12 de jun. de 2012
Onde está a graça?
Enfim, após vários dias de chuvas, confirmamos hoje que o sol ainda está lá em cima. As casas e edifícios em Ponta Grossa ficaram tão úmidos em seus pisos, paredes e janelas, que me obriguei a fazer uma tirinha sobre o tema.
Apesar do tempo pouco convidativo para sair, na semana passada acabei marcando um encontro que, descobri, eu desejava fazer há muito tempo. Por sugestão do editor-chefe do Jornal da Manhã, Mário Martins, escrevi reportagem sobre aqueles que trabalham com humor na cidade.
A ideia surgiu com a visita da cartunista curitibana Pryscila Vieira, que agora está morando em Ponta Grossa, desde que seu esposo assumiu o posto de delegado do Denarc local. Pryscila é a criadora da personagem Amely, um fenômeno dos cartuns. Uma mulher com aparência de boneca inflável (ou seria o contrário?) que critica a sociedade machista e a mulher vista como objeto.
Em conversa com Pryscila, ela apontou que seria mais pertinente fazer uma reportagem com outras personalidades além dela, e mencionou Benett (chargista ponta-grossense que agora trabalha para a Gazeta do Povo e Folha de S. Paulo) e *Fábio Silvestre (humorista de PG que agora está no programa A Praça É Nossa, do SBT).
De acordo, Mário Martins lembrou que James Robson França, vulgo Sádico, não poderia ficar de fora da matéria. Sádico é chargista do Jornal da Manhã, e tem feito excelentes trabalhos com ilustrações e tiras no jornal.
***
O bar, sempre o bar...
O primeiro passo da reportagem foi marcar uma conversa com Sádico. Ofereci duas possibilidades: o café da Panificadora Vila Velha ou o Bar do Seu Rui, ao lado do JM. “O bar. Sempre”, respondeu. Mas, na manhã de quarta-feira, estávamos no bar... tomando café. Precisávamos nos manter lúcidos. Era meio da semana. Mais um dia e teríamos um feriado, aí cada um faria o que bem entendesse.
Foi durante a conversa que Sádico lembrou: eu não podia deixar de mencionar Roque Sponholz, caricaturista e chargista ponta-grossense. Também poderia mencionar Diego Castro, humorista emergente quando se trata de comédia stand up na região.
A sugestão era boa, mas me pareceu improvável... Sádico propunha que eu reunisse a Pryscila, ele, Roque e Diego, e fizesse uma foto de todos juntos para compor a capa do caderno Urbe do JM, onde seria publicada a reportagem. Me despedi prometendo fazer a tentativa de marcar a foto para aquela mesma tarde, embora incrédulo.
***
Mais fácil do que parece
Para minha surpresa Roque Sponholz me atendeu no primeiro telefonema, e topou o encontro no Parque Ambiental. Local escolhido em face da identificação imediata com a cidade, já que o Cocozão, monumento polêmico e insubstituível, não mais existe.
Diego Castro também aceitou a ideia na hora, e combinou estar no Parque Ambiental também às 17 horas. Pryscila estaria chegando de uma viagem a Curitiba, mas disse que daria tempo de fazer a foto, com certeza.
À tarde, o tempo que estava apenas em garoa decidiu assumir sua condição chuvosa e as gotas de água se intensificaram, dobrando de tamanho e volume, e me obrigando a transferir o local da foto para alguns metros adiante. O novo local era a Estação Saudade, antiga estação de trem, hoje biblioteca municipal, também localizada no mesmo Parque.
Mas essa mudança precisou ser articulada após as 16h30, e Roque Sponholz já havia deixado sua casa, rumo ao local original do encontro. Fiel a uma tradição antiga, Roque não carregou celular [aparelho que, aliás, não possui]. Teria que encontrá-lo no local onde havíamos combinado por primeiro e levá-lo à Estação. Os demais foram todos avisados.
Às 17 horas em ponto, Roque exibia seu abrangente bigode [marca caricatural que carrega no semblante] perto das árvores de romã do Parque Ambiental. No carro do JM, eu, o fotógrafo Christopher Eudes, o motorista China e Roque Sponholz seguimos até a Estação Saudade, onde Sádico e Diego Castro já conversavam animadamente.
