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27 de jul. de 2011

Meus cartuns estão por aí...

Catraca no Gibicon nº0

Fico feliz ao perceber que tenho conseguido pequenas conquistas, mas de grande importância, através dos desenhos com o personagem Catraca. No domingo retrasado, dia 17, eu e minha namorada fomos até Curitiba, especialmente para marcar presença no Gibicon nº0, evento preliminar no Congresso Internacional de Quadrinhos, que ocupou diversos espaços no centro da capital paranaense.

Ali, munido de pequeno dossiê sobre figuras importantes, feito a partir de informações e fotos da internet, vi alguns dos quadrinistas e roteiristas de destaque no cenário nacional. Era o final do evento e também não tínhamos os planos de passar a noite em Curitiba. Então, assistimos a uma conferência na qual participaram os italianos Tommaso D’Alessandro (agenciador de quadrinhos) e Luca Raffaelli (jornalista cultural). No diálogo, eles esboçaram algumas de suas opiniões e traçaram um parâmetro do mercado europeu para os quadrinhos na atualidade. Ao final, Tommaso iria analisar portfólios e opinar sobre o trabalho dos desenhistas que ali estivessem.

A maioria levava diversas folhas de desenhos enormes e bem trabalhados. E ele tinha bastante a dizer, para o bem ou para o mal. Furei uma fila que começava a se organizar e joguei, diante de Tommaso, três páginas de tiras do Catraca. Mas não levou 15 segundos para que ele dissesse, em italiano, que não havia mercado para isso na Europa. Algo que ele já tinha dito durante a conferência... e eu só queria ouvir de novo.

Não foi surpresa e nem eu pensava em lançar as tiras no mercado europeu, ao menos por enquanto. É claro que ele completou dizendo que não entendia o que diziam as historietas, já que ele compreendia o italiano, mas não o português.

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Catraca em Curitiba

De volta pra casa, enviei uma mensagem através de site para a ZnorT, empresa especializada em ilustrações de diversos tipos, e sediada em Curitiba. Não mencionei detalhes de meu trabalho, apenas meu nome e minha atividade de cartunistas. Aí sim, veio a surpresa. Paulo da Rocha Loures Pacheco Jr, um dos responsáveis na empresa, me respondeu de forma bastante atenciosa e quase imediata, revelando que já conhecia as tiras do Catraca, e dizendo que eu poderia enviar meu portfólio para eles. É nessas horas que conseguir uma colocação no mercado se mostra, para mim, menos importante do que já ser conhecido no mercado. Catraca se populariza em Ponta Grossa, mas é reconhecido em Curitiba.

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Catraca é leitura

Ainda na semana passada, um telefonema recebido na redação do jornal me deixou ainda mais entusiasmado. Uma professora ligou pedindo autorização para reproduzir as tiras do Catraca em sua pesquisa, na qual aponta meus desenhos como motivadores da leitura junto a pessoas que estão aprendendo a ler. “Tem minha total autorização”, falei. Infelizmente não tenho o nome dela, que disse que me enviará solicitação formal via e-mail.

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Fã clube do Catraca

O Facebook e o Twitter certamente têm sido importantes ferramentas para a divulgação de meus desenhos. A Talita Moretto, que trabalha comigo no Jornal da Manhã, e coordena o projeto Vamos Ler de incentivo à leitura do jornal nas escolas, frequentemente publica as tiras do Catraca em sua página no Facebook. Nesta semana, ela publicou a mais recente, e dentre os comentários surgiu até um “fã club do Catraca”! São os membros do Projeto Saci, que trabalha com conscientização ambiental em São Paulo.

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Catraca no Youtube

Chegou ao Youtube, há poucos dias também, o vídeo de entrevista feita por Manu Rodrigues, da TVM, canal local a cabo, em seu programa Estação Urbana. O entrevistado foi este cartunista, no começo do ano, se me lembro bem. De lá pra cá, o endereço do site de tiras mudou para www.odanilo.com.br, mas a entrevista está bacana.


4 de jul. de 2011

Catraca passa de 200 tiras e site ganha novo layout

Uma aventura que começou em preto e branco completa quatro anos e mais de 200 tiras em grande estilo. Catraca, personagem de quadrinhos que desde 2007 ilustra cada edição dominical do Jornal da Manhã, acaba de ganhar novo site. A página de Tiras do Danilo (que sou eu) está no ar no endereço www.odanilo.com.br.

