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16 de mai. de 2011

Anseios solitários

Boas notícias... meu novo site de tirinhas está quase pronto. Daqui a alguns dias, calculo, já poderei anunciar o novo endereço.

Preparei o layout há alguns meses, passei para que meu amigo Rodolfo colocasse no ar. Rodolfo é amigo de longa data, embora quase não conversemos mais. Ele é o sujeito que possibilitou o surgimento virtual do site Super OW!, quando eu me divertia trabalhando em um jornalismo rápido, ágil, útil, bem feito, mas pouco rentável.

Rodolfo Bandeira era o programador, e sempre que surgia um problema resolvia com relativa rapidez. Morava perto de minha casa até pouco tempo, a poucos metros da chamada "Curva do Diabo", não muito longe também do Estádio de Futebol Germano Krüger. Por último, foi para Curitiba... acho que é onde está agora. Trabalhando para a RPC, se não me engano.

O site ficou com ele, que esteve envolvido com um trabalho de conclusão de curso, e sabemos o que isso significa. Tensão e dedicação quase exclusiva ao projeto acadêmico. Concluiu essa etapa na semana passada, e neste sábado retomou a formatação do sistema do site.

Dei uma olhada hoje e notei que ainda faltavam algumas coisas. Envie um e-mail dizendo o que ainda faltava. Na resposta, ele me lembrou que ainda não havia terminado. Uhnf... eu devia esperar ele me dizer para ir lá olhar. Mancada... Mas, quem acha que sou apenas paciente, não se engane. Sou ansioso como todas as pessoas são.

Pelo menos eu acho que todas são ansiosas. Só que cada pessoa tem ansiedade em relação a coisas diferentes. Varia de acordo com o interesse de cada um. Como podemos criticar uma pessoa por ela ser ansiosa? Como podemos criticar alguém porque ela quer dividir esse ansiedade com os outros? Quem consegue admirar ou desejar algo, sem sentir necessidade de compartilhar descobertas ou esperanças? A ansiedade, a pressa, a precipitação não é um defeito. Só é difícil de ser compartilhada na mesma proporção por diferentes pessoas.

Certa vez conversei com uma bibliotecária, em minha escola, que todos julgavam ser chata. Inclusive eu. Nessa conversa descobri que ela, assim como eu, era fã de romances policiais. Ela recordou o nome de um detetive, Mike Shayne, cujas histórias ela costumava ler na juventudeem livros de bolso.

Aquele nome eu escrevi no verso de uma agenda ou caderno. E, universitário, quando adquiri o saudável hábito de frequentar sebos, decidi procurar por aquele personagem. Encontrei um livro surrado que trazia uma das aventuras do personagem. Li, e achei fantástica a narrativa.

Meu coração batia acelerado no dia em que entrei em meu antigo colégio, com o livro na mala. Iria entregar nas mãos da bibliotecária. Chamei por ela na recepção. Quando veio, entreguei a ela o livro de páginas amarelas que quase se soltavam. "Trouxe isso para você", disse, esperando ver olhos brilharem, enquanto as lembranças da leitura na juventude vinham à sua memória. Ao invés disso, o que ela viu foi um livro pouco cuidado, mas agradeceu pela doação à biblioteca. "Não, eu trouxe para você... é Mike Shayne", expliquei.

Sua surpresa foi mais por eu mencionar o nome, do que por ter o livro em mãos. Não havia emoção em sua voz. Não havia olhos brilhando. Sua mente parecia se deter na catalogação do acervo da biblioteca. A ansiedade que pensei compartilhar com alguém, na verdade era apenas minha.

Fui embora decepcionado. Nunca encontrei outra pessoa que tivesse lido histórias do personagem, enquanto eu busquei e li pelo menos outras duas. Os desejos, os prazeres, os anseios pertencem exclusivamente a cada pessoa. Mas, tolos, continuaremos a buscar quem compartilhe o que sentimos e precisamos na mesma intensidade. Dizem que a felicidade é estar bem consigo mesmo. Mas como é estar bem consigo, sem se importar com o que o outro pensa?

Que as divagações e perguntas lançadas no ar nos tragam, se não respostas, conforto.

30 de set. de 2009

Pensando o jornalismo...