Só faltava Pryscila. Enviei SMS dizendo que a esperávamos, e ela respondeu que estava perdida. Uma breve conversa e a recém-chegada a Ponta Grossa, minutos depois, encontrava o bizarro estacionamento que fica junto à biblioteca e é dominado por flanelinha de aparência estranha e comportamento inescrupuloso (acho que acabo de descrever todos os flanelinhas do mundo).
***
Autopromoção? É o jeito...
Christopher fotografava os quatro junto ao prédio, usando o que restava da bateria de sua câmera. Ele tinha começado o expediente no jornal cedo, e teve que fazer o trabalho do outro fotógrafo, Clebert, que precisou viajar a trabalho para Curitiba. Com isso, estava nas últimas energias (ele e a câmera). Foi quando os entrevistados reivindicaram minha presença na foto.
De fato, meu trabalho como cartunista criador do Catraca não podia ser desprezado. Mas... escrever sobre mim mesmo na reportagem? Me incluir na fotografia? De início me pareceu inadequado. Mas, em seguida pensei... Por que não? Ao final, estar ali ao lado dos grandes nomes do humor local, alguns dos quais com destaque nacional e internacional, me serviu de incentivo e massagem positiva ao ego.
A reportagem não ficou ruim. Mas esse foi um daqueles casos em que o “fazer a reportagem” foi mais interessante do que vê-la publicada. E ter sido incluído na foto por eles teve, para mim, elevada importância. Talvez eu como cartunista não tenha o destaque que eles já conquistaram, mas rir ao lado deles foi como respirar mais profundamente. Aí está a graça.
*Obs.: Na mesma edição do caderno Urbe (10/06/2012) foi publicada entrevista com Fábio Silvestre. Ainda consegui para aquela edição uma entrevista com o chargista Benett. Mas, sem tempo e espaço adequados, posterguei a publicação para outra ocasião. É um material que merece o devido destaque, e em breve certamente terá. Por hora, eis os links para o caderno Urbe do último domingo - http://www.jmnews.com.br/noticias/urbe/23,21925,10,06,o-humor-em-ponta-grossa.shtml
- http://www.vamoslerjornaldamanha.com.br/mail/jm/flip/Urbe/10-06-12/
30 de mai. de 2012
Dia do Desafio
Um radialista disse, no noticiário desta manhã, que hoje é o tal Dia do Desafio. Uma data que, na minha opinião, é ridícula. Ridícula porque sugere que as pessoas pratiquem atividades físicas e, dessa forma, estabelecem uma espécie de competição saudável entre cidades, para ver onde as pessoas mais aderem à prática. No entanto, a verificação disso se dá por meio dos telefonemas feitos pelas pessoas que [supostamente] participam, logo após o ato. Ao final, um cálculo básico sobre o número de pessoas que relatou a prática física irá determinar a cidade vencedora.
Além do fato disso estar condicionado quase sempre a um telefonema [que pode ser mentiroso, ou que pode não acontecer por falta de estrutura telefônica, falta de créditos no celular], Ponta Grossa, localidade onde resido, quase sempre ganha. E eu me pergunto se isso acontece porque gostamos do Dia do Desafio, ou se é porque o pessoal lá fora tem mais noção da realidade, e prefere praticar atividades físicas todos os dias pelo seu bem-estar, ao invés de fazer isso uma vez ao ano buscando vencer uma competição.
Enfim. Hoje a cidade deve bater um recorde de participações, já que os funcionários da Viação Campos Gerais, empresa que administra o transporte público na cidade, entraram em greve. Nenhum ônibus circula e o Terminal Central estava absolutamente estranho, sem ônibus e sem pessoas em seu interior. Só os guardas nas guaritas de entrada e a neblina pairando sobre a estrutura metálica.
Muitas pessoas se obrigaram a ir a pé para o trabalho, ou buscaram a carona com um amigo. Eu levei minha esposa ao trabalho e pude ver um número bem maior de automóveis circulando nas ruas.
“O desafio hoje será chegar ao trabalho”, complementou a outra radialista, fazendo trocadilho. E o meu será aguentar mais um Dia do Desafio, sendo coerente ao meu modo de ser, e mantendo o sedentarismo de sempre. Muito embora eu ainda pretenda mudar isso, em algum momento que não será no Dia do Desafio.