Não é apenas o endereço que ficou mais fácil de lembrar. A navegabilidade para o internauta e a interação foram ampliadas. Em consonância com a evolução da internet, as Tiras do Danilo agora estão linkadas com o Facebook e o Twitter, por exemplo.

Quem acessa o site pode ‘twittar’ a tirinha que mais gostou, ou curtir a piada e compartilhar com os amigos do Facebook imediatamente. Além disso, outra novidade é o ‘Risômetro’: é possível dar uma nota (de uma a cinco estrelas) para a tirinha. O sistema calcula uma média e informa o resultado atual abaixo da tira.

No arquivo é possível acessar todas as tiras feitas desde 2007, numeradas e datadas. A partir do site, o internauta também pode seguir o autor no Twitter ou ler postagens em seu blog Universo e Afins. As tiras seguem sendo publicadas na Revista Urbe do Jornal da Manhã.

Catraca é um garçom que vive situações bizarras relacionadas ao cotidiano. Suas histórias, não raro, envolvem lugares, acontecimentos ou personagens baseadas na realidade de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais. Algumas delas registram fatos que foram notícia nos jornais, como as obras da rodoviária, a revitalização da Avenida Vicente Machado, o pânico com a Gripe A. É como se colocássemos um marcador em alguns desses fatos, para relembrá-los sob o ponto de vista do bom humor, mesmo em situações ruins.

22 de abr. de 2011

Ignorando a competência

Um grande conflito se instala em minha mente: a batalha entre o que eu faço, o que compete a mim fazer, e o que eu devo realmente fazer.

Talvez seja um dos maiores problemas da sociedade contemporânea. Muito se fala que as pessoas deixaram de se preocupar umas com as outras, e isso é um indicativo de que é verdade. Só não sei o que é causa e o que é consequência nessa história.

Sempre me revoltei com as pessoas que fazem apenas aquilo que é de sua obrigação. Acredito que essa é a razão pela qual muitas coisas boas deixam de acontecer. E, nessa semana, tive a prova real.

Na verdade, tudo começou há cerca de um mês. O colega chargista J. Robson,

codinome “Sádico”, esteve no jornal e veio conversar comigo:

- Daí, velho... e o livro cara? Sai ou não sai?

Ele se referia ao livro “Traços de PG”. Há cerca de dois anos, o Jornal da Manhã havia inscrito um projeto, aprovado pela Lei Rouanet de incentivo à cultura. O livro, intitulado “Traços de PG” iria reunir meus cartuns e as charges do Sádico. Mas a captação de recursos, até onde eu sabia, tinha estagnado em algo em torno dos 50%, de modo que a publicação do livro ainda era apenas uma boa intenção.

- Eu tava pensando... – ele continuou – acho que tá na hora de a gente se mexer. Porque, se depender dos outros, então não vai sair esse nosso livro. Vamos aplicar terrorismo, tática de guerrilha...

A ideia não me pareceu de todo ruim. Por outro lado, eu estava pouco inclinado a fazer algo a respeito. Embora a publicação do livro fosse de meu interesse, fazer qualquer esforço adicional para isso me parecia incorreto. Nosso trabalho deveria ser apenas de separar tiras e charges para compor a obra. A diagramação e impressão, se bem me lembro, estava a cargo da Toda Palavra Editora. O projeto era do Jornal da Manhã, a coordenação de projetos era da Talita, e a busca de recursos para publicação era da ABC Projetos. Cada qual tinha sua responsabilidade.

Apesar disso, iniciamos na semana seguinte uma série de comentários no Twitter, com objetivo de relembrar o livro, já esquecido, e manifestar nossa indignação com o projeto que parecia ainda distante. Houve algumas manifestações de apoio de amigos e colegas.

Os comentários no Twitter culminaram em uma curta tirinha que fiz e publiquei no Twitter e no Facebook, a partir de uma ideia que foi até sugestão do Sádico em nossa primeira conversa.


Logo em seguida, o Sádico fez uma tira excelente, também levando em consideração a demora na execução do projeto.

Mais tarde conversei outra vez com Sádico, e informei a ele que, na verdade, nem mesmo os 50% dos recursos para o livro tinham sido arrecadados. E que, tínhamos somente até dezembro para captar o restante, ou para reiniciar todo o projeto de novo, do zero. Ele indicou que sairia em busca de patrocinadores.

Mas eu não me imaginava buscando patrocínio para o livro, até porque esse era o trabalho da empresa contratada para esse fim. No entanto, dias depois uma informação nova surgiria.