Na noite dessa terça-feira (29) participei de um debate sobre jornalismo on-line. Foi durante o evento da Semana de Jornalismo, promovida pela Faculdade Santa Amélia Secal. Estava com um pouco de receio, pois era minha estreia em um evento assim na posição de debatedor. Mas foi mais tranquilo do que eu imaginava. Não tenho muito boa retórica, mas falei apenas o que sabia, e até um pouco demais. Só me atrapalhei mesmo com a porta na hora de entrar e na hora de sair (quase dei de cara com a janela de vidro do ginásio do Colégio Sepam).

Só devo ter silenciado nas falas de vez em quando, quando esquecia a linha de raciocínio que estava seguindo. Acho que isso é um pouco consequência do trabalho diário com internet. Às vezes penso em forma de link, e não mais de modo linear como narrativa. E você deve saber como isso funciona. Você clica em um link, e daquele parte para outro, e para outro. E, nesse ponto, já esqueceu qual era o endereço do primeiro link. Razão pela qual é cada vez mais comum alguém dizer que viu um vídeo, texto ou foto, mas não lembra onde foi.

Enfim, o Sebastião Natálio, da RPC TV Esplanada, estava lá também, e contou algo sobre sua experiência com o site de notícias Convoy, que existiu aqui na cidade de Ponta Grossa há alguns anos. Enquanto eu citei, rapidamente, a existência do site SuperOW, no qual trabalhei por cinco meses entre 2006 e 2007.

Chegamos à conclusão de que o armazenamento de informações em sites de notícias é muito bom porque facilita a busca posterior do que foi produzido. Por outro lado, basta o site deixar de existir para que tudo se perca. Diferente de um jornal impresso que, se fechar as portas hoje, ainda terá exemplares antigos circulando por aí, em bibliotecas ou arquivos particulares e públicos.

Ninguém guarda os sites. Por essa razão, Convoy e SuperOW não passam hoje de lembranças, sem registro na internet, pois o domínio se perdeu, e com ele quase tudo o que foi feito em cinco meses de trabalho intenso. São boas lembranças no meu caso.
Apesar de o site SuperOW quase não ter ficado conhecido (a imagem que ilustra esse texto é uma montagem... o outdoor foi só uma ideia nunca colocada em prática), foi o trabalho em que tive maior liberdade para escolha de pautas, produção de textos, e onde pude me considerar um repórter mais multitarefa. Escolhia pauta, fazia entrevista, tirava fotos, editava e publicava o próprio texto com a rapidez que sempre desejei encontrar no jornalismo.

Enfim, ontem foi uma noite para relembrar essas coisas, e perceber que meu colega Sebastião teve experiências muito parecidas. Uma das reportagens que ele citou, e que mais gostou de fazer para a Convoy, foi realizada por pura paixão pelo jornalismo. Numa viagem de poucos recursos financeiros, mas com vontade de trazer informação nova e que desse ao internauta vontade de ler.

Na cidade o jornalismo on-line ainda engatinha*, apesar de a internet não ser nenhuma novidade. Mas acredito que bastaria que surgisse um portal na internet com noticias de última hora para que outros veículos de comunicação local seguissem o mesmo ritmo. Por enquanto, não há concorrência. As notícias chegam ao mesmo tempo nos dois jornais impressos da cidade.

A vantagem de eventos como o de ontem à noite é que, além de oferecem aos estudantes um pouco de nossas experiências, também fazem com que nós mesmos relembremos essas coisas. E relembremos, também, um pouco do que somos e esperamos do jornalismo.

*Confira o melhor exemplo de jornalismo on-line em Ponta Grossa, no momento. O site Net Esporte Clube traz notícias esportivas constantemente. O layout é simples, mas a equipe de repórteres tenta manter a atualização com, no mínimo, uma notícia por hora. Vale a pena conhecer.

13 de fev. de 2007

Do alambique ou do Ribeirão?

Parem as prensas!
Não sei se algum jornalista já gritou isso de verdade, ou se é apenas coisa de Hollywood. Afinal, Sherlock Holmes também nunca disse “elementar, meu caro Watson”. A expressão só existe em filmes e desenhos animados.

