim como vilões e mocinhos, simultaneamente.

Os telejornais acabam restringindo demais os temas abordados nesses dias. Fico com a sensação de que mais de metade do noticiário trata do movimento nas rodovias do país e do crescimento nas vendas de presentes de Natal. Um dia após o Natal, as notícias são sobre a troca de presentes nas mesmas lojas.
Mas no programa Fantástico do último domingo, um homem disse estar pesquisando para descobrir quantos irmãos Jesus teve, e em que circunstâncias. Surgiu a hipótese de que José teve um outro casamento, anterior ao casamento com Maria. Fico pensando que não será nada fácil concluir tal pesquisa. Eu nem sei direito qual foi a profissão de meu bisavô! E agora aquele cidadão quer traçar uma árvore genealógica de cerca de dois mil anos.

Aqui em casa eu comi muito panetone nesses dias. Acho que não estava acostumado a comer tantas frutas cristalizadas... Tem gente que não come as frutas. Pega o panetone e começa a destrinchar, deixando um montinho de frutas de lado. Ainda bem que, quando a família é grande, também existe quem que não gosta da massa, prefere apenas as frutinhas. E aí não sobra nada...
Nesse Natal descobri chocotone de chocolate branco. Rapaz, é muito bom... Uma boa alternativa para quem não gosta de frutinhas. O que não me convenceu muito foi uma receita de panetone de sorvete – o “sorvetone”, que eu vi na televisão.
Fiquei esperando para ver como seria isso. Então, uma mulher mostrou o procedimento normal para fazer um panetone. E eu fiquei ali me perguntando: e o sorvete? Nisso, a mulher abriu a geladeira e tirou de lá um pote de sorvete. Depois cortou a parte superior do panetone e “cavou” o interior, deixando o panetone oco. Jogou o sorvete lá dentro e devolveu a parte superior, que serviu como tampa. “Depois, é só guardar no refrigerador...”, ela disse.

Achei ridículo... Só porque jogaram sorvete dentro do panetone, o negócio virou sorvetone! Mas fez com que eu lembrasse de uma aula de história que tive na escola – minha professora era muito boa em contar histórias. Dizem que Colombo duvidou que alguém, além dele, conseguiria colocar um ovo em pé. Os homens mais inteligentes aceitaram a aposta. Passaram várias horas tentando equilibrar o ovo. Mas o ovo, é claro, sempre rolava e, de vez em quando, chegava a cair no chão. Finalmente desistiram e perguntaram a Colombo: “E então? Como é?”
Colombo pegou o ovo e bateu de leve na parte de baixo, amassando um pouco uma parte da casca. Em seguida colocou sobre a mesa, com a parte levemente quebrada para baixo. E o ovo ficou em pé. Os outros, vendo aquilo, disseram: “Ora, mas, se fosse assim, nós também faríamos.” E Colombo deu um sorrisinho e respondeu: “Mas não fizeram.”

Por falar em panetones... Na segunda-feira encontrei na internet a seguinte manchete: “Bolo mundialmente conhecido por se parecer com a Madre Teresa de Calcutá é roubado no Natal”.
Aconteceu nos Estados Unidos. Diz o texto que, em 1996, um homem ia comer um bolo de canela quando, pouco antes de dar uma mordida, reconheceu ali o rosto de Madre Teresa. E pronto! O bolo se tornou famoso. Apareceu em programas de TV, inclusive. Por último, estava exposto na vitrine de uma loja e foi roubado, ao que tudo indica, na noite de Natal.
O proprietário da loja acha que o ladrão é “alguém irritado com o fato de a loja deixar o bolo da freira em exibição, preservado com goma-laca.” Esse ladrão teria como único objetivo destruir o bolo. Mas eu acho que é mais do que isso. A chave do mistério tem que estar na data. Por que alguém roubaria o tal bolo, justo na noite de Natal? Talvez alguém tenha se surpreendido com um inusitado presente nesse final de ano.