20 de abr. de 2012
De volta à estrada: um passeio a Witmarsum
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| Nós em frente à placa que explica a existência das 'estrias glaciais' |
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| Paisagem bucólica das margens da rodovia principal da Colônia |
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| Nosso Palio Economy, promovido a 'Adventure' após a viagem a Guaraqueçaba |
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| Igreja menonita local |
19 de fev. de 2012
Carnaval também é estresse...
Sem desculpas para não acordar
17 de jan. de 2012
O dia em que nos achar foi Missão Impossível
16 de jan. de 2012
Que tipo de bêbado você é?
2 de jan. de 2012
Um novo lar... com as notas contadas
Há alguns dias o pianista Newton Schner Junior esteve no jornal para uma visita de cortesia. Veio apenas me desejar um feliz ano novo, pois ficaria alguns dias fora, em trabalhos braçais na chácara da família, em Itaiacoca, segundo entendi. Fiquei surpreso, pois não imaginava o Newton carpindo um lote. Certamente é um sujeito mais versátil do que eu pensava. Das teclas do piano e do computador para a enxada... às vezes é uma longa distância.
- E você, vai viajar? – perguntou ele, se referindo ao Réveillon
- Não... na verdade já tive gastos suficientes neste ano, por conta da compra da casa nova e da mudança.
- Ah, sim. Você se muda agora em janeiro?
- Isso aí.
- Vai poder escrever “notas de um novo lar”... – brincou, numa referência ao título de uma de suas obras literárias mais recentes.
- Acho que será um novo lar, só que sem as notas. – respondi rindo, enquanto fazia um gesto com as mãos que significava dinheiro.
E agora aqui estou, no novo lar, procurando entender que mudanças isso implica também em minha vida. A mesa de computador e o próprio computador são os mesmos, como se me tivesse sido possível ser apenas transportado com eles para outro ambiente. Mas a sensação é completamente outra. Outro espaço, outros móveis, outra companhia.
Quando comecei a namorar a Pri, há pouco mais de dois anos e meio, tinha planejado isso tudo para 2013. Não sei por que, achei que quatro anos era um bom número. Mas eu sempre tive mais paciência, enquanto ela sempre foi mais ansiosa. Dois anos e meio foi o ponto de equilíbrio, e o momento em que conseguimos encontrar e organizar uma casa para onde nos mudarmos.
Não foi fácil encontrar esta aqui. Percorremos a cidade toda, de casas a apartamentos, de condomínios centrais a bairros distantes. Não imaginava me mudar para o Jardim Gianna, localidade nova que até pouco tempo eu sequer sabia que existia. Além do mais, na primeira vez em que percorri estas ruas, para conhecer outra casa à venda, o aspecto visual não me agradou muito, por ser do outro lado da mesma vila. Aí o colega Alan me veio falar de uma casa quase totalmente mobiliada, à venda no Gianna, e fui sem acreditar no que ele dizia.
De fato, foi amor à primeira vista. Também... a casa parecia um showroom. Com os móveis planejados expondo a funcionalidade do lugar, ficou impossível não gostar da casa. Hoje já conhecemos boa parte dos pequenos (embora vários) defeitos do lugar. Mas isso acontece em qualquer endereço. Não há casa perfeita. O que sei é que o negócio acabou sendo feito. E agora o ambiente está adaptado à nossa permanência.
Há um sofá confortável na sala, do jeito que a Priscila queria, e meu computador ao lado, como eu necessitava. Até ontem à noite, a Pri ainda organizava algumas das sacolas de roupas que ela transferiu para cá. Ficou horas fazendo isso. E eu estou aqui pensando quantas revistas e livros deixei na casa de meus pais. Boa parte deles eu jamais vou usar mesmo, mas outros são de estimação.
Isso é algo interessante. Esta casa é bem menor que aquela de meus pais. Enquanto lá eu me acostumei a acumular coisas e não jogar nada fora, aqui eu precisarei aprender outros hábitos. Não há espaço para tranqueira. É preciso ser prático e direto. Nada de guardar todo tipo de papel, panfleto ou lixo.
Iniciei essa limpeza já alguns dias, mentalmente. Depois comecei a limpar gavetas, ainda na outra casa. Na noite do último dia de 2011 eu estava deletando mensagens antigas de meu celular. E ontem resolvi limpar um pouco este computador. Quando percebi, por um erro de cálculo estava deletando coisas que deveriam permanecer aqui. Cancelei o processo, mas uma parte dos arquivos foi excluída. Terei que recorrer a um backup feito meses atrás, para recuperar algumas HQs e textos importantes.