Eu estava preparando a entrevista que faria para a revista Urbe com o secretário de Estado de Cultura, Paulino Viapiana. Pesquisava projetos em execução pela Secretaria, quando li mais detalhadamente o projeto ‘Conta Cultura”, que existiu entre 2001 e 2003 e, no mês passado, foi reativado. Basicamente, através dessa iniciativa, o Governo do Estado se encarregava de buscar patrocinadores para projetos culturais já aprovados pela Lei Rouanet. Pensei: espera aí... será que o livro “Traços de PG” não se enquadra nisso? Talvez. Mas o detalhe era o seguinte: o prazo para inscrição de projeto expirava em dois dias.

A diretoria do jornal estava em reunião. Falei com a Talita, coordenadora de projetos, que verificou rapidamente e confirmou que o livro poderia ser inscrito no “Conta Cultura”. Em seguida liguei para a ABC Projetos, onde fui informado pela funcionária que, de fato, nosso livro não tinha sido inscrito no projeto. “Me mande um e-mail explicando bem certo o que é o projeto”, disse a funcionária, que sequer sabia do que se tratava.

Depois de enviar o e-mail com o link e um texto explicativa, recebi sua resposta: “Vou dar uma lida com calma, e qualquer coisa te respondo.” Considerando que tínhamos dois dias, enviei novo e-mail com a seguinte mensagem: “Te ligo à tarde”.

O resultado veio logo após o almoço. A funcionária da ABC Projetos me ligou para dizer que, sim, o livro poderia ser inscrito no projeto. Ela estava preparando os documentos para enviar ainda naquela tarde, e só bastaria uma assinatura do diretor de redação do Jornal, para que tudo fosse enviado via sedex no mesmo dia. Na verdade, não só o “Traços de PG”, como também o projeto “Fragmentos”, do JM, pode ser inscrito no programa.

Assim, poucas horas depois, já colhida a assinatura necessária, entreguei dois envelopes, sendo um de nosso livro, para a Taina, na recepção do Jornal. E pedi que enviasse no mesmo dia pelos correios.

O fim de tarde me trouxe uma sensação muito boa, de ter feito o máximo possível para que o livro fosse publicado. Duvido que pudesse ter ajudado mais que isso. Também ainda depende da aprovação da comissão nomeada pelo Estado para escolher os projetos, mas acredito que temos chance.

No entanto, e se eu não me mexesse? E se deixasse apenas para os responsáveis pela captação de recursos, que sequer sabiam do que se tratava o “Conta Cultura”? Daí vem a pergunta... devemos fazer apenas o que é de nossa responsabilidade, ou tudo aquilo que for necessário, independente de nossa competência?

Tudo o que sei, é que quero ver o livro publicado. E que a guerrilha que começou no Twitter ainda não acabou...

***

No dia seguinte, a Taina me diz que os Correios ligaram pro jornal, e que dois envelopes enviados no dia anterior tinham sido extraviados. Os dois inscritos no projeto “Conta Cultura”. Foram trinta minutos de meu desespero, até que os Correios localizassem os pacotes, que já estavam em seu destino.

16 de mar. de 2011

Enfim, conheci Benett!

Existe tanta informação no mundo, que não é vergonha nenhuma se especializar apenas em algumas poucas coisas. Infelizmente, na maioria das vezes, isso não funciona para os jornalistas. Até que se consiga conquistar um espaço bem definido, seja na editoria de Política, Polícia, Economia ou Esporte, pode levar muito tempo.

Somente na segunda metade do ano passado e início deste ano é que consegui me estabelecer onde eu realmente queria estar: fazendo as reportagens de Cultura e Comportamento do Jornal da Manhã, onde trabalho desde 2007.

Entretanto, isso não significa que deixei de fazer outras coisas que me atraem bem menos, como editar as colunas sociais, fazer matérias sobre agronegócios e corrigir textos de colaboradores que nem mesmo sabem que não existe o idioma “brasileiro”.

Com tudo isso, inevitavelmente me deparo todos os dias com pouco tempo para eu mesmo. Gostaria de me dedicar, por exemplo, à atividade de cartunista, algo que venho desenvolvendo há muito tempo, mas que começou mesmo a ganhar traços definidos [com o perdão do trocadilho] quando ainda estava na universidade, me preparando para um jornalismo um tanto quanto diferente daquele que encontraria no mercado.

Desenho desde que me lembro. Muito antes de saber ler ou escrever. Levei meus rabiscos para as aulas de Educação Artística no primário, aos intervalos no Ensino Médio e para dentro da sala de aula da Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde uma caricatura do professor de Realidade Socioeconômica Brasileira escrevendo hieróglifos na lousa me projetou entre os amigos como alguém que sabia desenhar.