21 de dez. de 2005

As lojas de eletrodomésticos e seus fantásticos andróides

Eu não queria falar de publicidade de novo... Mas o enfoque agora é outro. Recebi no portão de casa um folheto de loja de eletrodomésticos. Não costumo ficar muito tempo olhando esses papéis. Acontece que dessa vez me concentrei um pouco mais na tarefa e descobri, rindo, que isso pode ser bem divertido.
É que encontrei várias informações a respeito dos produtos à venda, e uma porção desses dados eu, simplesmente, não consigo entender. Por exemplo, estou olhando aqui um televisor de 32 polegadas. Custa a bagatela de R$3.339,00. O aparelho possui “HDTV Ready / Progressive Scan; Pip / Double Window; Super woofer / Virtual dolby surround e… o mais impressionante de tudo… Controle remoto sem bateria”!
Não entendi praticamente nada do que esse televisor pode oferecer. Mas o que mais me surpreende é o controle remoto sem bateria. Não entendo se o controle funciona sem baterias, ou se essa informação equivale ao já antigo e desgastado “pilhas não inclusas”.

Encontro aqui, ainda, um aparelho de DVD, marca Panasonic. Uma das vantagens desse aparelho é que ele é “Ultra slim estilizado”. Pelo que entendi, significa que ele é fininho. Sabe, não ocupa muito espaço na estante. Só não entendo o que há de diferente entre o Ultra slim estilizado da Panasonic e o “DVD super slim” da LG.

Vejo também um Mini System que possui Game Link – USB; outro que tem Conexão Gameport e Bass reflex de 3 vias; outro ainda que oferece Dynamic Bass Boost. Nesses aí eu fiquei completamente perdido. “Game Link”? Eu nem sabia que dava pra jogar video-game no Mini System... quanto mais conectado à internet!

Na outra página encontro os aparelhos de fax. Um deles funciona com papel térmico. Outro trabalha com papel plano. Mas, eu achei que papel plano era o básico em qualquer aparelho de fax... Quanto ao papel térmico. Não faço idéia...

É possível comprar um liquidificador e levar de brinde um mini mixer! Além disso, o fogão possui mesa sobreposta com grades individuais. Mas nenhum eletrodoméstico é capaz de superar os refrigeradores, no que se refere a complicação.
Um dos refrigeradores possui “degelo seco”. Por que não? Se existe gelo seco... Mas, o que afinal significa, “portas reversíveis”? E, deixa eu entender... “pés rodízio”, significa que o refrigerador tem rodinhas embaixo, certo?

Mas eu tiraria mesmo o chapéu para um aparelho com nome de robô da série Star Wars. Estou falando do incrível... Refrigerador Brastemp XRX 48D. Custa R$4.499,00. Mas possui: Congelamento rápido; Prateleira trifase no freezer; Ar frio direcionável e... Controle eletrônico externo com Sexto Sentido!!
Cara, esse refrigerador tem mais sentidos do que eu! Deve ser um refrigerador que consegue ver gente morta... Ei, agora estou lembrando, no filme “O Sexto Sentido” o ambiente fica mais frio sempre que um fantasma surge. O XRX 48D deve fazer algo parecido.
Já não sei o que eu preciso estudar para entender esses folhetos de venda de eletrodomésticos... Faço um curso de informática, ou de paranormalidade?

19 de dez. de 2005

"Isso é a cabeça de um homem!"

Depois que li o livro “A volta dos que não foram”, parei de duvidar da existência de uma porção de coisas. Mas, apesar disso, ainda estou surpreso com o anúncio que o SBT está fazendo há algumas semanas. Vão exibir o filme “Titanic 2”!
Fiquei curioso. Lembro de quando o filme Titanic foi lançado nos cinemas. Mas jamais gostei muito da história. Soube que o final era triste e acabei nunca assistindo à produção. Pois é, quando tenho a chance de escolher, prefiro finais felizes. Mas não lembro de nenhum anúncio de Titanic 2. É a primeira vez que isso é cogitado pelo meu cérebro.
Tem um site muito bom sobre filmes: www.adorocinema.com. Dei uma olhada e não encontrei nenhuma referência a Titanic 2. Assim, só me resta esperar para saber do que se trata. Estão perguntando por aí... Será que afundam o navio de novo?