Este será um ano repleto de mudanças, erros e acertos, como foram os primeiros dias. Mas tudo fluirá. Hoje pela manhã levei a Pri ao trabalho. Quando voltava, vi um homem fazendo caminhada. Se deslocava a passos rápidos de calção, camiseta, óculos escuros e bengala. Bengala? Ele carregava a bengala, como se tivesse ido até a fonte da juventude e estivesse regressando após um rápido mergulho. Acho que será um ano de milagres também.
12 de dez. de 2011
Mais que uma casa nova
Ainda assim, creio que a mudança será uma experiência e tanto. Uma viagem de autoconhecimento maior do que todas que já experimentei. E estou incluindo aí Morretes e Guaraqueçaba. Tenho mais curiosidades do que receios nesta mudança. No período em que estamos namorando, descobri muito a meu próprio respeito, e passei a perceber e aceitar meus defeitos e erros que antes ignorava. Minha insegurança, meu perfeccionismo, minhas preocupações e desatenção. Ao mesmo tempo, vi com mais clareza algumas qualidades, que guardo para mim. Vai que alguém diz que não são qualidades...
Mas, o encontro seguido da despedida cria um vínculo menor entre o casal. Agora, vivendo na mesma casa, espero descobrir mais a meu respeito e a respeito dela. Compreender melhor que atitudes são esperadas de mim e quais devem ser tomadas. Encontrar o equilíbrio entre o que se quer, o que se pode e o que se deve fazer. E ficar sabendo quem sou eu, vivendo em uma casa que não é de meus pais, na qual até hoje sempre tive tudo o que precisei, do carinho aos bens materiais.
Enquanto muitos deixam a casa de seus pais num ato de rebeldia, porque não concordam com as atitudes deles e não os suportam, eu deixo a casa de meus pais apenas porque sei que é tempo de sair. Pois, na verdade, foi nos últimos dois anos e meio que percebi de forma ainda mais evidente o quanto eles são importantes em minha vida. Notei de forma mais clara o quanto torcem por mim. Percebi o apoio que sempre que precisei. Com eles e com meu irmão, meu maior amigo, e que sempre entende minhas piadas, até as sem graça, sempre tive um refúgio.
Nos próximos dias sairei da casa de meus pais e de meu irmão com a tranquilidade de saber que eles também estão sempre de braços abertos. E que eles saibam que meus braços também estão abertos para eles, que agora terão mais alguém para visitar aos domingos. Se virem!
10 de out. de 2011
O que mantém o mundo um bom lugar
Um dos poucos privilégios que tenho como jornalista da seção cultural / entretenimento / social do jornal é que de vez em quando surge a possibilidade de acompanhar eventos que, normalmente, eu não poderia.
Foi assim que nesse domingo pude assistir, no Cine-Teatro Ópera de Ponta Grossa, à bela apresentação da Orquestra Sinfônica Philips, que iniciou aqui sua breve turnê pelo Brasil (segue depois para Curitiba e São Paulo). O grupo de dezenas de músicos veio da Holanda, numa parceria com a Associação Parque Histórico de Carambeí, e tive acesso a dois convites que me permitiram ver o show ao lado de minha namorada Priscila.
Sempre fico com receio quando a levo para algum evento cultural. Nem sempre a atração agrada, e às vezes nem eu me sinto satisfeito com algumas coisas. Estou me recusando temporariamente a ir ao cinema devido ao grande número de decepções, por exemplo.
Mas, dessa vez, posso dizer que o espetáculo valeu o tempo investido. Enquanto via e ouvia tudo, me vieram pensamentos filosóficos. É que eu observava com atenção a beleza da melodia e a elegância dos músicos. E, ao mesmo tempo, recordava a grande quantidade de desgraças que ouço todos os dias, trabalhando no jornal. São mortes, assassinatos, estupros, assaltos. Tudo provocado por pessoas não muito diferentes daquelas que ouviam a música, ou a apresentavam naquele instante.
Poderia um assassinato ser orquestrado por um daqueles que estava no palco, apresentado o que há de mais belo no ser humano: a criação artística? E teria eu o direito de apreciar aquela beleza toda, sabendo que tanta coisa ruim acontece no restante do mundo, ou mesmo do lado de fora do teatro?