No meu caso, ordenar que parem as prensas está ainda mais complicado. Trabalhando num site de notícias, no início do século XXI, nem há prensa. Na verdade, até mesmo os furos de reportagem de antigamente estão difíceis de serem descobertos, ficando difícil achar um pretexto para o grito.

Mas uma coisa continua igual... “Parem as prensas” continua sendo uma frase genuinamente jornalística, mesmo que os filmes tenham sido os responsáveis por isso. E sendo assim, me sinto no direito de berrar essa exclamação quando coisas absolutamente anormais acontecem diante dos meus olhos ou, no caso, de meu olfato e paladar.

Sim, porque ontem algo estranho aconteceu. Não renderia furo de reportagem, a menos que fosse no antigo Programa do Ratinho (não no novo “Jornal da Massa”, apresentado no SBT por um tal de Carlos Massa). Se fosse num desses programas sensacionalistas, o Padre Quevedo seria chamado para dizer que “Esto nô ecxiste!”

Na ausência do desmistificador do paranormal, a coisa toda permanece obscura. O fato é que ontem, ao chegar na redação, depois de alguns minutos de conversa com o Rodolfo, programador do site, ele veio com o comentário:
_Nossa... e esses dias, que eu fui tomar um gole d’água ali e senti gosto de cachaça!

Ralph estava na sala também. Nós dois olhamos para o filtro de água, com sua aparência azul-inocente, e soltamos uma boa gargalhada.

O filtro de água é novidade para mim. Na semana passada eu não conseguia tirar água dali. Comecei a pensar que era exigido algum tipo de técnica especial, como para ordenhar vacas. Na ocasião, Seu Flávio deu risada: “Mas vocês jornalistas, tá louco viu... Só sabem escrever, mesmo! Tem que dar uma sacudida no filtro. A água foi trocada há pouco tempo, deve ter entrado ar, ou algo assim”.

E, realmente, bastou uma sacudida e a água voltou a escorrer para o copo de plástico. Aos poucos comecei a perceber que o filtro de água, assim como um computador, um carro ou um grampeador, possui suas esquisitices e particularidades. Mas nada comparado ao que aconteceu no início da tarde de ontem.

Depois do almoço, eu e Ralph voltamos à redação. E resolvi tomar um pouco d’água. Mas só depois do primeiro gole é que eu senti que algo estava errado. Porque na escola a gente aprende que a água é insípida, incolor e inodora. E aquela ali só estava incolor. Cheiro e sabor estavam muito mais próximos da aguardente. Sim, cachaça!

De imediato pensei em algum tipo de sabotagem. Alguém devia ter misturado cachaça à água mineral. Mas parecia não haver como. Colocar aquele filtro já é complicado, porque alguém se daria ao trabalho de fazer isso? E com que objetivo?

Depois pensei que algum produto na água poderia tê-la feito fermentar durante estes sete dias. Mas, que produto? Estamos falando de água... engarrafada.

Sendo assim, o mistério permanece, ao menos por enquanto. Como a água pôde virar cachaça? Milagre? O fato é que cheiro e sabor parecem ficar mais fortes a cada momento. Fica registrado apenas o comentário de Ralph: “Esperar mais alguns dias, daí a gente vai dar uma festinha...”

*****

...Depois de terminada esta crônica, estava me preparando para publicá-la, quando Seu Flávio entrou na sala, e aproveitei para falar a ele a respeito do fenômeno da transmutação da água em cachaça:

_Seu Flávio, já viu o que aconteceu com a água?
Ele olhou em direção ao filtro:
_Não vi nada. O que aconteceu?
_Tá com um gosto meio estranho... – falei
_Ah, é...? Ah, sim, claro... Deve ser porque eu lavei o filtro com álcool na semana passada, antes de trocar o garrafão.
_Lavou com álcool?
_Foi. A água deve ter pego o gosto e o cheiro.
_Mas, então porque o gosto demorou tanto pra chegar à água? Na semana passada a água ainda estava boa.
_Ah, bom... aí já é outro mistério...


23 de nov. de 2006

A expansão do Universo depende do tempo disponível ao seu criador

Ao longo desses quase dois meses em que o Universo e Afins permaneceu sem atualização, tive a comprovação de que o número de leitores é bem menor do que eu imaginava. Não lembro de ninguém, além de mim, cobrando novos textos. Lembro apenas de uma mensagem no orkut, que perguntava se eu ainda moro nesse planeta.