E por falar em filmes e livros... Estive na biblioteca pública na semana passada e emprestei o livro “Os três anéis”. Ao contrário do que possa parecer, nada tem a ver com a trilogia “O Senhor dos Anéis”.
“Os três anéis” é uma história de mistério e suspense que fala a respeito de terroristas que ameaçam espalhar um gás letal na Inglaterra. O autor é um tal de J. S. Fletcher, sobre quem eu ainda não tinha ouvido falar. Livro antigo, páginas amareladas, provavelmente uma edição anterior à década de 1970.
É interessante como pequenas coisas chamam nossa atenção nos textos. Às vezes é um parágrafo ou uma frase, que pode nem ter tanta relação com o restante da obra. O que achei mais curioso é que esse livro fala de um método peculiar de identificação de assassinos. De acordo com esse método de investigação, ao morrer, uma pessoa deixa gravada na retina a última imagem captada pelos olhos.

No filme “As loucas aventuras de James West” (que tem como protagonista Will Smith e já foi exibido pela TV aberta mais de cinco vezes, provavelmente), um cientista transforma a cabeça decepada de um cadáver em retroprojetor. É uma cena mórbida e engraçada. Enquanto Will fica gritando algo como: “Isso é a cabeça de um homem!”, o cientista liga uma lâmpada, fazendo com que dos olhos do defunto seja projetada a última coisa que ele viu, em um telão na parede. Assim é descoberto, ou quase, o assassino.
Até ler o livro de Fletcher, eu achava isso ridículo. Mas agora fico tentando imaginar se o método existe de fato. Não sei até que ponto seria eficiente como na ficção... Estou pesquisando.

Percebi que estou muito sedentário... Por isso, decidi andar de bicicleta durante alguns minutos por dia. Deve fazer uns 20 dias que comecei com os exercícios. E acho que faz 19 dias que parei com eles. Bem, pelo menos eu comecei.
Mas não é má vontade! É que eu preciso das condições ideais para isso. Não pode ter muito sol, nem estar chovendo, nem fazer muito frio. E o clima não tá ajudando... Ok, talvez eu esteja procurando, inconscientemente, por desculpas que me impeçam de pedalar.
Só que hoje eu já tinha decidido que logo após as nove horas da manhã eu iria andar de bicicleta. Estava decidido. Mas ontem meu pai perdeu as chaves do paiol onde eu guardo a bicicleta. Agora resta esperar. A chave vai aparecer...

Há alguns dias o telejornal trouxe uma boa... A notícia era sobre um jacaré que tinha escapado, acho que de um zoológico, e passou a ocupar um lago da cidade. Na tentativa de capturar o jacaré, soltaram alguns pintinhos (o prato principal do jacaré no zoológico) na margem do lago. Depois ficaram esperando que o jacaré viesse buscar os pintinhos, para então prendê-lo e levar o bicho de volta.
Mas pelo jeito o animal não é nada tonto. Continuou nadando. Tonto mesmo foi um dos pintinhos, que resolveu nadar um pouco, e foi parar direto na boca do jacaré. A matéria terminava sem que conseguissem prender o jacaré. Melhor foi o comentário do apresentador do telejornal:
“Nessa história de pegar o jacaré, quem pagou o pato foi o pintinho...”

13 de dez. de 2005

"Quem é Gino Passione?"

Ano passado eu costumava apostar, com meus amigos, quem seria capaz de cruzar o Calçadão da Rua Cel. Cláudio sem pegar panfleto publicitário. De vez em quando um de nós conseguia a proeza de sair da Praça Barão do Rio Branco e chegar até o terminal central de ônibus com as mãos vazias. Mas esse tipo de coisa está se tornando cada vez mais difícil.
Se antes já era complicado caminhar pelo centro, agora, ao que parece, as coisas pioraram. De algum modo, a mania de distribuição de folhetos se multiplicou de um jeito assustador, à medida que o número de lixeiras diminuía. E o pior é que eu não acredito na eficácia desse sistema publicitário. Os anúncios são sempre os mesmos, e continuam a forrar o chão no centro da cidade.