Minha colega Lídia, na época, disse que eu deveria mostrar os desenhos, e [fã de quadrinhos] me comparou a outro cartunista – Bennet. Eu pouco sabia a seu respeito. Ele era o chargista do jornal Diário dos Campos. Naquela época houve, acredito, algumas exposições com seus desenhos. E o lançamento de um livro do desenhista. A Lídia tentou me levar para conhecê-lo, mas eu era bem mais tímido e introspectivo do que sou hoje, gostava de ficar em casa, e por isso o encontro jamais aconteceu. Foram necessários quase dez anos para que acontecesse... no mês passado.

Alberto Bennet estaria em Ponta Grossa na sexta-feira, às 19 horas, para o lançamento de sua nova exposição – “Bennet: quantas pílulas de sarcasmo você tomou hoje?” Uma pena que a rotina no jornal me impedia de deixar a redação antes das 21 horas. Fascinante que, justo naquele dia, consegui terminar o trabalho às 19 horas.

A Galeria do Centro Europeu, onde ocorreria a exposição, ainda estava praticamente vazia. Dei uma olhada nos desenhos já colocados nas paredes. Impressionante como o traço dele evoluiu nos últimos anos. E parece ser possível identificar quando Bennet teve mais ou menos tempo para fazer um desenho.

Enquanto olhava os cartuns e charges, em ideias que provocavam risos discretos, ficava imaginando qual seria a impressão quando o encontrasse. Sempre tive a sensação de que Bennet era um cara arrogante, que não perderia uma oportunidade de humilhar quem quer que fosse. Talvez por causa de raciocínios que pareciam implícitos em suas tiras. Temia fazer um comentário simpático e receber uma piada injusta em troca.

Bennet tinha conseguido viver do desenho, trabalhando para grandes jornais como a Gazeta do Povo e a Folha de S. Paulo. Isso não despertava em mim exatamente inveja. Era, na verdade, uma espécie de orgulho e esperança por saber que alguém tinha conseguido. Talvez por isso, essa conquista, o imaginava como um sujeito metido, que não se importa com as pessoas ao redor. É engraçado pensar que minhas impressões mudariam completamente a partir do momento em que o visse entrar na Galeria.

Bennet estava de boné, como sempre o vi nas fotos e desenhos. Conversou rapidamente com algumas pessoas e começou a ser entrevistado por algumas repórteres que estavam ali. Fiquei nas sombras, tentando decifrar qual era a dele. Mas ele não pareceu engraçado como imaginei que poderia ser. Foi sério em todas as respostas às perguntas das repórteres, que em seguida se retiraram, dando oportunidade para que eu me apresentasse:

- Bennet, eu sou Danilo. – disse, enquanto apertava sua mão.
- Danilo... o Danilo, do Jornal da Manhã? – perguntou, para minha surpresa – Eu conheço o teu trabalho... Desde a época da Lídia.

Bem, parece que minha amiga tinha criado um link entre os dois desenhistas antes mesmo do boom do twitter. Conversando com Benett, soube que ele desenha tudo no papel, para depois levar ao scanner e colorir no computador, da mesma forma que eu fazia até pouco tempo, antes de comprar uma mesa digitalizadora.

“E como funciona isso?”, ele perguntou. “E como vai o JM?” E então falei um pouco a meu respeito. Ele ouviu com interesse ou, antes, respeito tudo o que disse. Depois se retirou educadamente para conversar com outras pessoas.

Bennet é humano, afinal. No bom sentido da palavra. Em nenhum momento me pareceu arrogante, metido a engraçadinho. Quem sabe por causa do boné, imaginei que ele seria tipo o Sérgio Malandro, dando risadinhas e gesticulando feito maluco o tempo todo. Se revelou um cara comportado e educado. Talvez eu esteja manchando sua fama, com essa minha impressão.

Depois de alguns minutos, fui me despedir, e ele revelou mais uma vez sua cortesia. “É cedo ainda, fique... Olha, tem pão de queijo!”, disse, apontando para a mesa no hall de entrada, onde havia alguns salgadinhos. Peguei um.
“Ei! Isso é biscoito de polvilho!”, eu disse.
“Ora, então me enganei...”, falou Benett.
“Já que não tem pão de queijo, vou embora.”, falei. E fui, agora reconhecendo em Benett um desenhista bom e humilde. Só no dia seguinte me daria conta... esqueci de tirar uma foto com o artista. Fica para a próxima.