Mas a minha mão estava sobre a mão da Pri. E a música insistia em tocar. Então a melodia e o momento bom prevaleceram, e esqueci do resto. É preciso esquecer o que há de ruim, de vez em quando, para perceber o que ainda há de bom. Espero poder sempre me concentrar no que há de bom, para não cair no erro de me tornar tão ruim quanto tudo que mais detesto. E a música segue.
14 de set. de 2011
Catraca em GIF


13 de set. de 2011
Nada substitui um profissional
27 de jul. de 2011
Meus cartuns estão por aí...
Catraca no Gibicon nº0
Fico feliz ao perceber que tenho conseguido pequenas conquistas, mas de grande importância, através dos desenhos com o personagem Catraca. No domingo retrasado, dia 17, eu e minha namorada fomos até Curitiba, especialmente para marcar presença no Gibicon nº0, evento preliminar no Congresso Internacional de Quadrinhos, que ocupou diversos espaços no centro da capital paranaense.
Ali, munido de pequeno dossiê sobre figuras importantes, feito a partir de informações e fotos da internet, vi alguns dos quadrinistas e roteiristas de destaque no cenário nacional. Era o final do evento e também não tínhamos os planos de passar a noite em Curitiba. Então, assistimos a uma conferência na qual participaram os italianos Tommaso D’Alessandro (agenciador de quadrinhos) e Luca Raffaelli (jornalista cultural). No diálogo, eles esboçaram algumas de suas opiniões e traçaram um parâmetro do mercado europeu para os quadrinhos na atualidade. Ao final, Tommaso iria analisar portfólios e opinar sobre o trabalho dos desenhistas que ali estivessem.
A maioria levava diversas folhas de desenhos enormes e bem trabalhados. E ele tinha bastante a dizer, para o bem ou para o mal. Furei uma fila que começava a se organizar e joguei, diante de Tommaso, três páginas de tiras do Catraca. Mas não levou 15 segundos para que ele dissesse, em italiano, que não havia mercado para isso na Europa. Algo que ele já tinha dito durante a conferência... e eu só queria ouvir de novo.
Não foi surpresa e nem eu pensava em lançar as tiras no mercado europeu, ao menos por enquanto. É claro que ele completou dizendo que não entendia o que diziam as historietas, já que ele compreendia o italiano, mas não o português.
Catraca em Curitiba
De volta pra casa, enviei uma mensagem através de site para a ZnorT, empresa especializada em ilustrações de diversos tipos, e sediada em Curitiba. Não mencionei detalhes de meu trabalho, apenas meu nome e minha atividade de cartunistas. Aí sim, veio a surpresa. Paulo da Rocha Loures Pacheco Jr, um dos responsáveis na empresa, me respondeu de forma bastante atenciosa e quase imediata, revelando que já conhecia as tiras do Catraca, e dizendo que eu poderia enviar meu portfólio para eles. É nessas horas que conseguir uma colocação no mercado se mostra, para mim, menos importante do que já ser conhecido no mercado. Catraca se populariza em Ponta Grossa, mas é reconhecido em Curitiba.
Catraca é leitura
Ainda na semana passada, um telefonema recebido na redação do jornal me deixou ainda mais entusiasmado. Uma professora ligou pedindo autorização para reproduzir as tiras do Catraca em sua pesquisa, na qual aponta meus desenhos como motivadores da leitura junto a pessoas que estão aprendendo a ler. “Tem minha total autorização”, falei. Infelizmente não tenho o nome dela, que disse que me enviará solicitação formal via e-mail.
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Fã clube do Catraca
O Facebook e o Twitter certamente têm sido importantes ferramentas para a divulgação de meus desenhos. A Talita Moretto, que trabalha comigo no Jornal da Manhã, e coordena o projeto Vamos Ler de incentivo à leitura do jornal nas escolas, frequentemente publica as tiras do Catraca em sua página no Facebook. Nesta semana, ela publicou a mais recente, e dentre os comentários surgiu até um “fã club do Catraca”! São os membros do Projeto Saci, que trabalha com conscientização ambiental em São Paulo.