Compro ouro; vejo seu futuro; arrumo seus dentes; empresto dinheiro. As variações são mínimas. E nenhum desses anúncios tem, para mim, qualquer serventia. Não tenho ouro para vender; não acredito muito em astrologia; quando preciso de dentista não sigo o conselho de um panfleto com erros gramaticais; e evito emprestar dinheiro porque, bem, porque prefiro ficar na miséria a ficar na miséria e endividado. Eventualmente uso o verso do papel para fazer alguma anotação.
Ainda assim os folhetos são distribuídos e eu, como uma porção de outras pessoas, sou obrigado a andar em ziguezague para escapar dos papéis constantemente estendidos em minha direção. Num impulso, acabo pegando um ou outro anúncio. Só então, depois de ler as palavras “compro ouro”, percebo que mais uma vez me deixei levar pelo gesto mecânico.
Gostaria de saber se esse método publicitário realmente funciona. Decerto tem alguma serventia, do contrário os papeizinhos já teriam sido extintos. Afinal, não posso me basear apenas na própria experiência, porque sou, talvez, uma pessoa que reage de forma diversa à publicidade.

Por exemplo, nesse ano eu precisei comprar uma mala. Estive em várias lojas, mas em nenhum momento lembrei de uma loja especializada na venda de bolsas, malas, carteiras e similares. Essa loja fica no Calçadão e, sempre que passo em frente, uma menina que anda rapidamente de um lado para o outro (e fala na mesma velocidade) me entrega um panfleto e convida a entrar para comprar uma mala. Se ela soubesse que acabei comprando a mala numa loja da Avenida Vicente Machado, talvez começasse a caminhar mais lentamente.

Saindo um pouco do Calçadão... Quando gosto muito do estilo de um comercial na TV, fico tão empolgado com a criatividade empregada no anúncio, que simplesmente esqueço qual é o produto anunciado. Ou lembro do produto, mas não lembro da marca.
Então, normalmente, a regra é a seguinte... Existem dois tipos de anúncio que não conseguem me convencer: os muito insistentes e os muito criativos. Talvez eu seja atingido basicamente por comerciais exibidos poucas vezes ou que não considero muito bons. Sim, eu sou estranho.

Veja o comercial de Traquinas... odeio aquele comercial em que as crianças comem o produto e no lugar da cabeça delas surge um biscoito gigante. Mas eu lembro do comercial e lembro do produto. Só que não gosto de Traquinas... então, não adianta muito.
Aquele comercial do passarinho que pega ônibus. Aquele é muito bom. Trilha sonora, imagens, tudo perfeito. E a frase final é algo como... “pra que viajar de outro jeito, se você pode voar?” É ótima. Mas foi um amigo quem me disse que o comercial é da empresa GOL de transporte aéreo. Se alguém me perguntasse eu confundiria com a TAM.
Tem uma propaganda de loja de colchão em que os funcionários aparecem colocando as mãos junto ao rosto como se convidassem o telespectador a dormir. Eu fico com sono... só isso.
Existe um comercial que, às vezes, funciona comigo. É aquele que mostra discos da Som Livre. Mas, como o CD original é extremamente caro, compro no camelódromo. Então, não sei se dá pra considerar isso como um sucesso publicitário. Se não fossem os camelôs, eu simplesmente não comprava.
De resto, acho que nunca comprei chocolate “Batom” por influência de alguma hipnose publicitária. Nunca aceitei ofertas de produto ou serviço feitas por telefone. E vários spams são apagados semanalmente de minha caixa de e-mails. Pensando bem, acho que eu poderia ser uma dessas “pessoas-cobaias” utilizadas em experiência de teste de eficiência de propaganda. Sim, eu devia me candidatar a esse tipo de coisa.

Acabo de lembrar do comercial do chocolate “Mania” e sinto vontade de comprar. Pena que o chocolate parou de ser fabricado há alguns anos. Isso é triste.