Resposta: sim, porém com menos tempo. Eis que surgiu um trabalho, e agora escrevo (e também reescrevo) algumas matérias no portal emergente de notícias Super OW! (www.superow.com.br). Não chega a ser o Planeta Diário, mas é realmente diário, talvez até mais.

Se o Universo diminuiu sua expansão, é porque o tempo dedicado às crônicas também foi reduzido. Site de notícias é a maior correria, e dez minutos depois de eu ter publicado uma matéria, ela já está embaixo de uma lista de outras cinco publicadas logo em seguida.

Conseqüências imediatas dessa minha nova empreitada: adquiri o costume de iniciar os parágrafos sem colocar espaço antes da primeira palavra (coisas da internet). Estou me tornando mais amigo do telefone. Passei a acordar mais cedo. E me acostumei a usar elevador!

O edifício Dr. Elizeu, na Rua XV de Novembro, onde está situada a pequena redação do Superow, possui um elevador antiqüíssimo. Não sei se é o mais antigo da cidade, mas há quem diga que é aquele que mais fede. Talvez seja o cheiro do óleo lubrificante que permite que uma máquina tão antiga continue funcionando.

Hoje o elevador fez um barulho estranho na lateral esquerda, ou talvez tenha sido em cima, enquanto eu descia o prédio. Lembrei de um episódio do desenho dos Simpsons, em que o Bart tenta avisar aos colegas que tem um Gremlin sabotando os pneus do ônibus escolar.

Parecia que algo tinha enroscado na parede do elevador. Por um instante fiquei alerta, e pensei em usar a escada com maior freqüência. Mas a escada possui degraus tão estreitos, que o risco pode ser ainda maior.

Portanto, se o Universo e Afins ficou sem novos textos por algumas semanas, não significa que situações bizarras deixaram de acontecer ao meu redor. Continuam acontecendo... só que o registro escrito ficou um pouco comprometido.

Alguns mistérios permanecem sem solução:

Existe um banco (instituição financeira) do centro da cidade, que costuma deixar suas cortinas erguidas durante a noite. Quem olha através das janelas, encontra cada faixa de cortina suspensa por meio de um nó. Alguns dizem tratar-se de superstição.

No meio da Praça Barão do Rio Branco ainda existe um “monumento ao nada”, sem forma definida, sem placa de bronze com indicação de homenagem. Apenas um bloco vertical de concreto, com mais de 2m de altura, onde velhinhos se apóiam para chupar picolés de morango.

Vez por outra podem ser avistadas figuras caricatas no centro da cidade. Como o homem que se parece (bastante) com o Pingüim, vilão do Batman. Inclusive se veste parecido, e caminha de forma semelhante, carregando sua misteriosa bolsa preta de couro. Ele pára numa esquina, e fica olhando ao redor como se procurasse por alguém. Batman, provavelmente.

E ontem fui abordado por um sujeito que se auto-intitulava “Zé-do-pão”. Perguntou se eu já tinha ouvido falar dele. Respondi na mesma hora, pra rimar com o nome: “não”.
“Eu vendo rosquinhas, mas não dou a rosca... entendeu?”, ele disse, rindo sozinho enquanto tirava um pacote de rosquinhas da sacola. Fiquei imaginando se sua tática de vendas era a mesma com homens e mulheres. Acabei comprando as rosquinhas do Zé-do-pão, não graças à sua propaganda, mas porque eu tinha fome naquela hora.

Situações bizarras não faltam. Continuo recebendo choques elétricos na maçaneta da porta da sala. Mas agora chego a ter dois ou três déjà vus por dia. E conheci uma menina que me ensinou uma série de verdades impressionantes: Djavan não canta no grupo Cidade Negra; Mahicari está mais para filosofia do que para religião; e existe protetor-solar em pó!

E o mundo continua girando... talvez ainda mais rápido.

P.S.: Curiosidade retirada do Aurélio... “déjà vu: Neur. Psiq. Ilusão epiléptica durante a qual o indivíduo interpreta mal objetos que, entretanto, vê bem e que passam a ter, para ele, características anormalmente familiares.” Quem lê isso, pensa que eu saio tremendo e desmaiando por aí. Que horror!