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Catraca no Youtube
Chegou ao Youtube, há poucos dias também, o vídeo de entrevista feita por Manu Rodrigues, da TVM, canal local a cabo, em seu programa Estação Urbana. O entrevistado foi este cartunista, no começo do ano, se me lembro bem. De lá pra cá, o endereço do site de tiras mudou para www.odanilo.com.br, mas a entrevista está bacana.
13 de jul. de 2011
Liechtenstein é logo ali... em Piraí
De vez em quando, é inevitável, situações inexplicáveis acontecem. Há poucos minutos, minha mãe tirou a fatura da conta telefônica da gaveta, e veio até mim, dizendo: “Danilo, dê uma olhada aqui nessa conta telefônica. Acho que veio errado. Aqui diz que fizemos uma ligação internacional...”
Fui verificar, e me deparei com a seguinte informação na fatura: uma ligação foi feita no dia 22 de junho, às 8h49. Teve duração de 25 segundos e, pasme... foi uma ligação para Liechtenstein!!
Liechtenstein! Eu nem sei se escrevi direto o nome aqui, nem tampouco tinha ideia de onde, exatamente, ficava esse lugar. O Google me veio com a seguinte informação:
Liechtenstein, oficialmente Principado de Liechtenstein, é um minúsculo principado, um microestado, localizado no centro da Europa, encravado nos Alpes, entre a Áustria, a leste, e a Suíça a oeste. Pouco mais de 34 mil habitantes moram no principado de apenas 160 km².
Fiquei de cara com o erro da companhia telefônica. Foram apenas R$ 1,91 a mais na conta, mas eu já estava pensando de que forma iria proceder com a reclamação. Foi quando notei que o número discado não era tão estranho assim. Na verdade, ele tinha sido discado novamente dois dias depois, em 24 de junho. Era o número (42) 3237-3402, que se referia a uma pousada em Piraí do Sul, aqui mesmo, nos Campos Gerais, interior no Paraná, e não nos Alpes suíços.
Acontece que no mês passado eu havia ligado para esse número para reservar uma hospedagem onde eu e a Pri pudéssemos passar o final de semana. Puxando pela memória, recordei de como tudo aconteceu.
***
Era manhã do dia 22 de junho. Alguns dias antes, eu e minha namorada tínhamos decidido viajar até Piraí do Sul, e passar um dia lá, aonde já tínhamos ido passear no ano anterior. A Pousada Serra de Pirahy é um excelente lugar estabelecido em meio a campos, riachos, cachoeiras, belas formações rochosas e um paredão de pedra que faz eco igual nos desenhos animados. Para completar, a pousada tem comida caseira, excelentes instalações e uma família muito simpática e acolhedora que administra tudo. Emerson, por exemplo, é um sujeito muito atencioso, inteligente, conversador, e realiza passeios guiados pelos campos, até as pinturas rupestres indígenas e às misteriosas marcas circulares gravadas em rochas há centenas ou, talvez, milhares de anos.
Ocorre que, na manhã do dia 22, precisamente às 8h49, eu tinha visto na internet o número de contato com a pousada, e apanhei o telefone para agendar nossa presença lá no fim de semana. O telefone chamou algumas vezes até que um senhor com uma voz estranha atendesse do outro lado, e me dissesse algo parecido com um “alô”.
“Alô”, eu disse. “Gostaria de falar com o Emerson. Ele está?”
Em seguida, o cidadão falou uma frase que, para mim, foi totalmente indecifrável. Notei apenas que ele falava com um sotaque que me lembrava o alemão.
“Me desculpe, acho que foi engano”, eu disse. E desliguei o telefone, em uma conversa que deve ter durado 25 segundos.
Olhei novamente para o papel onde tinha anotado o telefone (42) 3237-3402. Será que eu tinha discado errado? Podia ser. Ou, talvez, o Emerson estivesse com turistas em casa, e um deles atendeu o telefone ao ver que ninguém mais o faria. Na dúvida, liguei de novo em seguida, mas o número dava como ocupado. Naquela manhã, desisti.
Então, esqueci completamente o episódio. Somente dois dias depois é que encontrei tempo para tentar novamente o mesmo número. Liguei e, do outro lado, quem me atendeu foi a irmã do Emerson. Agendei nossa presença lá para o dia seguinte, à tarde. E assim fizemos. Foi um ótimo fim de semana, que só não foi melhor devido à chuva, que nos impediu de caminhar pelos campos.