6 de dez. de 2005

Errar é humano.. mas computadores também exibem mensagem de erro

Parece que ultimamente aumentaram as reclamações sobre a arbitragem nos jogos de futebol. E não têm, necessariamente, relação com as denúncias de compra dos juízes – a “máfia do apito”. O problema são os erros mesmo. O juiz que dá pênalti inexistente, o bandeirinha que não vê impedimento. Esse tipo de coisa.
Ontem meu pai dizia que, na sua opinião, os juízes deveriam receber punição rigorosa quando cometessem esses erros. Pelo menos quando fosse algo capaz de mudar o resultado de partidas decisivas em campeonatos, por exemplo. Quando ouvi seu comentário, lembrei de uma historinha que li num gibi, certa vez.

Devido aos erros dos juízes, Tio Patinhas contrata o Prof. Pardal para que invente um juiz infalível. Depois de algum tempo de trabalho, o Pardal cria um robô que faz o trabalho do juiz. No princípio, todos ficam maravilhados. O robô não erra. Assim, o novo juiz ganha o respeito de jogadores e torcedores.
Aos poucos, porém, os estádios começam a ficar vazios. As pessoas deixam de ir assistir aos jogos. Uma rápida pesquisa mostra que a razão do descontentamento está no novo juiz. Ele não erra, e isso deixa os torcedores frustrados. Não há mais pretexto para proferir xingamentos. Não dá para maldizer o juiz. Não existe dúvida quanto ao resultado e as discussões a respeito das partidas acabam se tornando muito chatas. Assim, todos percebem que os erros do juiz fazem parte do futebol. Parece que no final da historinha o robô era desativado. Lembro que tudo voltava ao que era antes.

Bem, não sei até que ponto uma HQ pode ser usada numa comparação com nossa realidade. Mas acredito que não existe a verdadeira intenção de acabar com os erros dos árbitros de futebol. Nós já temos tecnologia para isso. Não é preciso um robô. Normalmente, um minuto depois de um lance polêmico as câmeras mostram ao telespectador, em casa, se o juiz errou ou não. Bastaria que o juiz visse o lance polêmico pela televisão, para que confirmasse ou não seu julgamento. E esse tipo de operação duraria praticamente o mesmo tempo que leva uma discussão entre o juiz e os jogadores, logo após o mesmo lance duvidoso.
Tinha até um comercial na televisão... Depois de um lance duvidoso o árbitro telefonava com o celular para a mãe, que estava em casa assistindo pela TV. A velhinha informava, vendo o replay, se a falta tinha existido ou não.

Por enquanto o tira-teima dos computadores só fica à disposição do telespectador, não é acessível ao juiz. E acho que vai continuar assim por algum tempo. Mas também... os computadores falham de vez em quando. Eu que o diga!
Faz tempo que eu vou a uma mesma lan house no centro da cidade, sempre que a internet em minha casa não funciona. E em quase todas as ocasiões eu sou convidado a fazer um cadastro na loja. Mas recuso educadamente – porque não gosto muito de cadastros – e, assim, há mais de um ano vou ao mesmo estabelecimento me apresentando como visitante. Só que a funcionária já memorizou meu rosto e, no outro dia, quando eu saía do local, ela insistiu:
_Você vem sempre aqui, não é?
_Ahn... sim.
_Por que não faz um cadastro? Você ganha trinta minutos de acesso à internet.
_Uhn... tá bom. Você venceu. Na próxima vez que vier aqui, eu faço o cadastro.

Ora, a próxima vez foi ontem. E lá estava ela, atendendo do outro lado do balcão, diante de um computador.
_Hoje vou fazer meu cadastro! – eu disse.
_Legal! Vou precisar do seu RG.
_Tá aqui. – estendi o documento.

Depois de apertar algumas teclas do computador, ela parou e ficou em silêncio. Chamou o colega para mostrar algo no monitor. Em seguida, meio sem jeito, ela me transmitiu a informação:
_Parece que o sistema travou. Não vou poder fazer seu cadastro agora. Às vezes o computador não funciona.
_Ah, é verdade. É por isso que estou aqui.

Em seguida fui usar o computador número 33, onde mais tarde ficaria preso o meu disquete.

1 de dez. de 2005

Sobre bengalas, panos-de-prato e pessoas inexistentes

Gostei da idéia de escrever em um blog. O problema é que na última semana nem mesmo eu conseguia acessar o tal endereço. O fato coincidiu com o travamento de meu CPU. Assim, tive que tomar duas atitudes drásticas e inevitáveis: Levei o CPU para a manutenção e criei outro blog: este aqui. Na verdade, dá pra ver que é praticamente o mesmo, só que com outra cara e outro endereço. Eventualmente, talvez, seja possível acessar o antigo. Posso dizer que migrei para outro Universo. Mas, como o primeiro Universo ainda existe, são universos paralelos (Há!), sendo que o primeiro tende a cair no abandono.

Vai levar um tempo para que eu descubra os macetes outra vez. No primeiro blog eu precisei de algumas semanas para descobrir um jeito de colocar meu nome no site. Por algum tempo meus textos permaneceram anônimos para um visitante desconhecido.

Por falar em desconhecido... dei boas risadas com uma cena exibida no telejornal de anteontem. José Dirceu levando bengaladas dentro da Câmara! Que cena mais hilária... Dirceu tava passando por um corredor e no meio de várias pessoas estava um velhinho. Uma caricatura... um velhinho de barba branca. Coisa inofensiva, tipo Papai Noel.
De repente o cidadão sacou a bengala e começou a desferir golpes contra José Dirceu. Tiveram que segurar o velhinho! Depois a Fátima Bernardes disse que o homem foi identificado como sendo um paranaense, Yves Hublet, 67 anos, escritor de livros infanto-juvenis. Que inusitado!
Mais inusitado ainda foi a continuação do acontecimento. Um gaúcho apareceu no telejornal de ontem para dizer que desafiava o tal escritor para um “duelo de bengalas”. Achei isso ainda mais engraçado. Mas fiquei pensando... “Puxa vida... o tal gaúcho gosta mesmo do José Dirceu, para defendê-lo num duelo.” Acontece que, quando foi entrevistado, o gaúcho explicou por que estava tão zangado com o ato do escritor paranaense. Disse algo como: “Ele desonrou a bengala!”
Foi ótima. Parece que o cara roubou a piada que a turma do Casseta & Planeta iria fazer na semana que vem.

E eu estou em busca de uma capa para minha impressora. É um modelo HP 640. Mas não encontro a tal capa. Na última loja em que estive a funcionária estava de bom humor. Primeiro quis que eu comprasse o kit, que também vinha com capa para monitor, para CPU e teclado. Quando eu disse que só queria a capa da impressora, ela disse que não podia vender separado. Mas deu uma sugestão: “Coloque um pano-de-prato por cima...”
Parece provocação, mas na verdade ela não pretendia ser grosseira. O pior é que nesse dia era eu quem não estava de muito bom humor. Mas forcei um sorriso e fui embora. Já não bastam as prateleiras onde, há muito tempo, não se guardam pratos... agora os panos-de-prato vão cobrir impressoras?

Voltando ao tema “blog anterior”... Fiquei bastante indignado no começo dessa semana, quando tentei colocar um novo texto no site e fui avisado que meu e-mail era inexistente. Como “inexistente”? Lembrei de uma aula que tive em 2002. (Ou foi em 2003?) O professor estava provocando uma série de pensamentos filosóficos e eu aproveitei o momento para ir tomar um gole d’água.
Quando voltei, ele tinha desenvolvido uma teoria, segundo a qual eu não existia. Talvez tenha sido uma forma de repreensão por eu ter saído durante a aula. O fato é que, quando eu retornei, ele dizia:
_O Danilo não existe. Ele é fruto de imaginação coletiva.

Engraçado... posso estar enganado, mas acho que continuo aqui. No entanto, nunca mais vi esse professor.