Agora, quase um mês depois, eu olho para essa conta telefônica e relembro a história. Recordo a voz do sujeito com sotaque estranho, e reconheço: não sei como, mas, de fato... Eu fiz uma ligação para Liechtenstein... Através de um simples DDD.
4 de jul. de 2011
Catraca passa de 200 tiras e site ganha novo layout
Uma aventura que começou em preto e branco completa quatro anos e mais de 200 tiras em grande estilo. Catraca, personagem de quadrinhos que desde 2007 ilustra cada edição dominical do Jornal da Manhã, acaba de ganhar novo site. A página de Tiras do Danilo (que sou eu) está no ar no endereço www.odanilo.com.br.
Não é apenas o endereço que ficou mais fácil de lembrar. A navegabilidade para o internauta e a interação foram ampliadas. Em consonância com a evolução da internet, as Tiras do Danilo agora estão linkadas com o Facebook e o Twitter, por exemplo.
Quem acessa o site pode ‘twittar’ a tirinha que mais gostou, ou curtir a piada e compartilhar com os amigos do Facebook imediatamente. Além disso, outra novidade é o ‘Risômetro’: é possível dar uma nota (de uma a cinco estrelas) para a tirinha. O sistema calcula uma média e informa o resultado atual abaixo da tira.
No arquivo é possível acessar todas as tiras feitas desde 2007, numeradas e datadas. A partir do site, o internauta também pode seguir o autor no Twitter ou ler postagens em seu blog Universo e Afins. As tiras seguem sendo publicadas na Revista Urbe do Jornal da Manhã.
Catraca é um garçom que vive situações bizarras relacionadas ao cotidiano. Suas histórias, não raro, envolvem lugares, acontecimentos ou personagens baseadas na realidade de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais. Algumas delas registram fatos que foram notícia nos jornais, como as obras da rodoviária, a revitalização da Avenida Vicente Machado, o pânico com a Gripe A. É como se colocássemos um marcador em alguns desses fatos, para relembrá-los sob o ponto de vista do bom humor, mesmo em situações ruins.
3 de jun. de 2011
Uma troca de "bujão"
"Por que você ainda pergunta as coisas pra ele? Faz 15 anos que ele trabalha aqui e não sabe nada..."
25 de mai. de 2011
Trinta minutos que viraram apenas três
16 de mai. de 2011
Anseios solitários

23 de abr. de 2011
O boteco de Seu Rui
22 de abr. de 2011
Ignorando a competência
Um grande conflito se instala em minha mente: a batalha entre o que eu faço, o que compete a mim fazer, e o que eu devo realmente fazer.
Talvez seja um dos maiores problemas da sociedade contemporânea. Muito se fala que as pessoas deixaram de se preocupar umas com as outras, e isso é um indicativo de que é verdade. Só não sei o que é causa e o que é consequência nessa história.
Sempre me revoltei com as pessoas que fazem apenas aquilo que é de sua obrigação. Acredito que essa é a razão pela qual muitas coisas boas deixam de acontecer. E, nessa semana, tive a prova real.
Na verdade, tudo começou há cerca de um mês. O colega chargista J. Robson,
codinome “Sádico”, esteve no jornal e veio conversar comigo:
- Daí, velho... e o livro cara? Sai ou não sai?
Ele se referia ao livro “Traços de PG”. Há cerca de dois anos, o Jornal da Manhã havia inscrito um projeto, aprovado pela Lei Rouanet de incentivo à cultura. O livro, intitulado “Traços de PG” iria reunir meus cartuns e as charges do Sádico. Mas a captação de recursos, até onde eu sabia, tinha estagnado em algo em torno dos 50%, de modo que a publicação do livro ainda era apenas uma boa intenção.
- Eu tava pensando... – ele continuou – acho que tá na hora de a gente se mexer. Porque, se depender dos outros, então não vai sair esse nosso livro. Vamos aplicar terrorismo, tática de guerrilha...
A ideia não me pareceu de todo ruim. Por outro lado, eu estava pouco inclinado a fazer algo a respeito. Embora a publicação do livro fosse de meu interesse, fazer qualquer esforço adicional para isso me parecia incorreto. Nosso trabalho deveria ser apenas de separar tiras e charges para compor a obra. A diagramação e impressão, se bem me lembro, estava a cargo da Toda Palavra Editora. O projeto era do Jornal da Manhã, a coordenação de projetos era da Talita, e a busca de recursos para publicação era da ABC Projetos. Cada qual tinha sua responsabilidade.
Apesar disso, iniciamos na semana seguinte uma série de comentários no Twitter, com objetivo de relembrar o livro, já esquecido, e manifestar nossa indignação com o projeto que parecia ainda distante. Houve algumas manifestações de apoio de amigos e colegas.
Os comentários no Twitter culminaram em uma curta tirinha que fiz e publiquei no Twitter e no Facebook, a partir de uma ideia que foi até sugestão do Sádico em nossa primeira conversa.

Logo em seguida, o Sádico fez uma tira excelente, também levando em consideração a demora na execução do projeto.

Mais tarde conversei outra vez com Sádico, e informei a ele que, na verdade, nem mesmo os 50% dos recursos para o livro tinham sido arrecadados. E que, tínhamos somente até dezembro para captar o restante, ou para reiniciar todo o projeto de novo, do zero. Ele indicou que sairia em busca de patrocinadores.
Mas eu não me imaginava buscando patrocínio para o livro, até porque esse era o trabalho da empresa contratada para esse fim. No entanto, dias depois uma informação nova surgiria.
Eu estava preparando a entrevista que faria para a revista Urbe com o secretário de Estado de Cultura, Paulino Viapiana. Pesquisava projetos em execução pela Secretaria, quando li mais detalhadamente o projeto ‘Conta Cultura”, que existiu entre 2001 e 2003 e, no mês passado, foi reativado. Basicamente, através dessa iniciativa, o Governo do Estado se encarregava de buscar patrocinadores para projetos culturais já aprovados pela Lei Rouanet. Pensei: espera aí... será que o livro “Traços de PG” não se enquadra nisso? Talvez. Mas o detalhe era o seguinte: o prazo para inscrição de projeto expirava em dois dias.
A diretoria do jornal estava em reunião. Falei com a Talita, coordenadora de projetos, que verificou rapidamente e confirmou que o livro poderia ser inscrito no “Conta Cultura”. Em seguida liguei para a ABC Projetos, onde fui informado pela funcionária que, de fato, nosso livro não tinha sido inscrito no projeto. “Me mande um e-mail explicando bem certo o que é o projeto”, disse a funcionária, que sequer sabia do que se tratava.
Depois de enviar o e-mail com o link e um texto explicativa, recebi sua resposta: “Vou dar uma lida com calma, e qualquer coisa te respondo.” Considerando que tínhamos dois dias, enviei novo e-mail com a seguinte mensagem: “Te ligo à tarde”.
O resultado veio logo após o almoço. A funcionária da ABC Projetos me ligou para dizer que, sim, o livro poderia ser inscrito no projeto. Ela estava preparando os documentos para enviar ainda naquela tarde, e só bastaria uma assinatura do diretor de redação do Jornal, para que tudo fosse enviado via sedex no mesmo dia. Na verdade, não só o “Traços de PG”, como também o projeto “Fragmentos”, do JM, pode ser inscrito no programa.
Assim, poucas horas depois, já colhida a assinatura necessária, entreguei dois envelopes, sendo um de nosso livro, para a Taina, na recepção do Jornal. E pedi que enviasse no mesmo dia pelos correios.
O fim de tarde me trouxe uma sensação muito boa, de ter feito o máximo possível para que o livro fosse publicado. Duvido que pudesse ter ajudado mais que isso. Também ainda depende da aprovação da comissão nomeada pelo Estado para escolher os projetos, mas acredito que temos chance.
No entanto, e se eu não me mexesse? E se deixasse apenas para os responsáveis pela captação de recursos, que sequer sabiam do que se tratava o “Conta Cultura”? Daí vem a pergunta... devemos fazer apenas o que é de nossa responsabilidade, ou tudo aquilo que for necessário, independente de nossa competência?
Tudo o que sei, é que quero ver o livro publicado. E que a guerrilha que começou no Twitter ainda não acabou...
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No dia seguinte, a Taina me diz que os Correios ligaram pro jornal, e que dois envelopes enviados no dia anterior tinham sido extraviados. Os dois inscritos no projeto “Conta Cultura”. Foram trinta minutos de meu desespero, até que os Correios localizassem os pacotes, que já estavam em seu destino.


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